terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cartaz animado e uma péssima notícia


E não é que a Universal adiou a estreia de A Coisa para 27 de janeiro de 2012?

...não dá vontade de se inspirar no filme e sair por aí à caça de cópias perfeitamente assimiladas?

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Decifra-me ou devoro-te


Gil Grissom - Houve uma morte recentemente, em uma aldeia do outro lado do mundo. Cada homem da aldeia negou ter participação naquilo. A garganta da vítima foi cortada com uma pá. Um sujeito, que você poderia até chamar de nerd por ciência, mandou todos os homens irem com suas pás ao centro da aldeia e segurá-las com o cabo para baixo. E esperou. Eventualmente, moscas começaram a aparecer numa pá específica, atrás de vestígios microscópicos de sangue e carne.

Sara Sidle - As primeiras testemunhas de um crime.

Grissom - O investigador pegou o assassino...

Sidle - ...e a ciência forense nasceu. Sung T'su, 1235 DC. Você chama 800 anos atrás de "recentemente"?

Grissom - Para um astrônomo, sim.



Um dos aspectos mais marcantes de O Enigma de Outro Mundo - fora seu carnaval gore orgiástico, claro - é sua intrigante narrativa emulando um jogo de gato e rato. Sempre comparei o storytelling do filme à finura de Hitchcock sem o menor problema. Uma linha de eventos dispersos montando lentamente todo um cenário de crescente suspense e paranoia - e o que é melhor, sem nunca entregar a solução assim tão fácil. Pode reparar (considerando aqui o leitor que já assistiu ao clássico de John Carpenter - caso contrário, se desplugue dessa geringonça hi-tech e corra atrás agora!), mesmo quando um dos personagens se revela uma cópia alienígena, a questão pula de "será que ele é uma das criaturas?" para um inquietante "desde quando?".

Os ETs do filme pertencem a uma categoria hoje quase extinta no cinemão pop: a dos vilões inteligentes (Hans Gruber, Alain Charnier, Arthur Jensen e Gordon Gekko mandam lembranças). Quando os aliens copiões mostram que têm inteligência e malícia suficientes para dissimular e cobrir seus rastros, a situação, já tensa, ganha contornos de uma partida de xadrez. Com nada menos que doze personagens suspeitos em cena, fazer a engrenagem funcionar sem falhas foi um desafio formidável para o roteiro adaptado por Bill Lancaster.

É natural fazer vista grossa pra uma ou outra assimilação mais obscura, afinal, roteiro não tem que ser um dossiê - manter o interesse é a prioridade. Mas o puzzle completo realmente existe em O Enigma de Outro Mundo. E inclusive resolve seu maior enigma, no que outrora era considerado o perfeito final ambíguo: Childs estava infectado?

Para responder essa questão, é necessária nada menos que uma minuciosa análise forense, do tipo que nossos amigos Gil Grissom e Sara Sidle costumavam empreender em CSI: Investigação Criminal. A missão foi levada à ponta de faca pelo inglês Rob Ager, do site Collative Learning. Nos vídeos abaixo ele reconstitui, com uma visão sóbria e objetiva, todos os passos da "coisa", destrinchando seu M.O., a ordem das vítimas e até as metáforas escondidas na história. O resultado é estarrecedor.




Já assisti O Enigma de Outro Mundo vinte milhões, oitocentas mil, seiscentas e trinta e duas vezes desde os anos oitenta. Nunca percebi metade dos ganchos que o sr. Ager identificou aí (e que agora parecem tão absurdamente evidentes que só faltam me agarrar pelo pescoço). A honrosa exceção que me difere de um protozoário foi o link das chaves caindo das mãos de Windows com a sabotagem no estoque de sangue. Mas o take revelador no interior da base (culminando na porta aberta onde um certo personagem montava guarda) e a curiosíssima teoria das vestimentas me passaram batidos.

Isso sem contar a brilhante alusão ao jogo de xadrez que abre e fecha o filme. E que não deixa dúvidas. Agora aquele sorriso enigmático de MacReady no finalzinho ganha um significado inteiramente novo e faz todo o sentido do mundo.

Não é exagero dizer que parece até outro filme. O que é espetacular e me faz admirar ainda mais o trabalho de Carpenter, Lancaster e Kurt Russell. Mais ainda, me instigou a reassistir esse filmaço o quanto antes, agora munido com esse brinquedinho novo chamado conhecimento.

Ps I: mr. Ager tem a frustrante mania de vender dvd's com suas análises, dando a elas uma curta vida gratuita no YT. Então fica o aviso - os vídeos são altamente perecíveis.

Ps II: A Coisa, o prelúdio, estreia nessa sexta, lá fora. Por aqui, só no longínquo dia 2 de dezembro. Tomar no cu, hein Universal.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

William, William Shatner

Ele foi audaciosamente onde o bom senso jamais esteve.

O eterno Capitão Kirk apenas convidou Zakk Wylde para as gravações de seu novo álbum e... e...


Nos confins do sistema solar, esquadras romulanas batem em retirada.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O fim da ameaça?


Foi o que o alto comando dos Estados Unidos pensou enquanto acompanhava a operação na situation room. Mal sabiam o quanto estavam enganados...

Zombinladen: The Axis of Evil Dead mostra o temido líder terrorista ressurgindo das profundezas e aterrorizando uma pequena ilha da França com uma verdadeira jihad zumbi!


Insano.

Zombinladen foi filmado em 4 dias pelo maluco Clément Deneux para um concurso francês. Tomara que siga o mesmo caminho de Machete e Hobo with a Shotgun e ganhe uma merecida e sangrenta promoção.

Morte aos infieis vivos politicamente corretos!

sábado, 24 de setembro de 2011

Smells like 1991


Hoje fazem exatamente 20 anos do lançamento de Nevermind. Numa comparação razoavelmente honesta, o 24/09/91 foi a Tunguska da cultura pop. Dos redutos alternativos mais restritos às periferias, digamos... menos antenadas (já viu um pedreiro cantarolando "On a Plain"? Eu já), conscientemente ou não, a onda de choque atingiu todos, em todos os escalões. O epicentro era na longínqua Aberdeen, fim de mundo white trash da costa oeste norte-americana. De lá pra cá, Nevermind e toda sua bagagem icônica atravessaram anos e mídias com intensidade reluzente e sem fim aparente. Nada mal para um disco de rock 'n' roll.

Não faço ideia de como as novas gerações exergam o álbum e tudo o que ele representou para uma indústria hoje semidefunta. Nem faço muita questão, pra falar a verdade. Para entender o impacto que Nevermind teve, é necessário ter vivido aquele início de década. E a década antes dela. Era o álbum certo para o momento certo - estávamos em plena ressaca dos 80's, a mediocridade imperava nas rádios, com programações regurgitando dejetos tão pútridos quanto os de hoje. Troque Lady Gaga, Rihanna e Katy Perry por Paula Abdul, Black Box e C+C Music Factory e pode fechar a equação. Eram tempos difíceis.

Frente a esse cenário altamente pasteurizado, havia um real esforço de continuidade que se confundia com os últimos resquícios de uma década pomposa demais. A entressafra de artistas e tendências resultou num ano incomum e prolífico de grandes lançamentos. É verdade que poucos deles tiveram a velocidade vertiginosa de assimilação de Nevermind. Alguns só estouraram no dial ao longo do ano seguinte, outros nem isso. Mas seguem influentes e ainda hoje são peças-chave nas carreiras de suas bandas e nos corações de seus ouvintes. 1991 definitivamente não acabou.

Segue abaixo uma lista dos 20 discos daquele ano que ouvi até a minha orelha derreter e escorrer pelo pescoço. A maioria tive em LP. Com o passar dos anos, substituí alguns por CDs. Após o advento do MP3 (e do FLAC), uns poucos ainda resistiram bravamente em seu formato físico. Early adopter, pero sin perder la ternura jamás...



O disco que virou tudo de ponta cabeça, iniciou a capitalização do movimento grunge, jogou a última pá de cal no hard rock poser, etc. Tenho vários amigos que odeiam Nirvana e imagino o inferno que deve ter sido pra eles - porque não dava pra ficar indiferente à massificação da coisa. O próprio Kurt Cobain foi vitimado e virou um prisioneiro. Almejava um direcionamento musical mais suave e melódico, ao exemplo do elogiado MTV Unplugged in New York e de uma de suas bandas favoritas, o R.E.M., mas cedeu às pressões da gravadora e da garotada "que só queria ouvir o som pesado da guitarra". O resto da história todo mundo conhece.



A virada sonora mais bem sucedida do metal, antecipando um futuro próximo onde o thrash já deu o que tinha que dar em termos de novidade. Um álbum excelente do início ao fim. Headbangers da facção true amaldiçoaram o grupo e os críticos indie esnobaram, taxando o disco de pretensioso. E eu, quem diria, fiquei ao lado dos fãs de última hora que conheceram o Metallica via "Nothing Else Matters".



Após uma viagem pelas raízes da América, o grande vencedor do pop rock dos anos 80 buscou uma estética mais globalizada em Achtung Baby. O experimentalismo era latente - "The Fly" e "Mysterious Ways" traziam peso e paisagens completamente alienígenas ao som do grupo. Passado o susto e ouvindo o disco com calma, era o U2 de sempre. Na época, isso era uma coisa boa.



Arise sedimentou o caminho aberto por Beneath the Remains e inseriu o Sepultura de vez nos charts metálicos internacionais. Missão difícil que o grupo mineiro, junto com Scott Burns (o melhor produtor thrash da época), cumpriu com louvor. Discaço. Um dos meus orgulhos ufanistas bestas é entrar ocasionalmente no Amazão e ler o que os gringos ainda escrevem sobre.



Técnica, sangue-frio e violência. Sempre encarei o Prong de Prove You Wrong como uma espécie de "Evil Rush". O power-trio liderado por Tommy Victor produzia um esporro extremamente complexo e original (principalmente pra mim, que não conhecia o Killing Joke na época!). Pena que nos discos seguintes se renderam à onda metal industrial que ajudaram a propagar, apostando num som mais simples e acessível.



Contrato com a Warner, orçamento de luxo, produção de Rick Rubin. Blood Sugar Sex Magik foi concebido pra dar certo. E deu, por merecimento. É um grande álbum dos Pimentas - e um baita catadão de suas influências e vertentes sonoras - embora meus favoritos continuem sendo o The Uplift Mofo Party Plan e o Mother's Milk. E todos esses dão uma surra nos últimos álbuns da rapaziada.



Antes é preciso entender que o KLF era da pá virada. O anti-establishment da dupla Bill Drummond e Jimmy Cauty era de mandar punk juramentado de volta ao jardim de infância. Não é todo mundo que tem cojones pra subir ao palco em companhia do Extreme Noise Terror pra subverter seu maior hit e assim sacanear uma network em horário nobre e uma plateia coxinha que aguardava uma apresentação tipicamente dance pop. Quem dirá enterrar sua estatueta de "Melhor Grupo Britânico de 1992" nos arredores de Stonehenge. De quebra, quando a coisa perigou ficar muito grande e rentável, eles puxaram o fio da tomada e retiraram todos os seus discos de catálogo. The White Room era um achado. Sofisticado, cheio de trucagens, camadas e climas num contexto deslavadamente popular. Musicalmente, estava a anos-luz à frente de "apostas certas" da crítica, como The Shamen e Altern 8. O KLF era foda.



Gosto muito do Superunknown e do Down on the Upside, mas esse é o disco do Soundgarden pra mim. Ainda lembro da primeira vez que ouvi "Outshined". Parecia que todos os espíritos dos Natais setentistas vieram me visitar ao mesmo tempo. Led Zeppelin, Grand Funk Railroad, Jethro Tull, Black Sabbath, psicodelia e paudurescência se estendendo por todo o álbum. E Chris Cornell parecia ser um dos maiores vocalistas de rock a pisar num palco. Parecia...



Devo dizer que naquele ano ouvi também muito o Várias Variáveis, dos desafetos/rivais Engenheiros do Hawaii. Mas o V (curiosa profusão de V's!) era o Legião abrindo mão de quase toda a facilidade comercial conquistada pelos discos anteriores. Respeito isso. V (e o VV, em menor escala) foi um rasgo de inspiração concentrada, ainda que refletindo uma tremenda bad trip, num ano particularmente ruim para o Brasil - na época, Collorido - e para o rock nacional.



O disco que fez o R.E.M. estourar no resto do mundo. Com o tempo, "Losing my Religion" sofreu os efeitos da mega-exposição, o que não tira os méritos da banda e do álbum. Aliás, muitos artistas deveriam aprender a sair de cena como esses caras. Genial.



Screamadelica foi tão bacana, refrescante e seminal que todo mundo combinou que não ia mais chamar o Primal Scream de "a banda do ex-baterista do Jesus & The Mary Chain". Dali em diante só era permitido "o Primal Scream não é apenas a banda do ex-baterista do Jesus & The Mary Chain". Certas correntes são difíceis de se livrar. Mas a notícia boa é que, nesse boom revisionista, tenho reouvido o disco e funciona como se tivesse saído hoje.



Foi Bandwagonesque que abriu os olhos (e os ouvidos) deste ogro metálico avesso a bandas indie. Quando menos percebi estava quase furando o vinil e assobiando as melodias por aí.



Nunca tinha ouvido nada tão sofisticado e ganchudo ao mesmo tempo. Nem sei se entendia direito o conceito de trip-hop e pouco importava. Ouvi e ainda ouço muito, nos momentos certos. Esse álbum é um clássico.



Eu tinha pirado no filme. Quando vi a trilha na loja, não pensei duas vezes. Foi minha porta de entrada para o universo do soul e do r&b. As versões são irresistíveis.



Há muito enrolava para conhecer os autômatos do Kraftwerk mais a fundo. The Mix cumpriu seu objetivo muito bem no meu caso - é uma perfeita introdução para um n00b. E que tal reouvir o álbum enquanto lê o artigo arrepiante da Cracked?



Quem diria que o Madman emergiria dos 80's em excelente forma e com um novo talento guitarrístico à tira-colo? Arrasador.



Esse está há vinte anos no volume 11. Um dos grandes balaços de Lemmy e seu bando. Difícil decidir qual a homenagem mais porradeira: "Ramones" ou "Going to Brazil".



Admito que só corri atrás desse porque a cantora da banda, Inger Lorre, era um tesão. Mas, que surpresa, o disco trazia um mix sensacional de glam, punk, alternativo e gótico. Iggy Pop participa de uma das faixas. Me surpreendi pelo fato do grupo ter sumido do mapa após essa estreia promissora (via Geffen, major das grandes). Talvez seja porque a Inger era uma encrenqueira das brabas, do tipo que fazia a Madonna parecer uma freirinha. Aliás, por onde será que ela anda? Inger, se estiver lendo, me liga!



"Mas que porra foi essa?", foi minha primeira reação ao ouvir o segundo LP desses monstros franceses. Era a trilha sonora de um pesadelo! Hoje sei que era um industrial post-metal altamente abrasivo e basáltico, mas na época me senti um neanderthal diante do Monolito Negro. Comprei, na mesma tacada, o excepcional debut também. Mas escolho esse pela versão tonelada de "Radioactivity", do Kraftwerk.



Esse já pertence a um escopo mais habitué pra mim. Curtia os mineiros do grupo The Mist desde a estreia com Phantasmagoria, mas o The Hangman Tree é uma pintura gothic thrash metal - e um dos registros mais subestimados do metal nacional. É um daqueles meus LPs que foram recomprados em CD e que permanecem comigo até hoje.


Bonus tracks

Como a intenção era só listar álbuns de estúdio, separei esses, igualmente essenciais pra mim e hits absolutos no meu playlist '91.


Ainda tenho esse e o home video com o show completo, You Fat B**tards. Mike Patton completamente insano e a banda nos cascos, dando um gás atômico até nas saturadas "Epic" e "Falling to Pieces". Antológico.



Esporreira clássica que levanta qualquer festinha. O lado ruim é que já devo ter comprado esse CD umas cinco ou seis vezes. Às vezes o one-two-three nem chegava ao four, que o disco era "apropriado irregularmente" por algum convertido. Valei-me, meu São Joey!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Justiça Sangrenta

Behold, marvetes! A HQ mais vendida de 2011 não poderia ser outra, senão...



...Turma da Mônica Jovem #34.


A Distinta C. deveria checar melhor suas informações (ou contratar um revisor menos "épico"). Porque, sabe como é... o cara do Bleeding Cool não perdoa.

(Cheque o fórum de discussões também. Nunca vi tanto decenauta mordido pelas costas. É divertido.)

E Don Sousa, hein? Joguem limões nele que ele constrói uma multinacional de produtos cítricos. Mestre.