terça-feira, 21 de junho de 2005

O ESTRANHO PADRÃO DE ANTI-HERÓIS NAS ESTAÇÕES



Sabe aquele papo de que os hábitos de consumo de uma pessoa podem denunciar seu perfil e seus gostos? Pois então... se tem um hábito que pode denunciar de forma bem delineada gostos, costumes, pensamentos etc. é a lista de filmes alugados de um fulano qualquer (como se isto ainda fosse necessário num mundo pós-orkut). Normalmente a única regra que sigo é a da Santa Trindade. Sempre pego três. No mais, sou completamente caótico, um filme não tem nada a ver com o outro, alguém que viesse a analisar meu comportamento seguramente opinaria por um Distúrbio de Múltiplas Personalidades, mas no fim de semana que passou estranhamente peguei filmes que tinham mais ou menos coerência entre si. Todos eles do tipo que chamam por aí “cabeça”. Todos eles com algum tipo de mensagem. Todos eles te levando por um passeiozinho pelo inferno, com durações diferentes é verdade, mas com a ressalva de trazerem o lado positivo de tudo. Sempre achei que este negócio de ter que passar uma mensagem nem sempre é bom, pois o distanciamento de percepções entre diretor e espectadores pode ser abissal, e quanto mais subjetiva (e este não é o único parâmetro de distanciamento) a obra, mais propícia a tomar rumos diferentes nas nossas cabeças do que fora pretendido pelo idealizador/desenvolvedor do filme.

Pois bem, os filmes deste fim de semana, deixando de lado o Batman da telona, foram Anti-Herói Americano (American Splendor, 2003), Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera (Bom Yeorum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom, 2003) e Pi (idem, 1998) – a piadinha do 3,14159 já era, né?




O primeiro, sendo bem sincero, achei bem chato, o que fez-me sentir culpado já que reproduz a vida de um cara nerd, cheio de manias e Zé Ninguém. Devia me identificar com ele ao invés de achá-lo chato e isto me traz conclusões reflexivas ruins, mas deixa para lá... pelo menos confirmo que Paul Giamatti realmente é um bom ator.

O segundo é belíssimo. O filme inteiro tem cenas de uma beleza extasiante. Pena que o distanciamento de culturas me faz perder uma pá de simbolismos que passam pela tela, mas que o filme é bonitaço, não há dúvida. A história é até bem básica na sua metáfora sobre fases da vida, ensinamentos e estações do ano, mas o que importa é ficar vendo aquile desfile de imagens desbundantes. Se botar um insenso, tacar aquilo numa telona e atolar a cara no saquê (tá legal que o filme é coreano, mas não sei qual o destilado padrão de lá, então vai o genérico oriental mesmo), dá para atingir uns cinco níveis de super e sub consciência ao mesmo tempo... mó viagem.




Já o terceiro... bem.. o que dizer do terceiro? Não nego que a escolha dos três foi motivada pelas indicações de várias pessoas, mas a única unanimidade era Pi. Todo mundo que falava de Pi referia-se a ele como obra-prima que, não vista, acarretava expiação de pecados no inferno e coisa e tal. Como não estava a fim de meter-me com o tinhoso e não achava o dito nas locadoras comuns perto de casa, apelei para uma on-line que entrega lá no meu trabalho (e nem nesta acho Primer).

Veria o filme no sábado, mas entrei na ciranda louca de hospedagens para o post anterior (servicinho que apostava em 1 horinha e durou 2 dias) e acabei só podendo assistí-lo no fim do domingo. Então veio o sono, a segunda-feira, o sono, a terça-feira e ainda não cheguei à conclusão alguma... há momentos no filme que quase me fazem parar tudo e quebrar o DVD em 15 partes, entoando cânticos indígenas para espantar o já citado tinhoso, mas logo depois sinto-me envolvido, com estes momentos alternando-se constantemente, levando-me numa viagem lisérgica fortíssima e não sei ainda se entendi o que passa por trás das imagens aparentemente sem sentido. Tem horas que me sinto vendo aquele filme de Buñuel, O Cão Andaluz (Un Chien Andalou, 1929) - acho que é isto, prestes a me deparar com a lâmina no olho.




Não é de espantar, já que foi dirigido por Darren Aronofsky, mesmo diretor de Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000), filme dissecado pelo Doggma aqui ano passado e já revelava esta tendência bem particular de viagem pelo inferno. Não à toa foi um dos primeiros cogitados para Batman Begins, pois de sombras este cara entende. Pi foi seu primeiro filme após a graduação, protagonizado por Sean Gullette, mesmo ator usado para seu filme de "formatura" – ou seja lá o nome dado para este tipo de graduação.

A título de curiosidade, Pi é a razão entre a circunferência de um círculo (parece pleonasmo, mas não é) e seu diâmetro. O número 3,14159... é apenas um "apelido", já que não passa de um arredondamento de um número que, na última análise de extensão feita, chegou a 51 bilhões de algarismos e dá o que fazer para cientistas do mundo que teimam em procurar um padrão nas sua seqüência. Já que o círculo é entendido como a forma perfeita, uma razão entre duas de suas principais medidas obedeceria um padrão igualmente perfeito, mas o conceito acabou entrando em conflito com a seqüência de Fibonacci (assunto bem trabalhado no Código Da Vinci) e a divina proporção, o que trouxe a espiral para a luz como a forma perfeita, levando ao entendimento de um cartão de crédito ter uma forma mais perfeita que um círculo. Não entendeu? Explicações aqui.




Para quem estava que nem eu, ainda não viu, e quer saber antes do que se trata para poder fugir do inferno, é até difícil fazer uma sinopse da obra. Atrás do DVD diz-se tratar de um matemático que tenta encontrar um padrão de comportamento por trás do número Pi, e vai às raias da loucura com isto. Na verdade, Maximillian Cohen, o tal matemático, não está nem aí para o Pi. Quem quase empacotou analisando-o foi seu ex-professor. Cohen está preocupado é em descobrir um padrão de comportamento para todos os sistemas da natureza, sob influência humana ou não, o que transformaria a teoria do caos em algo ultrapassado e traria para o domínio humano a capacidade de previsão do futuro pelo entendimento dos padrões elementares de comportamento (inclusive podendo reproduzir o passado, dado que todas as variáveis seriam conhecidas). Está difícil de entender? Não posso fazer nada, mandem uma carta pro Aronofsky reclamando.

Logo no início do filme o protagonista – capaz de fazer 357 vezes 893 de cabeça em 2 segundos - nos diz que tudo na natureza pode ser traduzido em números, que a matemática é a língua universal e tudo está sujeito a ela. De forma brusca somos apresentados à esta persona cética, agnóstica, com visão binária de tudo (talvez por isto o filme seja em preto e branco) e que sofre de dores lancinantes de cabeça desde que contradisse as orientações da mãe aos seis anos e olhou para o sol até quase perder a visão. O indivíduo vive num apartamento minúsculo onde só há banheiro, cama e um mainframe usado para sua tese sobre os padrões universais. Usa como modelo de testes a bolsa de valores, acreditando que, se encontrar o que procura, poderá prever todas as cotações daí para diante.




A pesquisa o leva a ser procurado insistentemente por uma empresa, enquanto usa como momento de desafogo os papos com o ex-professor ou breves debates com um judeu que sempre o encontra em um café. Escrever mais que isto é revelar spoilers, só que não dá para ser diferente, então selecionem abaixo para ver o resto. Se alguém já viu o filme pode me dizer se entendi certo e, caso negativo, me ajudar a acertar.

A despeito de parecer tratar sobre números e mensurações de uma mente cética, humana, confusa com os acontecimentos levando tudo a parecer sem nexo, a impressão que me deu é que o filme trata do divino. Da impossibilidade de entender e se comunicar com a perfeição da natureza, com a consciência por trás de todas as coisas, incompreensível para pessoas tão subdesenvolvidas como a gente, revelando a impossibilidade para quem tenta entender sem poder, ou sem ser puro o suficiente.

Em dado momento o ex-professor revela que seu computador sempre apresentava um bug quando chegava ao fatídico número de 216 algarismos, como se adquirisse consciência do mundo e não fosse capaz de lidar com a mesma. O próprio professor, por insistir no número, acabou tendo o seu bug e o derrame quase o matou. Hoje ele entende que deve viver a vida deixando que as coisas aconteçam, sem tentar meter-se onde não deve. Quando Cohen, o protagonista, acha os 216 algarismos e prevê a próxima cotação da bolsa, seu computador igualmente queima, como se também entendesse que não é digno daquela informação. Certo de que está chegando perto do que procura, começa a ter mais e mais dores de cabeça, chegando a ver um cérebro ensangüentado no metrô e na pia. Enquanto ele se afasta do cérebro, simbolizando um afastamento da tentativa de compreensão, de cutucar aquilo que não deve ser cutucado, permanece em paz. No entanto, ao tentar se aproximar, tocar a compreensão, as dores retornam e o levam a desmaiar.

Paralelamente, o grupo de judeus diz que o Torah é a palavra de Deus com um código numérico por trás e que os 216 algarismos seriam a solução para descobrir o nome perdido e verdadeiro de Deus, só que o matemático sabia que o número por si só não dizia nada, mas a combinação de algarismos escolhidos segundo o percurso de uma espiral traria o entendimento de todas as coisas. Ele nos revela então que, ao olhar para o sol na infância, antes de escurecer tudo, foi capaz de ver entre os raios o funcionamento do cosmo através da tal espiral, como se tocasse a divindade. A ousadia de tentar compreender veio punida com as dores lancinantes e o sangramento nasal que o acometem desde então.

A busca pela verdade fez com que seu ex-professor sentisse estimulado a pensar a respeito, ao tentar encontrar este padrão de funcionamento em um tabuleiro go, onde acredita-se que há infinitas possibilidades de combinações. Sofre então novo derrame e é internado.

Depois disto tudo nosso matemático entende que o que ele procura não deve ser perturbado. Que as coisas divinas não devem sofrer interferência humana. Que brincar de Deus é perigoso e não é permitido, a única retribuição vem da ira divina, mais cedo ou mais tarde. Então destrói seu computador, queima o papel onde está o número e enfia uma furadeira na cabeça. Após o corte de cena, ele aparece novamente em um parque, uma menina vem perguntar quanto seria 782 vezes 975 e ele simplesmente não sabe, sugerindo que perdeu suas faculdades extraordinárias após a furadeira na cabeça (não é de se espantar...rs..). Após, fita as folhas de uma árvore movendo-se aleatoriamente, mas o filme, ainda em preto e branco, parece ganhar mais vida.


Bem... isto posto, reforço que tudo é muito onírico, intenso, perturbador e propositalmente confuso. Por isto não sei se estas impressões têm sentido e certamente não sei se gostei do filme no conceito "Cinema é a Maior Diversão"® (direitos do Grupo Severiano Ribeiro, que os não-cariocas conhecem como Kinoplex). Se eu acertei, a mensagem até é fantástica, mas a forma como é passada é cáustica demais, apesar de marcar melhor. Que nem Closer, onde as relações não são cor de rosa, mas são como a vida de verdade.




Certeza mesmo, depois das escolhas do último fim de semana, é que vou encher a cara no próximo sábado e as escolhas na locadora certamente serão Capitão Sky, Bob Esponja e Alone in the Dark... cansei deste negócio de pensar.

domingo, 19 de junho de 2005

COELHINHAS DA MANSÃO TRIPLE XXX - VIII




Estou com preguiça danada de pensar em como vejo as coisas, então o post de hoje é mais instintivo, fisiológico até. Afinal, assistirei agora 3,14159265 - ou simplesmente - e tenho que economizar neurônios, mas não preciso economizar testosterona.

Antes de começar, assumo logo que roubei o logo aí de cima do Doggma, pois não me entendo bem com o Photoshop para fazer um novo e personalizado.

Por falar nele, acho que já mostrou aqui: Vampira, Lara Croft, Betsy "Psylocke" Bradock, Jean "Fenix" Grey, Red Monika (16/03/2004), Caitlin Fairchild (26/03/2004), Victory e outras Roger's Girls (30/04/2004), Druuna (27/05/2004), Felícia "Gata Negra" Hardy (25/04/2004), e o último que foi um pout pourri de várias personagens (16/05/2005).

Não lembro ao certo, mas acho que ainda fez um da Emma Frost, mas, assim como as quatro primeiras listadas acima, seus links perderam-se na antiga hospedagem, quando o Black Zombie ainda era Phantom Lord e ficava no Blogger Brasil.

Para começar minha participação nesta área, farei antes o meu top fifteen das gajas mais maneiras das HQ. Claro que estas posições alternam-se com meu humor e sempre tem alguém que esqueci de listar. A única que tenho realmente certeza que não muda e não coloco na lista por ser hours concours é a Druuna. Vamos lá (clique nas imagens para uma versão maior):

Décima-Quinta///////Décima-Quarta //////Décima-Terceira
Psylocke do Jim Lee///Red Monika///Sábia
15ª-Psylocke do Jim Lee em diante; 14ª - Red Monika do Joe Madureira (toda mulher tinha que ter estes atributos assim!!); 13ª - Tessa (Sábia) do Salvador LaRocca


Décima-Segunda//////Décima-Primeira ////////Décima
Rogue///Natasha Romanov///Victory
12ª - Vampira do Jim Lee em diante; 11ª - Viúva Negra (Adam Hughes é o cara!); 10ª - Victory (Vida Guerra?)


Nona///////////// Oitava/////////////Sétima
Lara Croft Caitlin Fairchild Fathom
9ª - Lara "Que decote é este" Croft; 8ª - Caitlin Fairchild; 7ª - Aspen Matthews (Fathom)


Sexta/////////////// Quinta///////////////Quarta
Emma Frost///Darkchylde///Gata Negra
6ª - Emma "isso deve fazer um estrago" Frost; 5ª - Darkchylde; 4ª - Gata Negra


Terceiro/////////// Segundo/////////////Primeiro

Aphrodite IX///FAKK///Angelus
3ª - Aphrodite IX; 2ª - F.A.K.K 2 (Heavy Metal); 1ª - Angelus (Darkness)




Como estamos em bat-tempos, cabe também uma referência do mundo do homem-morcego.

Pois é, a Image pode não servir para muita coisa, mas se tem algo que fazem bem, é personagem gostosa. Alguns vão achar uns absurdos aí, principalmente a F.A.K.K, mas fazer o quê, gosto é gosto. O meu é bom e o dos outros é péssimo. :-)

F.A.K.K. 2 é uma personagem do universo Heavy Metal, sempre em paisagens cyber-punk-medieval-caóticas desenhadas por Simon Bisley, famoso também pelos traços de Judge Dredd e Lobo, mas já tendo passado por todas as grandes editoras. Não tem muito mais o que faler, é melhor mostrar (não só ela como suas "primas"):

Ahh... antes, ainda no clima de Batman Begins, abaixo está um exemplo de como a Rachel (Katie Holmes) veria o Batman sob efeito do gás do medo do Espantalho.



Ahh, se a Katie fosse uma mulher de peito...



Agora, F.A.K.K. Begins:



Primeira imagem: O quê? Hoje não tem? É dia de Futebol?
Segunda Imagem: resultado da resposta acima
.



Primeira imagem: Vou ter que caçar outro macho...
Segunda Imagem: Sai daqui! Tu não dá conta!! Tô procurando o Fivo!



Continuando agora com suas primas desenhadas por Bisley:



Primeira Imagem: Pode me chamar de pervertido, mas queria esta loira acordando do meu lado!
Segunda Imagem: Olha o porte desta galinha!




Primeira Imagem: Muito punk para mim, mas nada que 15 Skols não resolvam!
Segunda Imagem: Este pseudo-Loki tá trabalhando em um material e tanto! E tem várias gremlins boas também!




Primeira Imagem: Cara... como gosto de uma comissão de frente de porte!!
Segunda Imagem: Keira Agostina? Nada disto! Isso sim é perfeição!




Primeira Imagem: Três dias ininterruptos para descobrir tudo que tem aí!!
Segunda Imagem: Meio forte demais, mas um quadril destes não pode ser ignorado!




Primeira Imagem: Quem não vai pro inferno junto com uma diabinha destas (é... sou pervertido)?
Segunda Imagem: Psylocke poderia ser assim!




Primeira Imagem: Essa mulher resolveria o problema da violência no Rio.
Segunda Imagem: Sabe aquele filme da J. Lo? "Nunca Mais"?




Primeira Imagem: Se fosse a Joanna D´Arc você tacaria fogo?
Segunda Imagem: Polaris turbinada!




Primeira Imagem: Definição da perfeição!
Segunda Imagem: Assegurando a perfeição!




Primeira Imagem: Tem nada errado aí!
Segunda Imagem: A cobra vai comer ali atrás!



Aqui, para terminar e mostrar que nem tudo é caos na arte de Bisley, um pouco de paz angelical para vocês:


A moçada reunida...


Em tempo... achei que seria mais fácil só colocar imagens e pronto. Agora sei porque o doggma leva tanto tempo de uma para outra. Dá um trabalho danado!

sexta-feira, 17 de junho de 2005

MORCEGOS, ANJOS E DEMÔNIOS



Hoje vi Batman Begins (2005) e só tenho a dizer que o filme é muito bom! Muito mesmo! Fora de série. Tudo muito bem arrumado e explicado com um roteiro phoderoso. Sempre achei os outros quatro filmes horríveis, mas este finalmente nos brinda com quase tudo o que sempre esperamos do morcego. Assim, torna-se inviável comparar outros filmes de heróis mais, digamos, coloridos. Constituíram-se estilos completamente diferentes, mas se for para julgar em termos de "não ter o que reclamar", sempre tive ressalvas a alguns pontos em todos os filmes de heróis vistos. Em Batman Begins não reclamo de nada. Neste ponto, seria o filme baseado em HQ que mais gostei até hoje (como dói falar isto para um fã do Homem-Aranha). O negócio agora é esperar o "Batman Continues" e, se continuar com estas letrinhas todas certinhas (BB e BC), o terceiro deve ser "Batman's Development". Aham... a piada foi fraca, eu sei. Não tentarei fazer melhor, pois não escreverei um post estruturado sobre este filme por um motivo: Doggwayne é muito mais fã do personagem que eu. Este é dele! Aguardem!

Aliás, quarta vi Sr e Sra Smith (Mr and Mrs Smith, 2005). Sabem a origem do Freddy Kruegger? Aquele papo de 100 maníacos estuprarem uma freira e nascer aquele rascunho do capeta? Pois é... imaginemos a mistura "genética" de Bonnie & Clyde, True Lies, A Guerra dos Roses, Assassinos (aquele de Sly e Banderas) e teremos este filhote protagonizado pela Lara Croft e Rusty Ryan (de Ocean's Eleven). Filme cheio de furos, mas vale a pena, caso não tenha nada para fazer e queira divertir-se sem pensar. E também não vale um post.




Resolvi pois falar sobre uma destas febres que assolam o mundo de vez em quando. Já tivemos a Peste Negra, a Gripe Espanhola, a Tuberculose, a AIDS, a Influenzza, o Big Brother e agora temos Dan Brown.

A personificação do Pop atual é ele. Alguns podem até discutir citando coisas como Britney, Usher e outros ganhadores de MTV Movie Awards deste ou de anos passados, mas a abrangência das palavras deste escritor é muito maior seja por área global ou por grupo demográfico. Artistas pop normais têm seu apelo principalmente junto à juventude em países com costumes mais globalizados e abertos. Adultos e países mais, digamos, recatados ou de religiões diferentes das que dominam o lado ocidental do mundo não são atingidos por qualquer Aguillera que seja, mas certamente compraram "O Código Da Vinci" aos borbotões.

A literatura pela qual circula não é aquilo que poderiam classificar por aí como digna de uma ABL (ou a equivalente americana), está muito mais para o pop fácil de engolir de um Paulo Coelho ou Stephen King do que para o contorcionismo mental de um Saramago. Todavia, em época tão digital, conseguir fazer o povo voltar a ler é um feito digno de ganhar beijo da Fernanda Lima (e nesta linha cito também J.K. Rowling, novamente Paulo Coelho e afins). Além disto, o cara é inegavelmente inteligente. Não é qualquer um que cria os mistérios que criou, usando as locações que usou e com um estilo envolvente a ponto de fazer muita gente ler 400 páginas de uma tacada, conseguindo manter um equilíbrio de início, desenvolvimento e final impecáveis. King, por exemplo, costuma dar vários "soluços" no ritmo de suas obras, além de produzir finais fracos em 90% delas. Já a leitura das obras de Brown é quase materializável, transporta o leitor para dentro da história. A intensidade empregada apaixona e os diálogos são envolventes, além de ter apostado alto num mote que é pule de dez: todo mundo adora uma teoria conspiratória. Principalmente se for embebida num caldo de religião, símbolos curiosos e mistérios mortais.

O pecado de Dan é usar seu dom de indução pela escrita para fazer o pessoal que lê seus livros acreditar em palavras da forma que parecem significar, mas que não necessariamente são afirmações categóricas de que tudo que está no livro é verdade. Sempre, no início de cada, é dito que "todas as referências a obras de arte, arquitetura, túneis e a tumbas em Roma são inteiramente factuais (assim como suas localizações exatas)". Esta paráfrase é de Anjos, mas em Código há algo parecido, com a substituição de "túneis" por "documentos" ou coisa parecida. O que ele diz aí é que os objetos clássicos e conhecidos são reais, bem como documentos mencionados, mas não diz que as interpretações que faz disto com o objetivo de construção literária são igualmente verdadeiras. E é justamente aí que começa toda a polêmica. Para exemplificar, um dos livros descreve o interior de uma igreja em Paris, menciona um obelisco interno e tece algumas considerações sobre as iniciais PS dos vitrais. Hoje estão afixados cartazes dentro da nave central desta igreja que desmentem aquilo que Dan nunca disse ser verdade.



Cavaleiro Templário na Temple Church de Londres e Entrada da Abadia de Westminster


Os cartazes, escritos em inglês, francês e em outra língua que não lembro, explicam que o obelisco, um gnômon, não é uma reminiscência de qualquer templo pagão e que as letras PS espalhadas na igreja não significam Priorado de Sião. O obelisco é um instrumento de estudos astrológicos e serve para marcar quando ocorre o dia do ano que representa o solstício do inverno (dia mais curto do ano) e o outro que marca o equinócio da primavera (dia e noite separados igualmente). Isto é percebido a partir da incidência da luz sobre a linha de latão que reflete no meio ou no alto do obelisco, para solstício ou equinócio, respectivamente. Quanto ao PS, chega ser ridículo. Significa Peter Sulpice, patrono da igreja.



Igreja de St Sulpice


Já há 4 livros no currículo do homem. Listo-os em ordem cronológica: Fortaleza Digital, Anjos e Demônios, O Código Da Vinci e Deception Point, este último ainda não publicado no Brasil, mas dizem que é o melhor deles. Só li os dois do meio, e na ordem em que foram publicados por aqui, mas todos já cansaram de ouvir falar no fenômeno do Código – em plena produção para lançamento em 2006 com Forrest Gump, Amelie Poulain, O Profissional, Magneto e Otto Octavius nos papéis principais – mas devo dizer que Anjos e Demônios repercutiu muito melhor dentro de mim do que seu irmão mais famoso. Penso que seu sucesso só não é maior do que o livro que o sucedeu em virtude deste último usar como protagonista em condição sub judice o maior herói da humanidade: Jesus (em dados estatísticos, por favor; não quero conflitos com nenhum devoto de Alah ou Sidartha). Anjos fala de religião de forma mais ampla, sem especificar um "cristo", com perdão do trocadilho, mas faz isto usando uma trama muito mais intrincada e bem sacada. Não é só isto, o principal encanto que Anjos exerce sobre mim reside na definição que dá à importância de uma fé, qualquer que seja, para o ser humano.

Tentando ilustrar melhor o que digo, neste link (leia primeiro o resto deste post antes de clicar aí) transcrevo um trecho do livro que acho fantástico (sim, há espaço para bastante discussão ali, mas o que é mesmo insofismável é a idéia geral do texto, o resto é retórica).

Para evitar qualquer eventual sentimento de bandeira semítica, devo dizer que não tenho religião alguma, mas tenho sim uma miscelânea de crenças que cumprem seu papel para mim como qualquer religião "formal" do globo e reconheço a importância disto para o mundo. Importância que nos remete aos conceitos morais que deveriam nos nortear e transcende a postura metafísica de declarações de ativistas religiosos.