terça-feira, 1 de março de 2005

VAI CHOVER!


Eu sabia que um dia iria comentar sobre eles: o remake de O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, 2003... 2003... 2003!!!) e a reestréia nas tel(inh)as de O Justiceiro (The Punisher, 2004). Dizer que "esperei muito" por essas duas produções seria de uma modéstia franciscana. O que aconteceu aqui foi o cúmulo da trapalhada na distribuição setorizada de filmes. Tudo o que podia dar errado, deu, e tudo o que não podia acontecer, aconteceu. Chegou num tal ponto, que, no caso de Massacre, a coisa descambou para uma tragicomédia com um lado cruel predominante. O filme fez até aniversário em terra brazilis, com sua estréia sendo adiada seguidamente (e sadicamente), para desespero dos fãs (ok, meu desespero). Já o pobre Frank Castle nem sentiu o gostinho das telonas, sendo encaçapado direto para as locadoras.

Não fiquei revoltado por causa desses filmes em particular (ou pela estréia defasadíssima dos dois volumes de Kill Bill), mas devido a uma tendência de atrasos que está se tornando cada vez mais constante por aqui - principalmente em produções com uma temática mais seguimentada e menos mainstream. Seria exagero dizer que estamos voltando ao Brasil sisudo do final dos anos 70/início dos 80, quando um filme/LP/livro/o-que-for demorava 2 ou 3 anos pra chegar aqui. É exagero mesmo, mas só o fato desses episódios terem me lembrado dessa época...


O Massacre da Serra Elétrica original foi um marco underground dos filmes de horror. Dirigido por Tobe Hooper, essa produção de 1974 acertou em cheio ao transformar aparentes deficiências técnicas em exercícios alternativos de estilo. Filmado em 8mm, ele causava a impressão típica de um snuff movie, criando uma atmosfera de pesadelo realístico tão impressionante quanto doentia. Quem assistiu o Massacre original, jamais irá esquecê-lo, mesmo que não tenha apreciado/suportado a bad trip.

A história, escrita por Hooper e Kim Henkel, foi baseada nos crimes do assassino em série, canibal e necrófilo (urgh) Ed Gein, que, junto com Ted Bundy e John W. Gacy, foi o 'muso inspirador' de 80% dos filmes de horror das últimas três décadas. Isso sem contar o maior mérito do filme (na minha opinião): a maravilhosa quebra de narrativa do meio pro final. A nervosa calmaria da primeira metade é atropelada sem cerimônia pelo massacre da segunda. É um filme praticamente dividido em dois. Obrigatório é pouco.

Michael Bay, quem diria, foi a via para realização do remake. Isso ainda não o redime daquele Pearl Harbor xaropão e de suas produções bróqui-bâster com o Jerry Bruckheimer, mas ao menos dessa vez ele segurou a serra elétrica do lado certo. Quem viu o arrepiante trailer, pode ficar tranqüilo - o filme, dirigido pelo clipeiro Marcus Nispel, corresponde a expectativa.

Na verdade, a nova versão é bem mais do que uma refilmagem. É uma releitura mesmo. Vários elementos novos pipocam aqui e ali, e são suficientes para criar uma nova mitologia, sem se apoiar excessivamente na original. E isso é ótimo! Além de driblar o óbvio (numa tentativa frustrada de reeditar o mesmo impacto do 1º filme), essa nova versão confere um novo fôlego a uma estrutura que já foi imitada ad nauseum desde seu lançamento. Méritos para Scott Kosar, que trabalhou o novo argumento em cima do clássico roteiro de Hooper/Henkel.


No filme original, após uma introdução sinistra que narra o ocorrido ao melhor estilo Caso Verdade, a história acompanha cinco jovens (dois casais e um carinha numa cadeira de rodas) viajando numa van. Em certo momento, o grupo dá carona a um sujeito, no mínimo, bizarro. Logo acabam parando numa teia de aranha disfarçada de posto de gasolina e daí pra se aventurarem pela vizinhança da família Sawyer é um pulo.

Na nova versão, há algumas mudanças, sendo todas relevantes. O novo grupo de jovens é formado por Erin (Jessica Biel), Morgan (Jonatan Tucker), Pepper (Erica Leerhsen), Andy (Mike Vogel) e Kemper (Eric Balfour), que estão vindo do México numa van cheia de marijüana malocada. Já o "caroneiro" da vez é uma mulher bastante desorientada que está vagando sem rumo no meio da estrada. Não demora muito e "nossos heróis" param no velho posto de gasolina atrás de ajuda. Daí pra frente é só descida. Eles fazem uma tour pelo assustador casarão-açougue e a quantidade de esguichos de sangue vai aumentando até culminar na mais que esperada primeira aparição de Leatherface, aqui encarnado pelo gigantesco Andrew Bryniarski (o Zangief, do buscapé Street Fighter: A Batalha Final, e o Lobo, do ótimo curta Lobo Paramilitary Christmas Special).

Com certeza, Bryniarski é o melhor serralheiro da série, depois do honorável carniceiro Gunnar Hansen, do clássico original. Entre Hansen e ele, vestiram a camisa 10 do Leatherface: Bill Johnson (The Texas Chainsaw Massacre 2), R.A. Mihailoff (The Texas Chainsaw Massacre 3) e Robert Jacks (The Texas Chainsaw Massacre: The Next Generation [blergh!]).



Os Sawyer agora são os Hewitt (um nome tão dechavado quanto "Voorhees"). Originalmente, o velho Leather chamava-se Bubba Sawyer e aqui ele foi rebatizado como Thomas Hewitt ("um bom garoto, mas com uma terrível doença de pele"). Fora ele, a formação da família recebeu um providencial upgrade. O excelente R. Lee Ermey passou a ser o "social" do bando. Quem conhece esse sensacional ator-por-acidente já sabe o que esperar de seu personagem (um xerife!). Outra adição foi o guri-monstrinho de bom coração Jedidiah (David Dorfman) e o velho escroque Monty (Terrence Evans, um maldito sortudo... assista pra saber por quê).

No "núcleo carinhoso" do filme, três senhoras esquisitas marcam presença - uma delas, a Henrietta, me impressionou pela ótima interpretação da atriz Heather Kafka... as feições de seu rosto mudam de "adorável" para "psicopata raivosa" com uma facilidade incrível. Aliás, a seqüência dentro do trailer funciona como uma pausa no pique-pega infernal, mas, ao mesmo tempo, é responsável pelo momento mais tenso e inquietante do filme - substituindo, naquela hora, o horror físico por um horror bem mais psicológico (devidas as proporções).

À princípio, o filme sugere um direcionamento de suspense teen, mas graças a São Jason, esta primeira impressão logo é arremessada na vala à base de serradas e desmembramentos. A fotografia (do mesmo Daniel Pearl do filme original), embora não traga aquela crueza visual de outrora, é de uma sujeira cavernosa, beirando a decadência dark. E repare na "participação especial" do ícone gordinho da cultura pop Harry Knowles, do site Ain't It Cool News. É dele a cabeça que está numa bandeja no casarão dos Hewitt. Isso que é fazer uma ponta.

O filme soa como um banho de sangue refrescante para qualquer fã de terror. Ele funciona. É catarse em celulóide. Perverso, desumano e cruel. Leatherface sofreu em continuações pífias onde foi reduzido a um mero brutamontes bobão ("muito trabalho e pouca diversão"). Mas aqui, ele voltou a ser aquele vagalhão demoníaco de mutilações e violência primal, atravessando portas como se fosse um trator descendo a ladeira.

A nova versão de O Massacre da Serra Elétrica entra tranqüilo na lista dos grandes remakes "que-são-muito-mais-do-que-isso", como A Noite dos Mortos-Vivos, de Tom Savini, e Madrugada dos Mortos, de Zack Snyder. Elogio maior, impossível.

E outra coisa: Jessica Biel correndo por aí com uma camiseta molhada e amarrada acima do umbigo... Nossa, esse filme é muito mais do que eu pedi a Deus.


Apesar do tsunami de adaptações de quadrinhos para o cinema, o Justiceiro, um dos personagens mais populares da última década, não teve moleza. Com uma campanha de marketing levada nas coxas, um trailer meia-boca à Temperatura Máxima e uma carreira internacional irregular, o filme obviamente foi um fracasso de bilheteria. Mesmo assim, está conseguindo uma sobrevida com as ótimas vendagens do DVD - fator que está se tornando cada vez mais decisivo nas previsões orçamentárias dos estúdios (vide os rumores sobre Hulk 2). Outro desafio era levar às telonas um personagem cujo universo e motivações já foram exploradas zilhões de vezes desde o primeiro Desejo de Matar, de 1974 (também o ano da criação do Frank Castle). A comparação com produções mais recentes, como O Vingador, com Vin Diesel, só servem para minar ainda mais a credibilidade do filme. Com um cenário nada amigável, o longa do Justiceiro se tornou persona non grata na originalidade temática do cinema atual. E não foi por falta de chances, pois o personagem perdeu a sua em 1989, num filme fraquinho pra chuchu com o Dolph Lundgren.

O que acaba restando como diferencial é a índole de anti-herói nato do Justiceiro. Mas essa só é reconhecida por fanboys, o que descarta uma maioria que não sabe nem o que significa "HQ". Portanto, de fanboy pra fanboy... O Justiceiro traz várias discrepâncias em relação aos quadrinhos, mas todas sem modificar o seu já conhecido perfil psicológico - muito pelo contrário, algumas até sendo mais coerentes com a mentalidade extrema de quem anda por aí atirando sem remorso.

Sai o Lundgren (com aquela cara de tuberculoso terminal) e entra o parrudo Thomas Jane, que é ator de verdade e absurdamente como eu sempre imaginei que o Castle seria em live-action (se bem que às vezes ele manda um olhar que é igualzinho ao do Christopher Lambert). Foi uma ótima escolha. Jane está para o Castle como o Jackman esteve pro Wolverine e como o Hasselhoff esteve pro Nick Fury... brincadeira.

Em sua estréia na direção, Jonathan Hensleigh (que também escreveu o roteiro) fica bem no meio-termo da fidelidade às HQs. A origem do Justiceiro sai do Central Park para uma idílica casa de praia em Miami, e ao invés de ter "apenas" esposa e filhos assassinados por criminosos, ele tem a família inteira chacinada (pais, tios, avós, papagaios, etc). Cabe aí o mérito para a interpretação de Jane, pois o seu sarcasmo e bom-humor iniciais se transformam num silêncio introspectivo e mortificante após o massacre. O culpado pelo genocídio é Howard Saint (John Travolta), um chefão do crime cujo filho morreu durante uma operação liderada por Castle contra o tráfico de armas. Completam a 'legião do mal' a voluptuosa esposa de Saint, Livia (Laura Harring), e seu capanga number one, Quentin Glass (Will Patton). Castle também arrebanha alguns simpatizantes: a triste e amargurada Joan (a maravilhosa Rebecca Romijn-Stamos) e uma dupla de outsiders/coadjuvantes cômicos.

Como visto, a história não traz nenhuma novidade, então o que sobra é a maneira como ela é conduzida. Vamos tomar como parâmetro o Castle malvadão de Garth Ennis (aquele que todo fanboy considera um legítimo Castle safra 74). Ele jamais se associaria a três pessoas extremamente comuns e que não teriam nenhuma serventia prática para ele (como o Microchip nas HQs, p.ex.). Mas como alívio narrativo para o espectador médio eles funcionam. E em nenhum momento Castle se deixa contagiar pela normalidade destes, o que rende algumas cenas até engraçadas de fato (como a do jantar). Nas seqüências de ação, fica evidente que o modus-operandi de Castle não é o de um sujeito normal. Ele mata com gosto, cheio de preciosismo. Numa das cenas, ele esfaqueia um inimigo abaixo do queixo, deixando à vista a lâmina atravessada dentro da boca.


E é aí que algumas seqüências realmente fazem O Justiceiro acontecer. A luta entre ele e o monstruoso Russo (Kevin Nash) poderia ser aquele churrasquinho de gato igual ao filme do Demolidor, mas acaba revelando uma insuspeita inventividade à base de narizes quebrados e nacos de carne arrancados, sendo, ao mesmo tempo, espirituosa e carregada de humor negro. Só essa briga, apesar de curtinha, já vale o aluguel.

Por outro lado, certos joguetes não soam nada naturais, como a intriguinha que Castle cria colocando Saint contra Glass. Apesar de curiosa, não tem nada a ver com o Justiceiro. John Travolta, por sua vez, leva tudo no controle remoto. Seu personagem é por demais contido em relação aos sucessivos ataques de Castle. Se tivesse a mesma presença maligna do vilão que ele interpretou na metade de A Outra Face, seria diferente. Ainda não foi dessa vez que o Justiceiro ganhou um antagonista à altura. Também não levou a nada a cena em que o mariachi assassino faz um número para Castle dentro de um bar, numa citação mais do que deslocada da trilogia de Robert Rodriguez. Outro furo - dessa vez colossal - foi o desaparecimento da polícia da metade pro final, mesmo após Castle ter deixado claro para dois oficiais que iria fazer justiça com as próprias flechas.

Entre mortos e feridos, O Justiceiro acaba conseguindo ser, por breves momentos, o filme que o personagem merecia. Do jeito que está, ele não é o diabo que pintaram por aí, mas também não é o filme com o qual Garth Ennis se emocionaria.

Pelo menos Castle não é grego. Nem ninja.


dogg, surdo e rouco... e na trilha, I Love The World, do sumido New Model Army - a primeira coisa que escuto desde o acachapante show do Anthrax...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

A PRIMEIRA IMPRESSÃO É A QUE FICA, POR ISSO SANDY COLLORA SÓ FAZ TRAILERS


Antigamente aí nesse espaço à esquerda tinha uma micro-seção chamada "bombas se aproximando". O objetivo básico era apontar as próximas besteiras de Hollywood, através de uma primeira impressão baseada em sinopses do roteiro, trailers, fotos ou qualquer outro tipo de preview da produção. Acertei umas (Thunderbirds) e outras (Casseta & Planeta - A Taça É Nossa), sem contar as óbvias (Mulher-Gato), mas desisti após deixar passar incólume uma bomba nuclear de 1000 teratons (Van Helsing, que, inocentemente, fui ao cinema assistir). E certas produções me deixavam realmente na dúvida, como esse O Guia do Mochileiro das Galáxias, adaptação do livro homônimo de Douglas Adams. Eu achava que a transposição do livro para o filme faria a história perder todo o charme original. Bom, ainda não dá pra saber, mas pelo instigante trailer divulgado parece que o pessoal envolvido está fazendo o melhor possível. Os efeitos especiais estão de primeira e Martin Freedman está ótimo como Arthur Dent, um cara absurdamente normal numa situação surreal (e andando com o mesmo roupão durante toda a história). Tudo bem, tem algumas cenas que lembram muito ID-4 (as gigantescas naves pairando sobre as cidades) e um humor negro e uns aliens bem à MIB (até a trilha sonora do trailer é a mesma).

Enfim, o livro é ótimo, o trailer é bacana e o filme pode ser ótimo também. Ou não.

Trailer:
480x360 (26,4 Mb)
320x240 (11,7 Mb)


Esse aqui me interessa muito. Impressionante o trailer de A Scanner Darkly! Dirigido por Richard Linklater, o filme é baseado num livro (de novo!) do guru cyberpunk Philip K. Dick - o homem de Blade Runner, mas você já sabe disso. Devido a enorme influência do autor nas últimas décadas, a história já não soa tão inovadora para a atual percepção pop: no futuro, vemos um policial combatendo o tráfico de drogas. O problema é que ele tem dupla personalidade e a sua "outra face" é a de um dependente químico. Meio Estranhos Prazeres (Strange Days, com Ralph Fiennes), mas beleza. Além do elenco interessante (Keanu Reeves, Woody Harrelson, Winona Ryder, Robert Downey Jr. e Rory Cochrane), o filme traz a mesma técnica de animação empregada por Linklater em Walking Life.

Devo dizer que o trailer me animou bastante, e que se dane o trocadilho. A última vez que fiquei tão empolgado com os efeitos de um filme foi no injustiçado Amor Além da Vida (When Dreams May Come, 1998). Logo abaixo, Winona Ryder, Woody Harrelson, Robert Downey Jr. e Keanu Reeves, devidamente 'animatizados'.








Trailer:
320x240 (5 Mb)
480x360 (10,7 Mb)

Em tempo... alguém aí lembra do genial clip Brazil Banana Samba, da banda brazuca Yo-Ho-Delic?


EU ERA UMA PESSOA REALMENTE INTOLERANTE



Clique nas figuras para ampliá-las. Senão você não conseguirá ler o que está escrito nos balões.

Esse é o Frank Castle em seus primeiros dias (mais precisamente em Homem-Aranha #54 - dez/1987). Ele conseguia ser ainda mais paranóico e psicopático do que o personagem que conhecemos hoje. Castle era um foot in the eggs. O cara punia cuspida em via pública com uma rajada de Uzi. Dava tiro à revelia. Hoje ele pelo menos esquematiza alguma coisa, corre atrás dos verdadeiros chefões, ajuda alguns super-heróis e até poupa alguns meliantes. Acho que esse "amaciamento" se deve ao tratamento recebido por ele através de anos de bom trabalho roteirístico. Imagina se o Justiceiro continuasse um personagem obscuro dos anos 70, e sendo resgatado por um asshole do porte de Rob Liefeld? Só ia dar tiro e tripas voando. Seria um retorno às HQs sem balões.

Lembrei desse Castle-Lampião quando li o excelente artigo do Alcofa no MdM. Recomendo, muito foda. Ou melhor... megafodônico®.


Postaram esse post: dogg, algumas várias latinhas de Skol e o hino I Am The Law, do Anthrax (show no domingo!)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

SPIN THE BOTTLE - AN ALL-STAR TRIBUTE TO KISS
(Koch Records/2004)


Um dos discos mais divertidos do ano passado. E como a maioria dos discos "apenas divertidos", passou despercebido em grande parte das listas de melhores. Mas a vocação de Spin The Bottle - An All-Star Tribute To Kiss não é pra tanto, visto que foi um projeto quase que independente de Bob Kulick, que produziu o disco. Da mesma forma que fez nos tributos ao Def Leppard, AC/DC e Van Halen, entre outros (o cara é um tributeiro de mão cheia), ele reuniu vários profissionais do hard em formações esporádicas para executar alguns clássicos do Kiss. Daí saem times que variam de improváveis a brilhantes. Pra quem conhece, é uma festa.

Ninguém menos que Dee Snider já chega arregaçando a goela no hino Detroit Rock City, que conta também com Doug Aldrich num belíssimo trampo de guitarra, Mark Mendonza no baixo e John Tempesta na bateria.

Love Gun recebeu um instrumental afiadíssimo: Tim Bogart, Jay Schellen e até Steve Lukather, do Toto (!!). Pena que o vocal não saiu pra briga (ao contrário do original com o Paul Stanley)... mas Tommy Shaw nunca foi lá essas coisas mesmo.

Cold Gin é grande, espaçosa e sacana. Música pra implodir estádio. Característica muito bem mantida pela dupla de guitarristas Ryan Roxy/Robben Ford e os vocais "yeah" de Mark Slaughter.

King Of The Night Time World é do tipo "todo-mundo-agora-segura-no-refrão" e o espírito continua lá. Rich Ward mandou bem nas guitarras, Chris Jericho se esgoelou numa boa e conseguiram resgatar até o baixista Mike Inez (ex-Ozzy, ex-Alice in Chains, ex-Heart... enfim, ex-tudo).

A próxima, I Want You. Um hard soulzístico que influenciou de Lenny Kravitz a Ben Harper. Meu... mas que guitarra digitada é essa do Paul Gilbert (Mr. Big)? O cara é sinistrão!

A porrada seguinte já era porrada desde 1976: God Of Thunder. E o time escolhido é pesadão mesmo, com a batera cavalar de Carmine Appice, a guitarra canibal de Bruce Kulick (esse é um entra-e-sai do Kiss que eu nunca vi igual) e um vocal meio death de Buzz Osbourne (do Melvins). Mas a versão do White Zombie era melhor.

A agitadona Calling Dr. Love conta com os vocais de Page Hamilton (do Helmet... é o mesmo que Max Cavalera cantando no Barão Vermelho). Esse é com certeza um dos times improváveis que eu citei. Mas ficou ótima!

A seguinte é festa pura - Should It Out Loud com ninguém menos que mr. Lemmy Kilmister nos vocais ultra-hiper-mega-fodônicos®. FODA-FODA-FODA! Lemmy rulz, e como sempre, ele pega uma música alheia (do Kiss!!! Saca a magnitude da coisa?!) e a transforma em mais uma do Motörhead. E ele está muuuuuito bem acompanhado (em todos os sentidos): Samantha Malone (ex-Hole) na bateria e Jennifer Batten (ex-Michael Jackson!!) na guitarra.

Parasite ficou "assim, assim". Bem mais ou menos. A música é ótima por natureza, mas apesar do instrumental pancadão do próprio Bob Kulick (guitarra) e de Vinnie Colaiuta (bateria), o vocal de Doug Pinnick (do King's X) não segurou as ondas. Existe uma versão dessa música feita pelo Anthrax, no disco Live, ainda com o Joey Belladonna nos vocais. Essa sim ficou arrasadora.

Strutter é o "segredo menos bem guardado do mundo". Praticamente uma punk song. Portanto, Phil Lewis (LA Guns, vocais), Gilby Clarke (Ex-GN'R, guitarra) e Jeff Pilson (ex-Dokken, baixo), a levam profissionalmente sem errar ou arriscar. Ficou ótima, mas sem aquele "fogo". Prefiro a versão da banda feminina The Donnas, bem mais simpática.

I Stole Your Love... estou ouvindo agora. Instrumental matador! Deixa eu ver... CC De Ville (do Poison... ressuscitaram o cara!) e Ashley Dunbar. Entra um vocal matadinho, sem força nenhuma... putz, é Robin McCauley, que conseguiu chutar pra fora depois de uma belíssima jogada ensaiada. Nota 11 para o instrumental. Os vocais eu vou apagar no Pro Tools.

Por último, destaque total e absoluto para a doce señorita que embeleza a capa. ;D


MONSTER MAGNET - MONOLITHIC BABY!
(SPV/2004)


Dave Wyndorf, frontman e líder do "Monstro Magnético", começou a correr do rótulo stoner rock assim que o estilo começou a fazer sucesso com os hits do Queens Of The Stone Age. O sucesso ( +$ ) às vezes atrapalha - principalmente quando termina ( -$$$$$$ ) - e como lá nos EUA há uma moda diferente pra cada dia da semana, fica bem compreensível a atitude do cara. Mas tanto por merecimento quanto por bom senso, o Monster Magnet já deveria ter estourado há muito tempo por lá. O som deles evoluiu daquele peso lisérgico/sabbático dos primórdios (vide o disco Spine Of God, de 1991) para um bem-resolvido mix de elementos tradicionais e caros ao povão norte-americano. A sonoridade atual do MM é um furacão acid rock movido à country, blue-grass, folk (!) e efeitos com bastante feedback, e dotado de um inequívoco tino pop com melodia, refrão marcante e final apoteótico. MM não é MM's, mas é tão americano quanto.

Monolithic Baby! traz todas essas informações já incorporadas a banda e conta novamente com uma excelente produção. Abrindo o álbum, Slut Machine manda ver numa rifferama de guitarras saturadas com a tensão lá no topo, só pra esquentar os alto-falantes. Essa música me lembra muito um MC5 atualizado. Pra falar a verdade... todos os discos do Monster Magnet me lembram um MC5 atualizado. Na seqüência, Supercruel traz uma levada de guitarra simples, barulhenta e efetiva, que Jack White daria a alma pra poder criar algo igual. Unbroken (Hotel Baby) tem um fôlego mais pop, mas sem perder a fomeagem guitarreira-viajante da banda. Poderia rolar na rádio numa boa (se a rádio for boa, claro!). Radiation Day é um amasso de stoner e punk, com mudanças de tempo e um refrão gritadão que eu não canso de cantar no chuveiro. The Right Stuff segue a mesma trilha sujona com várias camadas de guitarras e aquele ritmo train from hell que deve ser algo maravilhoso de se ouvir ao vivo. Já Ultimate Everything ressuscita o monstro stoner que ainda vive no MM. Peso doom com guitarras lascivas e vocais curtidos a gim puro e sem gelo. É o Monster fazendo o que fazia no começo, só que ainda melhor. E uma dica... não ouça There's No Way Out From Here "de cara" (sóbrio, capice?). Essa maravilhosa cover de David Gilmour (Pink Floyd, man) fica ainda mais viajante acompanhada de um bom vinho, um bom whisky ou, melhor ainda, de uma boa mulher. É pra sair de órbita mesmo.


KISS - DESTROYER
(Mercury/1976)


Para o gosto médio, o Kiss sempre foi uma banda estilo "ame-ou-odeie". Houve uma época em que gostar deles era considerado tão brega quanto gostar de ABBA, discotéque ou Cat Stevens. Mas, sejamos justos, isso nunca teve razão de ser. Méritos para o Kiss não faltam. Eles (re)descobriram a fórmula do hit fácil, em rockões repletos de riffs cortantes de guitarra, refrães ultra-grudentos e letras falando de garotas, festas, rock'n'roll, garotas, carrões, garotas, sua amada Detroit e garotas (já mencionei garotas?). Nada daquele pseudo-satanismo que lhes imputaram no início da carreira (Kids In Satan's Service... bah!). O Kiss estabeleceu padrões definitivos para todo o rock posterior e foi - ao lado do Nazareth e do Aerosmith - o pai e a mãe do hard rock oitentista, com apenas a parte boa que esse título confere.

A simplicidade quase minimalista das músicas davam vazão para influências até em outras subdivisões do rock. God Of Thunder, de 1976 (ano pré-explosão do punk), pode até não ser o melhor do Kiss, mas com certeza é um dos discos mais Kiss que o Kiss já gravou. Logo na 1ª faixa, um clássico definitivo do rock e música obrigatória para aquela seleção estradeira: Detroit Rock City é uma daquelas canções tão cativantes quanto simples, ou cativantes justamente porque são simples (ou algo parecido). Agora, muito cuidado ao ouvir as animadinhas King Of The Time Night World, Flaming Youth, Shout It Out Loud e, principalmente, Do You Love Me?. O grau de chicletismo dessas músicas chega a ser assustador (Do you Love Me? foi até "adotada" pelo Nirvana, em seus últimos shows). Já a paulada God Of Thunder tem samples de uns moleques gritando e um peso tribal, deixando vir à tona toda a carga heavy que a banda sempre ameaçou (essa música já foi até regravada pelo White Zombie). Mas o Kiss também sabia fazer carinho: a esperançosa Great Expectations é emocionante e Beth é perfeita pra... hã, aprofundar relações interpessoais com o seu interesse amoroso... enfim, música pra trepar mesmo.

Quando eu afirmo que o Kiss foi uma banda influente pra caramba não é à toa. O tão utilizado formato rock de shows foi popularizado por eles. Todos os artistas de hard, glam e pop devem as calças ao grupo. Portanto, largue o preconceito. O Kiss é uma banda legal pra cacete. Ah, as máscaras...? Elas faziam parte da zoeira. Ninguém nunca pegou no pé dos Secos & Molhados por causa disso.


Em tempo... a minha preferida era a do Gene Simmons (o 2º da esq. pra dir.)... :P


NEUROTIC OUTSIDERS
(Warner/1996)


Banda-projeto que passou praticamente batida nos anos 90. O Neurotic Outsiders fez história ao enfileirar os rockstars Duff McKagan (baixista do Guns N'Roses), Steve Jones (eterno guitarrista do Sex Pistols), John Taylor (guitarrista do Duran Duran) e Matt Sorum (baterista do The Cult e do GN'R) numa mesma banda. Com uma produção levada por Jerry Harrison (do Talking Heads!), eles revisitavam o glam e o free rock setentista (praticado por Humble Pie, Small Faces, Free, entre outros) de forma competente e energética. O fato é que o primeiro e único álbum da banda não fez feio, como a maior parte da crítica pintou na época. Aliás, provavelmente esses críticos devem ser da mesma linhagem maldita que até pouco tempo atrás babou pelo The Darkness e pelo Velvet Revolver, que têm exatamente a mesma proposta de sonoridade. E essa última ainda tem uma similaridade gritante com o NO, que é a sua formação bem peculiar (no caso, com integrantes do Stone Temple Pilots e, novamente, do GN'R). Mas definitivamente, NO não bombou na época. E por que será? Tranqüilo e infalível como Bruce Lee eu vos digo: grunge, baby.

O disco é um primor de rock'n'roll festeiro. Se no Brasil o samba fosse rock (quem dera) ele iria tocar até em trio elétrico. Lembra do álbum de covers do GN'R, "The Spaghetti Incident?" (o melhor disco do GN'R segundo os detratores do GN'R?). NO faz uma versão extendida desse disco. Estruturas de rock old school com uma roupagem mais agressiva, gravada com equipamentos modernos e poderosos. Faixa-a-faixa de leve:

Nasty Ho - Abertura curta e grossa! Riff e velocidade punks (ho!) com Matt Sorum literalmente espancando as peles da batera. Vocal pingando ironia e guitarra-base em ritmo de serra-elétrica. Nastyyyy Ho!

Always Wrong - Tom sisudo com ritmo cadenciado e socadão (tipo pá-pá-pá-pá nem devagar nem rápido). As guitarras marcam o passo de forma quase percussiva. Deve ter sido foda ao vivo.

Angelina - Ótima canção rocker. Como é que isso não tocou sem parar nas rádios? Ritmo alto astral, pesada e falando sobre uma garota. Hit total (pelo menos pra mim!).

Good News - Essa é punk!! O riff é melódico na medida certa. Depois larga a mão no instrumental rapidão. Me lembrou muito a ótima banda Down By Law!

Better Way - Ecos hippie rock. Lembra de Breaking The Girl, a canção zeppeliniana do Red Hot Chili Peppers? Então, Better Way é a canção zeppeliniana do Neurotic Outsiders. Ah, e belíssima.

Feelings Are Good - Esse título deveria ter sido endereçado à crítica da época... a guitarrona é bem encorpada e dita o ritmo da música inteira, com o resto do instrumental correndo atrás (aliás, todas as músicas do NO são assim, mas essa é mais que as outras). Pra aumentar o volume no refrão - ótimo.

Revolution - Arrancada punk turbinada. A música toda é um enorme refrão com a tensão instrumental no auge o tempo todo. Putz, Matt Sorum se acaba nessa faixa.

Jerk - NO é one-hit-band! E esse é o hit. Se tinha de ser só uma, então fizeram justiça. A música tem um refrão pra lá de super-bonder (também... "You're a bitch... I'm a jerk... I don't think that we can work...") e uma levada de guitarra matadora. Porrada certeira.

Union - O início tem uma melodia que parece muito com Slumber, do Bad Religion, mas a música é outra coisa. Com um vocal e um refrão bem tristonhos ("I wish I had a union..." - snif), Union parece um daqueles rocks australianos pra ouvir na praia durante o pôr-do-sol. Contra-indicada para momentos extremos de dor-de-cotovelo.

Janie Jones - Yowzaaa!! É essa mesma! A clássica Janie Jones do Clash! Punk, rockabilly, boogie-woogie e o escambau rockeiro em pouco mais de um minuto e meio de corre-corre! Pra ouvir durante uma bagunça sem precedentes!!

Story Of My Life - Pop song com jeitão de baladona melancólica. Alto potencial radiofônico. Normal.

Six Feet Under - Huh!! Rockão querendo sair dos trilhos - e saindo com tudo. A levada da guitarra é contagiante e o resto vai acelerando na pista. Parece um Aero em seus momentos mais velozes e irresponsáveis. E dá-lhe Matt Sorum! Coitada da bateria...!


DEEP PURPLE - MACHINE HEAD
(Warner/1972)


O velho "Cabeça de Máquina" do Deep Purple sempre foi um dos meus discos favoritos desde que comecei a ouvir rock and roll. E não era só por causa de Smoke On The Water não. O disco flagrava um Purple inspirado como nunca, tecnicamente no auge e com a formação ainda toda original. Por algum capricho dos Deuses do Rock'n'Roll, respondiam pela mesma banda, Ian Paice (bateria), Roger Glover (baixo), Jon Lord (teclados), Ian Gillian (vocal) e o lorde sith Ritchie Blackmore (guitarra... e que guitarra). Agora imagine esse dream team em plena sintonia, cúmplices no improviso e equiparáveis em talento natural e conhecimento técnico sobre seus instrumentos e seus respectivos lugares dentro do espírito da banda.

Eu costumava traçar paralelos entre os três maiores grupos de rock da época, que eram o Purple, o Black Sabbath e o Led Zeppelin. Em termos místicos e metafísicos (hehe) eles eram correspondentes, mas em termos de técnica musical fluída, o Purple levava a coroa (mesmo porquê, tem a questão do estilo deles, que "pede" mais do que o estilo das outras, etc). O fato é que Machine Head foi concebido numa era em que os músicos de rock eram valorizados acima de tudo pelo seu talento. Hoje em dia, p.ex., ninguém diz "nossa, o guitarrista do Creed toca muito" ou "caramba, o baterista do Nickelback é demais". Ou seja, a "identidade rock" de hoje está mais pra imagem do que para o reconhecimento artístico, infelizmente.

Sempre ouvi Machine Head. É um dos meus discos de cabeceira. Mas ultimamente tenho ouvindo mais do que de costume, pois só agora tive acesso ao excepcional trabalho de remasterização feito em 1998, em comemoração aos 25 anos do clássico. A qualidade é fora-de-série. Dá pra ouvir os caras marcando o tempo ao fundo, aqueles "yeah" discretos do Gillian em algumas passagens, alguns reverbers de guitarra e do pedal de distorção do teclado, e até uns "one, two, three, four" antes da introdução. Parece mesmo que a banda está ensaiando bem ao lado. É incrível como conseguiram melhorar ainda mais uma obra que já era (quase) perfeita.

Cara, Deep Purple é som de macho. Som de Hell Angel bebendo cerveja com uma groupie esperando na garupa da Harley. O Purple tocando é o mesmo que uma sinfonia de motores V8 roncando.

Eu ia colocar Highway Star, mas se ignorasse Smoke On The Water, Frank Zappa iria me atormentar até o fim dos meus dias. Aquele maldito estúpido com um lança-chamas...


dogg haley and his comets

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

MOMENTO SEBASTIÃO SALGADO

Atualizado²... por hora


Gonzo journalism, Hell's Angels, conversíveis, vida loca vida, Las Vegas, drogas pesadas e tiroteios. Só decidiu ontem que estava na hora.

Ah, e já morou no Brasil.


1976 foi um ano interessante. O cara da esquerda é espanhol e um ícone outsider das HQs. O cara da direita é brasileiro e ex-eterno editor de uma publicação tradicional e anárquica. E outsider também.


Iggy Pop & The Stooges, num show em 1969. Toda a rebeldia e perversão seminal dos Stones elevadas à enésima potência. Não por acaso Lester Bangs disse que esse foi um dos últimos anos de vida do rock'n'roll. Concordo, mas insisto em discordar.


E Mark Sandman (à direita), líder do Morphine... nunca o citei por aqui. Corrigindo essa injustiça então: Sandman (além de ter um puta nome legal) escrevia muito e tinha um vozeirão que atravessava a alma. Infelizmente, a chama se esvaiu em 1999, aos 37 anos, em pleno palco. Fez o que sabia melhor até o fim, em um raro final com justiça poética.


Na trilha... Unfinished Sympathy, Massive Attack.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

HOUDINI PUNK


"Now i'm really freaking out!" É o que você mais vai ouvir em David Blaine: Street Magic (idem, 1997), especial produzido pela rede americana ABC. A primeira vez que assisti a esse semi-documentário, em 2000 (exibido no Brasil pela HBO), fiquei simplesmente estupefato com a tal "técnica de rua" do ilusionista new yorker David Blaine. Distante anos-luz de magnatas do ramo (como David Copperfield), sua performance em nada lembra aquelas mega-façanhas quase onipotentes transmitidas via-satélite, como "fazer desaparecer" um boeing 737 ou um porta-aviões. Muito pelo contrário. Blaine é um artesão de detalhes. O que ele faz é arte manual e em tempo real, bem ali, em meio às pessoas que estão transitando (os tais transeuntes...). Mas apesar de sua performance embasbacante, seu principal feito foi devolver a arte do ilusionismo às ruas, ao gosto popular. Nada daquele glamour inatingível movido a palcos gigantescos, equipamentos de última geração e showgirls turbinadas pra prender a atenção (tsc!).

Nascido em 4 de abril de 1973, David Blaine teve o seu primeiro contato com o ilusionismo aos 4 anos, assistindo a performance de um velho mágico no metrô de New York. Estudou teatro em Manhattan, fez alguns comerciais e pontas em séries de TV, e aos 17 saiu de casa para fazer o que sabia melhor: confundir as pesso... digo, praticar o ilusionismo. Seu estilo personalizado e peculiar o tornou habitué em concorridas festas da alta sociedade. Foi nessa época que ele conheceu celebridades como Madonna, Al Pacino, Arnold Schwarzenegger, Mike Tyson, e, particularmente, Robert De Niro e Leonardo DiCaprio. Todo o hype não foi pra menos, afinal, Blaine é, antes de tudo, um entertainer nato, um relações públicas corpo-a-corpo de si mesmo. Talvez tenha sido esse o detalhe que o livrou de ocupar o lugar daquele velho mágico no metrô.

Com uma edição exalando espírito underground, Street Magic é praticamente uma turnê no asfalto. Blaine leva ao pé da letra a máxima "o artista tem que ir aonde o povo está", e além das movimentadas avenidas de sua New York natal, ele passeia pelas ruas de Dallas, Mojave Desert, Nashville, New Orleans, Atlantic City, Los Angeles, Compton, e até lugares mais improváveis, como o Haiti e a reserva da tribo Yanomami, na Floresta Amazônica. É incrível notar, na parte norte-americana da "aventura", como as pessoas comuns são tão parecidas com as pessoas que sempre vemos nos filmes. Em Nashville, vemos Blaine abordando alguns "white trash" interioranos (por mais cruel e pejorativo que esse termo seja), como um dono de oficina e uma senhora dona de uma casa caindo aos pedaços. Só faltou o tradicional conjunto habitacional formado de trailers (verdadeiras favelas sobre rodas). Já a seqüência no vestiário do time de american football Dallas Cowboys me lembrou na mesma hora o elenco do filme Um Domingo Qualquer, sem exageros. Até a postura dos jogadores, cheia de "damn", "hell no" e "whataf...". Eles falam daquele jeito mesmo, que nem nos filmes. E eu achando que era só a interpretação estereotipada de algum ator. Aliás, confesso que fiquei meio tenso na parte filmada em Compton (uma quebrada pra lá de sinistra). A impressão que dava era que a qualquer momento algum daqueles niggas fãs de Tupac Shakur iria sacar uma arma, estourar a cabeça de Blaine e gritar à plenos pulmões: "Die, muthafuckin' bitch! Deceive the devil, your fuckin' asshole!"

Quanto à seqüência filmada na tribo indígena é digna de nota a preocupação de Blaine em adaptar a sua trucagem para um contexto mais simples, mas nem por isso menos impactante. Ficou até mais bonito de se ver. E os registros de um ritual vodu no Haiti é pra lá de interessante (e macabro).

A habilidade de David Blaine é sensacional, tanto na execução das suas ilusões quanto em sua desenvoltura pra ganhar a atenção de um público 100% incidental e imprevisível. Tanto é que grande parte da força de Street Magic está na reação das pessoas, mezzo catatônica mezzo excitada (mas sempre surpreendente) diante de suas demonstrações aparentemente impossíveis. Às vezes ele até chega de uma forma mais despojada (se intencional ou não, não dá pra saber), e isso acaba rendendo situações divertidas e, ao mesmo tempo, constrangedoras ("Ei, deixa eu te mostrar uma parada diferente, que vai expandir sua mente!" - e só dá nego correndo achando que ele é traficante). Mas algumas vezes, Blaine se revela um senhor estrategista, como na cena do píer, em que ele mexe com as focas que estão na enseada (fazendo um barulhão) só pra atrair a atenção de um grupo de turistas orientais que estava passando.

Recortado por takes com Leonardo DiCaprio fazendo as vezes de entrevistador, Blaine esclarece que segue a velha escola do ilusionismo. Velha mesmo... cerca de dois mil anos antes de Cristo. Tratam-se de artimanhas bem simples, mas pra lá de eficientes, como girar o braço em 360° (com um estalo de "creck" e tudo), fazer miséria com as cartas (o que ele faz é incrível), adivinhar o que as pessoas estão pensando (!) e fazê-las adivinhar o que ele está pensando (!!), e a parte mais sinistra... levitar no meio da rua, sem fios ou cabos, e com todo mundo olhando.

Blaine ainda protagonizou outro especial, Fearless (idem, 2002), naquela mesma tocada "street", mas depois disso, cortou na tora todo o seu hype proeminente e mergulhou em uma pesada bad trip existencial. Claro que isso se refletiu em suas performances, que se tornaram seguidos testes de resistência física. Ele ficou 3 dias em pé dentro de um bloco de gelo, sem camisa, com apenas 5 cm de espaço entre seu corpo e o gelo. Logo após, ficou enterrado durante 7 dias em um caixão de vidro. Em 2002, ficou durante 35 horas em pé num pilar de 24 metros em plena 5ª Avenida, New York. E em 2003, realizou a sua masterpiece à Survivor: ficou 44 dias sem comer dentro de uma caixa de vidro pendurada na Tower Bridge, perto do rio Tâmisa, em Londres. Virou até atração turística local. Foi recorde na época (batido meses depois pelo médico chinês Chen Jianmin, que agüentou 49 dias de jejum - coisa de doido mesmo). Leia mais sobre essa façanha suicida aqui.

De qualquer forma, David Blaine e seu Street Magic preservam o verdadeiro espírito da arte do entretenimento e da ilusão, longe da brochante velocidade nonsense atual. Seja pela performance irrepreensível, pela inegável simpatia e tranqüilidade envolvente ou pelo simples calor humano que permeia a coisa toda. Todo mundo, de todas as procedências, se divertindo como crianças, por causa de alguns breves gestos manuais. E por alguns instantes, a impressão era de que não haviam tantas diferenças no mundo e que nós não estávamos tão distantes uns dos outros. Como nos velhos tempos.


dogg, ouvindo um show matador do Whitesnake no Donnington de 1990... pena que o som do bootleg não é dos melhores... David Coverdale rulz!

domingo, 13 de fevereiro de 2005

SOBRE MENINA DE OURO


"O trabalho do diretor é não atrapalhar os atores". Essa costuma ser a tag-line de Clint Eastwood quando está por trás das câmeras. Foi uma das lições que ele aprendeu durante a convivência com velhos mestres como Don Siegel e Sergio Leone, e uma das marcas registradas em seu estilo refinado de direção. Em seu novo filme, Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 2004), ele segue adiante em sua constante evolução como diretor, trazendo uma premissa bem simplista. O detalhe aqui - e o que difere Eastwood da maioria dos profissionais da área - é a condução emocional que ele imprime em suas produções. A despeito de sua paixão pelo jazz, seus filmes são quase analogias àquele sentimento predominantemente blue e introspectivo. Há muito Eastwood desenvolve sua técnica atual (que, por incrível que pareça, já era perceptível no divertido pastelão Bronco Billy, de 1980), e, nesse sentido, Menina de Ouro está um passo à frente do demonstrado em Sobre Meninos e Lobos, seu trabalho anterior.

O filme conta a trajetória de Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), uma garota que sonha em entrar para o circuito profissional de boxe feminino. Mesmo exibindo uma força de vontade inabalável e potencial suficiente para fazer uma bela carreira no pugilismo, ela é solenemente ignorada pelo veterano treinador Frankie Dunn (Eastwood), que se recusa a treinar garotas. Em sua longa carreira profissional, Frankie já experimentou o sabor amargo da derrota, personificada por seu melhor amigo, Eddie Scrap (Morgan Freeman), que perdeu a visão de um olho após uma luta fatídica. Por esse motivo, Frankie mantém um perfil quase paternalista como treinador, o que lhe custa uma fama de turrão e um saldo bancário nada generoso.

Frankie, aliás, poderia ser uma daquelas figuras que romantizam cegamente o esporte, não fosse a maturidade adquirida por uma vida calejada na área. Já Scrap funciona como uma espécie de voz ativa e sensata da consciência de Frankie, pois o passar dos anos fez ambos compartilharem a mesma visão do mundo que escolheram viver. Scrap ainda representa os olhos do espectador, apenas intervindo em pequenas situações que possam desencadear grandes conseqüências. E Maggie...

White-trash interiorana, sem qualquer perspectiva, Maggie só tem ao seu favor a sua garra e boa-fé quase quixotescas. Seu background extremamente desfavorável não fica nada a dever a qualquer atleta brasileiro nascido em periferia. Sua relação com Frankie se desenvolve em um ponto de partida brusco, sem futuro proeminente, mas acaba desembocando em uma comunhão única, inédita tanto para ela (uma iniciante), quanto pra ele (que se arriscou a fazer algo diferente pela primeira vez em muito tempo). Chega mesmo a transcender uma mera relação pai/filha (apesar de ter toda a condição sê-lo), pois a partir de certo momento, os dois se tornam silenciosamente cúmplices em busca de um objetivo único. Tal química é rara, talvez só aconteça uma ou duas vezes durante toda uma vida. Frankie e Maggie já podem contar com ao menos uma.

Não vou me referir à qualidade das interpretações dos Atores Clint Eastwood, Morgan Freeman e Hilary Swank, pois estas são absolutamente indescritíveis. Não tenho capacidade de fazê-lo sem diminuí-los com palavras. Talvez Veríssimo, Sabino... eu não.

Menina de Ouro tem uma trajetória tortuosa. É enaltecedor, espirituoso, maduro e realmente devastador quando acha por bem. Mas antes de tudo, é Humano, com tudo o que a vida oferece no pacote. E de nada mais se precisa, no final das contas.


SPOILER:
Infelizmente, o filme tem sido alvo de críticas ferozes por parte da imprensa e de órgãos internacionais. Apesar de solidário com o problema existente, sou totalmente contrário ao equívoco que houve em relação à possível "mensagem" do filme - pois esta é, de fato, inexistente, como já afirmou Eastwood, em entrevista recente. Me limito a dizer que tenho a mesma opinião de Roger Ebert, crítico do The Chicago Sun-Times. Para saber mais, leia
esta matéria. Mas cuidado, pois o próprio título da mesma pode ser considerado um spoiler.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

ESQUEÇA COMPARAÇÕES


Nesses tempos de marketagem audiovisual agressiva, é natural que uma boa propaganda de um produto cause uma certa desconfiança, principalmente em termos de Cinema. Afinal, qualquer cinéfilo mediano já passou mais de uma vez pela experiência ir ao cinema seduzido por teasers, spots ou trailers acachapantes e ter uma bela decepção. Então, o que anda acontecendo? Os profissionais de propaganda estão melhores que os cineastas? O responsável pela edição dos previews é quem deveria estar lá na cadeira do diretor? Mesmo essa lógica (distorcida, pois não tem via de regra) cai por terra quando ocorre o famigerado efeito do marketing reverso. É quando apenas uma simples imagem ou frase (estilo, hã, deixa eu ver... "Esqueça Seven"?) causa uma sensação imediata de repúdio, por tratar o consumidor um pouco mais "esclarecido" como um mala que considera, sei lá, Pearl Harbor, de Michael Bay, como o mais fiel relato de guerra já filmado.

Desconsiderando as demais elucubrações mercadológicas e/ou de mídia, é justamente esse ponto que eu quero chegar. Atualmente, há uma sombra meio cínica... meio não, cínica mesmo... que teima em subestimar filmes que são referências de estilo até hoje, como Seven e o pioneiro O Silêncio dos Inocentes. Esses, em suas épocas, foram os mais bombásticos que o gênero suspense policial poderia oferecer. Inclusive, criando recursos que hoje são usados à exaustão: argumento cuidadoso, um razoável nível de indução psicológica, fotografia sombria e decadente, protagonistas humanos beirando a imagem do anti-herói, assassinatos tenebrosos sendo descobertos com ênfase em procedimentos reais de perícia policial, e uma mente perversa comandando meticulosamente todos os eventos até o final, que, por sua vez, não traz qualquer tipo de redenção.

Tudo bem que hoje é mais fácil digerir a cena em que o Hannibal espanca aquele policial com um cacetete, ou ver o que John Doe fez com o cara que cometeu o pecado da preguiça. A violência subseqüente acaba nos anestesiando, mas isso não é desculpa para passar por cima da importância do formato atemporal que esses filmes forjaram. Ainda mais no caso de O Silêncio dos Inocentes, que ao contrário de Seven, não se utilizava de um susto final como força motriz (o grande mal-entendido do público cinéfilo nos últimos anos). O que sobra é uma ignorância absurda e um total desserviço a uma nova geração de cinéfilos que só tem como referência "filmaços" na linha Pânico. Só por esses fatores, o projeto de publicitário que criou a frase "Esqueça Seven", deveria ser condenado a vagar dia e noite pela Faixa de Gaza com uma camiseta escrita "Odeio Palestinos" em bom dialeto muçulmano.


Jogos Mortais (Saw, 2004), do estreante James Wan, traz uma trinca que já esteve em contato com o "lado negro": Danny Glover (Um Assassino à Solta), Monica Potter (Na Teia da Aranha) e Cary Elwes (Beijos que Matam e The Riverman, no qual ele fazia o próprio Ted Bundy). No filme, dois estranhos, o médico Lawrence Gordon (Elwes) e um rapaz largadão chamado Adam (Leigh Whannell, um novato surpreendente), acordam acorrentados em um banheiro imundo. Aparentemente, tudo faz parte de um jogo promovido por um serial-killer conhecido como Jigsaw (no filme, "o assassino do quebra-cabeça"), que encerra suas vítimas em maquinações bem armadas e mortais, mas com uma chance real de escapatória. Na sua cola, está o obcecado detetive David Tapp (Glover) e seu parceiro Sing (Ken Leung).

Mesmo em uma estrutura já utilizada, James Wan, que assina o roteiro junto com Whannell, demonstra: 1) A energia natural de um principiante empolgado; 2) Um talento inequívoco. Considerando as dificuldades de se concretizar um filme sem abrir mão de sua essência, Wan se sai bem como principiante talentoso. Algumas pequenas vaciladas pipocam lá e cá (edição à base de loops histéricos e velocidade vertiginosa, desnecessários em boa parte do tempo), mas os joguinhos do assassino, pra lá de cruéis, me fizeram lamber os beiços algumas vezes. Não, não sou psicopata, mas certas seqüências foram carregadas de um tal nível de terror claustrofóbico, que eu só desejava não estar lá no lugar da vítima. Certas peculiaridades, como barulhinhos de mecanismos enferrujados ou sussurros abafados de desespero, foram espertamente colocadas com a intenção de triplicar a sensação de impotência e estupor. E consegue.

Um mérito do filme é não se segurar em cenas um pouco mais gráficas. Nada exagerado, já que 80% é auto-sugestão, mas ao menos passa longe da atual inanição do cinema americano. As atuações, por sua vez, estão bem distintas. Elwes está ótimo como o médico racional e sensato que vai se desesperando e perdendo a razão à medida em que o jogo vai avançando. Whannell funciona como contraponto, fazendo um indivíduo comum em uma situação extraordinária e, portanto, agindo como tal, num mix de assombro e incredulidade pela situação em que se encontra. O filme se apoia nos dois em boa parte, mas sinceramente...? A parceria poderia durar durante toda a projeção, pois o embate entre as personalidades de cada um foi claramente o ponto alto. Ótima química.

Já Danny Glover, classificado por aí erroneamente como o "Morgan Freeman" do filme, tem uma função bem clara, e pertence mais ao aspecto funcional do roteiro do que ao exercício dramático. Seu personagem é obviamente mais uma peça no tabuleiro da dúvida levantada pelo argumento. Aliás, esse é o tipo de filme que eu costumo classificar como "filme-scooby doo". E é sobre isso que eu gostaria de comentar logo a seguir.

Marque o texto logo abaixo da imagem - mas atenção: S P O I L E R !

E nem adianta você querer ler só pra saciar sua curiosidade, pois você não entenderá nada se não assistiu ao filme e ainda vai estragar totalmente sua experiência.


Não custa nada eu recomendar mais uma vez... S P O I L E R ! :)


A principal característica de Jigsaw - matar suas vítimas por tabela - complica automaticamente o desenvolvimento do roteiro. Então é normal que isso acabe suscitando dúvidas e/ou questionamentos. E como diria Jack, o Estripador (argh, odeio esse jargão)...

No total, foram dadas 6 horas para que o dr. Gordon matasse Adam e vice-versa, caso contrário, os dois iriam morrer pelas mãos do enfermeiro Zep. Este, por sua vez, foi envenenado por Jigsaw e para obter o antídoto, tinha de prender a esposa e a filha de Gordon (ao mesmo tempo em que o vigiava através da câmera do banheiro) e matar a todos (esposa, filha, Gordon e Adam) assim que o prazo de seis horas terminasse.

Pois bem, a dúvida imediata é: por quê Zep, um enfermeiro, não procurou um hospital para encontrar uma cura? Ele tinha 6 horas disponíveis para tanto. Subentende-se que Jigsaw simplesmente mentiu dizendo que o vigiava o tempo todo, e que o telefone da casa de Gordon, aonde ele mantinha esposa/filha cativas, também estava grampeado - dessa forma, isolando-o. Ficou por demais sugestivo, com muita carga para o espectador imaginar por si só.

Outro ponto foi a total ineficiência de Tapp, que não conseguiu nem mesmo subjulgar o enfermeiro (magrelo) numa luta corpo a corpo, sendo que a esposa de Gordon havia conseguido. Tudo bem que Tapp estava lá apenas para ser mais um "personagem-incógnita", mas aí o roteiro escorregou, sem dúvida. Por fim, o assassino. Isso eu até defendo. Mesmo exigindo do espectador a "compreensão" que David Fincher exigiu no ótimo Vidas em Jogo (e se Michael Douglas tivesse pulado do outro lado do prédio?), a presença daquele cadáver estava justificada por ele estar de punho da arma tão almejada e do gravador, necessário para o transcorrer do jogo.

Segundo o IMDB, Saw 2 já está em fase de pré-produção, mas dadas as condições de saúde de Jigsaw... será que agüenta ficar vivo até lá? :)



No final das contas, Jogos Mortais acaba acenando com boas notícias para o futuro dos filmes de horror/supense. E James Wan já pode ser citado tranqüilamente ao lado de outras promessas como Zack Snyder, Marcus Nispel e o quase-xará James Wong.

Ao que parece, o legado de Wes Craven parece ter acabado, finalmente.


dogg, feliz por ter sido enganado durante 100 minutos... até que enfim! E na trilha... When I Was Young, do The Animals, tocada primorosamente pelo Ramones...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2005

I LOVE THE FUTURE


Quem diria que um dia o Superbowl norte-americano seria interessante? Não me refiro ao american football em si (porque é incompreensível pra mim, criado à base de FUTEBOL, não "soccer", ver um exército se matando por um quibe de borracha tamanho-família), mas às suas propagandas. Se me dissessem em 1992 que um dia eu iria me interessar pelas propagandas do Superbowl...

Como diria a minha querida tia... "o futuro a Deus pertence".














Ótimo spot. Grande vilão. Ele parece ter saído de um filme de terror, e sua concepção confere com o clima mais realístico imputado pelo diretor Christopher Nolan. Christian Bale e Morgan Freeman estão se divertindo como nunca. Está impresso na cara deles. Katie Holmes continua aquele filé que eu gostaria de ter como vizinha. E o protótipo mezzo militar do Batmóvel. Veloz e sinistrão. Arrasador. Quero pra mim.

Clique aqui para conferir.

Anexo 09/02 - era do mesmo contexto...

Três imagens megafodônicas® de Batman Begins. A primeira então, é fora de série. Lembra até a capa do Jim Lee na estréia do arco Hush (tomara que a semelhança pare por aí).

Clique nas imagens.



E na trilha... ainda Scream for me Brazil, do Dickinson... "Satan - has left his killing floor!" - viu como eu sou mau?

E agora, Balls To Picasso... Bruce é foda! :P