sexta-feira, 7 de julho de 2023

80 são, 20 buscar


Parece um daqueles pôsteres fan made vindo das ideias de algum quarentão com Photoshop (culpado!). Mas o festival Darker Waves é bem autêntico. E um impressionante intensivão da década de 1980. Tem pra todo mundo, do sujão 45 Grave ao limpinho Tears for Tears. E todos no mesmo dia!

A fórmula é idêntica à do festival Cruel World (lembra dele?), que segue firme e forte. O revivalismo oitentista sempre esteve por aí, mas tomou um fôlego notável neste primeiro ano pós-pandemia, por motivos óbvios.

Inclusive, os ingressos para esta edição de novembro já estão esgotados. Para quem ainda quiser ir, resta preparar a carteira e recorrer a um tipo de profissional muito requisitado nos anos 80...

quarta-feira, 5 de julho de 2023

A Saga Definitiva

A Saga do Homem-Aranha. Por que comprá-la, por que não comprá-la, por que comprá-la...



...comprei-a-a.

É Roger Stern e não posso passar as Sternadas em formato original. Essa fase foi formadora de caráter.

A pegadinha Paninesca da vez é que acompanho caninamente a Edição Definitiva, já no volume 11. O que se traduz como "caraio, as Definitivas estão agora na Amazing Spider-Man #166 e as Sagas começam a partir da #206, será que vai rolar repeteco?"

E nem boto na conta as Spectacular, as Annual e as Team-Up, igualmente compiladas nos dois títulos.

Já rodei por inúmeras caixas de comentários, vi turbas na mesma situação e a Panini fazendo ouvido de mercador. Porcos capitalistas. Sei que se vender mal, eles cancelam até um Big Numbers finalizado. O que não parece ser o caso das Definitivas, que, apesar do preço, exibe um fôlego notável. Mas será que chega lá?

Vou pagar pra ver. De novo.

Foda-se, Peter Parker.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Indiana Jones e a Nova Última Cruzada


Indiana Jones e a Relíquia do Destino me lembrou de como é bom entrar numa sala de cinema sem a menor ideia do enredo. Nem ao menos me dei ao trabalho de memorizar o resto do título após o nome do herói – coisa que desencanei após Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, de 2008. Que, apesar dos pesares, deu ao espectador um senso de conclusão digno, porém esqueceu de combinar com o miolo. Na nova aventura, o clima de despedida é novamente reeditado, com a clara intenção de corrigir os problemas do filme anterior.

E consegue, com grande sensibilidade até. Isso graças ao roteiro de Jez Butterworth, John-Henry Butterworth, do veterano na franquia David Koepp e do também diretor James Mangold.

Curiosamente, Steven Spielberg compareceu apenas como produtor executivo – George Lucas, desta vez, está completamente fora – e chegou a declarar que a ideia era "oferecer uma nova perspectiva." No entanto, Mangold é um seguidor reverente e mesmo com a renovação de década característica da série, ele faz questão de manter os ganchos da fórmula Spielberguiana. Até os nazis voltaram a atacar, devidamente contextualizados para o final dos anos 1960. Sujeito esperto.

A trama... bem, trama, a esta altura do campeonato, é o que menos importa. Tem lá a relíquia cercada de charadas com mocinhos e bandidos se acotovelando atrás dela. De novidade, curti o recurso do falso MacGuffin sugerido de cara e descartado na 1ª oportunidade. Mesmo por que, é dos "objetos místicos" mais manjados deste território (não é mesmo Constantine?) e uma Arca e um Cálice já foram o suficiente. Boa sacada.

A arqueóloga trambiqueira Helena Shaw e seu sidekick Teddy, um Short Round marroquino, são os novos personagens da vez. Sempre tive dificuldade de assimilar novas adições à série. Um pouco pela irritabilidade que estes proporcionam para se afirmarem em tela tanto quanto o protagonista e um pouco por preferir o herói se virando sozinho. É complicado. Mas a partir de certo ponto, até que desceram de boa. Phoebe Waller-Bridge e o novato Ethann Isidore funcionam como dupla, embora o último estivesse sisudo demais para este tipo de filme, além de ter pouca ou nenhuma interação com Indy. Dá a impressão de que alguma coisa ficou para trás na sala de edição.

O espetacular Mads Mikkelsen faz uma abordagem cerebral com seu Jürgen Voller. No filme, o vilão é um dos cientistas alemães que trabalharam para os EUA durante o Pós-Guerra. Inclusive, foi um dos responsáveis por colocar o homem na Lua, mas que continua, em essência, um nazista.

Uma ótima surpresa foi ver o Toby Jones roubando a cena na sequência eletrizante que abre o filme. Bem que podiam ter seguido a partir dali. Já Antonio Banderas só aparece para fincar um Indiana Jones no currículo. Desperdício total.


Harrison Ford octogenário é um fenômeno. Claro que em algumas cenas mais físicas, nota-se que ele ainda é humano, graças a Deus. E está se divertindo muito. Talvez não tanto quanto John Rhys-Davies com seu simpático e bonachão Sallah quase de volta à ativa. É muito bom também rever a Marion de Karen Allen num momento terno e muito bonito em referência ao primeiro filme.

Gostei bastante dessa 3ª despedida. Mas ainda acho que aquele chapéu não está pronto para ser pendurado...

quarta-feira, 28 de junho de 2023

Até mais, Bruxo


Julian Richard Morley Sands
(1958 - 2023)

Não fazia a menor ideia da situação do Julian Sands. Foi um choque receber essa sequência de informações numa só trauletada e que, bizarramente, coaduna com a aura sombria e outsider que ele sempre cultivou. Nesse caso, a vida imitou a mise-en-scène.

A carreira do ator britânico foi tão prolífica quanto low profile. Abraçava o cinema B de erotismo e terror ao mesmo tempo em que trabalhava com gente como David Cronenberg, Frank Marshall, Win Wenders, Ken Russell, Dario Argento e, principalmente, Mike Figgis, de longe o seu maior parceiro.

Repassando sua filmografia, impressiona como Sands também foi o rei das locadoras.

Durante as décadas de 1980 e 1990, ele estrelou fitas estouradíssimas como Uma Janela para o Amor, Gothic (preciso rever), Aracnofobia, o esquisito-mas-curtimos Encaixotando Helena e até o Oscarizado Despedida em Las Vegas.

Além, é lógico, de Warlock: O Demônio. Esse fazia fila para alugar.


Julian Sands foi o Dr. Estranho da minha geração...

terça-feira, 27 de junho de 2023

O Homem e a Mulher do Amanhã


Deadline anunciou e lá vamos nós: David Corenswet é o novo Superman e Rachel Brosnahan é a nova Lois Lane do DCEU. Na minha canina percepção, surpreendentes escolhas de James Gunn. E muito bem-vindas. Mais uma vez.

Brosnahan protagonizou a deliciosa série The Marvelous Mrs. Maisel e se já era cogitado o próximo grande passo da atriz, não ficaram dúvidas. Essa foi certeira e atualíssima. Só podia ser escalação de quem almoça e janta cultura pop.

Já Corenswet tem uma certa aura de incógnita – como sempre em se tratando do Clark. Meu contato com ele se restringe ao seu trabalho no ótimo Pearl, prequel do eficiente X, ambos de 2022. Bom ator. E de timing afiado. Provavelmente deve estar enfurnado nos DC Archives a esta altura. Espero.

Me parece que Gunn começa com o pé direito. Que Rao os proteja e guarde.

Superman: Legacy está previsto para 11 de julho de 2025.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

“You wouldn't like me when I'm Ang...”


Hulk completou 20 anos de lançamento. Certamente, o filme mais incompreendido e subestimado do gênero e também da carreira de Ang Lee. Não era pra menos. Mesmo com a escalação inspirada e uma galeria de personagens veteranos, com Josh Lucas no papel do traiçoeiro Glenn Talbot e Sam Elliott dando vida ao melhor Thaddeus E. "Thunderbolt" Ross já visto numa telona, a maior parte da trama era uma discussão sobre traumas suprimidos e paternidade tóxica.

Somadas à química a introspecção do Bruce Banner do desconhecido Eric Bana, a abnegada Betty Ross de Jennifer Connelly e o desvario sociopático do David Banner de Nick Nolte, foi uma autêntica masterclass de dramaturgia com orçamento de blockbuster. Isso em plena era pré-Universo Cinematográfico Marvel. Foi uma abordagem que ninguém esperava.

Hulk é tanto "um filme de arte de 150 milhões de dólares" quanto um autoral complicado de assimilar. Mas tinha a curiosa capacidade de permitir uma leitura pessoal e diferenciada para cada espectador – além de se reinventar substancialmente com a passagem dos anos/décadas. Continua uma senhora experiência (gama).

Lembro quando entrei na sala do cinema, ainda extasiado pelo teaser. Só queria assistir o Verdão esmagando geral. Mal sabia que meu sensorial seria uma das vítimas.


Em 2006 – há 17 anos! – fiz algumas breves considerações sobre o filme no finado blog-collab Área Azul, com os camaradas Fivo e JP Volley. Segue abaixo:

Dito isto, podem me adicionar na lista-gama: somos 4 a gostar da adaptação de Hulk por Ang Lee. Por sinal, a estréia do Verdão nas telonas é uma das mais emblemáticas no escopo desse nosso debate. É o exemplo perfeito. O público cinéfilo pode até ter uma certa afinidade com o universo dos quadrinhos, mas a imensa maioria sequer imagina quem é James Howlett, p.ex. (ao passo que quase todo mundo conhece o Wolverine - isso é mais ou menos o padrão por aí afora). No caso do Gigante Esmeralda, calhou de o personagem ficar soterrado sob toneladas de referências defasadíssimas (o seriado dos anos 70) e de conceitos tão superficiais que beiram a total falta de conhecimento (ex.: "o Hulk é tão forte que é capaz de derrubar uma parede de concreto"). 90% dos espectadores nem imaginava que ele derrubaria essa parede com um cuspe. O diretor Ang Lee e os roteiristas James Schamus, Michael France e John Turman, foram tão fiéis aos quadrinhos quanto possível. E atualíssimos à cronologia! Durante décadas, o personagem só era um-cara-que-virava-monstro-quando-ficava-com-raiva, Mr. Hyde + Monstro de Frankenstein, travado. Só na fase Peter David, no final dos anos 90, é que ele ganhou contornos mais intrincados. Abuso infantil, psique reprimida e desordem de múltipla personalidade entraram com tudo dentro do contexto, tornando-o um dos personagens mais complexos e trágicos das HQs. Embora ricas, eram temáticas difíceis por natureza, pesadonas, pouco comerciais - e entraram no filme, quase que heroicamente. Como se não bastasse, a câmera contemplativa de Lee ainda faz links entre a evolução natural e o resultado final de uma evolução forçada artificialmente, em momentos tão sutis quanto um close em um fungo crescendo num pedaço de madeira.

Excetuando o descontrole do roteiro na relação pai/filho na reta final, Hulk foi um filme extremamente necessário para conferir, em uma primeira instância, a tão almejada credibilidade conceitual ao personagem (o Graal de qualquer roteiro que preste). Daqui em diante, já tá liberado: que venha a porrada!


* * *

É irônico como, num cenário que lida com infinitos universos, o Hulk de Ang Lee tenha acabado no limbo que existe entre eles. Ou numa encruzilhada...

Ps: e me diverti horrores com igualmente subestimado game Hulk, que expandia o universo do filme. Eram porradarias épicas contra os supervilões Meia-Vida, Louco, Ravage e o Líder madrugada adentro...

sexta-feira, 23 de junho de 2023

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Secret AInvasion


"Sim, a cena de créditos de abertura de Invasão Secreta é produto-I.A."

Meus 2 réis: é feia, bizarra, defeituosa, um reflexo distorcido de nós mesmos. E faz todo o sentido do mundo. O problema é a Marvel sagazmente ligou seus Skrulls a um tópico tão na crista na onda, que a sacada periga passar batida.

Ou melhor, já passou.