quinta-feira, 11 de novembro de 2004

Operação Resgate:

Juiz injustiçado! (Sacaram?? "Juiz"... "injustiçado"... ha ha ha... ai)




Antes de caçadores gangsta de vampiros, sexy-symbols portadores do gene X e aranhas radioativas, a classe super-heroística teve um bom representante nas telonas. Se bem que isso é relativo, visto que Judge Dredd não tem nenhum superpoder de fato. Em compensação, ele tem treinamento e disposição para todo tipo de combate, e uma submetralhadora ultra-sofisticada que obedece comandos de voz.

No século 22, o mundo foi parar naquele lugar mesmo que você sempre imaginou. Após uma festa junina repleta de buscapés nucleares, nossa querida Mãe Terra se tornou um ambiente inóspito, onde a civilização (na verdade, apenas um resquício dela) ficou encerrada em concentrações urbanas denominadas Mega Cities. Lá, predomina um sistema totalitário de ordem, o qual as supostas antigas falhas de urbanização são contornadas pelo velho recurso do toma-lá-da-cá. Nada muito sofisticado, mas com um apelo radical: os pacificadores agora são, ao mesmo tempo, acusadores, jurados e juízes. E alguns casos, eram os executores também.

Em Mega City One, Joe Dredd e seu irmão, Rico Dredd, foram clonados da antiga linhagem do Juiz Fargo, em 2066. Incorporados à severa conduta da Academia de Juízes, logo eles se tornaram os melhores cadetes de sua história. Após uma graduação com honras em 2079 (molequinhos ainda!), Joe seguiu carreira, se tornando finalmente o afamado Juiz Dredd, enquanto Rico foi "pro outro lado da rua". O embate entre os dois, é claro, se tornaria inevitável. O mais estranho é que a linha temporal de Dredd hoje se passa em 2126, o que deixaria o Juiz com 60 aninhos. Praticamente um desembargador.

Judge Dredd e seu instigante universo foram criados por John Wagner e Carlos Ezquerra (e vamos ser justos, Pat Mills também), em março de 1977, para a inglesa 2000AD. Sua primeira aparição foi na história Prog 2 (em preto e branco), e ali já era evidente algumas características onipresentes no background do carrancudo Juiz. Coisas como a falência do estado democrático, o conflito iminente entre camadas sociais, a revolta de grupos urbanos vítimas de descaso do sistema, sectarismo anarquista e nazi-fascista, e o resultado disso tudo: ultra-violência. Hoje é muito fácil você abrir uma Marvel MAX, qualquer edição do selo Vertigo ou Ultimate, e se deparar com cenas de sanguinolência desenfreada. Mas naquela época... Judge Dredd já trazia esses "agrada-multidão", mas com o diferencial do conhecimento de causa.

Nada era gratuito e o próprio Dredd era reconhecidamente uma versão futurista do velho "Dirty" Harry Callahan. Dredd era o produto final de um sistema totalitário, ditatorial e fascista (e aí não existe redundância). Na verdade, a única diferença entre Dredd e Harry era o seu mote. Ao invés do clássico "Go Ahead Punk... Make My Day!", Dredd era um "pouco" mais direto: "I Am The Law!". E toma um tirambaço na cara, sem julgamento. Ou melhor... com julgamento, mas naquele meio tempo, entre puxar a arma do coldre e apertar o gatilho. Ah, se a falecida Pauline Kael* lesse quadrinhos...

* Respeitada crítica americana de Cinema e voraz detratora de Clint Eastwood.


Se o mundo fosse perfeito, O Juiz (Judge Dredd/1995) seria dirigido pelo Spielberg de Minority Report ou de A.I.. Ou seja... um Spielberg incorporado pelo exu-caveira Stanley Kubrick. O conceito de Dredd é cinematográfico até não poder mais. Suas primeiras histórias (aquelas, ainda em preto e branco), se parecem mais com story-boards de filme de ficção do que com quadrinhos. Mas, por incrível que pareça, o filme foi surpreendentemente bem resolvido. E é aí que está a contradição.

O Juiz foi um fracasso retumbante de público, e foi mais espancado pela crítica que boneco de Judas em dia de Páscoa. Orçado em 60 e poucos milhões de doletas, o filme não recuperou nem 5% disso. O diretor Danny Cannon levou uma paulada tão forte no currículo que só voltou a ser destaque com... putz... Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, que não vale nem os caracteres que eu digitei aqui. O Juiz Sylvester Stallone foi indicado ao famigerado Framboesa de Ouro, como "melhor" ator. Enfim, em termos de popularidade, O Juiz só não foi pior do que Michael Cimino e seu Portal do Paraíso, que conseguiu falir a tradicional MGM.


Isso posto, afirmo categoricamente: O Juiz é sim um bom filme baseado em HQ. Apesar de trazer uma herança pesada do cinema de ação oitentista, o filme conseguiu transpor o ambiente futurista dos quadrinhos até com um certo louvor. Muito mais do que os filmes do Batman dirigidos pelo Tim Burton, eu diria. Tudo bem que o material já era bem propício para uma adaptação, o Dredd praticamente pedia isso.

A atmosfera dark future/cyberpunk à Blade Runner, e o pano de fundo que envolve conspirações governamentais, taxas exorbitantes de criminalidade e experiências genéticas ilegais, eram temas ainda pouco explorados na época. Fora que Dredd era um sucesso absoluto no reino dos Windsor, mas na terra do Tio Sam... Estadunidense tem o peito estufado pra fora, com uma estrela no meio. Eles preferem o ensolarado Capitão América.

Outro fator complicante: a presença de Stallone. Fora de seu habitat natural (Rocky, Rambo, ou derivados de Cobra), ele nunca teve uma boa recepção, ainda mais em se tratando em uma adaptação cinematográfica de quadrinhos - que, na época, estava anos-luz do conceito dos filmes do gênero pós-Bryan Singer. Mas a verdade era uma só: assim como Wesley Snipes/Blade, Hugh Jackman/Wolverine e Thomas Jane/Frank Castle, Sly era o Judge Dredd. A canastrice e a voz gripada finalmente encontraram um lugar-comum. E a carranca era igualzinha. Pelo menos enquanto ele estava com o capacete...


Fato: Dredd jamais, jamais tira o capacete. Conceitualmente, ele garante que Dredd seja a extremidade personificada do sistema que defende. Pra quem não está habituado, e acha que "não é nada demais" que ele retire a indumentária de vez em quando, imagine, em igual proporção, o Wolverine sem as garras, o Aranha sem as teias, o Capitão América sem o escudo, ou o Clark sem voar. Dredd sem o capacete é justamente a representação do que ele tanto combate, que é o individualismo, a ruptura do sistema, o comunismo. Para ele, é ideologicamente ofensivo retirar o capacete em público.

É certo que dificilmente Stallone protagonizaria um filme sem mostrar a sua cara feia. Seu estrelismo exacerbado também entrou em colisão com o diretor Danny Cannon, que jurou nunca mais trabalhar com astros - promessa que cumpre até hoje. Apesar disso, o filme conseguiu representar bem a complexa hierarquia autoritária de Mega City. Os efeitos especiais ficaram de bons a surpreendentes, naquela época pré-Matrix (o primeiro vislumbre de Mega City é sensacional).

O roteiro, do fraquinho Steven E. Souza (diretor do tosco Street Fighter - A Última Batalha), é básico ao extremo, mas consegue ilustrar razoavelmente bem a origem de Dredd, Rico (Armand Assante, exagerado, mas divertido), e a relação com o Projeto Janus. O figura Rob Schneider também está lá, no papel do malandro Fergie, um típico coadjuvante cômico. Jurgen Prochnow é o Juiz Griffin, o vilão malaco da vez. O ilustre e onipresente (no sentido literal da palavra!) Max von Sydow comparece, como o Juiz Fargo. Já um pequeno vacilo foi a sempre linda Diane Lane, como a Juíza Hershey, quando a personagem deveria se chamar Juíza DeMarco, igual à HQ.

A maquiagem deu um show à parte, principalmente no personagem Mean Machine (Christopher Adamson, idêntico). Inimigo tradicional de Dredd, Mean Machine é um ciborgue canibal que vive na Zona Proibida, a área devastada fora das Mega Cities. Sua caracterização (e cauterização!) ficou perfeita, e impressionante! Já o robô ABC, relíquia das Guerras Robóticas, no início do século 22, e atual guarda-costas de Rico, ficou bem legal, mesmo sem CGI - talvez legal até pela falta dele.

A seguir, uns sketches do cenário e do autômato de guerra ABC, que comparecem fielmente no filme, retirados do livro The Art of Judge Dredd. Clique nas imagens para ampliá-las.






O Juiz está longe de ser um filme perfeito, mas ficou muito melhor do que a maioria das produções do gênero. E é divertido até hoje. Me atrevo até a dizer que estava à frente do seu tempo (e estava). Merecia uma carreira melhor, com certeza.



A propósito, eu não sabia que Judge Dredd já teve revista editada no Brasil. Só o que eu via por aí eram crossovers com o Batman, Lobo, ou os ETs-para-serviços-gerais Aliens e Predador. Pois a editora Pandora Books resolveu mostrar uns tiroteios do Juiz barra-pesada, em versão tão curta quanto cara. Em dezembro de 2000, era publicada a revista Juiz Dredd #2, com menos de 30 páginas e custando R$ 5,00 (!!). Dredd certamente mataria os editores da Pandora.

O Universo HQ já fez um review dessa edição. Confira a resenha aqui.

A revista tá aí, zipada num banco do Yahoo. Ou seja, apesar de ser mais "fácil", após alguns downloads, o arquivo é bloqueado e só volta depois de 1 hora. Pra facilitar o rodízio, eu uploadeei duas vezes. É só clicar com o botão direito do mouse e escolher "Salvar destino como...". Se um não rolar, tente o outro. Se nenhum dos dois rolar, vai comer um cachorro-quente na praça e tente depois.


Links expirados há muitos e muitos anos, mas um dia, quem sabe, escaneio de novo


Links:
A resenha-símbolo das críticas negativas ao filme...
B.O. completo de Dredd, pela lendária 2000AD...
Excelente retrospecto de Dredd, com uma pá de links, referências, analogias e o escambau... imprescindível!



dogg, ouvindo direto I Am The Law, homenagem do Anthrax ao personagem (claaaaro), e I'm Afraid of Americans, do David Bowie com o Nine Inch Nails...

quinta-feira, 4 de novembro de 2004

O MARTELO SELVAGEM DE THOR


Pra relaxar, depois da reeleição da máquina de guerra americana, vai aí uma HQ de leve. A revista Aventura e Ficção - uma relíquia - mostrava os heróis da Marvel em histórias bem menos maniqueístas que o normal. Praticamente não haviam redenções ou lições de moral, e não raro os personagens levavam uma bela pernada na conclusão. Mas, acima de tudo, sempre foi uma excelente coletânea de episódios fora do escopo tradicional. Era como se fosse uma Marvel MAX versão jurássica - só que sem a violência desmedida (e gratuita sim, embora eu goste disso também!).

A edição #06, publicada em julho de 1987 (quando a Abril monopolizava o pedaço), trazia um conto memorável protagonizado por Thor. "Mar do Destino", de Alan Zelenetz e John Bolton, tem uma vocação pra lá de barroca, quase como uma lenda celta. Aqui, o personagem está bem mais próximo do Conan do que de seus colegas dos Vingadores (sentimento reforçado pelo formato preto & branco - no caso, com um feliz resultado). Na história, o Deus do Trovão enfrenta um inimigo intransponível até mesmo para um imortal: a inevitabilidade do destino.

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dogg, rolando Another Morning Stoner, do Trail of Dead... (o nome completo dessa banda é gigantesco!) - e um pouco menos puto, mas ainda com vontade de mudar de planeta.

quarta-feira, 3 de novembro de 2004

sábado, 30 de outubro de 2004

SESSÃO TAPANAKARA


Filmes de artes marciais sempre trilharam um caminho à parte do esquemão cinematográfico. O estilo sempre rendeu muito assunto (ou boas desculpas) para alguma produção sair do papel, em larga escala. Historicamente também é revelante, pois promove o embate entre o velho e o novo, ao traduzir - ou ao menos tentar - para a linguagem contemporânea a cultura e filosofia milenares desse pessoal de olhinhos puxados. Quando alguém leva um chutão no meio da boca, não se trata de violência gratuita, e sim de 3.000 anos de aperfeiçoamento espiritual. Yááá!

Mas então, por que desse véu de subcultura que sempre predominou aí? Filmes de artes marciais são uma excelente idéia comercial que não foi inventada por Hollywood. O embargo se tornou inevitável. Pô, os caras criaram uma nova maneira de espancar seres humanos. Que graça tem o velho estilo Starsky & Hutch de bater? Chega daquele esquema desgastado de soco-no-estômago/soco-no-queixo. O lance é chutar traseiros com estilo. O resultado é contagiante, praticamente imediato. No meu caso, foi nos idos de 83-84, assistindo aos episódios reprisados de Faixa Preta. Pela primeira vez, eu passei a ouvir o "creck" dos ossos se partindo, os lutadores espirrando sangue em bicas, saltos inacreditáveis, tombos idem, o barulho das porradas que mais parecia o som de uma chicotada, aquele sonzinho de velocidade mesmo quando o personagem apenas vira o rosto abruptamente, etc.

Hong Kong era o Paraíso dos filmes de artes marciais, e eu já queria até aprender cantonês. Mandarim também (mudei de idéia logo no primeiro caractere).


O furacão Kill Bill já passou, mas abriu um rentável precedente. Embarcando na onda, algumas relíquias da 7ª arte marcial estão sendo relançadas em DVD, como A Câmara 36 de Shaolin (The 36th Chamber of Shaolin/1978). Considerado um dos maiores precursores do estilo, o filme traz muitos elementos familiares, para fãs tanto de animês (principalmente Dragonball, Samurai X e Cavaleiros do Zodíaco) quanto de filmes de luta mais recentes.

A história é básica ao extremo, como já é de costume no gênero. Durante a supremacia dos Manchus, um grupo de anarquistas disfarçados de professores monta uma base em Cantão. Descobertos, eles são massacrados e o único sobrevivente, San Te (o veterano Gordon Liu), busca refúgio no Templo Shaolin. Meio a contra-gosto, os monges acabam o aceitando. Obstinado, San Te se torna um aprendiz perseverante, e é aí que começa o foco do filme: o treinamento Shaolin.


Cada aluno deve atravessar 36 câmaras, cada uma com um desafio diferente, e se tornar mestre em cada especialidade. Como o filme é de 78 e portanto o SPOILER já prescreveu, já adianto que apenas algumas câmaras são mostradas. Mas pena mesmo foi a exclusão do treinamento na 36ª câmara, a mais avançada.

Lá existe apenas um grupo de monges anciões (parecem os irmãos mais velhos do mestre Pai Mei, de Kill Bill vol. 2), que derrubam o adversário apenas com a força do pensamento.

A Câmara 36... é tecnicamente impecável. É o que há de melhor em termos de coreografia marcial. Só a luta do início (sem ser o belo solo de abertura de Liu) já vale o filme. Aliás, trata-se de uma trilogia. Após esse, seguem Retorno à Câmara 36 (Return to the 36th Chamber/1980) e Discípulos da Câmara 36 (Disciples of the 36th Chamber/1984) - todos devidamente digitalizados. As continuações elevam à 9ª potência o já alto nível técnico das seqüências de luta, assim como elevam na mesma proporção a nulidade do roteiro. Mesmo assim, são altamente recomendáveis para amantes da porradaria em grande estilo. E, em Discípulos..., existe uma cena imperdível envolvendo a mãe de um personagem. Ela, mestra, aposta com um oficial que, se ele conseguir abrir as pernas dela, se casa com ele. Adivinha se o cara consegue... a mulé é foda!


Esse carinha já está na estrada há um bom tempo. Considero Jet Li o grande nome dos filmes de artes marciais da atualidade, embora ainda não tenha "acontecido" adequadamente no grande circuito (situação que deve mudar com a carreira mundial do badalado Hero). Após uma bela estréia em Hollywood (Riggs e Murtaugh que o digam!), a poeira abaixou legal com sucessivos e agüados filmes-americanos-de-artes-marciais. Tudo bem, alguns ficaram um pouco acima da média, mas pra cada O Beijo do Dragão existem dois Romeu tem que Morrer ou Contra o Tempo. Ali não havia cheiro de arroz frito com badejo cru, e sim de McChiken com Coca-Cola.

Jet Li já fez uma porrada de filmes legais (assisti um agora que é um verdadeiro luxo: Punhos de Dragão, produção de 1984 em que ele atua, dirige e ainda desce o cacete em soldados americanos - bem oportuno e, da metade pro final, realmente FODA), como esse Lutar ou Morrer (Fist of Legend/1994).


Remake do mega-clássico A Fúria do Dragão (Fist of Fury/1971), Lutar... não se limita a repetir o brilhantismo do filme estrelado por Bruce Lee, mas cria uma nova história sob o mesmo contexto da situação anterior. O filme conta a trajetória do chinês Chen Zhen (Jet Li), que está estudando no Japão quando recebe a notícia da morte de seu antigo mestre, que foi derrotado num combate suspeito com um lutador do clã japonês Dragão Negro. O mestre Huo Yuanjia realmente existiu (e também morreu sob circunstâncias similares), e nas duas versões aparece uma fotografia real dele.

Da mesma forma que o original, aqui também é feita uma boa descrição da conturbada situação social da república chinesa na década de 20. Pressionada por uma ocupação e embargo ostensivo do Reino Unido e Japão, um dos reflexos mais notáveis foi o caos urbano e a crescente tensão social, principalmente entre chineses e japoneses. O Chen Zhen de Bruce Lee foi um rolo compressor de selvageria irracional, não se furtando em trucidar japoneses onde e quando bem entendesse. Já o Zhen do Jet Li é mais... "zen" (podre, eu sei). Bem mais racional e comedido, ele pertence à um universo onde nem todos os japoneses são assassinos cruéis e impiedosos - elemento personificado por Mitsuko, sua namorada japonesa (a gatinha Nakayama Shinobu).

As lutas são demais... esqueça as bobagens CGÍsticas de Matrix e congêneres. Antigamente, os caras até usavam fios, mas batiam e se socavam de verdade. Além do quê, Lutar... tem um dos vilões mais monstruosos que já vi em filmes desse estilo: o General Fujita. O cara é do tamanho do Kareem Abdul-Jabbar e tem a cabeça mais dura que o Richard Kiel. Imagina isso usando uma farda militar estilo M.Bison (só que verde). Sinistro...!






BWAHMUAMUAMUEHUEUEAHUE!


O Grunge, cara... ele é um completo sem-noção... um Joselito meta-humano... acho que o verdadeiro "superpoder" dele é pensar, falar e fazer besteira. E em 90% dos casos tem a ver com putaria. Igual eu. A diferença é que suas companheiras de aventura são as melzinho-na-boca Caitlin Fairchild, Roxy e Sarah, vulgas "o que há em matéria de gostosura super-heroística".

Essa HQ foi escrita, produzida e dirigida pela fera Adam Warren, disparado o melhor desenhista não-japonês de mangás do Universo (aliás, ele é melhor até do que muito japa também!). Adam é dono de um estilo em que não falta nada e até sobra - sobra velocidade, porradaria, humor escrachado e garotas ultra-gostosas à beira de um hentai escancarado.

Na história, Grunge (clone do Stifler, de American Pie), empolgado com uma sessão básica de filmes de kung-fu, começa a alugar o ouvido da gracinha Roxy com um pseudo-roteiro de cinema. Aí começa a bobagem referencial... aldeias destruídas, mestres assassinados, gangues à Yakuza, citações, citações e citações... putz, as "traduções mal-feitas" são hilárias... Cara, eu li essa porra à uns dois dias e ainda tô rindo.

Scans by: doggma (sim, eu confesso...) - Arquivo cbr atualizado em 01/09/2017

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Te aconselho usar a velocidade Shaolin para essa HQ. O Photobucket anda com um papo muito estranho ultimamente... :P

Aliás, quem achar a referência ao Star Wars ganha um "muito bem" da minha parte...

E agora, a difícil técnica da "chamadinha-com-o-dedo"... por favor, não tente isso em casa.







dogg, só alegria com o disco do Neurotic Outsiders rolando. 

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

O EFEITO DARKO


É... nunca diga nunca. A última vez que lembrei disso foi através do dublê de ator Ashton Kutcher. Achei que não havia vida pra ele fora de That 70's Show, um sitcom até bacaninha. Pelo menos, não algo que realmente valesse a pena de ser visto tanto por homens quanto é pelas mulheres (nota: jamais, jamais assista algum filme dele acompanhado por uma mulher - é um porre). E, quem diria, os elogios não páram por aí. Estou pra te dizer que Kutcher está ensaiando um quê de "visionário" também. Bem, pode ter sido uma daquelas felizes coincidências, uma espécie de Lei de Murphy ao contrário. Um gol de placa sem querer. Seja o que for, acabou dando certo aqui, e eu, movido pelo mais puro preconceito anti-galã teenager, acabei não conferindo isso na tela grande. Mas deu tempo de me redimir por módicos $ 3 na locadora mais próxima.

O Efeito Borboleta (The Butterfly Effect/2004) tem lá as suas referências (já vou falar delas), mas caminha com as próprias pernas. E é surpreendente. É do tipo do filme em que você não sabe onde vai dar a próxima esquina. Do início até a metade é cheio de nós, que - aí que mora a diferença - serão deliciosamente desatados até o final. E - outra diferença, a principal - de maneira plenamente satisfatória.


A história acompanha a vida de Evan Treborn (Kutcher), começando pela sua atribulada infância. Desde cedo, Evan sofre de uma espécie de acesso, que, do ponto de vista do espectador, é retratado como um lapso de tempo. Através de uma recomendação médica, ele passa a escrever diários relatando toda a sua rotina, com o intuito de instigar o seu subconsciente. Os anos se passam e, acidentalmente, Evan descobre que através da leitura de seus antigos diários pode transportar sua consciência para aquele momento específico que foi descrito. Como Evan tem uma coleção de erros e desventuras de fazer inveja a este que vos escreve, ele decide então consertar algumas coisas. No processo, ele dá sentido ao título da produção.

Em teoria, ao matar uma borboleta, você causará um efeito dominó que pode culminar num desastre sem precedentes - não se preocupe, no início do filme tem uma definição bem melhor. Essa é a premissa do filme e, mais do que simplesmente "viagem no tempo", existe o conceito de transposição de realidades alternativas. Sempre há uma co-relação qualquer entre as realidades criadas a partir das intervenções de Evan, o que acaba por minar suas seguidas tentativas de criar um "universo perfeito" para os seus padrões e para o daqueles a quem ama - afinal, sua felicidade depende intimamente da felicidade destes. Na tentativa de identificar e corrigir a "falha", Evan acaba criando realidades falsamente paradisíacas, realidades decadentes ou até realidades onde a sua total infelicidade parece ser a única saída viável.


Os filmes De Volta Para o Futuro e, principalmente, De Volta Para o Futuro 2, são o Alcorão do efeito borboleta via trangressão das leis da Casualidade. Talvez sejam os filmes que melhor exploraram as possibilidades desse conceito (e um dos que menos erraram, considerando a facilidade disso acontecer nesse contexto complicado). É uma das influências do filme, mas não a principal. Quando Evan começa a brincar de Deus, alterando a linha temporal para criar a realidade que melhor lhe convinha, a lembrança é imediata: Donnie Darko, com certeza sua maior referência. Existe outra, pouco lembrada e bem mais rebuscada: Em Algum Lugar do Passado, antigo sucesso em que Christopher Reeve transmigra a sua consciência para o passado através de uma perigosa técnica de auto-sugestão. Um procedimento bastante similar é utilizado em O Efeito Borboleta.

Nessas idas e vindas, só encontrei um erro sério no argumento, mesmo que puramente técnico. Quando uma nova realidade é criada por Evan, flashbacks simulam a anulação dos eventos da linha temporal anterior, destoando do fato de que Evan ainda se lembra deles na nova realidade. Se eles foram apagados, tecnicamente, Evan não deveria se lembrar de nada relacionado àquele universo "deletado", o que não ocorre. Perdoável, afinal, até Marty McFly pisou nesse tomate.


Claro que o filme não se destacaria meramente por essa temática - que muito me agrada, por sinal. Escrito e dirigido pela dupla Alec Bress e J. Mackye Gruber (a mesma do bom Premonição 2), o filme traz atuações de esforçadas e razoáveis até muito boas. Por "esforçadas", entenda como sendo a performance de Kutcher. Sinceramente, após algumas cenas, parei de associá-lo aos habituais personagens estilo garanhão-burrão (todos iguaizinhos ao Kelso, seu papel em That 70's Show). E lembra do "visionário"? Ok, alguns minutos já se passaram desde então. Confesso que exagerei. Mas pelo menos um tapinha nas costas o cara merece. Se não fosse ele, o filme não teria nem saído do papel (daí o seu crédito como "produtor executivo").

Melora Walters (interpretando Andrea, a mãe de Evan) está ótima como sempre, mesmo com uma pequena participação. Já a gracinha Amy Smart, no papel de Kayleigh Miller (o interesse amoroso de Evan), me surpreendeu numa atuação quase perfeita (chegando a ser perfeita na Kayleigh "versão decadente"), sem dúvida a vice-campeã do filme. Mas a medalha de ouro vai para os moleques que interpretaram os personagens principais aos 7 e aos 13 anos de idade. Impecáveis.

O Efeito Borboleta ainda teve o penacho de ter um final feliz - opção esconjurada por aí, o que eu acho bastante curioso. Será que filme bom tem que ter final deprimente? Isso é oficial agora? Se fosse assim, eu dedicaria o resto da minha vida a reprises de Papillon e Irreversível...

Aliás, eu escrevi "feliz", mas calma lá... Esse é um "feliz" sacana, daquele que dá na boquinha e tira na última hora. Chega mesmo a cortar o maldito coração, e ao som de "Stop Crying Your Heart Out" (que covardia), meus olhos quase se afogaram. Nem lembrei da velha desculpa do cisco.

Agora dá licença, que, depois desse filme, eu tenho de dizer uns "eu te amo" por aí.

...ouvindo Everywhere with Helicopter, do Guided by Voices, pra ver se anima um pouco...

quarta-feira, 20 de outubro de 2004

NEED FUCKING SPEED: PROGRAMA PARA MUDAR AS MÚSICAS


Need for Speed: Underground provavelmente é o game que eu mais joguei na vida. Já zerei umas 100 vezes, de tudo quanto é jeito. Viciado mesmo. Só tinha um detalhe que estava se tornando um pé no saco: a trilha sonora. Não agüentava mais o Andy Hunter, o Static-X, o Jerk, o Overseer, e, puta-que-o-pariu, até o Rancid ficou enjoativo.

Depois de muito penar nos zilhões de fóruns dedicado ao NfS:U, finalmente encontrei o Graal motorizado: o NFS:U Music Importer ("Tabajara", hehe...), programinha da hora que converte qualquer arquivo mp3 para os arquivos asf do jogo. Levezinho e fácil de usar, ele pode ser baixado aqui. O nome do arquivo é AstImp.zip. Só um detalhe... eu sei que brasileiro não é muito chegado a ler manual, mas aconselho ler o readme.txt com atenção pra não fazer merda e ter de reinstalar o jogo.

Agora sim. Jogar Underground ao som de Ace of Spades, Paranoid, Be Quick or Be Dead, Painkiller, Angel of Death e outras pauladas é outra coisa... As arrancadas, os cavalos-de-pau e jatos de N.O.S. nunca mais serão os mesmos. :P

terça-feira, 19 de outubro de 2004

TOP 5... destrinchado!

Ministry - Houses Of The Molé
(Sanctuary/2004)


Os reis do rock industrial lançam seu melhor álbum desde o estourado Psalm 69. Pra falar a verdade, Houses... é tão bom quanto o clássico de 92. Nos últimos tempos, o Ministry estava imerso em bad trips cabeçonas e intermináveis, num reflexo direto da vida loca regada a álcool e drogas pesadas, e dos inúmeros quebra-paus entre Al Jourgensen e Paul Barker. Ironia caótica: uma banda descontrutivista se desconstruindo.

Mas Jourgensen (re)assumiu a liderança, chutou Barker pra escanteio e, logo em seguida, se enfiou num estúdio de última geração - seu habitat (sobre)natural. A comparação com Psalm 69 é quase automática. Musicalmente, soa como uma continuação e, num capricho esquisito do destino, a sua temática também. Naquele álbum, as letras de Jourgensen destilavam um sarcasmo e ódio intrínsecos ao então presidente dos EUA, George Bush (vide o hit N.W.O). Dessa vez, a banda dedica o álbum inteiro à mais um notável daquela família. Houses... está lotado de samples com discursos de W. Bush, e letras que renderiam facilmente um processo de calúnia e difamação. No target também entram assuntos igualmente explosivos, como a intervenção norte-americana no Oriente Médio e os "efeitos colaterais" da aclamada globalização. E pra quem quer apenas curtir um som forte e agitado, Houses... é um prato cheio.

Na abertura, No "W" manda ver num tecno hardcore com um recorte muito bem sacado de Carmina Burana (que já foi utilizada N vezes por bandas heavy, mas nunca dessa forma). Logo após, Waiting nos traz de volta aquele industrial alucinado do fim da década de 80 (é o irmão mais novo da clássica Thieves). Worthless é uma paulada acachapante com vocal distorcido, bem próxima de Just One Fix (do Psalm 69). Wrong é thrash metal tradicional, só que movido a maquinária digital. Warp City é um rockabilly turbinado com guitarras de tremer o chão. WTV é um concerto desconexo de samples com a missão de explodir o Texas e todos os descendentes da família Bush. World é estranhamente fácil. Pesadona e com um refrão superbonder, ela lembra bastante a fase tecnopop da banda (lá pelos de idos de 84/85), só que com guitarras manhosas e esparsas. WKYJ é rock garageiro, torto e barulhento à Devo/Big Black (que o Jourgensen não saiba disso - ele e Steve Albini, líder do BB, se odeiam). Já Worm é um autêntico pós-punk oitentista, naquela pegada soturna e melancólica do PIL e da 1ª fase do Killing Joke - acrescido do fator "monstro canibal" do Ministry, claro.

O álbum ainda traz duas faixas escondidas: Track 23, um ótimo remix de No "W", com um solo nuclear de guitarra, e Track 69 (claro...), um ambient repleto de mensagens subliminares que eu nem me preocupei em desvendar, mas que me deu uma vontade enorme de quebrar um aparelho de televisão.

Ps.: Não por acaso, todas as faixas têm a inicial W, excetuando-se No "W" ("Não ao W"). Em outras palavras, anti-Bush total!

Slayer - Decade Of Aggression - Live
(Def American/1991)


Cena metálica, segunda metade dos anos oitenta. Com o fim da invasão thrash metal, muitos grupos do estilo foram parar no limbo, mas ainda haviam alguns de pé. O Metallica era algo grande demais, construído pelos fãs e para os fãs - pelo menos até o momento em que lançou o Black Album. Já o Slayer era a fera indomável, que nem propostas indecentes de grandes gravadoras conseguiram arrefecer. Sempre correndo ao largo do que é considerado "acessível", os thrashers da Bay Area arrebanharam uma legião de admiradores fanáticos e influenciou 100% do que foi feito no metal extremo dali por diante. Também não era pra menos. A banda era mitológica. Eles criaram uma mescla tão coesa de música, imagem e simbolismos, que era impossível dissociar uma coisa da outra.

Mas essa característica foi trabalhada com esmero, na forma de uma seqüência matadora de álbuns (todos pós-Live Undead, de 1985): Hell Awaits (1985), Reign In Blood (1986), South Of Heaven (1998) e Seasons In The Abyss (1990). Está tudo lá, começando pelas capas maravilhosamente mal desenhadas, o satanismo de história em quadrinhos, o clima de horror B, até as guitarras rasgantes da dupla Jeff Hanneman/Kerry King, o vocal e o baixo sorumbáticos de Tom Araya, e - meu amigo... - a batera DEVASTADORA de Dave Lombardo...

E enquanto o Metallica dava o golpe do século (BA), o Slayer celebrava uma missa no inferno: Decade Of Aggression é um dos álbuns ao vivo mais intensos já lançados. Clássico. A produção, a cargo do figurão Rick Rubin, deu a amplificação exata para a banda executar a trilha sonora do Apocalipse. A mixagem deixou as guitarras ultra-secas, com solos de furar qualquer twiter. A bateria, um show de engenharia, ficou claríssima, muito bem captada. Ao fundo, o baixo metálico de Araya ainda mais distorcido e os vocais sinistros, entre o gótico e o tétrico.

Sobre o set-list, eu nem me atrevo a escrever. Eu só sei que começa com Hell Awaits e segue adiante, arrancando cabeça, tronco e membros. War Ensemble, South Of Heaven, Raining Blood, Dead Skin Mask (que é em homenagem a Hannibal Lecter!), Seasons In The Abyss, Angel Of Death, Hallowed Point, Black Magic, Postmortem, Chemical Warfare, e muitas, muitas, muitas... é CD duplo, pô. Um dos raros que ainda valem a pena. Custo-benefício de primeira.

Clássico! clássico! cláááássico!!

Megadeth - The System Has Failed
(Sanctuary/2004)


Confesso que eu sempre tive uma certa má-vontade com o Megadeth. Não é nada contra a música (no mínimo, competente e ultra-profissional), nem contra qualquer contexto deles enquanto músicos. Talvez eu tenha acompanhado por tempo demais a história da banda e acabei me influenciando.

Tudo começou em algum ponto de 1982, quando o jovem drogadito Dave Mustaine foi colocado dentro de um ônibus com destino a San Francisco. Totalmente chapado. E quem o colocou lá? James Hetfield, Lars Ulrich e Kirk Hammet, do então recém-formado Metallica. Eles já não agüentavam mais as cheirações e confusões do diabo loiro, que na época era o guitarrista do grupo. Expulso, e com uma gigantesca marca de coturno no meio da bunda, o vingativo Dave montou o Megadeth, declaradamente como forma de retaliação aos ex-colegas de banda.

Na verdade uma one-man-band, o Megadeth nunca chegou de fato a alcançar o seu objetivo (Destruir Metallica!! Destruir Metallica!!), mas adquiriu moral e respeito com o público mais ortodoxo do heavy. Tudo isso, graças a uma discografia inicial pra lá de carniçeira - Killing Is My Business... And Business Is Good! (1984), Peace Sells... But Who's Buying? (1986) e So Far, So Good... So What!? (1988) - seguida de uma incontestável credibilidade como excelentes músicos, e de Dave, como um grande compositor e letrista - Rust In Peace (1990), Countdown To Extinction (1992) e Youthanasia (1994).

O Mega cresceu, lotou turnês, vendeu discos a rodo, ganhou muito dinheiro e acabou esquecendo (ou arquivando) a revanche contra o primo rico do thrash metal. Mas a história não acaba aí, e Dave ainda amargou uma péssima recepção dos álbuns seguintes. Cryptic Writings (1997, um bom disco) e, principalmente, Risk (1999, o Mega tentando tocar nas rádios, já viu né), venderam como bronzeador no deserto e foram marcados por barracos homéricos entre Mustaine, o guitarrista Marty Friedman e o baixista Dave Ellefson. Sem contar que o batera Nick Menza já tinha caído fora à essa altura.

Após uma ligeira reação, com The World Needs A Hero (2001), e um ao vivo, Rude Awakening (2002), o Mega foi à lona. Desgastado pelas mudanças de formação, Dave ainda enfrentou um drama pessoal: os nervos de seu braço sofreram uma estranha paralisia, o incapacitando de tocar guitarra. A banda oficialmente acabou e Dave sumiu do mapa. Parecia o fim.

Mas, assim como o futebol, o rock'n'roll também é uma caixinha de surpresas. Dave se recuperou (muita fisioterapia!) e anunciou o canto do cisne do Megadeth: The System Has Failed - um puta discaço de rock pesado. A sonoridade do Mega está além da qualificação meramente "heavy" ou "thrash". Dave engendrou uma sonzeira de respeito, com um trabalho cirúrgico nas bases e nos inspirados solos de guitarra (já escrevi que ele é um excelente músico?), e uma bateria marcante e cadenciada. Tudo bem, The System... remonta ao peso metálico oitentista, mas com concepção e equipamentos muito mais modernos e poderosos. Praticamente gravado com músicos contratados (Chris Poland, um ex-Megadeth, na guitarra, Jimmie Sloas no baixo e Vinnie Colaiuta na bateria), a nova formação facilitou a vida de Dave, totalmente liberto das amarras anteriores.

The System... é rock pesado profissional, sonzeira de macho, trilha sonora estradeira e o certificado da maturidade de um artista experiente. Ouça Kick The Chair, The Scorpion, Truth Be Told, Tears In A Vail e a destruidora Back In The Day no volume 11.

Mega-Ps.: A experiência adquirida e a boa impressão causada pelo álbum não impediu Mustaine de continuar falando merda. A capa do álbum traz o velho mascote Vic Rattlehead dando propina a Bill & Hillary Clinton, Yasser Arafat, Tony Blair, W. Bush, e mais alguns filhos da puta. Até aí tudo bem. Mas em entrevista para a Rock Brigade (ed. #219), ele fez a seguinte declaração:

"Veja Al Jourgensen, do Ministry, dizendo por aí: 'Foda-se o Bush'. Eu sempre fui fã do Ministry, mas todo mundo sabe que Al é um sujeito com graves problemas relacionados às drogas, então é difícil levar a sério o que ele diz. Eu vou votar no Bush (...) (John) Kerry é um grande erro, ele vai arruinar o nosso país (...)"

Em outras palavras, é melhor votar em Bush e deixar que o mundo se estrepe, do que pôr em risco o totalitarismo yankee. E outra: Al Jourgensen, drogado? Tudo bem, é verdade. Mas olha só quem está falando...


Anthrax - Music Of Mass Destruction: Live in Chicago
(Sanctuary/2004)


Arrasador serviço ao vivo da banda californiana com nome de arma biológica. O Anthrax sobreviveu aos anos 80, mas houveram momentos em que eles mergulharam tão fundo no anonimato, que só faziam show no CBGB's, em New York (berçário do punk e templo da cultura underground mundial). Como sempre há apenas um nome por trás desse tipo de façanha, lá vai: Scott Ian, guitarrista-base e o único membro original. A influência do cara não fica só nas guitarradas e, apesar de não ser o frontman, ele tem a mesma importância para o Anthrax que o Steve Harris tem para o Iron Maiden, por exemplo. Ou seja, é um patrão disfarçado de empregado.

Scott já viu e fez muita coisa nesses quase 25 anos de vida pública (parece texto político). Encarou tanto estádios lotados, no auge do boom do heavy oitentista, quanto apresentações matadas em pubs vazios. Fundou o cultuado e memorável S.O.D.. Enquanto todo o cenário metal só falava em demônios, sanguinolência e fim do mundo, ele gravou o hit (lá fora) Bring The Noise, ao lado do Public Enemy, num dos primeiros crossovers da História. Excursionou em algumas das turnês mais rentáveis de todos os tempos, ao lado do Metallica, Iron Maiden, AC/DC, Ozzy Osbourne, Kiss, e por aí vai. Sujeitinho rodado.

Ao contrário de seus contemporâneos, o Anthrax não vinha com aquela nuvem negra carregada de desolação e más notícias. Eles não usavam tachinhas, nem jaquetas de couro, nem jeans rasgados. Eles detonavam um speed metal rápido e contagiante, com refrães chicletes e letras relatando as maravilhas de ser antissocial. E usavam bermudas e camisetas coloridas. Quem vê uma foto antiga deles hoje, pensa até que é o Red Hot Chili Peppers. O Anthrax é uma banda divertida por excelência, com guitarras altas, bateria "bumbante" e músicas que são "um verdadeiro convite ao mosh" (já li isso em algum lugar).

Em Music Of Mass..., o Anthrax está afiadíssimo como sempre, e ainda com uma excelente line-up - incluindo aí o vocalista John Bush (que não tem nada a ver com...). Ainda encarado com certa reserva pelos fãs, Bush já tem mais de dez anos de casa e, embora não chegue a ser um Joe Belladonna (e muito menos um Neil Turbin... yeaahh!!), ele continua mandando muito bem. Longe de ser um novato, ele era vocalista do veterano Armored Saint, ou seja, já é uma puta velha. Completam o time, o baterista Charlie Benante (num trampo realmente cavalar, ele abusou dos pedais), o baixista Frankie Bello, Rob Caggiano na guitarra-solo e, claro, Scott nas bases.

Showzaço, pesado, rápido e com o público em cima. Pedradas atemporais como Got The Time, Caught In A Mosh, Antisocial, I Am The Law, Bring The Noise, Fueled, Metal Thrashing Mad, a hiper-mega-clássica Indians, e muitas outras, turbinam qualquer evento social e antisocial.

Isso sem falar na capa, ilustrada por um fã bem especial: Alex Ross. Obrigatório!

Leaves' Eyes - Lovelorn
(Sanctuary/2004)


Eu gosto da Amy Lee, do Evanescence. Aprecio sua desenvoltura como cantora lírica, seu insuspeito timing pop, e seus belos olhos também. Maaas - desculpa Amy - ela é uma mera aprendiz, e ainda tem muito, muito chão pela frente. Pelo menos, até conseguir passe livre pelo seleto clube de deusas góticas como Tarja Turunen (Nightwish), Cristina Scabbia (Lacuna Coil), Anneke Van Giersbergen (The Gathering), Floor Jansen (After Forever) e a sensacional Liv Kristine Espenæs, ex-Theatre of Tragedy, atual Leaves' Eyes.

Liv é uma das pessoas mais experientes do canto lírico/erudito dentro do rock. Com um passado memorável à frente do Theatre, essa norueguesa também mantém sua carreira solo. Em Deus Ex Machina, de 1999, ela estava mais chegada à new age, embora ainda com os inevitáveis resquícios rock (vide 3AM, um dueto soberbo com Nick Holmes, do Paradise Lost). O relativo sucesso do álbum deixou os rapazes do Theatre nos cascos. Eles passaram a vetar qualquer trabalho solo dos integrantes, numa crise braba de ciúmes. Ela, claro, deu no pé. Passada a confusão com o grupo (os caras não queriam nem deixá-la sair!), Liv finalmente retorna com banda nova, para alegria dos fãs - e eu incluso!

Lovelorn, o debut do Leaves' Eyes, é talvez o lançamento mais acessível da carreira de Liv. Base bem simples, próxima do hard rock, ondas de teclados e orquestrações discretas, melodias agradabilíssimas e aqueles vocais. Liv está ainda mais doce, suave, sensual e etérea... mas como canta essa mulher! As músicas são de uma simplicidade franciscana, e acertam em cheio.

Norwegian Lovesong, a faixa de abertura, tem uma melodia altamente assobiável, demora apenas alguns segundos para colar permanentemente no cérebro. Aliás, eu já vou logo avisando: essa música, mais Tale Of The Sea Maid, The Dream, Secret e a belíssima For Amelie colam imediatamente - e nunca, nunca mais se soltam. Se você não gosta de música tatoo, não passe nem na frente da loja. Melhor ainda, feche o browser do Black Zombie até a próxima atualização. Ocean's Way e Temptation são os momentos mais pesados, mas nada que lembre um Syns of Thy Beloved da vida. Já a faixa-título é bastante introspectiva e sombria, enquanto Into Your Light e, principalmente, Return To Life têm um alto potencial radiofônico - isso se rádio fosse lugar pra se ouvir boas músicas...

Leaves' Eyes é a trilha perfeita pra relaxar, transar (com quem mereça tal honraria) ou simplesmente curtir uma música de qualidade. Espero ansiosamente pelo próximo full lenght.

E como um apaixonado pela Liv, uma foto em homenagem...



dogg... ouvindo tudo isso aê.

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

ÁGUIAS, MORCEGOS, GOTHIC ROCK E SELEÇÃO NATURAL


Primeiro superboato forte desde a rescisão de McG: Brandon Routh, é o atual novo Clark. Gostei não. Mas essa é apenas a velha primeira impressão, aquela mesma que me enganou tantas vezes.

Jovem demais, falta maturidade, presença física, aura benevolente, semblante heróico e corajoso, olhar que transmita confiança e amizade. Em outras palavras, alguém que seja ao menos a metade do que Christopher Reeve foi. Michael O'Hearn, o Clark de World's Finest, do Sandy Collora, seria um sujeito muito mais próximo da concepção ideal. E olha que o único "defeito" dele é moleza de corrigir: só tinha de perder um pouco de massa muscular.

Por outro lado, eu sempre fui a favor de convocações de ilustres desconhecidos para papéis de personagens emblemáticos da cultura pop (sejam de HQs ou não). Isso funciona que é uma beleza, desde Hugh Jackman e Bruce Thomas (dos comerciais da OnStar e do piloto do seriado Birds of Prey - o melhor Batman que já vi), até Clark Barthram (dos curtas de Sandy Collora - o 2º melhor) e Ray Park (Darth Maul, Groxo e futuro Punho de Ferro).

E só o fato do Bryan Singer - supostamente - ter dado o sinal verde pro rapaz, já denota uma certa credibilidade. Ele pirou quando viu o teste de vídeo de "um certo candidato", o que reforça a boataria. Bem, se for verdade mesmo, ou o garoto vai ficar excelente, ou veremos a primeira grande roubada do ex-x-diretor.

Falando em Singer e em testes de vídeo... X-Men 3. Os chefões da Fox limitaram a escolha do novo x-diretor à apenas 3 nomes, sendo que dois desses já trabalharam na casa. Logo em seguida, em entrevista para o site IESB, o produtor Avi Arad confirmou que Joss Whedon é mesmo um forte indicado para o cargo.


Agora, o porquê dessa foto aí cima? Este é Glenn Danzig, vocalista da banda Danzig, e um dos maiores ícones underground do rock americano. Com um passado memorável à frente dos cultuados Misfits e Samhain, Danzig sempre foi associado à uma certa atmosfera dark cinematográfica. De fato, ele já andou enveredando por algumas produções.

Lá pelos idos de 93/94, quando surgiram os primeiros boatos sobre um live-action dos mutantes, a ser dirigido por James Cameron (o tempo é um troço que eu vou te contar...), ele foi o primeiro a ser cotado para o papel de Wolverine, antes mesmo de Dougray Scott. Como o filme demorou horrores, ele partiu pra outra e acabou fazendo uma pequena - mas impressionante - participação em Anjos Rebeldes 2 (God's Army 2 ou Prophecy II/1998), no papel do anjo Samuel.

Ficou ótimo, pode conferir.


Em entrevista à Rock Brigade (na última edição, #219), Danzig revelou que, na época do 1º X-Men, ele esteve em algumas reuniões com a produção e conversou bastante com Bryan Singer. Infelizmente, a grade de filmagem cancelaria toda a tour de Satan's Child, seu álbum recém-lançado na ocasião. Uma pena, ele seria um Logan bem menos "bonzinho" que Hugh Jackman.


Mas a adiada incursão do cara pela 7ª arte ainda não caiu totalmente por terra. Seguindo o exemplo do maluco Rob Zombie (A Casa dos 1000 Cadáveres/2003), ele vai produzir e dirigir um filme - de terror, é claro. Ge Rouge contará a história de um ataque de zumbis em Nova Orleans, no início do século 20. Promissor...

A propósito, navegando pelo site do cara... que belo material de divulgação!


Clique nas imagens pra ver bem, bem de perto...


Ps.: essa semana será promíscua no que diz respeito à freqüência de posts... E na faixa, The System Has Failed, novo do Dave Mustain... digo, Megadeth, em fase de pré-julgamento. :P