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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

O Artista

Não há casa em Game of Thrones tão impiedosa quanto a casa dos 40. Baque geracional é tenso. Não bastasse o absurdo de ver por aí jovens adultos nascidos no século 21 (e se referindo à cultura pop dos anos 80/90 do mesmo modo arqueológico como nos referíamos à cultura pop dos anos 60/70), nos tornamos suscetíveis a uma nova miríade de reflexões. Sem perceber, começamos a atravessar a temível fase de buscar o Significado de Tudo®.

E aí vai um conselhinho na faixa: jamais a subestime. Ainda mais em tempos de quarentena (mesmo meia boca), com todo o tipo de soturnidades que assolam os pensamentos.

Claro que esse longo acerto de contas com o passado tem um espaço generoso reservado à figura paterna. Hoje sou mais um daqueles pobres sujeitos que lacrimejam ao ouvir "Father and Son" (mentira, choro em bicas com ela há pelo menos uns 15 anos). Então, meu coração não poderia ter ficado mais amolecido com o tocante trecho de uma entrevista publicado nas redes oficiais do genial e saudoso Flavio Colin.


Palavras francas e incrivelmente generosas do velho mestre.

E as notas de amarga resignação me trouxeram identificação imediata. Para muitos outros também, imagino. Matutando a respeito, cheguei a lembrar de um momento de Bastidores da Comédia (Comedian, 2002), doc resenhado aqui em tempos idos sobre a volta do Jerry Seinfeld ao circuito de apresentações stand-up. Inclusive, está disponível na Netflix.

Na cena, o humorista iniciante Orny Adams fala das pressões sociais e familiares que sofre por causa de sua carreira artística. O veterano Seinfeld então conta uma história esclarecedora.


Vida de artista cansa. E nem precisa ser artista. Como dizia o Bardo, "o mundo é um palco..."

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Tom De Roy não morreu - ainda

Foi há 30 anos com sensação temporal de ontem à tardinha: eu passando em alguma banca, por mais vagabunda e caindo aos pedaços que fosse, pra comprar Histórias Reais de Lobisomem com o troco da padaria. O gibizinho era uma delícia de chinelagem e bizarrice criativa (no bom sentido), mas o carro-chefe era, com certeza, as aventuras de Tom De Roy, o Jovem Lobisomem.

Mulher pelada, gore e o Jovem Lobisomem enfrentando minotauros, leões humanoides, o Capitão Negro e o inesquecível Monge Louco de Okinawa (!). Os roteiros surreais do saudoso Antonio Krisnas e os traços efetivos do grande Allan Alex eram divertidos demais. Relendo as histórias recentemente, vi que são nonsense pra vida toda. E, com todo o respeito, dão uma carroçada no Werewolf by Night do Mike Ploog.

Pra variar, a saga de Tom De Roy - que começava da HRL #12 em diante - não teve conclusão, já que o título foi cancelado pouco depois. Parecia que nosso herói ia carregar sua maldição para toda a eternidade, mas eis que surge uma luz no fim do... Facebook.



Allan Alex está com Lancelott Martins.  6 h
Lendo uns PDF encontrados na internete(dica valiosa do amigo João Ferreira) das HQs de Tom de Roy, do "histórias Reais de Lobisomem"(aquele mesmo q um certo canalha andou espalhando q participou do roteiro, dentre outras patifarias perpetradas pelo dito cujo no decorrer de décadas) notei o quanto eram engraçadamente inocentes e extremamente grotescos aqueles tempos. Acho até q teria como fazer uma releitura do Tom de Roy sim, mantendo o ridículo do roteiro(q acho ser o charme da coisa), mas só um pouquinho mais dentro do tempo atual. Um dos dois grandes problemas pra se fazer isso seria q eu não teria tanto tempo livre assim entre "pagalugueis" e projetos em andamento. O outro é q teria q ser uma HQ tipo aquelas de fã, jã q não sou dono do personagem(talvez sejam os herdeiros da Bloch, ou os herdeiros de Edmundo Rodrigues, não sei). Mas seria algo divertido d se fazer. De repente, um dia, se eu não morrer antes eu faça sim algumas HQs(HQ de fã, sem fins comerciais) com Tom de Roy, Sargento York e etc, mais ou menos naquela linha, talvez numa fã page fechada, apenas para alguns dos amigos q vem me dando essa ideia. Nem tudo é trabalho, rsrs, o sujeito tem q ter lá seus momentos de diversão também. Vamu ver como corre 2019 depois q fechar o NCT e iniciar o Fera da Capoeira. Mas, com certeza, se rolar, acredito q a primeira HQ q eu revisitaria seria a do "Monge de Okinawa" q foi a primeira HQ q desenhei com o roteiro do antigo e saudoso parceiro e amigo Antonio Krisnas...se rolar.

Isso é o meu sonho de encadernado treidepeiperbéque brazuca - ao lado dos impagáveis Os Trapalhões, de Eduardo Vetillo, Bira Dantas, Sérgio Valezin, Genival Souza & Orlando Costa e da obra-prima do humor negro Hotel Nicanor, de Flavio Colin.

Se eu fosse milionário, provavelmente torraria tudo no licenciamento desses materiais (e sabe-se lá com que herdeiros esses direitos estão), criava uma editora e publicava tudo com toneladas de entrevistas e extras, finalmente em formato americ... ops, brasileirão.