sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Captão por opção



Enquanto o planeta ferve com o trailer de Capitão América: Guerra Civil, eu acabei de ferver com questões outras relacionadas ao bom soldado. Culpa da Salvat e suas reedições de fases clássicas da Marvel dos anos 70 e 80. E da Panini, que faz vista grossa a tudo que não leve o nome de Frank Miller e Grant Morrison. Mas principalmente da massa de leitores velhuscos sedentos por versões íntegras, em capa dura e com papel bom das épocas áureas de feras como Jim Steranko, Gil Kane, Roy Thomas e Gerry Conway.

Daí que a Salvat vem com essa coleção em capa vermelha, algumas sem relação com o conteúdo e com vários tropeços de revisão, ou falta de. E calhou do highlight dessa tosqueira editorial ser justamente o especial do Capitão América de Roger Stern e John Byrne - na época, o mais próximo de Midas que os quadrinhos mensais de super-heróis tinham.

O encadernado - com capa do Ed McGuinness... - assumiu status folclórico mesmo pelo erro inacreditável e em letras garrafais da contracapa. Algo do tipo que antigamente se guardava a sete chaves, como raridade, antes da editora respeitar seus consumidores e anunciar um recall. Atitude que nunca veio e nunca virá.

Em suma, um material que eu nem cogitava chegar perto.

O problema é que a distribuição e o recolhimento caóticos do mercado nacional de HQs conferiu à edição não apenas o milagre da multiplicação nas bancas, mas também da durabilidade nas mesmas. A cada semana, aportavam novas edições vindas de algum mini-buraco negro nerd aberto pelo LHC da Salvat.

Eu, em abstinência de Byrne há mais tempo do que a Convenção de Genebra permitiria, fui vencido pelo cansaço.

Cedi felizão.



Pode me chamar de verminóide que eu atendo.


Ps: e que fique registrado que um dia a Mythos Editora colocou tudo do site com 50% de desconto. Até onde vi, foi a única que realmente incorporou o espírito da Sexta-Feira Negra. Louvável.

Claro que... analisando a longo prazo... a editora sempre manteve uma margem de lucro nababesca, então a coisa fica apenas mais justa no saldo final. Nada mais, nada menos. Seja como for, já passei o rodo no que queria, sem grandes prejuízos para a cerveja natalina.

Pps: aquela American Flagg vai enfeitar mais estantes nesse fim de ano do que lombadas com o nome do Alan Moore.

domingo, 8 de novembro de 2015

"O último X-Men é lixão", "Dimensão X", "Sexo sobre as mesas" & outras histórias


E vamos à digerida suicida de Quarteto Fantástico de Josh Trank & Equipe de Contenção de Danos da Fox Studios...

"Ainda isso?", você vai perguntar. E eu, pimpão, replico: pois é! Já me fiz entender em posts-protesto aqui e acolá, inclusive pré-julgando a 200 por hora, sem as mãos e com os faróis apagados. Lógico que não fui ao cinema e pretendia ignorar a existência disso ad eternum, mas grupos de e-mail e arquivos torrent são como a máfia: você tenta sair, mas eles sempre te puxam de volta.

Só que dessa vez a coisa será diferente. Merece ser. Afinal, essa foi uma das produções mais caóticas da História do Cinema. Seguindo a tradição das análises já bem pernetas dos filmes anteriores e prestando tributo ao seu aspecto mais singular (a edição à Frankenstein), vou apenas desovar a conversa que me trouxe até aqui, em versão nua, crua e tranker.

Estiveram presentes no experimento Ludovico 2.0: Sandro, do Reverberre!, o tricolor em recuperação Fivo e um elemento suspeito que, por questões de segurança (do leitor), vamos simplesmente chamar de Guimba.

Olho no lanceeeee...!


SANDRO - Aqui eu vou apanhar e vão tirar sarro da minha cara eternamente nível Liga Extraordinária, mas eu gostei do filme. Reitero novamente que não conheço os quadrinhos da família, então a história da origem me pareceu bem estruturada (com falhas, obviamente), principalmente o relacionamento deles com o governo. A coisa vai bem até a primeira metade, inclusive os poderes adquiridos por uma viagem dimensional funciona legal e o Doom estar próximo deles é uma motivação interessante e plausível. Mas é aí que tudo começa a ruir: antes da transformação, você até entende o Doom. Depois, fica uma coisa tão insossa e corrida que vc pensa "espero que todos morram" e acabe aí. Os atores foram bem escalados e funcionam como equipe. As cenas de ação até funcionam, mas são poucas. O Coisa, mesmo pelado, está muito bom. Mas nota-se que da metade pra frente (onde a necessidade de efeitos aumenta) o diretor perdeu a força e alguns efeitos são risíveis. Achei melhor que o último X-Men. Sério mesmo. Mas X-Men eu conheço, Quarteto, não.


FIVO - Mermão... se tu achou quarteto melhor que Xmen, vou ter que ver.  Vou esperar um BRRip.

SANDRO - Ah, cara, sei lá se vai curtir. Eu fui com a expectativa -1, então o que viesse era lucro. Ao meu ver, inclusive, é um filme que estaria facilmente ambientado no universo X-Men/Fox.

GUIMBA - Melhor que o último X-Men? Vou ver só pra manter o score das suas indicações. TRDV (trad.: "Tô Rindo De Verdade")

SANDRO - TRDV. O último X-Men é lixão.

DOGG - Também verei FF. Sandro, contamos com você! rs

SANDRO - Meu, eu acho que vc vai acabar com o Quarteto. Mas tudo bem, eu pensei bastante antes de escrever.


DOGG - Vou não... rs

O filme se autossabota a partir da metade, quando vira um remendo de cenas nitidamente refilmadas, mas nem de longe é aquele lixo que apregoaram. Fica na média minus.

Agora, como leitor dos gibis:


- o build-up, tomando todo o terço inicial, é uma boa adaptação do Quarteto Ultimate. A abertura, em particular, é... fantástica. Coisa linda mesmo. Mas para por aí;

- perderam deixas inacreditáveis para referenciar o cânone clássico da equipe... nada de Latvéria... falam em "4ª Dimensão" e "Planeta Zero", mas nada de chamarem aquele mundo de Dimensão X (sic!), o lugar preferido do Quarteto e de onde saíram grandes vilões;

- o Coisa pode até agradar visualmente, mas ficou totalmente sem alma e o ator, que é dos bons, sacaneado com um script de 10 linhas - Fivo... ele lembra mais o Coisa calado e assassino de Planetary que o velho e bom Ben Grimm;

- Victor Von Doom... inexplicável.

- a equipe não tem a menor química. Nem mesmo os irmãos Storm.

Em tempo... ótima:

Re: Has anyone played the Fantastic Four drinking game?

image for user TrollInTheDungeon
by 
 » 13 hours ago (Mon Nov 2 2015 17:16:59)Flag ▼ | Reply |  
IMDb member since March 2015
Every time Kate Mara's wig appears, take a shot.

Every time it reverts to her normal hair, take two.

Pela frequência que isso aconteceu, todo mundo ia sair bêbado.

GUIMBA - Vc não foi direto ao ponto: afinal, é melhor que Dias de um Futuro Esquecido?

DOGG - heh... Futuro eh problemático, mas nao da nem pra comparar. Eh como se fosse o Barcelona, e F4 o Ibis.

FIVO - Melhor não é, mas tá longe de ser ruim. Vou te dizer que gostei muito. Comparando com os outros quartetos, esse é muito, mas muito melhor. Aliás, é melhor que o superman do Singer, que os dois wolverines, que o terceiro aranha McGuire e os dois recentes, todos os motoqueiros fantasmas, Batman antigo e mais alguns que devo estar esquecendo.

Problemas:


A. cagaram o final com aquele destino.
B. O coisa pareceu um cameo, de tão inexpressivo (mas os efeitos dele ficaram ótimos)
C. O filme inteiro é minimalista no trato do que está rolando. Parece mais um piloto muito bom de série do que um filme fechado em si.
D. O Victor não se encaixa no filme. Tá perdido. Em todos os sentidos. Mais perdido que ele, só o militar arrogante e canastra.

Pontos fortes:
A. Gostei da Química reed e Susan. Mas só deles.
B. Os efeitos do tocha estavam muito bons.
C. A construção toda até eles ganharem os poderes, apesar do Victor e do minimalismo, foi ótima.

DOGG - Em azul-da-cor-do-mar:

"Melhor não é, mas tá longe de ser ruim. Vou te dizer que gostei muito. Comparando com os outros quartetos, esse é muito, mas muito melhor. Aliás, é melhor que o superman do Singer, que os dois wolverines, que o terceiro aranha McGuire e os dois recentes, todos os motoqueiros fantasmas, Batman antigo e mais alguns que devo estar esquecendo."

Subscrevo todos, menos o SuperSinger (coisa minha) e o Batman antigo (o do Burton, né?), que acho sensacional. Muita vontade de incluir nessa lista Vingadores 2, mas não é pra tanto... :)

"Problemas:

A. cagaram o final com aquele destino."

Pra mim a cagada já começou na caracterização bad-boy.


"B. O coisa pareceu um cameo, de tão inexpressivo (mas os efeitos dele ficaram ótimos)"

Textura tava ótima, só preferia menos irregular. E de cueca. Reparou que o escondiam sempre que podiam? Bicho ficava tanto nas sombras que parecia um Dark Coisa. Grana tava curta.

"C. O filme inteiro é minimalista no trato do que está rolando. Parece mais um piloto muito bom de série do que um filme fechado em si."

Aí sim teria contornos expressivos, mesmo com o efeito da fuga do grupo pelo portal, ao final, parecendo feito pela equipe de mkt do Dollynho. Já como produto para cinema, é fragmentado e defeituoso além do suportável. Os cortes novos e diálogos expositivos aparecem em neon da metade pro final... e qualquer dúvida era só olhar pra cabeça da Kate Mara. Uma vergonha pra Fox e pra Hollywood no âmbito técnico. Mesmo o Quarteto do Corman teve a hombridade de ser engavetado.


"D. O Victor não se encaixa no filme. Tá perdido. Em todos os sentidos. Mais perdido que ele, só o militar arrogante e canastra."

O engravatado? Se for, não me incomodou não. É um estereótipo apenas. Victor sem nenhuma razão de ser ali e não podia estar mais distante da essência original e da Ultimate, na qual o filme se aproxima.

"Pontos fortes:

A. Gostei da Química reed e Susan. Mas só deles."

Só gostei da conversa na biblioteca e dela curtindo Portishead. De resto, não vi nenhuma conexão entre os dois. Em tempo... ridícula a fuga do Reed. Nada adicionou à história, à unidade do grupo ou à diversão do espectador. E totalmente contra a postura lógica dele. Largar a base de última geração pra revirar sucata em ferro-velho... Pior quando volta, 1 ano depois. Parecia que tinha ido ao barzinho da esquina tomar uma.

"B. Os efeitos do tocha estavam muito bons."

Bem à frente do Tocha Evans e Motoca, mas ainda longe de convencer. Fogo é osso.

"C. A construção toda até eles ganharem os poderes, apesar do Victor e do minimalismo, foi ótima."

Tava indo bem e garantindo o passe das liberdades criativas sobre os quadrinhos. Única coisa que não desceu mesmo da "parte boa" foi construírem uma máquina que lida com buracos negros num prédio no centro da cidade. No gibi Ultimate, a mesma máquina foi construída no meio dum deserto.

FIVO - No e-mail do celular não dá para comentar no texto, então vai aqui mesmo.

Me referi aos Batman do Burton, Schumacher e o quarto que não lembro quem dirigiu. Os dois últimos nem se discute, enquanto os dois primeiros tem fãs de verdade e fãs nostálgicos. Já eu acho aquilo um Carnaval.

Problemas


A- sim, concordo. Meio que joguei a crítica à fase "humana" dele para a letra d. Além disso que vc destacou, o personagem Bad boy, descolado e genial simplesmente não tem aderência com os perfis que de espera para aquilo. Veja bem... Ele não é um geek, nem um funcionário sinistro do Google... O cara estava desenvolvendo fringe Science, porra.

B- a falta de cuecas não me incomodou. Me pareceu até lógico, assim como a textura. O movimento da boca dele ficou natural, até.  Não tinha me tocado que tinham escondido ele, mas agora que vc falou, é vero.

C- a questão dos cortes me deixou curioso para ver como era o filme no primeiro corte, antes de ser retalhado. Não entendi a cabeça da Kate Mara. Do jeito que vc fala sobre a hombridade de ser engavetado, vc rebaixa o filme ao nível de merda malcheirosa.

D. Sim, estereótipo, mas ainda assim mal interpretado.

Pontos fortes:

A. Gostei da parte em que ficam conversando e o Victor fica com ciúmes (o que tb não teve nenhuma utilidade no filme). Quando à fuga, pode ter sido roteiro remendado. Ou só fizeram aquilo para mostrar que ele podia moldar o rosto. Naquele momento, a fuga faria sentido se ele estivesse tentando tirar todos de lá, não apenas o Ben.


B. Acho que só os olhos e boca ficaram esquisitos, muito embora seja semelhante à representação dos quadrinhos. De resto, o fogo ficou muito natural e curti o lance de o uniforme servir para conter o fogo.

C. A questão da máquina no centro é o que chamei de tratamento minimalista. Um empreendimento daqueles e eles tratavam como mais um dia no escritório. Mandam um macaco para outra dimensão e beleza, ok, keep up with the good work. Porra, era para estarem todos fazendo sexo sobre as mesas, em puro êxtase.

DOGG - Em verde-Hulk:

"No e-mail do celular não dá para comentar no texto, então vai aqui mesmo.

Me referi aos Batman do Burton, Schumacher e o quarto que erro não lembro quem dirigiu. Os dois últimos nem se discute, enquanto os dois primeiros tem fãs de verdade e fãs nostálgicos. Já eu acho aquilo um Carnaval."

Os BatBurton são isso mesmo. Eventos pop. Kim Basinger, trilha do Prince, etc. Um dos poucos que curti. Já hoje, vejo que eram mais filmes de freaks do Burton que qualquer outra coisa. Também acho o Bruce do Keaton dos mais intrigantes. Não há ponte visível entre o playboy yuppie e o vigilante sisudo. Isso chega a ser meio perturbador.

"Problemas
A- sim, concordo. Meio que joguei a crítica à fase "humana" dele para a letra d. Além disso que vc destacou, o personagem Bad boy, descolado e genial simplesmente não tem aderência com os perfis que de espera para aquilo. Veja bem... Ele não é um geek, nem um funcionário sinistro do Google... O cara estava desenvolvendo fringe Science, porra.

B- a falta de cuecas não me incomodou. Me pareceu até lógico, assim como a textura. O movimento da boca dele ficou natural, até.  Não tinha me tocado que tinham escondido ele, mas agora que vc falou, é vero."

A falta de cueca não vinha me incomodando tanto, mas no final, quando caminham até uma sacada da base, aparece a bundinha pedregosa do cara... aí incomodou, rs...

"C- a questão dos cortes me deixou curioso para ver como era o filme no primeiro corte, antes de ser retalhado. Não entendi a cabeça da Kate Mara. Do jeito que vc fala sobre a hombridade de ser engavetado, vc rebaixa o filme ao nível de merda malcheirosa."

Me referi apenas aos aspectos técnicos da montagem. Colocar na praça um filme tão mal editado - e a parte técnica é a única que Hollywood ainda pode se vangloriar sem reservas - é como a Volkswagen colocar automóveis defeituosos no mercado conscientemente (o que acabou fazendo dia desses, por sinal). O resultado final não ser uma merda malcheirosa foi acertar um 1 em 1 milhão.

Cabeça da Mara:


Me tirava do filme toda vez.

"D. Sim, estereótipo, mas ainda assim mal interpretado.

Pontos fortes:

A. Gostei da parte em que ficam conversando e o Victor fica com ciúmes (o que tb não teve nenhuma utilidade no filme). Quando à fuga, pode ter sido roteiro remendado. Ou do fizeram aquilo para mostrar que ele podia moldar o rosto. Naquele momento, a fuga faria sentido de ele estivesse tentando tirar todos de lá, não apenas o Ben."

Se foi remendado, não sei. Mas dá pra saber verificando a cabeça da Mara quando ela triangula a localização do Reed. Se estiver normal, a culpa é do Trank, rs.


O problema mesmo é esse perfil do Reed. Ele negociaria algumas condições sim, mas ganharia pela lógica (pense na mecânica dessa cena - https://www.youtube.com/watch?v=5_m_ggToC2I). Tiraria todos daquela prisão e voltaria às pesquisas na base do gogó. É uma pena que não pescaram esse personagem das HQs.

"B. Acho que só os olhos e boca ficaram esquisitos, muito embora seja semelhante à representação dos quadrinhos. De resto, o fogo ficou muito natural e curti o lance de o uniforme servir para conter o fogo.

C. A questão da máquina no centro é o que chamei de tratamento minimalista. Um empreendimento daqueles e eles tratavam como mais um dia no escritório. Mandam um macaco para outra dimensão e beleza, ok, keep up with the good work. Porra, era para estarem todos fazendo sexo sobre as mesas, em puro êxtase."

Se já penso nisso nas minúsculas vitórias do dia-a-dia, imagina diante desse marco científico e uma Kate Mara nas redondezas...


Cena pós-créditos:

DOGG - Pedido... Sandro e Fivo, posso copiar e colar esse papo no blog, assim mesmo, sem edição?

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Trailer de Jessica Jones e eu com isso


Jessica Jones é mesmo uma garota-problema. E às vésperas da estreia da série via Netflix, o problema foi eu ter devorado toda a antológica Alias, mais de uma vez, na revista Marvel Max e depois, no encadernado. Já não havia curtido a escolha de Krysten Ritter para o papel - muito pálida, muito magrinha, muito nada a ver com o que eu imaginava, e como imaginava... - e esse trailer me deu uma forte impressão de que, se eu não conhecesse o gibi, provavelmente ficaria mais animado.

Senão vejamos... cuidado pra não pisar nos spoilers:

Cadê o senso de humor? Jess, para os íntimos, usa e abusa do cinismo e de sacadas espirituosas justamente pra não desabar sob a pressão de traumas passados. E então... why so serious?

Homem-Púrpura logo de cara? Cadê o storytelling metódico que vai desdobrando a coisa toda no tempo certo e assim revelando a verdadeira natureza daquilo que tanto amamos nela em primeiro lugar?

Cadê as tramas secundárias que vão sedimentando a "saga" de Jess até seu clímax? Nada de Rick Jones, vida privada de Steve Rogers, da amizade complicada com Carol Danvers e nem de sua incrível lista de rolos, incluindo aí Scott "Homem-Formiga" Lang? Algum problema burocrático da Netflix com as subsidiárias Disney?

Aí bate a reflexão: caramba, é só um trailer. Uma pecinha promocional de dois minutos com a missão impossível de vender o tom de uma temporada inteira. Fora que é produça by Netflix e todos sabem o que isso significa. E um amigo jura que a Ritter é the real deal.

Então vou ficar pianinho até o dia da "publicação" e receber a coisa toda de braços abertos. E com o pé atrás.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Juiz Dredd nas Garras do Corte


Antes tarde do que nunca, realmente. Mas a bem da verdade, a recente greve dos Correios prolongou um pouco mais a nota melancólica sobre o Juiz Dredd no Brasil.

Conforme já sabemos (sabemos?), Juiz Dredd Megazine #24 é a última edição da série, mais uma vítima das baixas vendas. Bem, sobre isso há teorias e teorias. O fato é que pela 1ª vez não tive a menor pressa em receber uma revista - a única mix mensal que eu ainda acompanhava. Falta fará.

Felizmente, o período de seca terá a boa companhia de dois encadernões invocados. Um é megaclássico: Juiz Dredd nas Garras do Juiz Morte. O outro é puro gore demencial: Predador versus Juiz Dredd versus Aliens.

Esse material deve amenizar um pouco a fissura. Pelo menos até que a Mythos Editora resolva o futuro do mais honrado membro do Judiciário no Brasil...

quinta-feira, 23 de julho de 2015

domingo, 12 de julho de 2015

QUACK!

Hoje, dia 12 de julho, o gibi do Pato Donald completa 65 anos de circulação ininterrupta no Brasil. Desnecessário mensurar o tamanho desse feito nesse país tropical com fortes tempestades econômicas.

Pra comemorar, nada melhor que a chegada de um bando de patos clássicos à coleção.


A Saga do Tio Patinhas e Os 80 Anos do Pato Donald fazem parte de uma série especial de capa dura da Disney publicada pela Editora Abril e que conta também com Dragon Lords: O Reino dos Dragões, O Mistério dos Signos e Era Uma Vez na América. Meu fraco pelos patos facilitou a priorização, mas nem foi tão difícil assim. Há muitos anos afastado dos gibis Disney e passando batido pela coleção O Melhor da Disney: As Obras Completas de Carl Barks, essa foi uma oportunidade de ouro pra ter acesso a uma antologia com material clássico dos personagens.

O HC A Saga do Tio Patinhas, com um belo e certeiro hot stamp dourado na capa, traz os 12 capítulos escritos pelo mestre Don Rosa, acrescidos das 6 histórias complementares lançadas posteriormente. Nos extras, galerias, textos explicativos com a cronologia detalhada, além de duas árvores genealógicas da família pato - uma delas baseada nos trabalhos do próprio Carl Barks e a única onde consta a antológica "foto" do pai de Huguinho, Zezinho e Luisinho.

Além da aventura emocionante, Don Rosa mostra porque é considerado um dos maiores desenhistas dos quadrinhos. Sua arte vibrante, apaixonada e cheia de detalhes justifica a alcunha extra-oficial - e merecidíssima - de "George Pérez dos Patos".

Ou seria o George Pérez o "Don Rosa dos super-heróis"?





Os 80 Anos do Pato Donald é edição histórica per se. 484 páginas, 26 histórias de 15 artistas, dentre eles Carl Barks, Don Rosa, Al Taliaferro e Marco Rota. Precisa mais?





Não costumo chamar quadrinhos de "livros", mas nesse caso a exceção se torna inevitável. É um material realmente de luxo com miolo em papel couché, acabamento com relevo, resistente e visualmente impecável, acima inclusive do padrão utilizado pela Panini nos volumes de Sandman.

Algumas dessas histórias já foram publicadas no Brasil ao longo dos anos (/décadas!), revelando claramente seu objetivo de alcançar os leitores veteranos (/acima dos 30 anos). Tão interessante quanto ver a Editora Abril investindo novamente no público adulto da Disney é ver esse mesmo público correspondendo à altura - público, aliás, carente de publicações desse naipe desde mil novecentos e antigamente.

A procura foi enorme e as edições literalmente evaporaram das bancas, lojas físicas e virtuais, sendo necessárias novas tiragens, que também foram sumindo rapidamente. A quem interessar possa, as últimas ainda estão por aí.

E aproveitando o resgate inesperado de uma das histórias de Os 80 Anos - "No País dos Vulcões" - não pude evitar de dar uma olhadela no ML em busca de um antigo encadernado que marcou a minha infância.


Pato Donald Especial foi lançada em 1975 pela Abril e trazia uma sensacional antologia de obras de Carl Barks. Há muito havia esquecido dela e do título, mas nunca esqueci de quando era guri e viajava para a casa de parentes no interior e um deles (minha irmã mais velha) tinha essa edição na estante. Lia e relia sempre lá na rede do varandão. Foi responsável direta pelo meu gosto pela leitura de quadrinhos.

Encontrei num ótimo preço e num ótimo estado e então foi isso. Déjà vu total, daqueles que só o reencontro com um bom gibi pode proporcionar. Quem curte HQ sabe como é.

Pra arrematar, no mesmo período, adquiri minha 1ª mensal da Disney em... o quê, uns 25 anos (puta merda!). Como consumidor, me senti um peixe pulando pra dentro do barco, mas foi uma barbada: revista Pato Donald nº 2.442 trazendo nada menos que o destino de Dumbela, irmã do Donald e mãe de Huguinho, Zezinho e Luisinho!

Destrinchei ambas num post do blog dos meus amigos d'Os Escapistas.

Agora já posso morrer sossegado. Bem mais pobre (se virem, herdeiros), mas sossegado.

Quack!!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Danvers Blues

Com toda justiça tardia, Miss Marvel finalmente seria a estrela de uma nova edição do Coelhinhas. Essa prometia. Porém, esses planos terrenos foram adiados após uma revisitada incidental numa boa parte da sua cronologia.

Em tempos de feminismos demagógicos e contraditórios, em que os Manos Warner suam a camisa pra encaixar uma diretora no filme da Mulher-Maravilha e onde vemos manifestações dúbias como a Marcha das Vadias e bobagens como o Femen e o Teste Bechdel, a linha do tempo da Miss Marvel pode servir como um exemplo do quão pode dar errado uma personagem feminina sendo escrita por homens. Olhando em perspectiva tudo o que a heroína atravessou num período de três décadas, não tive dúvidas de que se trata de algo que não pode ser ignorado. Pelo contrário... é objeto de estudo.

"Play it, Sam".


Miss Marvel, Binária, Warbird, Capitã Marvel... Carol Danvers é a personagem mais trágica da Marvel. Não tem pra Jean Grey, Elektra Natchios, Wanda Maximoff ou Natasha Romanova. A trajetória de Carol é triste e dramática. Deprimente mesmo. E um exemplo surreal de tenacidade tanto para uma editora negligente quanto para seus leitores, inertes sob a eterna sombra mod de outra loira assombrada das HQs.

Muitos dizem que a Miss Marvel foi uma tentativa da Marvel de criar sua própria Mulher-Maravilha. Em termos de estética e apelo, a lógica parece irrefutável, mas em termos de planejamento editorial, a teoria vai pro espaço em velocidade warp.

Criada em 1968, Carol Danvers era pouco mais que uma damsel in distress para o Capitão Marvel. Descontinuada abruptamente no ano seguinte, ela foi mais uma que conheceu de perto o significado da expressão "depósito das ideias". Reapareceu apenas em 1977, mas com um belíssimo plano de carreira: agora ela seria uma super-heróina com título próprio e também a garota-propaganda da Marvel no apoio à luta pelos direitos das mulheres - e ver o J. Jonah Jameson assumindo o papel do machão chauvinista ainda hoje é impagável.


Com a carreira em franca ascensão, Chris Claremont assume o título na 3ª edição, levando o run até seu final, na 23ª - um cancelamento precoce e aparentemente de última hora, com a seção de cartas enfileirando promessas para a "próxima edição" que nunca veio. As ambições da Marvel-Maravilha ficaram suspensas até o século seguinte para que ela engrossasse as fileiras de uma das estrelas da casa: os Vingadores.

Dali em diante, a heroína passaria por uma vida de torturas indizíveis nas mãos de editores e roteiristas sádicos.

Durante toda sua fictícia existência, Carol enfrentou grandes perrengues pessoais, profissionais, espaciais e dimensionais, mas o período 1980-2000 leva o prêmio. Não sei o quanto daquilo foram tentativas de repaginá-la, o quanto foram deficiências de continuidade ou o quanto foi simplesmente um exercício de sexismo. O fato é que Carol passou por coisas que nem um personagem de The Walking Dead passaria.

E o episódio escabroso com Marcus, escrito por David Michelinie, pode ser considerado o round 1.


Marcus era filho do vilão Immortus (resumindo muito, o Kang de um futuro alternativo) e nasceu num limbo entre as dimensões. Para chegar à dimensão da Terra 616, o sujeito simplesmente impregnou a Miss Marvel para nascer nesse mundo. Resultado: Carol, recém-integrada aos Vingadores, sofreu uma gravidez de nove meses comprimida em três dias para dar a luz ao bebê Marcus. Este, após o nascimento, amadureceu igualmente em velocidade acelerada. No fim, ele acabou retornando ao limbo, mas levando consigo uma perdidamente apaixonada Miss Marvel!

Quem diria que aquele inofensivo papo na praia com a Feiticeira Escarlate resultaria num futuro negro tanto pra uma quanto pra outra?

Recapitulando então: Miss Marvel largou tudo para ser a mulher de um cara que ela acabou de dar a luz. Mas calma, que a porrada ainda não é essa.

Entra em cena mais uma vez Chris Claremont, que ficou bastante insatisfeito com os rumos da personagem. Talvez tentando remediar aquela bizarra situação enquanto justifica a atitude incoerente de sua ex-paladina liberal-feminista, o escritor deu uma inestimável contribuição à máxima "a emenda ficou pior que o soneto". Na solução apresentada por seu roteiro, Carol estava o tempo todo hipnotizada por Marcus - e não no sentido figurado.

Não tinha como ficar pior.

Em suma, Miss Marvel teve seu corpo brutalizado para ser barriga de aluguel e dar a luz a um sujeito que mais tarde a estupraria à revelia num limbo (!). Perto desse, o Doutor Luz fica parecendo um monge capuchinho.

E vamos ao round 2...


Carol eventualmente volta à Terra (seis meses depois), sem lenço, sem documento, sem Vingadores e sem maiores explicações. A recepção de boas-vindas fica por conta de Vampira, então uma vilã estreante das mais ameaçadoras, que comete contra ela um dos maiores crimes impunes da Marvel em todos os tempos.

Nesse ponto cabe algumas breves considerações sobre os efeitos desse acontecimento nos anos que se seguiriam:

1.0 - É sintomático que um dos momentos mais marcantes e icônicos da personagem, que reverberou tanto em outras mídias quanto em saudáveis atividades esportivas, não tenha sido mostrado na época. Originalmente, o ataque foi apenas mencionado no texto de Claremont - fato muito mal remendado 11 anos depois, com os cacos de um roteiro não-finalizado em uma história terrível. Pobre Carol, maltratada até pra sofrer.

1.1 - Irônico observar hoje o quanto isso alavancou a popularidade da então baranguíssima Vampira - promovida a heroína e até a sex symbol - e o quanto serviu pra enterrar ainda mais a carreira da outrora promissora Miss Marvel.

Após uma temporada em coma, sem memória e sem poderes, Carol recebe alguma reabilitação de Charles Xavier, mas fica com profundas sequelas, como a perda da ligação emocional com sua família e seus amigos. Incorporada aos X-Men, Carol teve pouco tempo pra curtir a mansão X: foi capturada pelos aliens da Ninhada e submetida a um violento procedimento de reestruturação genética. Iniciava ali a sua fase como a poderosa Binária. Mas poder ampliado é vendaval e ela logo se viu rebaixada ao nível da Cristal.

Pensando bem, esses são os rounds 2, 3 e 4 juris et de jure.

Na lona mais uma vez, inexplicavelmente, nossa super-heroína retorna aos Vingadores - os mesmos que davam tchauzinho enquanto ela ia embora com Marcus pro limbo. Velho uniforme, novo code: Warbird, em homenagem aos caças norte-americanos da 2ª Guerra (seus favoritos). Na troca de mansões, Carol leva de brinde um lindo bar com uma farta adega - o que é no mínimo arriscado, visto que um dos frequentadores do lugar é um feliz entusiasta de tais apetrechos.

Após tanta pancada no céu, na terra e até no limbo, não é surpresa a natureza do próximo round: 

Alcooooolismoooo!

Carol mergulha de cabeça numa interminável espiral etílica, dando início a uma de suas fases mais sombrias. Apesar das várias tentativas de ajuda de Tony Stark (num retrato angustiante, mas bem realista do estado de sobriedade), a negação mostra que é mesmo a maior inimiga do autocontrole.

Alcoolismo is a bitch.

A paranoia com suas oscilações de poder, as visitas furtivas ao barzinho da mansão e o desespero em provar seu valor formam uma combinação desastrosa. Carol não resiste nem a uma enxugada numa aguardente kree durante uma missão na qual só o que estava em jogo era o destino da Terra. De bônus, quase mata o Dentinho.

O resultado veio rápido e fulminante.


Esse foi o lead da minissaga Vingadores versus Krees, de Kurt Busiek e George Pérez. A sequência do confronto final entre os heróis e um grupo terrorista kree é de tirar o fôlego, como é de se esperar vindo da clássica dupla. Com a conhecida explosão de detalhes e a dinâmica frenética de um embate épico, essa foi uma das grandes batalhas dos Vingadores.

O que mais me marcou, contudo, foram as breves intervenções de Carol, inseridas em meio às heróicas cenas de ação. São alguns dos momentos mais cruéis e impiedosamente tocantes que já li num gibi.

Ao contrário de seus ex-colegas de equipe, lá estava uma Miss Marvel impotente, solitária e refém de si mesma, protagonizando uma das lutas mais perdidas das HQs.




Literalmente o fundo do poço - ou do beco - pra quem ficava zigue-zagueando galáxia afora em seus tempos de Binária. A incomum escolha para a condução da aventura também serviu sob medida para o seu desfecho.

Mas o que seria uma saída fácil para os problemas de Carol não se configura - felizmente, do ponto de vista narrativo. Afinal estamos falando de dependência alcoólica aqui. Não existem saídas fáceis, tampouco individuais. Portanto, ainda acompanhamos a Miss Marvel e seu probleminha crônico se esgueirando por mais algumas edições, dessa vez no título solo do Homem de Ferro - quem mais?

Sem dúvida nenhuma, com grandes traumas vêm grandes responsabilidades. O círculo finalmente é fechado, dignamente e com acerto de contas. E principalmente, marca o fim de uma longa e dolorosa via crucis percorrida pela heroína.

* * * * * * 

Às vezes a Marvel escreve errado por linhas tortas. O porquê disso tudo ter ocorrido com uma personagem com evidente potencial pop é, para mim, um mistério. Fico feliz em ver que não sou o único a se horrorizar com a caótica trajetória de Carol. E fico ainda mais feliz pelo seu rehab editorial. Claro, ela enfrentou alguns problemas sérios depois disso, mas nada desmerecedor de sua importância conceitual.

Atualmente, recém-saída de um bom run escrito por Kelly Sue DeConnick, a heroína trocou mais uma vez de codinome (Capitã Marvel, em homenagem ao saudoso Mar-Vell), cedendo seu antigo Ms. Marvel para a aclamada série da Kamala Khan e sendo enfim tratada como deveria.

Nada mais justo para uma personagem que sobreviveu tantos anos sob o fogo cerrado de seu maior e mais insidioso inimigo, tão bem metaforizado naquela profética edição #21 de sua primeira série solo.


'Nuff said, girl!


Direto das caixas do tempo dos gibis:
Edições GEP #21 - Sensacional o Nôvo Capitão Marvel (1970)
Heróis da TV #3 (setembro de 1979)
Grandes Heróis Marvel #17 (1ª série, setembro de 1987)
Heróis da TV #100 (outubro de 1987)
Superaventuras Marvel #64 (outubro de 1987)
Superaventuras Marvel #69 (março de 1988)
Marvel 2000 #3 (março de 2000)
Grandes Heróis Marvel #6 (2ª série, julho de 2000)
Homem-Aranha #17 (Super-Heróis Premium, dezembro de 2001)

Ps: a Editora Salvat irá publicar nos volumes de capa vermelha as primeiras histórias de Carol na fase DeConnick, além de suas primeiras aventuras solo da Era de Bronze. Já estou no aguardo ansiosamente.