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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Até mais, Marie & Gary


Marie Severin
(1929 - 2018)
&
Gary Friedrich
(1943 - 2018)

Parece que foi ontem que eu comemorava o encontro, num só encadernado, de grandes quadrinhistas da velha escola - entre eles, Marie Severin e Gary Friedrich. Saber da partida de ambos na mesma manhã de quinta-feira é daqueles momentos que fazem colocar certas coisinhas sob perspectiva. Mais precisamente, o tempo, a vida, sua finitude. Aquele post já tem absurdos dois anos. E tanto Severin quanto Friedrich, cidadãos seniores cujas biografias se confundem com a história dos comics, tiveram seus últimos trabalhos publicados há longínquos 25 anos - também conhecido como 1/4 de século.

Gary Friedrich não era um simples veterano. Era veterano de Atlas e Charlton Comics. Isso é pré-Pré-História. Chegou a trabalhar com o irmão de Marie, o fantástico John Severin, em Sgt. Fury and his Howling Commandos. Também foi um co-criador dos infernos, lançando Daimon Hellstrom, o Filho de Satã e o Motoqueiro Fantasma. Este último, foi pivô de um embróglio judicial interminável entre o artista e a Marvel em mais um capítulo vergonhoso na história da editora - e razão pela qual escolhi a imagem até meio comovente dele aí em cima.

Marie Severin começou com um empurrãozinho do irmão John para cobrir uma vaga de colorista na icônica EC Comics. Trabalhou ao lado do próprio Harvey Kurtzman. Sofreu diretamente com a paranoia do Comics Code na década de 1950, mas ressurgiu na Era de Prata da Marvel, onde construiu uma extensa bibliografia. Co-criou o Tribunal Vivo e a Mulher-Aranha original. Foi particularmente prolífica na cult Crazy Magazine e na Not Brand Echh, publicações satíricas da editora. Workaholic inveterada, brilhou tanto na arte - em gibis e designs de outros produtos relacionados, incluindo o papel higiênico do Hulk e do Aranha! - como também no comando de projetos e divisões.

Pioneira é pouco: Marie Severin foi um mulherão da porra.

E com lucidez e senso de humor afiado até (quase) o fim!


Hulk de raiz esmaga camundongo corporativo!

sábado, 20 de agosto de 2016

KERWHACKKK!

Esse é o som de (mais) contas sendo acertadas com o passado.


9/12 títulos anexados à coleção até aqui, uns 75% de aproveitamento. A extensão de clássicos da Salvat tem deflagrado uma justiça tardia para aqueles moleques fissurados numa HQ, mas sem um merréu pra comprar Almanaque Marvel e Almanaque Premiere Marvel... lá pelos idos de 1982-84...

Todos os títulos vêm mantendo alto o nível de relevância histórica, mas os gols de placa são indiscutíveis: Contos de Asgard, Dr. Estranho: Uma Terra sem Nome, um Tempo sem Fim e, pelas hostes de Hoggoth, o Nick Fury pop art/surrealista de Jim Steranko compilado em dois volumes antológicos. Só o caviar da gibizeira.

Com todos esses clássicos grandes, médios e pequenos, nada melhor que um pouco da boa e velha chinelagem quadrinhística. Mas, epa... um pouco não, muita. E chinelagem com todo o respeito à fantástica Marie Severin, ao grande Gary Friedrich e ao melhor desenhista ruim de todos os tempos, Herb Trimpe - que Deus (Jack Kirby) o tenha em bom lugar.

A Coleção Oficial de Graphic Novels, Clássicos vol. XI - O Incrível Hulk: O Monstro Está Solto... ufa... é exatamente o que parece: um gibi de porradaria honesta. Nada de complexidade narrativa, subtramas mirabolantes ou minuciosas análises psicológicas. No Golias Esmeralda pós-Lee/Kirby firulas inexistem. Não raro se aproximava fatalmente dos "gibis" que você rabiscava nas últimas páginas do caderno de matemática. Certo, certo, exagerei, mas esse é o espírito. Imediatismo.

O roteiro de Friedrich garantia o build-up mínimo exigido por Lei, mas ele sabia o que o povão queria. Após alguma contextualização - sempre ágil, sempre enxuta - era só questão de alguns quadr(inh)os para a coisa ficar verde (ha ha!). Perto do Hulk de Trimpe & cia., até o Hulk de Mantlo e (Sal) Buscema ficava parecendo o Woody Allen.

Em que pese a autoria do titio Stan numa história, Roy Thomas rachando outra ao meio com Archie Goodwin e mais outra com Bill Everett, a ordem era esmagar os adversários e ouvir o lamento de suas esposas. Tanto que o encadernado já abre com Hulk desembarcando em Asgard com os dois pés no peito de Heimdall pra seguir esculachando geral, d'Os Três Guerreiros ao Executor, e ainda chamar ninguém menos que Odin, Filho de Bor, para uma conversa ao pé do ouvido.

Após, um tira-teima protocolar com o Rino no mesmo ritmo fanfarrão de sua origem e entreveros com dois desafiantes bizarros o suficiente pra não constarem nem numa galeria onde figuram MODOK e Bi-Fera, além do Mandarim e seu servo autômato monstruoso com feições orientais e... amarelo... sem preconceito sessentista, é claro.

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O green de la green, contudo, é a última história, extraída da - aí sim - clássica Hulk Annual #1 (1968). O assombro fanboy já começa na reprodução da épicaicônica capa original, homenageada e referenciada por décadas em várias esferas da cultura pop - mais uma vez, cortesia de Steranko, esse putardo maldito e talentoso (ainda tem graça chamá-lo de Andy Warhol da 9ª arte?). Nem a publicação atentando ao fato prepóstero de que a edição seguia inédita no Brasil embaçou minha felicidade.

...talvez só um pouquinho.

Hulk com Inumanos não precisa de muito escrutínio. A mera ideia já é coisa de louco. E eu já tinha cantado essa bola antes, mas me sinto na obrigação moral e cívica de avisar: há ali um quebra espetacular entre o Gigante Verde e Raio Negro...


...onde o Hulk leva provavelmente a surra da sua vida.

Boltagon esmaga!


☮  ☮  ☮


Pode me chamar de pessimista, mas confesso que não via isso acontecendo num curto prazo.


Clique para achar os acertos!

A Panini corrigiu os erros do encadernado de A Saga da Fênix Negra, reimprimiu a bagaça deluxe e procedeu com o devido recall. A pentelhação da "carta anexada explicando os motivos da troca" ainda rolou, apesar de mais que escancarados em tudo que tenha tela.

O jogo de volta foi rápido, coisa de uma semana, via PAC reverso, sem custos. Uma merecida massagem shiatsu nesta alma que, desde fevereiro, vem sonhando com gatas de metal indestrutível e uma narração em off repetindo as mesmas sentenças.