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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Sangue de Conan tem poder

Em que caverna eu estava que só agora fui saber da existência disso?


Quase-existência, pra ser exato.

O megadoc A Riddle of Steel: The Definitive History of Conan the Barbarian, que explora as várias nuances do cimério pelo universo pop, dentre as quais o cultuado filme de John Milius e Arnold Schwarzenegger, começou a ser produzido no início de 2015 - este "teaser em processo" é de março do mesmo ano.

Ou seja: atualmente o projeto jaz no temível limbo on hold dos documentários independentes.

Desde então, os cineastas indie-barra-canadenses Randall Lobb, Mark Hussey e Isaac Elliott-Fisher vêm batalhando pra finalizar o projeto em sanguinárias batalhas contra horas de conteúdo pendente e os cães pictos das distribuidoras, conforme atualização em post de 1 ano na página oficial do filme no Facebook.

Good day to our AROS friends!
I know it's been a while since we've been able to share any information, and sadly, we're still on hold, but I wanted to reach out and catch up and give you what I could...
We've recently taken a run at our six hour rough assembly (REALLY rough) and without too much gnashing of teeth, we made some great progress in tuning the narrative.
This process has revealed to us a few things, a few of which I am able to share.
1. We need more content for the Milius Conan movie. And yes, that includes Arnold, but there are a few other people we really need to sit down on camera to make that section work.
2. We shot a lot of awesome B roll! This documentary looks great, if I do say so myself, and that is largely due to the skills of our DP and Definitive Film partner, Isaac Elliott-Fisher.
3. The Conan story is ongoing. There are things happening now (and over these past months) that we would love to cover and include in the doc. One more round of production should get us there, but man, there's a LOT of Conan out there!
I wish I could tell you more, but we really need to be circumspect and careful because we hope to time what we're doing with wider franchise activity. Documentaries like ours work best when there are other things going on.
We've learned from some of our other efforts that, in the absence of a bigger push in the IP, distribution companies are skittish.
We've also learned that we always have some work to do in getting the word out that our deep-dive documentaries are much more than "fan docs" and as rich as they are, they also have a wider appeal for general audiences.
Sorry for the size of the update, but after talking to Isaac last night about how long we've been working on this particular film, I really wanted to reach out do my best to be transparent.
Please be patient and stay tuned for more info, which I'll share when I can.
And it would be awesome if you could step on over to our Definitive Film page, give us a like and a follow, and find out what else we're doing with pop culture docs!

Não tá fácil nem no Canadá.

Pelo relato, a equipe também aguarda um hype maior do personagem no mainstream, o que comercialmente é uma boa jogada, mas que pode deixar o filme mais uns bons anos sem ver a luz do dia. Por um ângulo mais otimista, na página do filme no IMDb, o lançamento foi (re)programado para agosto do ano que vem.

Que Crom abençoe a agenda e o orçamento dos documentaristas. Torcida aqui é que não vai faltar.

O cast de entrevistados é matador: Roy Thomas, Mark Schultz, Sal Buscema, Kurt Busiek, Boris Vallejo, Julie Bell, Rusty Burke, Frank Frazetta Jr., Mike Richardson (da Dark Horse), entre outros. O alcance sobre livros, games, pinturas, quadrinhos e memorabílias é impressionante. Até mesmo o seriado noventista tosco é lembrado. Imperdível.

Para fanáticos pelo filme de 1982, como este que vos rabisca, o doc parece particularmente promissor, com novas infos, perspectivas e material de arquivo inédito. Mais do que isso, pode ser um complemento de luxo para o belíssimo documentário Conan the Barbarian Unchained, que veio nos extras do DVD nacional.

Por fim, A Riddle of Steel também conta com a pior analogia já criada para descrever Conan:

"Ele é uma combinação de motoqueiro e Jesus" - Fredrick Malmberg

Jesus.²

Preciso assistir isso.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

CONCUBINAS DE ISHTAR!


Na conexão cimério-capixaba da vez, A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 4: O Conquistador. O volume compreende de Savage Sword of Conan #8 a #11 e deixa evidente o quão multifacetado era o título. Estão ali contos curtos, aventuras mais longas e sagas divididas em várias partes que se tornaram momentos essenciais para a compreensão da trajetória do bárbaro. Essa diversificação também era característica da seleção de artistas sob o comando de Roy Thomas - sem, logicamente, ofuscar o protagonismo do lendário John Buscema.

Olhando em retrospecto - e em tempo real, agora, com "A Coleção" da Salvat - fica difícil pensar num título mais complexo do que Savage Sword of Conan. Apesar de metódico e obsessivo, o criador Robert E. Howard não era exatamente um adepto da continuidade. Mapear e adaptar a atribulada vida do bárbaro em ordem cronológica sempre foi um verdadeiro desafio para editores, roteiristas, tradutores, etc. Fosse nos dias de hoje, cabeças rolariam entre as deadlines industriais da Marvel.

É aí que, lá pelas tantas deste volume ("Conan, o Conquistador - parte 5: A Estrada para Acheron", 1976), surge do nada a 1ª menção em SSC à Zenóbia, futura esposa do Conan-Rei de Aquilônia.

Zenóbia havia estreado dois anos antes, em Giant-Size of Conan #2, edição não coletada nesta série por razões óbvias. Mas para entender plenamente a relação entre os dois e a linha do tempo que levou o cimério à coroa, é imperativa também a leitura do conto "A Hora do Dragão", cuja adaptação para os quadrinhos começa na Giant-Size of Conan #1 anterior, vai até a #4 e segue aqui sob o nome "Corsários Contra Stygia" até o fechamento da saga "O Conquistador" - precisamente nestas SSC #8-10. Crom!

Um embróglio editorial difícil de desenrolar e que passa ao longe da jurisdição d'A Coleção salvatiana. E evidentemente uma bola levantada perfeitinha para a Mythos cortar impiedosamente com seu megaluxuoso Conan: O Conquistador. Ora, mas que diacho, hm?

Voltando ao quarto volume, temos novamente a trinca-padrão com a intro de Max Brighel, a galeria de capas e as minibios de Thomas & Buscema.




E sem maiores problemas relacionados à impressão desta vez. O conto de abertura "O Pacto Maldito" está o fino dos tons cinzas na arte de Tim Conrad, assim como o traço de Jess Jodloman em "A Última Canção de Conan, o Cimério". Os cinco segmentos da saga "Conan, o Conquistador", de Buscema com finalização d'A Tribo, também estão acima da apresentação da "dupla" no volume anterior.

E arrisco afirmar que, se Buscema e Windsor-Smith não existissem, o Conan oficial dos quadrinhos seria o de Pablo Marcos. Em "A Maldição da Deusa-Gato", o cimério ronca e vomita fogo, como se um cometa explodisse dentro de um vulcão em erupção*, pronto responder a um simples "bom dia" com uma machadada na testa. Perto dele, os personagens de Hokuto no Ken fugiriam correndo para a aula de balé mais próxima!

* parafraseando meu personal Obi-Wan Berrah de Alencar!

Claro que não podia deixar de destacar a saga em seis partes "A Fortaleza dos Condenados". Essa foi realmente minha menina dos olhos deste vol. 4. Em sua maior parte pela química do traço de John Buscema com a arte-final soberba do filipino Yong Montano. O homem é um monstro do nanquim, um mestre nas sombras, detalhes, texturas e expressões. Ao mesmo tempo em que traz uma pegada densa e carregada, também turbina as sequências de Buscema com um dinamismo que poucas vezes vi.

Um espetáculo que rouba a cena até mesmo da histórica aventura-título. Obrigatório é pouco.

Junto com o volume, a Salvat incluiu uma cartinha bastante cordial agradecendo o apoio à "distribuição local avançada" e se disponibilizando para o ressarcimento dos valores gastos nos 4 volumes.


Obrigado, mas passo. So far, so good.

Então... será que finalizaram os testes? E qual terá sido o resultado?

A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 1
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 2
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 3

quarta-feira, 25 de agosto de 2004

Então é issaê... chegou a hora de atirar o pau na... ooopa...

GATA NEGRA!



Felicia Hardy. Se ela fosse amiga minha, eu não apresentava pra ninguém, e que se dane a fama de fura-olho. Essa deliciosa felina vem de Queens, NY. Não tem sangue italiano, mas passaria numa boa por uma ragazza.

É "O" ponto alto, não só da cultura pop da Big Apple, mas de centenas de personagens femininas criadas pela Casa das Idéias nos últimos 25 anos. E isso não é pouco.

Além de uma presença embriagantemente sexy, um corpo sarado, esbelto, curvilíneo, voluptuoso, e um rostinho de princesa, ela esbanja jovialidade, inteligência e um senso de humor finíssimo. A nora que mamãe queria. Poderes? Além de uma agilidade atlética nível Daiane dos Santos, tem umas cordas e umas garras aê, e houve uma época em que ela lançava mão de um "poder da sorte" (distorção da Probabilidade e da paciência alheia), estilo Dominó/Longshot. Mas sorte mesmo, tem é o sujeito que cruzar com ela por aí. Em qualquer sentido.


Infelizmente, a Gata ainda hoje é limitada ao micro-universo do Homem-Aranha. Merecia mais. Ela tem um forte (fortíssimo) apelo visual, tem conteúdo, motivações, personalidade marcante, é divertida, enfim... A nora que mamãe queria².

Mas nem sempre foi assim. Antigamente, ela fazia o tipo inimiga/amante do sortudo Peter Parker - o que prova definitivamente que um pé-rapado pode fazer sucesso com a mulhegada.

Felicia passou por um processo, até certo ponto, semelhante ao background da mutante Vampira. Ela não era lá essas coisas em início de carreira. Mas o demérito é todo do uniforme dela, afinal, por baixo daquele horrível modelito new wave já dava pra perceber que a menina era superdotada (e não estou falando de poderes aqui).


Parece uma mistura de Viúva Negra com Wolverine... clique na imagem

Mas não tardou e logo os designers da Marvel encontraram o tom - e os peitos! - da personagem. Algo bem ali, entre o agradável e o agradabilíssimo. A partir dali, a Gata se tornou uma sex-symbol pronta. O que me leva a pensar por que eu nunca vi uma garota usando um colante desse em alguma festa à fantasia ou mesmo no Carnaval. Com certeza, faria o maior sucesso. Comigo, pelo menos...


Mas chega de conversa fiada e vamos para o que eu chamo de 1ª fase da Gatinha. Estão presentes ali, os tradicionais colante azul-marinho, luvinhas e botas brancas com pêlos nas bordas, decotes reveladores, longas e belas pernas, poses X-Rated e sorrisinhos sacanas...














E como não poderia deixar de ser, com vocês, o rei das pin-ups...




Clique nas imagens pra Gatinha miar


...até o conceituado Boris Vallejo também se rendeu aos encantos da Gata...


Dessa vez não é a Red Sonja... clique nas imagens

Agora, uma observação: Terry Dodson é um marco na carreira da Felicia. Graças a ele, seus traços foram revitalizados e ela ganhou muito em carisma. Um raro momento nas HQs em que o desenho corresponde à 90% da personalidade. O mix perfeito de sensualidade e juventude, aliado à uma onipresente aura femme fatale, cria automaticamente uma identidade singular. Ou seja, com um contorno daqueles, não tem como errar. Até eu faria um roteiro maravilhoso pra Gatinha.

Além do quê, ela ficou bem mais próxima do biotipo das brasileiras. E em matéria de homo sapiens... não existe coisa melhor. :D


























Esperto, Dodson ainda lembrou da concorrente decenauta


Gatinha brincando com... teia?! Clique nas imagens...

Essa ainda não estreou por aqui (pelo menos, não por meios legais...), mas bastam alguns segundos na web pra você esbarrar com a versão ultimate da Gatinha. No traço do irregular Mark Bagley, ela virou adolescente com elementos da Gata Negra do Dodson e da Mulher-Gato do Jim Lee. Corpinho estilo falsa magra de academia. Dá um caldo, mas está anos-luz do arraso da Gata Negra atual.








Cena muito da esquisita. Parece que acabaram de tirar uma...


Peter ultimate em boas companhias. Muuuuito boas, aliás. Clique nas imagens

E como não poderia de ser, Al Rio, um cara muito talentoso e abençoado por milhões de fanboys, também manda suas versões da Gatinha. Uma delas, devidamente descoberta (aaêêê!). Clique nas imagens.



Trilha sonora incidental: Everywhere But Home, ótimo DVD ao vivo do Foo Fighters, e o álbum de estréia do Probot, por coincidência, outra banda do Dave Grohl. E que banda, meu chapa!