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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Problem of the Dead


Glen Mazzara é o novo showrunner de The Walking Dead no lugar de Frank Darabont. Tá aí uma notícia que eu não esperava tão cedo. Tudo bem, Darabont - que tem contrato de dois anos - é homem de cinema. Tanto que alegou conflitos de agenda. Mas mesmo assim soou algo prematuro. No fundo, eu tinha a esperança de que ele saísse de cena ao melhor estilo Chris Carter/J.J. Abrams, apenas quando a criatura estivesse caminhando sozinha, voraz, a passos firmes. Mas é o que é e o careca já tem um lugar garantido no céu de São Fulci e São Romero só pelo inesquecível piloto da série.

E o Glen Mazzara. Puxando a ficha do meliante, vi que é um experiente produtor e escritor de séries, mas nada em seu CV me interessou o bastante, com uma única e pra lá de honrosa exceção: The Shield. Quem já acompanhou um dia na vida do detetive Vic Mackey, sabe que o negócio ali é punk terminal fudido pra caralho motherfucker 'n shit.

Talvez estejamos presenciando aí uma mudança à primeira vista radical, mas convenientemente pontual. Afinal, todos sabem qual foi a única cena que realmente prestou no plot do CDC.


Um pouco mais disso, faz favor. De preferência com um colarinho de tensão humana quase insuportável.

Ps: precisamos conversar sobre a revista qualquer hora.

domingo, 21 de novembro de 2010

Veni, vidi, zombie


3º episódio de The Walking Dead e eu ainda com aquela expressão besta de realização. É o segundo capítulo sem a direção do figuraça Frank Darabont, já alçado ao cânone pelos leitores da HQ após o piloto antológico. Mas não só os aficcionados pela odisseia undead de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard estão nas nuvens: a série coleciona recordes de audiência e elogios de gente influente de várias esferas - destaque para o artigo do New York Post, especulando que The Walking Dead pode se tornar para a AMC o que Os Sopranos foi para a HBO. A mobilização popular em suporte às filmagens em Atlanta foi tamanha, que os produtores tiveram que recusar voluntários. Infame ou não, aqui vou eu: no futuro, todos serão zumbis por quinze minutos.

Tecnicamente, o texto está impecável. A estratégia adotada nessa adaptação deveria servir de bíblia para toda e qualquer futura incursão nesse veículo. Um dos aspectos mais bem-sucedidos do roteiro foi expandir os pequenos ganchos da HQ até transformá-los em subtramas completas. Um novo olhar para a mesma história, mas de um ângulo diferente. O que faz da série algo quase tão inédito para os leitores quanto é para os leigos. Quem diria que o cerco policial do início do piloto (compactado na 1ª página da HQ) era precedida de um crescendo tão tenso e eletrizante?

Mais ainda, quem diria que uma introdução tão polêmica e gráfica seria tão aclamada?


Outra façanha, dessa vez no 2º episódio, foi unir dois momentos da trama (edições #2 e #4) e realocar a ponte entre elas (#3) para o final, esticando a tensão do reencontro de Rick com Lori e Carl. Provavelmente, seria o que Kirkman faria hoje, mais experiente. Participando da série como produtor executivo, é palpável sua contribuição na adaptação, o que deixou tudo muito fluído, natural e sem grandes concessões. Pelo menos até agora.

Uma curiosidade: Darabont disse que usou o filme A Noite dos Mortos-Vivos como bíblia para os zumbis de The Walking Dead. Assim, vemos detalhes na série que remetem diretamente ao clássico de George A. Romero. Zumbis quase rápidos se misturando com outros bem lentos e danificados, e também ataques a animais, algo que muitos estranharam (o que teve de gente se remoendo de dó do cavalo!). Lembrando que no filme de Romero, os mortos-vivos não dispensavam nem insetos. Fora a cena em que um dos desmortos usa uma pedra para quebrar uma porta de vidro - mais que uma referência, uma homenagem.

O elenco está irrepreensível. Qualquer dúvida que já tive em relação à Andrew Lincoln caiu por terra há muito tempo. Ele traduziu a essência de Rick Grimes para a tela como se conhecesse a HQ de cabo a rabo. A excelente impressão continua com Sarah Wayne Callies, no papel de Lori - pelo jeito, a Sara, de Prison Break, ainda vai expiar (e muito) seus pecados -, e Chandler Riggs, o guri que interpreta o Carl.

O moleque é bonitinho e tal, mas sabe mandar um puta olhar de jagunço quando quer. Tipo da atitude que vai precisar (e muito), conforme o avanço da série.


Os demais atores do núcleo principal mantêm o nível. Jon Bernthal vai montando de maneira crível a desestabilização emocional de Shane e também é notável os bons desempenhos de Steven Yeun (é o próprio Glenn!), Laurie Holden (Andrea) e a gatinha Emma Bell (Amy), do bacana Pânico na Neve. Mas, na minha opinião, o melhor em cena até aqui foi Lennie James, que participou do piloto no papel de Morgan Jones. A sequência em que ele quase se despede da esposa pela mira de um rifle é emocionante. Só essa cena já vale a assistida. Uma das melhores atuações que vi em séries.

No campo das novidades, muito me surpreendeu a escalação do veterano Jeffrey DeMunn para o (importantíssimo) papel de Dale. Colaborador de longa data de Darabont, DeMunn reedita aquelas combinações ator-personagem onde um parece que nasceu pro outro. Uma atuação de alto nível é o mínimo que se pode esperar daí - e será exigida... ah, se será. Quem lê The Walking Dead certamente teve espasmos musculares ao ver o boné australiano despontando no horizonte.

Por fim, e talvez o mais importante, o grande Michael Rooker no papel de Merle Dixon. Personagem inexistente na revista, é o típico white trash reacionário e racista. É a banda podre do grupo de sobreviventes - elemento constante em todo zombie movie. E talvez o primeiro vestígio de uma alteração realmente significativa (e duvidosa) nesta adaptação.

Crianças que não leram The Walking Dead... por favor, retirem-se da sala.

Spoilers adiante.


Pelo casting divulgado, Rooker sairá de cena por um tempo. Merle Dixon é personagem que com certeza dará trabalho num eventual comeback cheio de som, fúria e vendettas. Some 1 mais 1 e pronto: Governador. Será?

Até onde isso é bom? É Michael Rooker. Nesse ponto, está mais que bom.

Até onde pode ser ruim? Apesar de ser uma escória ambulante, Dixon não parece ter o perfil monstruoso do Governador. Ele é só um bandido caipira e arruaceiro. A não ser que entre o ponto A e o ponto B esteja uma experiência realmente traumatizante e enlouquecedora, não consigo vê-lo fazendo as coisas que o Governador faz em suas horas de lazer.

Aliás... não consigo imaginar as cenas de sadismo/pedofilia/necrofilia passando em canal que seja na Terra.

E gosto do fato do Governador aparecer como um desconhecido amigável à primeira vista e aos poucos ir se revelando mais cruel que o próprio capeta. É uma experiência que mudou a forma como Rick e outros personagens se portariam dali em diante em relação a outros sobreviventes - e deixou as histórias ainda melhores.

Mais uma coisa: será que a AMC terá cojones pra mostrar o destino de Lori e seu rebento?



Dúvidas, dúvidas. Daqui a pouco tem outro...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Os primeiros passos


Sem enrolação, o trailer oficial de The Walking Dead --


No momento não tenho a isenção necessária pra analisar essa belezinha como deveria, mas...

- Está tudo bastante fiel à hq, incluindo os vários ângulos extraídos de lá;
- Lennie James parece excelente interpretando Morgan Jones;
- Teria me ferrado com a menininha zumbi... hesitei bonito só de ver a cena;
- Princípio de manada aos 3:38?;
- Michael Rooker!
- "I'm sorry this happened to you";

The Walking Dead estreia no canal AMC no dia 31 de outubro. O 1º episódio terá 90 minutos de caminhada.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Simplesmente zumbis


Primeiro a mea culpa: um blog com a palavra "zombie" no título nunca ter comentado sobre The Walking Dead... não merece o nome que tem. Quer dizer, comentar, até comentei, tecnicamente falando. Mas que estou devendo, é inegável. Então, espero reverter este worst case scenario em breve, dando o primeiro pontapé agora, assim, na loucura.

E dá-lhe curta!

Segundo o THR, a série televisiva baseada na obra máxima de Robert Kirkman e Tony Moore já escalou seu protagonista. O ator inglês Andrew Lincoln será o policial Rick Grimes, líder de um grupo de sobreviventes do holocausto zumbi. Lembra do Lincoln?

Lincoln é o cara que protagonizou aquela cena em Simplesmente Amor.


Crianças, não tentem isso em casa

Escalação inusitada, pra dizer o mínimo. Não sei bem o que esperar do ator, já que, de sua filmografia, só assisti o melô de 2003 (cujo elenco estelar contava também com o Rodrigo Santoro num vergonhoso "cigano Igor mode" imposto pelo roteiro). Com uma carreira basicamente concentrada em telefilmes e séries produzidas no Reino Unido, Lincoln terá um belo desafio pela frente.

O personagem Rick prima pela tridimensionalidade. De cidadão comum, sensato e de boa índole, ele é tragado para extremos radicais, situações-limite e para o horror da condição humana. O que ele enfrenta durante a série não encontra parâmetros para comparação, seja na mídia que for.

E nem me refiro à presença dos trilhões de zumbis. Quem acompanha a HQ sabe.


Mas o buraco é ainda mais embaixo. Rick é líder nato, luta por isso. É hiperexposto. Sua autoconfiança e imposição se fazem necessárias a todo momento, não raro se tornando a força motriz da narrativa. Em se tratando de séries, isso pode representar uma armadilha. O Jack, de Lost, começou assim e olha como está hoje. Atire a primeira pedra quem nunca teve vontade de sentar a porrada na cara do Matthew Fox.

Se considerarmos os traços físicos, a escolha de Andrew Lincoln soa ainda mais discrepante. Não se parece com o Rick nem de longe. Sempre visualizei alguém com o perfil próximo de Aaron Eckhart (o Duas-Caras) ou de Nathan Fillion (Serenity, Seres Rastejantes). Mas meu favorito para o cargo era mesmo Sam Trammell, o Sam, de True Blood. Verve e inflexão praticamente transcritas para o personagem.

Mas vamos esperar - e torcer - pelo melhor. Robert Kirkman, lógico, está pra lá de empolgado com a contratação de Lincoln:

"Andrew Lincoln, uau -- Que achado sensacional esse cara é. Escrevendo Rick Grimes mês após mês na HQ, eu não tinha ideia de que ele era de fato um ser humano, vivo e respirando, e aqui está ele. Eu não poderia estar mais emocionado em ver como o show está se aproximando".

The Walking Dead ainda conta com o ator Jon Bernthal (The Pacific), no papel de Shane, ex-parceiro de Rick na polícia.

As filmagens começam em junho, em Atlanta, com estreia prevista para outubro, no canal AMC. Roteiro, direção e produção de Frank Darabont. Que até hoje, nunca me decepcionou. Amém.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

VELHO, MAS NEM TANTO


Vez ou outra alguma grade de programação meia-boca resgata do limbo uma relíquia digna de nota. Semana passada, o SBT exibiu Sepultado Vivo (Buried Alive, 1990), um competente made for TV que resistiu firme ao tempo. A premissa era simples: marido envenenado pela esposa e seu amante é inadvertidamente enterrado vivo e volta para se vingar. Básico, mas funciona aqui maravilhosamente bem.

Mais conhecido por seus trabalhos na TV americana, o galã Tim Matheson está perfeito no papel do marido traído que retorna para uma vingança bem ao estilo do Antigo Testamento. Jennifer Jason Leigh (sempre gostei dessa menina) faz a esposa infiel, com visual blonde fatale, algo entediada e absolutamente ordinária. E William Atherton faz aquilo que sabe no papel do amante: um belíssimo canalha filho da puta para constar em negrito no seu (extenso) currículo de canalhas filhos da puta.

Somado a um roteiro enxuto e um elenco de apoio eficiente (destaque para Hoyt Axton, que faz o xerife), o filme ainda conta com uma direção meticulosa. Foi o primeiro longa de Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade, O Nevoeiro), já sob forte influência das atmosferas à Stephen King que ainda permeiam sua carreira. O resultado é um ótimo thriller de suspense B.

O triste é que eu não dei nada por este filme na época em que chegou às locadoras. Adivinha porquê.


Ah, essa CIC Video e seus passeios cannábicos pela Pousada do Sandi... Lembro que aluguei por pura falta de opção num final de semana, o que acabou rendendo o inesperado fator surpresa. O "morto-mas-nem-tanto" (putz) foi rebatizado quando chegou às telinhas brazucas e ainda permanece sem uma versão em DVD.

Em 1997, o filme ganhou uma continuação, Enterrada Viva, dirigida por Matheson e protagonizada pela eterna brat pack Ally Sheedy. Mas os primeiros sete palmos é que ficaram na memória.


E falando em memória, uma pequena e tardia revelação. A vultosa seção Operação Resgate (que estreou num post de julho de 2004) ganhou esse nome não foi por acaso.




Me dói dizer isso, mas quem tem menos de trinta anos não vai se lembrar. O seriado Operação Resgate (Salvage 1, 1979) foi produzido pela ABC e exibido aqui pela Globo, na Sessão Aventura, acho. Teve vida curta, mas foi o suficiente pra virar meu programa favorito na primeira metade dos anos oitenta.

Na história, um coroa espertalhão dono de um ferro-velho teve a idéia de coletar os equipamentos que as missões Apollo abandonaram na Lua e revender na Terra a um preço exorbitante. Com o tempo, ele funda um projeto com ex-funcionários da Nasa visando a construção de um foguete nos moldes oficiais, só que mais barato e readaptado para serviços de busca e resgate. Nascia uma possante nave com o singelo nome de Abutre. E por "serviços", entenda-se desde guinchar um iceberg da Antártida à Califórnia até resgatar um satélite feito de ouro que está prestes a reentrar na atmosfera.

Durante a série, a equipe encara um sem-número de ameaças e situações (todas bizarras), mas o episódio em que eles pousam em uma ilha pré-histórica e enfrentam um gigantesco gorila/pé-grande bateu o recorde. Lembro até hoje.


Até pouco tempo atrás (=antes do Google) eu estava começando a achar que a série era só uma ilusão minha, já que ninguém que eu conheço lembrava. Quase uma lenda urbana, como As Aventuras de Cacá.

Se reprisassem essa pérola eu faria questão de não assistir. Pra que estragar?


Site dedicado:
Salvage 1