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sábado, 30 de novembro de 2019

Retrospec Novembro/2019

"Remember, remember, the Fifth of November..."


1/11¹ - O Rage Against the Machine irá se reunir para uma série de shows - Coachella incluso. E a gurizada endoida.


1/11² - Fim de uma era: o Comic Book Data Base vai fechar e investir em uma nova plataforma - zerando assim todos os catálogos cadastrados. Cara, morro de medo disso acontecer com o Guia dos Quadrinhos. Por tudo o que já testemunhei nesses anos de indústria vital eu sei que esse dia ainda vai chegar...

Gráfico DISTRIBUIÇÃO DE ERROS POR EDITORA. Dados analisados: Erros postados nessa página no período de 7/jan-30/set. #errohqs
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Sábado, 2 de novembro de 2019

2/11¹ - A página Todo Dia um Erro nos Quadrinhos Diferente publica um gráfico parcial de 2019 com os erros que povoam a sua, a minha, a nossa coleção. Gráfico este que poderia ser chamado de "Little Boy" por algumas editoras.

TOP 10 EDIÇÕES COM MAIS ERROS Dados analisados: Erros postados nessa página no período de 7/jan-30/set. ADENDO: A...
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Sábado, 2 de novembro de 2019

2/11² - E o Tópi Déis das edissões com máis êrrus merecia o nome de "Fat Man". Ai, meus Novos Titãs...

Gráfico DISTRIBUIÇÃO DE ERROS POR MÊS PANINI (1º lugar dentre as editoras) Dados analisados: Erros postados nessa página no período de 7/jan-30/set. #errohqs
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Sábado, 2 de novembro de 2019

2/11³ - Então a distribuição parcial de 2019 com os erros/mês só pode ser a "Tzar Bomba".

Tabela LEVANTAMENTO DE ERROS MÊS A MÊS POR EDITORA Dados analisados: Erros postados nessa página no período de 7/jan-30/set.
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Sábado, 2 de novembro de 2019

2/114 - E esse levantamento mês a mês parcial de 2019? "Jorge Jesus"?

3/11¹ - O péssimo box office de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio pode levar a própria franquia a um destino sombrio.

3/11² - Samuel Rosa passa a régua e fecha a conta do Skank. E cutuca as bandas que cultivam a "falta de assunto" em nome da longevidade e a "forma de consumir música hoje" - uma questão mais profunda e, ironicamente, mais longeva do que se imagina.

4/11 - Exausto de repetir que Robert-Pattinson-é-bom-ator-vide-The-Rover, fiquei feliz com Matthew McConaughey sendo cotado para o papel de Harvey Dent em The Batman. Ele é bom ator, vide Killer Joe.


5/11¹ - Que fique registrado® que, neste dia®, lendo o artigo apelativo da BBC "'Invasão da Área 51': a piada no Facebook que virou um possível desastre humanitário", tive uma ideia® para um longa-metragem®.
– Na trama, a invasão-flash mob realmente acontece e, vamos dizer, 100 mil dos 3,5 milhões de interessados se deslocou lá pro meio do deserto para invadir a base, libertar ETs de suas celas brincar com tecnologias de outro mundo. A princípio, os soldados tentam dispersar a multidão com balas de borracha, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral - pra não pegar mal diante da ampla cobertura da mídia. Mas a coisa escala e baixas pipocam nos dois lados em tempo recorde. Com todo aquele caos de tiro, porrada & bomba, um pequeno grupo fura o bloqueio e se infiltra nas dependências subterrâneas da Área 51. Em seguida, uma explosão destrói uns geradores e a base é selada automaticamente. Com as flutuações de energia, vários sistemas caem e várias contenções se abrem... Daí pra frente, nosso time de bravos libertadores precisa se virar para sobreviver a alienígenas putos da vida, híbridos, aberrações genéticas, fendas interdimensionais, soldados aprimorados monstruosos, uns zumbis-teste (lógico!) e cientistas esquisitos que não veem a luz do dia há anos.
– O título poderia ser até "Invasão da Área 51"® mesmo.
Found footage, claro, pra fechar a clichezada (e o orçamento com troco de padaria).
5/11² - Peter Ramsey, co-diretor do oscarizado e globodeourizado Homem-Aranha no Aranhaverso, irá dirigir uma "cinebiografia não-convencional" do icônico bluesman Robert Johnson. Love in Vain será lançado pela Paramount, produzido por Lionel Ritchie e escrito por Krystin Ver Linden.

5/11³ - Macacos me mordam: Rob Liefeld tem razão sobre os rumos da franquia O Exterminador do Futuro.

5/114 - Parece que o Homem-Aranha japonês - aquele, da série tokusatsu setentista - estará em Homem-Aranha no Aranhaverso 2. Será que vão trazer o robozão Leopardon também?

5/115 - A Warner está em negociações com Colin Farrell para o papel do Pinguim em The Batman e com Andy Serkis para interpretar o Alfred? É isso mesmo, produção?

6/11¹ - E abriu a porteira da Disney de Luxo pela Panini! $eguuuura, peão...


6/11² - Após a boatada reunião do The Smiths (mesmo com Morrissey mais à direita do que nunca), Johnny Marr, numa beleza de coice britânico, pega a saída pela esquerda.

6/11³ - Dampyr, o sensacional fumetti criado por Mauro Boselli e Maurizio Colombo, está virando filme. E já estreia em 23 de janeiro de 2020.

6/114 - A legendária atriz francesa - e deusa pra vida - Catherine Deneuve sofre um AVC isquêmico. Felizmente, já se recupera bem e sem sequelas.


6/115 - O sensacional desenhista Goran Parlov é outro que está se recuperando de um AVC. PelamordeDeus, hein, Sra. "O-Grande-Momento-da-Vida". Vá caçar um ditador, uns neonazistas ou uns projetos de fascistas por aí... eu, hein...

7/11¹ - O Tool manda avisar que o fã que erguer seu celular pestilento nos shows será ejetado para a puta que o pariu - e sem reembolso. Além, é claro, de ser devidamente espancado pelos seguranças. Ok, essa parte é brincadeira.

7/11² - Kane Hodder irá comparecer à próxima Monster-Mania Con paramentado de Uber Jason - o Jason ciborgue do esculachado, mas divertidíssimo lixo Jason X (2001). Demais!

7/11³ - Em sua autobiografia Acid for the Children, o geralmente reservado Flea, do Red Hot Chili Peppers, conta que Anthony Kiedis pode ser "controlador" e, em entrevista ao The Guardian, que "ele sempre quer ser o alfa". Também comentou sobre a difícil convivência durante a fase junkie do cantor. Para uma banda de 36 anos que foi ao inferno e voltou uma dúzia de vezes, já é um milagre que ainda estejam vivos, quanto mais juntos. Por tudo isso, kudos. Uma pena que discaços como The Uplift Mofo Party Plan (1987) e Mother's Milk (1989), nunca mais.


7/114 - Hoje foi aquele dia, em que o jornalista Augusto Nunes - sem argumentos e nem um mísero Pulitzer - estapeou o jornalista Glenn Greenwald durante o programa Pânico, na rádio Jovem Pan. Claro que a treta vem de algum tempo, com Nunes já sem argumento e nem Pulitzer.

7/115 - E diante do troca-tapa esquerda/direita entre os jornalistas, o ótimo desenhista paraense Joe Bennett (Immortal Hulk) não conteve o reacinha interior e postou um pedido de co-autoria no tapa, adicionando que se estivesse no lugar de Nunes, teria dado um soco - provocando um nauseante déjà vu de bovinos empolgados... Cê é o bichão memo, hein doido®. Logo depois, provavelmente lembrando para qual gigante de entretenimento com agenda liberal-progressista trabalha, deletou o post e pediu desculpas. Mas o tal do print screen é uma merda, né não?


7/116 - Jonathan Hickman não é Ana Hickmann, mas também é diva.

7/117 - Só confundi todas as vezes em que olhei para as fotos dos pombinhos. Se fosse Dame Mirren mesmo, seria Most Excellent!

8/11¹ - Com orçamento entre 55 e 70 milhões de dólares e bilheteria relando o pé na Terra Prometida do 1 bilhão, Coringa já é a adaptação de quadrinhos mais lucrativa da História.

8/11² - A Devir anuncia o lançamento da DNet, plataforma digital para reserva de HQs com descontos dinâmicos. Uma promissora novidade na surrada relação fornecedor-varejista-cliente. Pena que a implementação não abrange também o envio, velho calcanhar de Aquiles do comprador online.

8/11³ - Jeremy Slater vai liderar os escritores da série live-acion do Cavaleiro da Lua pela Disney+. Não assisti The Umbrella Academy, mas já tive algum contato com o trabalho do roteirista. Se estiver em boa fase, ótimo, caso contrário...

9/11¹ - Tim Drake, ex-Robin, agora é simplesmente Drake. E, como sabemos, todos amam o Drake. Menos aquele Drake.

9/11² - Parece que Doutor Sono, sequência de O Iluminado, não iluminou as bilheterias e vai ficar em 2º lugar em seu fim de semana de abertura.

10/11 - Em resposta ao "movimento" Quadrinistas Antifascistas, surge o Quadrinhos sem Política. Olha, isso até existe, na revista do Chico Bento. E mesmo assim tem que pular umas edições.


11/11¹ - 3ª temporada de Titans confirmada para 2020. É bom mesmo!

11/11² - Bill Murray é confirmado pela 49ª vez em Ghostbusters 2020. Mas ainda não senti firmeza. Vamos aguardar até a confirmação #60.


11/11³ - Divulgadas algumas artes das séries animadas The Falcon and the Winter Soldier, Guardians of the Galaxy e What If...?. A supersoldado Peggy Carter e Steve Rogers com armadura parecem ótimos, mas ainda prefiro, claro, o outro Steve... - e vazou o teaser do What If...?!

Estreou hoje o Catarse de KRAKEN, obra máxima da dupla Segura e Bernet que será publicada na íntegra pela primeira vez...
Publicado por Figura em Terça-feira, 12 de novembro de 2019

11/114 - Aberto o Catarse do quadrinho cult Kraken, pela editora Figura. A campanha vai até o dia 13 de dezembro. Apoie pra ontem – primeiro, porque é uma ordem, soldado!; segundo, é material oitentista da espetacular dupla espanhola Antonio Segura/Jordi Bernet. E isso, espero, dispensa comentários.

11/115 - Kevin Feige diz que Os Eternos é um filme grande, caro e um risco. É o que se tem quando resolve não reiniciar os trabalhos com o Quarteto Fantástico ou os X-Men, meu chapa.


12/11 - E tá aí, o Sonic com um novo visual e mais fiel ao original. Resta saber se o nível do filme irá honrar a grana gasta na repaginada.

13/11 - Trent Reznor e Atticus Ross ganhando um prêmio de música country já deveria ser bizarro o suficiente. Só que a música nem era deles (ou do Nine Inch Nails), e sim do rapper Lil Nas X!







The Man in Black ⚡️ Like most kids growing up, I dreamed about being a superhero. Having cool superpowers, fighting for what’s right and always protecting the people. It all changed for me, when I was 10yrs old and was first introduced to the greatest superhero of all time - SUPERMAN. As a kid, Superman was the hero I always wanted to be. But, a few years into my fantasy, I realized that Superman was the hero, I could never be. I was too rebellious. Too rambunctious. Too resistant to convention and authority. Despite my troubles, I was still a good kid with a good heart - I just liked to do things my way. Now, years later as a man, with the same DNA I had as a kid - my superhero dreams have come true. I’m honored to join the iconic #DCUniverse and it’s a true pleasure to become, BLACK ADAM. BLACK ADAM is blessed by magic with the powers equal to SUPERMAN, but the difference is he doesn’t toe the mark or walk the line. He’s a rebellious, one of a kind superhero, who’ll always do what’s right for the people - but he does it his way. Truth and justice - the BLACK ADAM way. This role is unlike any other I’ve ever played in my career and I’m grateful to the bone we’ll all go on this journey together. BLACK ADAM 12.22.21 ⚡️ Huge thank you to my friends, @jimlee and @bosslogic for this first time ever bad ass collaboration.
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14/11¹ - Jim Lee cria um concept bacana para o Adão Negro Dwayne "The Rock" Johnson. Só podiam rapar essa capa fora, pô.

14/11² - A Warner atualizou o logo e claro que o antigo é melhor.

Back in my other home, Sao Paulo for couple of days and starting the tour on next week in Buenos Aires! Can’t wait!!! Ps.eat fruits, don’t drink beer! Especially this one. It’s shit.
Publicado por Matias Kupiainen em Quinta-feira, 14 de novembro de 2019

14/11³ - A Skol desceu quadrada para o guitarrista Matias Kupiainen, da banda finlandesa Stratovarius. Bem feito. Se tivesse conferido minhas dicas de cervejis no Cidade Fantasma, não teria passado por isso.

15/11¹ - O lendário mangaká Leiji Matsumoto – criador de clássicos como Patrulha Estelar e Capitão Harlock, entre muitos outros – é internado em Turin, Itália, com suspeita de AVC. Mas, felizmente, já está fora de perigo.

15/11² - A Legendary Television (que eu nunca ouvi falar) fecha um acordo com Frank Miller para uma telessérie de Sin City. E, naturalmente, Robert Rodriguez está em negociações para participar do projeto.


15/11³ - Nicolas Cage personificará Nicolas Cage em um filme sobre Nicolas Cage! The Unbearable Weight of Massive Talent terá, duh, autorreferências aos maiores clássicos Cageanos, como Despedida em Las Vegas e A Outra Face. A trama envolverá produções de Quentin Tarantino (!), a CIA (!!) e um cartel mexicano (!!!). No ramo dos ultrametafilmes esse promete deixar JCVD e Quero Ser John Malkovich parecendo Spice World: O Filme.

15/114 - Uma das participações mais inusitadas de toda a franquia Star Wars é, sem dúvida, a de Werner Herzog em The Mandalorian, a (até aqui, ótima) série criada por Jon Favreau. Pois ele e o co-roteirista e diretor Dave Filoni revelam que a experiência de dirigir o venerado cineasta tem sido espetacular até quando eles os chama de "covardes". Pô, que honra!

15/115 - E Coringa é o 1º filme com classificação "R" a chegar a US$ 1 bi nas bilheterias.


17/11¹ - Sensores indicam que o #ReleaseTheSnyderCut aumentou sua irradiação em 800% nos últimos dias. Senão vejamos: além de Jason Momoa, Ben Affleck e do pôster do BossLogic, também aderiram à causa Gal Gadot, o Cyborg Ray Fisher e até Damon Lindelof e Diane Nelson, ex-presidente da DC Entertainment. Já enviei os melhores operativos do BZ para investigar o que está havendo.

17/11² - A sequência-título da série do Gavião Arqueiro é bacanuda. Obviamente, calcada nas artes de capa de David Aja para a espetacular série solo do ex-vilão arqueiro.


19/11 - Se vai Tom Lyle, aos 66. Escritor e desenhista, Lyle trabalhou com Roger Stern em Starman e ao lado de Chuck Dixon na trilogia solo do Robin (I, II e III). Mas ficou mais conhecido por criar o design do Aranha Escarlate, na conturbada Saga dos Clones. Mesmo afastado do mainstream há anos, comparecia em várias convenções (a imagem acima é da Heroes Con 2008, em Charlotte, NC). Desde 2005 lecionava arte sequencial. E pelos posts e fotos de seu blog pessoal, o mais importante: parece ter sido um perfeito bon vivant.

20/11¹ - A Warner já começa a trabalhar na sequência de Coringa. Precisamos arrumar um vilão para o Palhaço do Crime... Que tal o Jason Todd?


20/11² - Se vai o cineasta Fábio Barreto, aos 62. O produtor, diretor, ator e roteirista se encontrava em coma desde um acidente de carro em dezembro de 2009. Barreto teve uma carreira prolífica por trás das câmeras, inclusive dirigindo O Quatrilho (1995), indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro - além, claro, de seu derradeiro Lula, o Filho do Brasil (2009). Pessoalmente, sempre curti mesmo é O Rei do Rio (1986), uma pérola.

20/11³ - Com a moral na extratosfera via The Mandalorian, Jon Favreau poderá ter um papel de liderança ainda maior na franquia Star Wars. Se sobrar alguma coisa até lá, logicamente.

21/11¹ - Uma edição de Marvel Comics #1 (agosto/1939) é leiloada pelo valor recorde de 1,26 milhão de dólares. Arremate este que é o sonho molhado dos Mercenários Livres.


21/11² - Se vai Gahan Wilson, aos 89. O lendário cartunista foi um dos mais influentes artistas do quadrinho underground americano. "Underground" no sentido de "transgressor", visto que seu estilo mixando terror, humor negro e críticas à estupidez humana rechearam as páginas da Playboy, National Lampoon e The New Yorker. E entre seus fãs, ninguém menos que Stan Lee e Guillermo del Toro.

22/11¹ - Channing Tatum e o produtor Roy Lee vão se meter a adaptar The Maxx, o gibi cult-mor de Sam Kieth. Blasfêmias à parte, pessoalmente, já estou satisfeito com a série animada que passava na MTV e no Locomotion. Mas quer saber? Que façam o filme. E abarrotem a conta bancária do Kieth. Ele merece. Sem falar que a possibilidade de uma Julie Winters live-action é algo sempre negociável.


22/11² - Antônio Augusto de Moraes Liberato, o Gugu Liberato, faz sua passagem, aos 60. Era uma autêntica entidade da televisão popular brasileira, com todas as suas fórmulas, vícios e excessos - muitos deles atualizados e até mesmo criados pelo apresentador. Foi onipresente na década de 1980 com o sucesso do programa Viva a Noite e quadros como impagável "Rambo Brasileiro" (mistura de cospobre, Clube das Mulheres e uma total falta de noção), bem como suas boy bands Dominó e Polegar, que vendiam milhões de discos e transitavam por todas as emissoras, além de vários outros projetos - e claro que isso se estende também aos quadrinhos. Muito influente, foi um dos comunicadores que melhor entenderam o complexo perfil do público brasileiro e souberam como administrá-lo. Mesmo em seu universo de populismo, baixa cultura e polêmicas, uma carreira notável.

25/11 - Após o fenômeno dos lombadeiros, eis que surgem os bookplateanos! Haja paciência...

26/11 - Como toda pessoa acima dos 70 anos, o guitarrista Pete Townshend não quer saber de fazer média e solta o verbo pra cima do baixista John Entwistle e do baterista Keith Moon, seus finados companheiros de The Who. E também sobrou umas farpas... ou melhor, uns vergalhões para o sobrevivente Roger Daltrey. Essas declarações chocaram a geral rockeira, mas a verdade é que há poucas coisas mais horripilantes no mundo do que um véio dando opinião.

29/11¹ - Blade Runner ganhará uma série anime via Adult Swim/Crunchyroll/Alcon. Blade Runner Black Lotus se passará 17 anos antes do filme Blade Runner 2049 (2017). Ainda não há data para lançamento.


29/11² - Leonardo DiCaprio é acusado de "dar dinheiro" para "tacar fogo na Amazônia". Bom saber. Agora já podemos dormir sosseGados.

domingo, 4 de março de 2007

DIRETOR FANTASMA


"Spawn was much much better than this". Essas palavras calaram fundo na minha mente quando li o review do Harry Knowles sobre Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider, 2007). E ele estava lá, desfiando passionalmente sua fúria fanboy-mor em cima de mais um suposto desperdício de um bom personagem dos quadrinhos. Analisando friamente, nada de novo até aí, visto que o diretor é o mesmo Mark Steven Johnson, do meio-médio-ligeiro Demolidor e responsável por uma nova enfermidade chamada transtorno obsessivo-compulsivo de Elektra*. O mal de Johnson é muito peculiar. Ele soa como se fosse um subproduto de Paul W. Anderson (de Aliens vs Predador), que por si só já é um subproduto de diretor-operário. A ironia é que Johnson tem boas idéias conceituais (Demolidor mesmo tem várias delas), mas as anula uma a uma impiedosamente em lances de absurda previsibilidade. Pra piorar, não parece ter a mínima intimidade com diálogos inspirados ou roteiros bem amarrados. E neste filme, além de dirigir, ele adapta e roteiriza... ou seja, Motoqueiro Fantasma é 100% Mark Steven Johnson, um cineasta 25%.

De qualquer modo, o filme é bastante fiel à premissa dos quadrinhos e condensa tudo que o Motoqueiro tem de melhor. Seu alter-ego é o motoqueiro Johnny Blaze com a roupagem e os poderes do motoqueiro Daniel Ketch. Nicolas Cage finalmente conseguiu o tão sonhado papel de super-herói e não faz feio no que lhe diz respeito. E a história é aquele mesmo causo faustiano contado na Marvel Spotlight #5, só que mais enxuto. O jovem Johnny (Matt Long) e seu pai, Barton Blaze (Brett Cullen), fazem um espetáculo com acrobacias em motos. Nas horas vagas, Johnny encara outro espetáculo, de nome Roxanne Simpson (Raquel hhhmmm Alessi). Um belo dia, ele descobre que seu velho pai tem câncer e está em fase terminal. É quando aparece o boitatá-de-Armani Mefisto (Peter Fonda), com um providencial contrato debaixo da asa. Sem maiores espiritualidades, Johnny vende sua alma pra aprender a tocar guitarra... digo, salvar a vida de seu pai do mal irremediável. Desse mal irremediável, melhor dizendo, pois o mesmo empacota na primeira manobra arriscada de sua apresentação, configurando aí uma autêntica sacanagem dos diabos.

Amargurado, Johnny cai na estrada e embarca numa carreira-solo bem sucedida, mas vazia. Os anos passam e ele reencontra seu antigo amor, Roxanne (já esculpida com as curvas de Eva Mendes), que, óbvio, virou jornalista. Como esmola demais o santo desconfia, Johnny também recebe a desagradável visita de Mefisto – o ser mega-satânico está reivindicando sua parte no contrato para conter a rebeldia de seu filho, Coração Negro (Wes Bentley).


Um grande mérito foi manter intacta não só a presença cavernosa do Motoqueiro, como também a enorme extensão de seus poderes - o personagem é muito poderoso, mesmo para os padrões super das HQs, e isto é claramente demonstrado aqui em diversas situações. Seu vozeirão gutural ficou ótimo, de meter medo em vocalista de death metal. Rola Crazy Train, do Ozzy. O maneiríssimo Olhar da Penitência está lá também. E quando seu "uniforme" fica totalmente caracterizado, com os vinte quilos de couro preto, corrente atravessada e espinhos metálicos, bate até um certo regozijo nerd. Nem o Homem-Aranha foi tão justiçado. Outra boa sacada foi o background sintético do Blaze pré-Motoqueiro. Ficou tudo mais ágil e marcante. Nos quadrinhos, a trajetória do rapaz (que era adotado) é um dramalhão texano daqueles. E uma vez mais, Johnson prova que, tirando alguns poucos Aflecks, é certeiro no que tange à escolha do elenco. Além do easy rider Peter Fonda, também tem meu tio Sam Elliott num papel que, fora ele, apenas meu outro tio, Clint Eastwood, poderia personificar com tal foderocitude, son. Rrrc. Cusp.

Parece bom, né. Mas não é bem por aí não. Johnson ainda continua matando seus bons rompantes com a frieza de um serial-killer, e a partir da segunda metade, ele o faz com talento ímpar. É aí que eu entendo melhor a fúria Knowlesca: o cineasta parece se esmerar para garantir que o produto final seja milimetricamente razoável e nada mais, mesmo com todas as condições favoráveis para deslanchar (o extremo oposto de Bryan Singer, na época do 1º X-Men). Johnson assume a ponta sem grandes dificuldades, mas aperta o freio bem no meio da curva. Essa atitude irrita mais do que se o filme fosse uma pilha de merda fresca.

Em Motoqueiro Fantasma existem momentos de puro vazio contextual. Não raro o personagem, com todo aquele visual dark hardcore, "trava" em cena e não diz a que veio, e quando diz não tem a menor importância - é impossível lembrar das falas do Motoqueiro segundos após as mesmas. Fonda e Elliott não passam de coadjuvantes de luxo – Elliott então, é praticamente despejado do filme em uma última cena cheia de buracos na lógica (não podia só ter pego carona na moto pra poder ajudar mais?). Já Coração Negro tem um poder com um efeito sinistrão, mas passa o filme inteiro se utilizando de seus assistentes – demônios buchas que representam as forças elementais. Cage, por sua vez, insiste em apontar o dedo em riste, ficar uma eternidade em silêncio pra finalizar dizendo alguma pasmaceira óbvia – maneirismo canastrão repetido ad nauseum (de quem terá sido a idéia...). Isso pra não falar na fixação do personagem por Carpenters e balinhas de jujuba (!!).

A apenas quinze minutos do final, eu imaginava se uma boa briga entre o Motoqueiro e Coração Negro não resolveria a parada. Sim, resolveria. Mas Johnson já tinha jogado a toalha há quarenta minutos atrás. Imagine o Deacon Frost, vilão do 1º Blade, com as mesmas motivações e planos para dominação do mundo, mas sem a luta final. Este é Coração Negro, que, por sinal, não tem nada demais em sua forma verdadeira, à despeito das declarações exageradas do diretor.

Um ano de pós-produção pra isto. Estou impressionado.


Parabéns Johnson, você conseguiu. Motoqueiro Fantasma é o filme mais mediano dos últimos tempos. Pelo menos rendeu aquela simulação em flash no site oficial.

Ah, mas eu não tenho webcam... tsc.


A propósito, um breve adendo:


Nicolas Cage já topou com um motoqueiro dos infernos, certa vez. Tal de Leonard Smalls, motoqueiro solitário do Apocalipse... ou algo que o valha.






Puxa vida, aquele cara era bem durão para uma metáfora.


Parabéns Eva Mendes. Beijão na boca!

domingo, 28 de janeiro de 2007

DIABOLE VERTSES EN UN VESES

"Who, in their right mind, could possibly deny the 20th century was entirely mine?"
John Milton (Advogado do Diabo, 1997)

E pelo andar da carruagem, o coisa-ruim anda fazendo uma senhora campanha de publicidade também no século 21. É um tanto desesperador que esta frase tenha sido cunhada numa época pré-11/9, pré-Afeganistão, pré-Iraque, pré-tsunami, pré-mensalão, e por aí vai. Certa vez, li uma teoria sobre o livro/filme O Exorcista que explicava que aqueles eram tempos de crise moral e política nos EUA, somadas aos horrores de uma guerra perdida, à escalada da violência urbana e à ausência geral de valores espirituais. Ou seja... o ambiente perfeito pro demo fazer a festa (começando por garotinhas indefesas). Longe de ser um expert nos aspectos técnicos das manifestações cramulhísticas, imagino que, sendo uma entidade abstrata em nosso plano, a sugestionabilidade coletiva é uma poderosa arma em suas garras. Não que o tinhoso seja o causador da merdaiada em que o ser humano vive se metendo. Seu 'trabalho' é muito mais discreto. Afinal, como profanou humildemente John Milton... "não sou titereiro... apenas preparo o cenário. Você é quem puxa suas próprias cordas".

Na cultura pop convencionou-se tornar a figura do belzebu em algo mais concreto e, nessa, o conceito do anticristo foi prontamente adotado. No cinema, ele aparece mais freqüentemente como uma força invisível e irreprimível (vide o Bzão O Príncipe das Sombras) ou como moleques assustadores com um "666" tatuado em algum lugar do couro (A Profecia, O Bebê de Rosemary). Mas isso é só no caso da paternidade ser do próprio Satan-in-chief. O esquema todo é cheio de regras e estratégias porque o livre-arbítrio, graças a Deus, tá na área.

Nos quadrinhos, essa burocracia infernal, bem mais complicada que uma "simples" possessão (à Etrigan/Jason Blood, da DC), pode ser contornada quando o cão em questão pertence à uma classe inferior - 1/3 dos anjos originais já é um número que demanda alguma pesquisa censitária. Nota-se também que um objetivo de vida mais modesto e não tão ambicioso, tal como "conquistar/destruir o mundo", é um facilitador do processo. Foi assim com o sacana Violador (arquiinimigo do Spawn), da Image, que, se não me falha a memória, é filho de um demônio jurássico old school com uma humana (é isto mesmo, Fivo?).

Já o sinistro Coração Negro, da Marvel, é um caso à parte.


Wes Bentley recebendo o exú Coração Negro: a forma humana do vilão

Criado por Ann Nocenti e John Romita Jr. em 1989, ele debutou numa história do Demolidor (Daredevil vol.1, #270 - publicada no Brasil em Superaventuras Marvel #122). Coração Negro é filho do super-capeta Mefisto, que o concebeu sem envolver qualquer miscigenação - o pequeno Coraçãozinho, além de 100% Negro, é 100% Cramulhão - detalhe que acho interessante. Ensaiando uma versão blasfema do Deus cristão, Mefisto envia seu único filho para a Terra em busca de uma espécie de redenção invertida. E para isto, nada melhor que vilipendiar os valores e ideais de alguma alma justa, incorruptível e altruísta - é ou não é a descrição per se do Demolidor (a.k.a Demônio Audaz)?

Em seus primeiros dias, Coração Negro é instinto puro. Através dos recordatórios, Ann Nocenti (mulher sensacional... ainda vou escrever muito, mas muito sobre ela) detalha minuciosamente cada sensação e etapa do aprendizado da infante criatura das trevas. O resultado lembra o texto de algum documentário estilo Desafios da Vida, com predadores famintos cercando filhotinhos desgarrados. A prosa de Nocenti é ágil e muito bem-sacada, o que impede o roteiro de se tornar pretensioso e enfadonho. Mesmo assim, ela aposta no seguro e suaviza ainda mais a atmosfera com uma participação especial do Homem-Aranha - outro herói sempre às voltas com dilemas éticos e ideológicos.

E Romita Jr., atravessando a primeira e definitiva re(/volu)formulação em seu estilo, insere em sua concepção visual o mesmo clima descomplicado das palavras de Nocenti. Fora que seu design para Mefisto, além de radical, é bem mais aterrorizante que o Conde Drácula cover habitual.


Provavelmente... nunca havia pensado nisso e nem sei se confere de fato... Romita Jr. tenha se reinventado de maneira tão efetiva visando a interação ideal com a narrativa de Nocenti. Acredito mesmo que ele tenha empreendido uma busca pela química perfeita entre suas imagens e o texto dela - deixando pra trás a influência paterna inicial (wow) para descobrir sua verdadeira ID artística, o que resultou numa das melhores parcerias dos quadrinhos, merecedora de TPB's, sketch-books e edições especiais ad nauseum (alô Panini!).

Segue abaixo a história da treta de Murdock e Parker versus o vilão de coração negro. Scans by me.


Peter Fisto: Easy Rider from hell
Sinceramente, tento não esperar muito da adaptação de Motoqueiro Fantasma - onde também estrearão na telona o papai Mefisto (ou Mefistófeles) e Coração Negro (Jr). Apesar dos ótimos previews, teasers e trailers, o figura Mark Steven Johnson sempre será o diretor do decepcionante Demolidor. Mas, olhando pelo lado positivo, grande parte das deficiências que deram as caras em Demolidor (sem trocadilho) serão contornadas pela natureza e poderes sobrenaturais do personagem-título. E o cast é bastante animador. Além de Nicolas "droga-eu-queria-mesmo-era-o-Superman" Cage, também tem o meu tio Sam Elliott, o sempre promissor Wes Bentley, a instituição harley-davidsoniana Peter Fonda e a explosively hot Eva Mendes.

E não sei até que ponto se pode confiar nas declarações do diretor, mas que elas são instigantes, isso são: "Coração Negro é mostrado no que eu considero sua 'forma humana' na maior parte do filme. Mas ao longo da história nós recebemos dicas do que existe debaixo desse disfarce. No clímax descobrimos seu eu verdadeiro - e ele é horroroso. Haverá um pouco do visual clássico da HQ adicionado de alguns elementos de horror".

Mefisto te abençoe, meu filho. Motoqueiro Fantasma estréia nos EUA em 16 de fevereiro. No Brasil, dizem que será em 02 de março.

Na trilha: Paradise Lost, One Second Live.