Edson "Redson" Lopes Pozzi (1962-2011)
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
O fim da ameaça?
Foi o que o alto comando dos Estados Unidos pensou enquanto acompanhava a operação na situation room. Mal sabiam o quanto estavam enganados...
Zombinladen: The Axis of Evil Dead mostra o temido líder terrorista ressurgindo das profundezas e aterrorizando uma pequena ilha da França com uma verdadeira jihad zumbi!
Insano.
Zombinladen foi filmado em 4 dias pelo maluco Clément Deneux para um concurso francês. Tomara que siga o mesmo caminho de Machete e Hobo with a Shotgun e ganhe uma merecida e sangrenta promoção.
Morte aos infieis vivos politicamente corretos!
sábado, 24 de setembro de 2011
Smells like 1991
Hoje fazem exatamente 20 anos do lançamento de Nevermind. Numa comparação razoavelmente honesta, o 24/09/91 foi a Tunguska da cultura pop. Dos redutos alternativos mais restritos às periferias, digamos... menos antenadas (já viu um pedreiro cantarolando "On a Plain"? Eu já), conscientemente ou não, a onda de choque atingiu todos, em todos os escalões. O epicentro era na longínqua Aberdeen, fim de mundo white trash da costa oeste norte-americana. De lá pra cá, Nevermind e toda sua bagagem icônica atravessaram anos e mídias com intensidade reluzente e sem fim aparente. Nada mal para um disco de rock 'n' roll.
Não faço ideia de como as novas gerações exergam o álbum e tudo o que ele representou para uma indústria hoje semidefunta. Nem faço muita questão, pra falar a verdade. Para entender o impacto que Nevermind teve, é necessário ter vivido aquele início de década. E a década antes dela. Era o álbum certo para o momento certo - estávamos em plena ressaca dos 80's, a mediocridade imperava nas rádios, com programações regurgitando dejetos tão pútridos quanto os de hoje. Troque Lady Gaga, Rihanna e Katy Perry por Paula Abdul, Black Box e C+C Music Factory e pode fechar a equação. Eram tempos difíceis.
Frente a esse cenário altamente pasteurizado, havia um real esforço de continuidade que se confundia com os últimos resquícios de uma década pomposa demais. A entressafra de artistas e tendências resultou num ano incomum e prolífico de grandes lançamentos. É verdade que poucos deles tiveram a velocidade vertiginosa de assimilação de Nevermind. Alguns só estouraram no dial ao longo do ano seguinte, outros nem isso. Mas seguem influentes e ainda hoje são peças-chave nas carreiras de suas bandas e nos corações de seus ouvintes. 1991 definitivamente não acabou.
Segue abaixo uma lista dos 20 discos daquele ano que ouvi até a minha orelha derreter e escorrer pelo pescoço. A maioria tive em LP. Com o passar dos anos, substituí alguns por CDs. Após o advento do MP3 (e do FLAC), uns poucos ainda resistiram bravamente em seu formato físico. Early adopter, pero sin perder la ternura jamás...
O disco que virou tudo de ponta cabeça, iniciou a capitalização do movimento grunge, jogou a última pá de cal no hard rock poser, etc. Tenho vários amigos que odeiam Nirvana e imagino o inferno que deve ter sido pra eles - porque não dava pra ficar indiferente à massificação da coisa. O próprio Kurt Cobain foi vitimado e virou um prisioneiro. Almejava um direcionamento musical mais suave e melódico, ao exemplo do elogiado MTV Unplugged in New York e de uma de suas bandas favoritas, o R.E.M., mas cedeu às pressões da gravadora e da garotada "que só queria ouvir o som pesado da guitarra". O resto da história todo mundo conhece.
A virada sonora mais bem sucedida do metal, antecipando um futuro próximo onde o thrash já deu o que tinha que dar em termos de novidade. Um álbum excelente do início ao fim. Headbangers da facção true amaldiçoaram o grupo e os críticos indie esnobaram, taxando o disco de pretensioso. E eu, quem diria, fiquei ao lado dos fãs de última hora que conheceram o Metallica via "Nothing Else Matters".
Após uma viagem pelas raízes da América, o grande vencedor do pop rock dos anos 80 buscou uma estética mais globalizada em Achtung Baby. O experimentalismo era latente - "The Fly" e "Mysterious Ways" traziam peso e paisagens completamente alienígenas ao som do grupo. Passado o susto e ouvindo o disco com calma, era o U2 de sempre. Na época, isso era uma coisa boa.
Arise sedimentou o caminho aberto por Beneath the Remains e inseriu o Sepultura de vez nos charts metálicos internacionais. Missão difícil que o grupo mineiro, junto com Scott Burns (o melhor produtor thrash da época), cumpriu com louvor. Discaço. Um dos meus orgulhos ufanistas bestas é entrar ocasionalmente no Amazão e ler o que os gringos ainda escrevem sobre.
Técnica, sangue-frio e violência. Sempre encarei o Prong de Prove You Wrong como uma espécie de "Evil Rush". O power-trio liderado por Tommy Victor produzia um esporro extremamente complexo e original (principalmente pra mim, que não conhecia o Killing Joke na época!). Pena que nos discos seguintes se renderam à onda metal industrial que ajudaram a propagar, apostando num som mais simples e acessível.
Contrato com a Warner, orçamento de luxo, produção de Rick Rubin. Blood Sugar Sex Magik foi concebido pra dar certo. E deu, por merecimento. É um grande álbum dos Pimentas - e um baita catadão de suas influências e vertentes sonoras - embora meus favoritos continuem sendo o The Uplift Mofo Party Plan e o Mother's Milk. E todos esses dão uma surra nos últimos álbuns da rapaziada.
Antes é preciso entender que o KLF era da pá virada. O anti-establishment da dupla Bill Drummond e Jimmy Cauty era de mandar punk juramentado de volta ao jardim de infância. Não é todo mundo que tem cojones pra subir ao palco em companhia do Extreme Noise Terror pra subverter seu maior hit e assim sacanear uma network em horário nobre e uma plateia coxinha que aguardava uma apresentação tipicamente dance pop. Quem dirá enterrar sua estatueta de "Melhor Grupo Britânico de 1992" nos arredores de Stonehenge. De quebra, quando a coisa perigou ficar muito grande e rentável, eles puxaram o fio da tomada e retiraram todos os seus discos de catálogo. The White Room era um achado. Sofisticado, cheio de trucagens, camadas e climas num contexto deslavadamente popular. Musicalmente, estava a anos-luz à frente de "apostas certas" da crítica, como The Shamen e Altern 8. O KLF era foda.
Gosto muito do Superunknown e do Down on the Upside, mas esse é o disco do Soundgarden pra mim. Ainda lembro da primeira vez que ouvi "Outshined". Parecia que todos os espíritos dos Natais setentistas vieram me visitar ao mesmo tempo. Led Zeppelin, Grand Funk Railroad, Jethro Tull, Black Sabbath, psicodelia e paudurescência se estendendo por todo o álbum. E Chris Cornell parecia ser um dos maiores vocalistas de rock a pisar num palco. Parecia...
Devo dizer que naquele ano ouvi também muito o Várias Variáveis, dos desafetos/rivais Engenheiros do Hawaii. Mas o V (curiosa profusão de V's!) era o Legião abrindo mão de quase toda a facilidade comercial conquistada pelos discos anteriores. Respeito isso. V (e o VV, em menor escala) foi um rasgo de inspiração concentrada, ainda que refletindo uma tremenda bad trip, num ano particularmente ruim para o Brasil - na época, Collorido - e para o rock nacional.
O disco que fez o R.E.M. estourar no resto do mundo. Com o tempo, "Losing my Religion" sofreu os efeitos da mega-exposição, o que não tira os méritos da banda e do álbum. Aliás, muitos artistas deveriam aprender a sair de cena como esses caras. Genial.
Screamadelica foi tão bacana, refrescante e seminal que todo mundo combinou que não ia mais chamar o Primal Scream de "a banda do ex-baterista do Jesus & The Mary Chain". Dali em diante só era permitido "o Primal Scream não é apenas a banda do ex-baterista do Jesus & The Mary Chain". Certas correntes são difíceis de se livrar. Mas a notícia boa é que, nesse boom revisionista, tenho reouvido o disco e funciona como se tivesse saído hoje.
Foi Bandwagonesque que abriu os olhos (e os ouvidos) deste ogro metálico avesso a bandas indie. Quando menos percebi estava quase furando o vinil e assobiando as melodias por aí.
Nunca tinha ouvido nada tão sofisticado e ganchudo ao mesmo tempo. Nem sei se entendia direito o conceito de trip-hop e pouco importava. Ouvi e ainda ouço muito, nos momentos certos. Esse álbum é um clássico.
Eu tinha pirado no filme. Quando vi a trilha na loja, não pensei duas vezes. Foi minha porta de entrada para o universo do soul e do r&b. As versões são irresistíveis.
Há muito enrolava para conhecer os autômatos do Kraftwerk mais a fundo. The Mix cumpriu seu objetivo muito bem no meu caso - é uma perfeita introdução para um n00b. E que tal reouvir o álbum enquanto lê o artigo arrepiante da Cracked?
Quem diria que o Madman emergiria dos 80's em excelente forma e com um novo talento guitarrístico à tira-colo? Arrasador.
Esse está há vinte anos no volume 11. Um dos grandes balaços de Lemmy e seu bando. Difícil decidir qual a homenagem mais porradeira: "Ramones" ou "Going to Brazil".
Admito que só corri atrás desse porque a cantora da banda, Inger Lorre, era um tesão. Mas, que surpresa, o disco trazia um mix sensacional de glam, punk, alternativo e gótico. Iggy Pop participa de uma das faixas. Me surpreendi pelo fato do grupo ter sumido do mapa após essa estreia promissora (via Geffen, major das grandes). Talvez seja porque a Inger era uma encrenqueira das brabas, do tipo que fazia a Madonna parecer uma freirinha. Aliás, por onde será que ela anda? Inger, se estiver lendo, me liga!
"Mas que porra foi essa?", foi minha primeira reação ao ouvir o segundo LP desses monstros franceses. Era a trilha sonora de um pesadelo! Hoje sei que era um industrial post-metal altamente abrasivo e basáltico, mas na época me senti um neanderthal diante do Monolito Negro. Comprei, na mesma tacada, o excepcional debut também. Mas escolho esse pela versão tonelada de "Radioactivity", do Kraftwerk.
Esse já pertence a um escopo mais habitué pra mim. Curtia os mineiros do grupo The Mist desde a estreia com Phantasmagoria, mas o The Hangman Tree é uma pintura gothic thrash metal - e um dos registros mais subestimados do metal nacional. É um daqueles meus LPs que foram recomprados em CD e que permanecem comigo até hoje.
Bonus tracks
Como a intenção era só listar álbuns de estúdio, separei esses, igualmente essenciais pra mim e hits absolutos no meu playlist '91.
Ainda tenho esse e o home video com o show completo, You Fat B**tards. Mike Patton completamente insano e a banda nos cascos, dando um gás atômico até nas saturadas "Epic" e "Falling to Pieces". Antológico.
Esporreira clássica que levanta qualquer festinha. O lado ruim é que já devo ter comprado esse CD umas cinco ou seis vezes. Às vezes o one-two-three nem chegava ao four, que o disco era "apropriado irregularmente" por algum convertido. Valei-me, meu São Joey!
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Justiça Sangrenta
Behold, marvetes! A HQ mais vendida de 2011 não poderia ser outra, senão...
...Turma da Mônica Jovem #34.
A Distinta C. deveria checar melhor suas informações (ou contratar um revisor menos "épico"). Porque, sabe como é... o cara do Bleeding Cool não perdoa.
(Cheque o fórum de discussões também. Nunca vi tanto decenauta mordido pelas costas. É divertido.)
E Don Sousa, hein? Joguem limões nele que ele constrói uma multinacional de produtos cítricos. Mestre.
...Turma da Mônica Jovem #34.
A Distinta C. deveria checar melhor suas informações (ou contratar um revisor menos "épico"). Porque, sabe como é... o cara do Bleeding Cool não perdoa.
(Cheque o fórum de discussões também. Nunca vi tanto decenauta mordido pelas costas. É divertido.)
E Don Sousa, hein? Joguem limões nele que ele constrói uma multinacional de produtos cítricos. Mestre.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Aleluia, irmãos!
domingo, 28 de agosto de 2011
domingo, 7 de agosto de 2011
Com grandes poderes vêm grandes porradas
Se a Gotham City de Christopher Nolan e a Metrópolis dos filmes do Superman têm alguma coisa em comum é que nunca foram palco de grandes cenas de luta. Sempre achei que Nolan não quer (ou não sabe) filmar porrada e o tal estilo Keysi usado pelo Batman nos filmes não ajuda nem um pouco. Já o Super teve sua última luta decente em 1980 e a mesma envelheceu pior que a Kathleen Turner. Mas na semana passada a velha e boa cultura de violência ocidental despontou no horizonte: enquanto a porrada comia solta em Gotham, o Superman ganhava a versão mais América Vídeo de sua história no cinema.
Se o ator Henry Cavill não chega a parecer um integrante dos Expendables, também passa longe daquela verve benevolente tão bem personificada por Christopher Reeve (e coverizada mecanicamente pelo Brandon Routh). Como esses teasers são meticulosamente medidos e pesados antes da divulgação, a mensagem não podia ser mais clara: o Superman chegou pra mascar chicletes e chutar bundas, e os chicletes dele acabaram.
Somando a isso o desprezo pelo patrimônio alheio, o semblante fechado, o olhar de quem está prestes a carbonizar algum infeliz com a visão de calor e o cabelinho "acabei-de-sair-de-um-filme-de-ação-dos-anos-80", o déjà vu concomitante e inexorável toma forma:
Não esquecendo a textura Goodyear/Pirelli da indumentária, última tendência em moda super-heroística. Royalties para a conta do Homem Nuclear.
E mergulhando de vez no aspecto trashback do post, um fantasma que nunca deveria ter voltado e que figurou nas cenas deletadas do DVD especial do malfadado Superman IV: Em Busca da Paz: o 1º Homem Nuclear criado por Lex Luthor e seu sobrinho Lenny (a.k.a Alan Harper), numa espécie de adaptação extra-oficial do Bizarro, e também sua luta contra o Homem de Aço, no que é possivelmente o momento mais constrangedor da carreira do saudoso Chris Reeve.
Se serve de consolo, eu assisti isso também. Desculpa qualquer coisa.
Atualização 08/08
Mesmo em seu modo Clark Kent-o-repórter-atrapalhado, nota-se uma postura de autoconfiança que o personagem jamais teve na telona:
Mas sem saber qual é o contexto, a única certeza absoluta e indiscutível é que Amy Adams é uma gracinha...
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sábado, 30 de julho de 2011
O triunfo da vontade
Capitão América: personagem alegórico de perfil motivacional criado por Joe Simon e Jack Kirby no início de 1941 para a Timely Comics, embrião da Marvel Comics. No final daquele ano complicado, os Estados Unidos entraram oficialmente na 2ª Guerra.
70 anos, inúmeros conflitos e uma ordem mundial inteiramente nova depois, o filme que os recrutas mereciam assistir. O 1º pra valer, vamos combinar. As tentativas anteriores de impor o Capitão sem a substância que faz dele o que ele é não vingaram nem a pipoca - e não me refiro ao soro do supersoldado. Fazer um filme sobre o heroi, com toda sua carga de simbolismos e ideais, é quase como fazer um filme sobre o Tio Sam. Foi aí a grande sacada de Capitão América: O Primeiro Vingador - o filme abraça a causa, por mais ultranacionalista e esdrúxula que ela possa se tornar, mas de maneira esperta, malandra e até autossarrista, sem jamais se render a recalques históricos que quase sempre deixam um gosto melancólico após uma falsa catarse de vingança e redenção.
Não que o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely seja um Norman Rockwell dos escritos d'antanho, mas alcançou o tom pop ideal para um personagem tão 1940. E sem deixar de fora as boas referências ao seu universo, salpicadas matreiramente durante toda a projeção. O Capitão América, quem diria, funciona e não soa como uma relíquia espalhafatosa da Era de Ouro pedindo aceitação nesses tempos tão cínicos. Considerando que essa era a parte preocupante, pode-se dizer que O Primeiro Vingador é um vencedor.
O problema ficou mesmo em aspectos padrões do filme. Talvez em algum ponto na interação entre a dupla de escribas com o comandante Joe Johnston e o cronograma nada amigável da Marvel Studios.
Primeiro, a parte boa. A ótima caracterização de Steve Rogers foi essencial para a coesão da narrativa, que cruza elementos de gêneros distintos sem a menor sutileza. Mais ainda, consegue estabelecer certa identificação com o espectador (a menos que este tenha assumido apaixonadamente o papel do valentão nos tempos de escola), além de transmitir uma mensagem simples, ingênua e boba até, porém universal: nunca desista de seus sonhos.
Evans, com toda a pinta de rei do baile e capitão do time, quem diria, rendeu uma boa mistura entre Peter Parker e a parábola do sapo surdo. Ou um Petey mordido por um sapo surdo radioativo, sei lá.
Não posso opinar tanto sobre a esqueletização digital do sujeito, já que o 3D desse filme parece ter sido convertido no fundo de quintal mais vagabundo da Santa Efigênia. Pelo que vi, pareceu convincente. Esse primeiro terço pré-Capitão foi justamente a parte que mais me agradou no filme, com um show à parte da produção de época e o clima nostálgico das ruas reeditando a atmosfera na qual o personagem nasceu - antes mesmo de ser o grandioso Capitão América, o pequeno Steve Rogers já era o sal daquela terra.
O Roger Ebert cantou a bola direitinho: Steve era só mais um garoto que queria ser como Charles Atlas e usar aquele poder não apenas para espancar "bullies" ou ganhar garotas, mas em favor da melhor causa de todas: ser americano.
Inicialmente achei que a ausência de suásticas e nazis afastaria o personagem de sua raison d'être. Felizmente, substituir os tradicionais chucrutes pela Hydra e todas as suas possibilidades ficcionais se mostrou bastante acertado, mesmo sem qualquer menção ao Barão von Strucker, à Madame Hydra e outros notáveis. Hugo Weaving, como sempre, impecável como o infame Caveira Vermelha. E isso inclui seu sotaque macarrônico e uma canastrice tal que só é possível pra quem está se divertindo a valer em frente às câmeras.
Já Toby Jones, pelo que conheço de seus trabalhos, parece ator de um papel só. Se for assim, foi a escolha perfeita para o Dr. Arnim Zola - cuja primeira aparição no filme foi uma referência impagável que provavelmente só os leitores dos quadrinhos vão pescar.
Do lado dos herois, um bom núcleo de atores e um naipe interessante de personagens dos quadrinhos, embora um tanto quanto subaproveitados. Os destaques vão para a bela inglesa Hayley Atwell no papel da agente Peggy Carter (interesse romântico de Steve), o grande Stanley Tucci conferindo um tom sereno, terno e quase paternal ao Dr. Abraham Erskine, Dominic Cooper personificando um Howard Stark que, além do bon vivant de praxe, também faz as vezes de Q para o Capitão - e em nada lembra a figura distante e obcecada como foi retratado em Homem de Ferro 2 - e finalmente Sebastian Stan fazendo um bom trabalho no (mais uma vez reescrito) Bucky Barnes.
Tommy Lee Jones está totalmente dispensável no papel do Cel. Chester Phillips, mas vale uns centavos pela rabugice que sempre imprime com um pé nas costas. Quero ser um velhinho igual aquele quando crescer. O chato mesmo foi ver desperdiçado o contingente bacana dos Comandos Selvagens, especialmente Neal McDonough, como o bonachão Dum Dum Dugan.
"America... FUCK YEAH!"
É a segunda vez que Joe Johnston dirige uma aventura sobre um heroi dos quadrinhos lutando contra vilões nazistas. A primeira foi em Rocketeer, há exatos 20 anos atrás, com produção da Disney, hoje dona da Marvel. É uma sincronicidade curiosa e um bom precedente, se tivessem me perguntado. Nessa nova incursão, no entanto, o termo "diretor operário" me veio à mente mais de uma vez durante o filme. Apesar dos bons empréstimos conceituais da versão Ultimate do heroi (Mark Millar é devidamente agradecido nos créditos finais), O Primeiro Vingador perde seguidas chances de fazer a diferença em momentos-chave, se limitando a sequências incrivelmente requentadas.
Há insumos de várias procedências aqui: Luke e Vader duelando numa ponte estreita sobre um abismo, o primeiro salto de Neo de um edifício para o outro, postais do Indy durante a Última Cruzada e até uma perseguição de speeder bikes na lua de Endor - isso pra ficar só nos mais óbvios. O cineasta também podia ter um pouco mais de bom senso na sequência em que o Cap invade sorrateiramente uma base da Hydra levando o "discreto" escudo estampado com a bandeira americana...
Mas o principal ponto negativo é o mesmo que já vem acometendo as produções da Marvel Studios desde Homem de Ferro 2 e que atinge seu auge neste filme: um plot que busca sua autosuficiência mais na presença do heroi e de seu universo do que numa história a ser desenvolvida e (bem) amarrada até a sua conclusão. Nada de tramas paralelas, reviravoltas ou mesmo uma grande missão pela frente. O Cubo Cósmico sequer representou um MacGuffin de respeito - o Capitão mal sabia de sua existência. A edição supercompacta das missões do Capitão com os Comandos e o final abrupto não deixam dúvidas. A exemplo de Thor, a trama aqui foi menos importante que a apresentação do personagem para o filme-evento que será Os Vingadores.
Quem esperava "apenas" um filmaço de ação/aventura passado na 2ª Guerra, como Os Doze Condenados, Desafio das Águias ou Os Canhões de Navarone, morreu na praia da Normandia.
Momento-marvete: o Capitão lutando ficou legal. Mesmo brigando contra dez, quinze adversários (o que ele faz nos gibis num dia fraco), a logística absurda da coisa flui redonda. Na verdade, no filme inteiro só contabilizei 1 soldado inimigo fazendo hora atrás do Cap, aguardando pacientemente sua vez de levar porrada. Ah, e o escudo de vibranium com efeito bumerangue dual core ricocheteando por aí, nocauteando os bandidos e voltando às mãos do Cap... HQ em movimento.
Jack Kirby teria deixado escapar um sorriso discreto. E Joe Simon, do alto de seus 97 anos (o que é fantástico), deve ter ficado orgulhoso.
Ps: pela primeira vez, esperar por cenas pós-créditos me rendeu alguma info útil. Sempre me perguntei onde andaria o talentoso Rodolfo Damaggio, desenhista, entre outras coisas, do famoso arco onde o Arqueiro Verde se sacrifica para salvar Metrópolis de um avião carregado com uma bomba (olha a sincronicidade aí de novo...). Legal ver o brasileiro figurando entre o staff do Cap. Podia retornar aos quadrinhos tradicionais algum dia.
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