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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Quarteto Bombástico

Então a Marvel explodiu o novo Quarteto Cinematográfico.


E eu morri de rir.

Antes de tudo, sou da geração que ficou estarrecida com a falta de escrúpulos da Microsoft ao sabotar sistematicamente a Netscape, criadora do melhor browser do final dos anos 90. Parece que foi ontem. Tudo bem, sou mais velho que isso: que tal quando a ex-gigante do tabaco Brown & Williamson ameaçou quebrar a CBS por causa de uma entrevista comprometedora? E quando - esse já não é da minha época - a Detective Comics engoliu a pequena Fawcett por causa do Shazam!?

Histórias de canibalismo corporativo sempre causaram indignação geral. É o clichê de sempre - um Davi contra um Golias e um resultado invariavelmente ruim para o público. Sou o primeiro a receber o espírito do Meiaoito nessas ocasiões.

Mas existem exceções. E no caso The Walt Disney Company vs. 21st Century Fox torço sinceramente para que Mickey Mouse esmague seus inimigos, os veja caídos diante de seus olhos e ouça os lamentos de suas mulheres.


Recapitulando: a Marvel começou a chamar atenção quando omitiu o Quarteto Fantástico e os X-Men em um pôster de seu aniversário de 75 anos. Em seguida, veio o vazamento de um suposto memo onde a editora exorciza os 4 Fantásticos do nanquim de seus artistas. Entre uma coisa e outra, foi anunciado que o título do Quarteto será cancelado. E assim chegamos à ironia da explosão fantástica.

Não sou analista econômico nem nada, mas parece bem óbvio o que acontece aqui. É campanha de guerra. Ainda não chegou ao próximo nível, mas aguardemos.

Nos últimos meses li relatos e reações de todos os tipos. Grande parte repudiando tais manobras e cobrando uma conduta de fair play por parte da Marvel/Disney. E que "não é assim que se faz", "concorrência só traz benefícios", "a briga deveria ser pelo melhor filme", piriri, pororô. Tudo muito sensato e civilizado.

Só que é difícil continuar sendo sensato e civilizado enquanto transformam Victor Von Doom em Doom69, o rei das salas de bate-papo do UOL.


Claro que aí existe uma linha tênue que eu gostaria muito, mas muito mesmo, de não ultrapassar: a que separa gente normal de fanboys. Não sou nenhum iconoclasta... ainda... mas quanto mais velho fico, mais acho poucas coisas tão chatas quanto fãs incondicionais. Então não é um simples caso de protecionismo em relação ao meu querido Quarteto Fantástico.

Trata-se daquele tipo de revolta de quando se está diante da vandalização de algum patrimônio histórico ou alguma obra de arte em via pública. O sentimento é o mesmo. É dessa forma que vejo o Johnny Storm no sistema de cotas, a Sue adotada, o Doom@IronCock98cm, o Reed McLovin e os indícios claros de que decidiram pretensamente "melhorar" o material.

Sobre isso, Guillermo Del Toro já disse tudo o que precisava ser dito lá nos idos de 2002.


(categórico, ainda que ele mesmo tenha abandonado essa cartilha 1 Hellboy mais tarde)

Outro fato, inegável, é que a Marvel acabou sentindo a falta do Edifício Baxter em seu universo compartilhado. Já vimos chitauri, xandarianos e krees, mas não skrulls. Vimos até um Celestial, mas não Galactus. A grosso modo, todos os personagens da Marvel Studios são solitários ou renegados, não há laços familiares mais profundos ou alguém da ciência-pela-ciência. Nenhum geek adulto, nenhum Egon Spengler.

Mas o pior é que perdem-se aí 50 anos de referências, conexões e ideias que a Fox nunca poderá utilizar, já que tem em mãos um Quarteto isolado. Enquanto isso, os fracassos se acumulam. E cada erro desse me custa uns cinco anos de espera até o próximo frango.

O problema é que a partir dos 35 a vida vira uma planilha de prioridades. O dia é mais curto. Só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder. Após dois filmes meia-boca com bilheterias aquém do esperado, acho mesmo que a Fox devia:

1) Desencanar desse negócio de gibi e apostar tudo em um novo Predador com os retornos triunfais de Schwarza, Elpidia Carillo e John McTiernan;

2) Devolver o Quarteto e todo o seu canon para a Marvel com um pedido de desculpas;

3) Aproveitar o embalo e devolver os X-Men também, que já passou da hora - e olha que gosto dos filmes.

Tudo isso é só uma saudável especulação entre um cafezinho e outro. Apenas levei em consideração as alterações pavorosas em personagens clássicos da cultura pop. Mas o outro lado da moeda também precisa ser lembrado: o diretor e roteirista Josh Trank tem uma ótima reputação, mesmo entre os fanboys, via Poder Sem Limites (Chronicle, 2012). Talvez seja a única coisa que impeça uma turba de nerds furiosos com tochas e forquilhas em riste se aglomerando em frente ao seu castelo - ou n'alguma localidade virtual correspondente.

Dessa forma, como diria o Vigia, que provavelmente está preso à Fox também, "O que aconteceria se... 


...O Filme For Bom?"

Nó, isso seria péssimo.


Porque seria um filme bom de um supergrupo que não é o Quarteto. Lógico!

E eu juro que não sou radical.

sexta-feira, 25 de março de 2005

Feliz Páscoa pra todo mundo! Hoje é dia de caçar coelhos com uma metralhadora! Mas antes, alguns comentários... coisa básica. Discos e algumas correções.

Let's get it on...


AFGHAN WHIGS - GENTLEMEN
(Elektra/1993)


Uma verdade sobre o Afghan Whigs é que o grupo sempre foi bom demais pra fazer sucesso. Apesar de ter pertencido ao cast da mesma Sub Pop que canalisou o grunge de Seattle, ela fez parte de um seleto time de bandas que foram sufocadas por hits que dominaram o cenário do rock americano nos anos 90. Coisinhas como Alive, Man in the Box, Hunger Strike e, principalmente, Smells Like Teen Spirit. Mas, ao contrário da conotação pop que o termo "rock alternativo" tem hoje, o Afghan Whigs nunca deixou os corações e mentes daqueles que buscaram algo mais do que aquilo que rolava nas paradas de sucesso. Essa busca podia ser até árdua, mas, no final, era verdadeiramente compensadora.

Liderada pelo compositor e vocalista Greg Dulli, a banda evoluiu de um barulhento pós-punk de garagem para uma sonoridade mais sofisticada, melódica, plasticamente mais bem trabalhada e fluída, e, num lampejo de genialidade underground, repleta de influências de soul e rhythm'n'blues (chegaram a regravar uma música do Barry White). Isso tudo sem deixar de lado a inevitável herança oitentista no wave e letras que são um verdadeiro soco no estômago existencial, no pior sentido dor-de-cotovelo possível. Desilusões amorosas fudidas, finais de relacionamento nada agradáveis e pura auto-comiseração são destilados nas letras ácidas e no senso de humor predatório de Dulli, que ainda é dono de uma entrega quase suicida nos vocais. O Afghan Whigs é uma das bandas mais passionais do rock e Gentleman foi o momento em que eles mais se enxergaram nessa condição. Um disco perfeito até na capa... belíssima.

Ps.: Reza a lenda que os integrantes da banda se conheceram nos idos de 86, durante uma estada em comum num presídio em Cincinnati, sua terra natal. Belo background...


FIREBIRD - DELUXE
(Music for Nations/2001)


Bill Steer é um sujeito rodado. Egresso de formações extremas como o Napalm Death e o podrão Carcass, ele ensaiou um retorno à cena de forma inusitada, à frente de pérolas stoner rock como Badlands e The Cry of Love. Dessa forma, o excelente Firebird acabou sendo uma espécie de cream of the cream de tudo o que Steer andou aprendendo (e tocando) nos últimos anos. Em um retorno às raízes on the road do rock, a banda pode ser simplesmente classificada de stoner, mas aí seria uma injustiça cruel. Stoner é Nebula, Orange Goblin, Fu Manchu e outras (boas) bandas que não conseguem dar nem um passo pra fora da sombra do Black Sabbath. O Firebird estabelece uma relação mais próxima dos power trios dos anos 60 e 70, com riffs ganchudos e freqüentes, e aquelas passagens intensas entremeadas com momentos mais suaves e bluesy. As referências imediatas são grupos clássicos como Cream, Mountain, Blue Cheer, Rush fase John Rutsey e até o Jimi Hendrix Experience. Firebird é uma excursão lisérgica na pré-história do hard rock. A viagem é, no mínimo, fascinante.

A formação da banda nesse disco é toda ex-metálica - além de Steer nos vocais e na guitarra, completam o time Ludwig Witt (bateria e percussão, ex-Spiritual Beggars) e Leo Smee (baixo e órgão, ex-Cathedral). Aliás, a técnica old school de Bill Steer (cujo belo vocal me lembra o de Eric Clapton nos áureos tempos do Cream) tem sido muito elogiada. E realmente ele arrebenta nas seis cordas - vide pedradas como Dirt Trap, Forsaken, Sinner Takes All e Sad Man's Quarter. Destaque também para a belíssima Miles From Nowhere, com uma atmosfera idílica parecida com a do clássico Thank You, do Led Zeppelin, e para a última faixa, o boogie-woogie Slow Blues, que de "slow" não tem nada e traz a harmônica mais alucinada que ouço desde os primeiros discos do Blues Traveler.

A faixa para download não consta no disco. Trata-se de um cover pesadão para Working Man, do Rush, que só saiu em um single lançado no mercado japonês.


CIRCUS OF POWER - MAGIC & MADNESS
(Columbia/1993)


A boa impressão já começa pela bela arte da capa, feita pela fera Tate Mosesian. E o Circus of Power não desaponta, mandando ver um rockão estradeiro de respeito. Algo assim, entre o drunk'n'roll do AC/DC fase Bon Scott e blues rock cheio de slide guitar. Infelizmente, suas bases hard rock acabaram colocando a banda no gueto heavy do final dos anos 80, justamente quando o estilo dava seus últimos suspiros no mainstream. Sem o tino comercial de bandas como G'NR, Bon Jovi e Skid Row, o CoP acabou morrendo na praia noventista, embora fosse milhões de vezes mais interessante que todos aqueles ícones poser. Magic & Madness é o seu terceiro álbum, e considerado por muitos como o seu melhor. Não faço a mínima idéia se é mesmo, pois nunca ouvi nenhum dos outros. :P

Às vezes, o COP lembra um The Cult sem frescuragem. Tanto é que o próprio Ian Astbury, vocal do Cult, faz uma participação na ótima Shine. Outro convidado especialíssimo é o grande guitarrista Jerry Cantrell, do Alice in Chains, que manda acordes e vocais na grudenta Heaven & Hell. Confira também as pesadonas Evil Woman, Poison Girl, a animada Dreams Tonight e, a melhor de todas, Mama Tequila, cujo refrão virou o meu grito de guerra nº1.

Ótimo álbum!


SLAYER - UNDISPUTED ATTITUDE
(American/1996)


Puta que o pariu! Me sinto com vontade de porrar o próprio capeta quando ouço esse álbum. Cansado de ver conterrâneos do thrash jogando seu passado pela privada e de testemunhar a ascensão de bobagens poppy punk, os reis da Zona Sul do Céu, Vsa. Megafodescência Slayer resolveu revisitar podreirinhas memoráveis do punk/hardcore. Ah, se todos os álbuns de covers fossem assim! É festa punk feita por profissionais da agressão desenfreada. Pra bater a cabeça até perder as orelhas. Os caras conseguiram amplificar ainda mais a porradaria dos clássicos do Verbal Abuse, D.R.I., GBH, Minor Threat e até do TSOL, quando esse era punk.

Para os fãs mais ortodoxos do "metálico" Slayer, só uma ou duas infos de grátis. Em seus primeiros shows, tanto o Slayer quanto o Metallica tocavam para uma platéia dividida entre headbangers e punks. Claro que rolavam tretas, mas o fato é que a sonoridade das duas continham naturalmente elementos hardcore. E o Slayer, ao lado do badmotherfucker Ice-T, já havia demonstrado sua veia crusty, através de um medley arrasador do Exploited que saiu na memorável trilha sonora do filme Uma Jogada do Destino. Definitivamente o Slayer tem raízes hardcore. E afinal, o que é o thrash metal senão uma evolução do hardcore, que por sua vez é uma evolução do punk...? Achou ruim? Então pode cair dentro que eu tô ouvindo Undisputed Attitude e não vou perder pra ninguém na porrada nesse momento. :)

Além do quê, só aqui você pode ouvir uma instituição como o Slayer tocando furiosamente o classicaço I Wanna Be Your Dog, dos Stooges - providencialmente rebatizada I Wanna Be You God. Mas a velha torção no pescoço comparece sim, e a última faixa, Gemini, é autoral. Peso gótico e deprê, South of Heaven' style.

A propósito... sabia que o Ramones e o Black Sabbath fizeram uma tour conjunta nos anos setenta? É sério, li isso numa entrevista antiga com o falecido Joey Ramone. Diz ele que eram dez confusões por música executada.


LIV KRISTINE - DEUS EX MACHINA
(Massacre/1998)


Eu sou suspeito pra falar.

Antes de sair do Theatre Of Tragedy para formar o Leaves' Eyes, a cantora norueguesa Liv Kristine Spenæs concebeu um magistral e etéreo debut solo. Longe das guitarras distorcidas e dos backings death metal que caracterizam o som do Theatre, Deus Ex Machina talvez seja a primeira vez em que Liv se mostra por inteira, entregue e despida (quem dera!) artisticamente, sem as amarras do estilo gothic metal que a limitava. Pra quem nunca nem ouviu falar de Liv Kristine, basta dizer que ela é influência confessa de Tarja Turunem, do Nightwish. Dentro do gothic metal - e aí vai um espectro que começa no ultra-obscuro The Sins Of Thy Beloved e termina no mega-estourado Evanescense - Liv Kristine, ao lado de Aneke van Giersbergen (do The Gathering), é a maior precursora do estilo.

Apesar da atmosfera suave, Deus Ex Machina não se enquadra no formato pop. Transitando por paisagens new age, pelo gótico romântico e por climas soturnos pontuados com efeitos eletro-percussivos, Liv está à vontade e supera fácil tudo o que ela já fez anteriormente, incluindo aí o seu trabalho memorável no Theatre Of Tragedy. Daí saem a intrincada melodia da faixa-título (que é mais difícil de cantar do que parece), a bela Waves Of Green, a bad trip nórdica de Huldra, a soft-gregoriana Portrait: Ei Tulle Med Øyne Blå, a linda, mas muito linda mesmo, In The Heart of Juliet, e a sensacional 3 AM, que conta com o vozeirão dark de Nick Holmes, do Paradise Lost.

Deus Ex Machina é um disco pra se ouvir com a luz apagada e com algumas velas acesas. E se estiver acompanhado... que seja uma ótima companhia pra não estragar o momento.

Mas como eu disse...


...sou suspeito pra falar.



FÊNIX NEGRA 2 X GALACTUS 0
Brilho Eterno de um Blog sem Lembranças



18 de março de 2004... um ano e poucos dias atrás. Foi quando eu escrevi um texto admirando pela enésima vez o Galactus e sua fome eterna de planetas incautos. Para ilustrar o texto, catei aleatoriamente algumas imagens na web, que retratavam o gigante cósmico se estranhando com Jean Grey, numa história que eu tinha quase certeza que já havia lido.

Depois, nos coments, soube pelo jpvolley (fala aê jp!) que essas imagens, do grande Alan Davis, eram de uma história que saiu numa edição do Excalibur e que ali não era a Jean Grey, e sim Rachel Summers, totalmente overpower. Corretíssimo. Até porquê, nunca fui especialista nos mutunas mesmo.



Alan Davis e a justa cósmica... clique nas imagens

Mas a dúvida persistia... eu já tinha lido uma história com a Jean encarando o velho Galan. Num belo dia, durante um raio-x de rotina em um sebo, (re)descubro essa história como um bônus na revista Marvel Especial 8 - A Saga da Fênix Negra. Era O que Aconteceria se Fênix Não Tivesse Morrido?, um daqueles elseworlds narrados pelo Vigia.


Jean Grey já bateu o celestial também! Clique nas imagens

Comparando as imagens dos dois confrontos... dá pra ver que Alan Davis "curtia bastante" a série What If... Galactus está praticamente com a mesma postura quando dispara uma rajada de energia em Jean/Rachel, e nas duas histórias ele termina batendo em retirada após ver a magnitude de sua adversária. Ficou igualzinho. Não é à toa que eu me confundi... :)


dogg, querendo saber se hoje pode beber cerveja