sexta-feira, 20 de março de 2015

O fantasma do Máquina


Há muito tempo atrás, numa galáxia muito distante... na verdade, num blog parceiro, há exatos 10 anos (!)... eu protestava pelo fato de Homem-Máquina, minissérie de Tom DeFalcoHerb Trimpe e, rufem os tambores, Barry Windsor-Smith, não ter sido relançada na então nascente onda de encadernados da Panini.

Aliás, "protestava" não... choramingava mesmo. E com orgulho.

A mini só havia sido publicada aqui pela editora Abril, em Heróis da TV (edições 102 a 105), criminosamente escondida, sem chamadinha de capa nem nada. Após 28 anos de espera, parece que alguma justiça será feita.

Não sou de sair comprando rumores extra-oficiais, mas o nível de acertos de certos informantes justifica a empolgação.

Que Asimov nos abençoe...

quarta-feira, 18 de março de 2015

Supergirl next door


E chegamos à Melissa Benoist como a nova Supergirl. Minha 1ª impressão, igual à de todo mundo. Bonitinha, mas... de uma certa inadequação. Não sei bem por que, mas soa algo paródico. Parece atriz de sitcom sem claque fazendo cosplay de Supergirl para algum episódio nerd. Fosse Alison Brie, Tina Fey ou Anna Chlumsky provavelmente eu teria a mesma sensação. Laura Vandervoort, com trajes mínimos e umbiguinho de fora, transmitia mais seriedade, mais intensidade no olhar.

Mas se a adaptação for alternativa e a proposta for uma Supergirl leve e jovial, de uma ingenuidade Pollyanna, à Mary Marvel... é exatamente isso que as imagens me transmitem. Golaço. Como casar isso com um bg sci-fi trágico e wagneriano são outros quinhentos...

Da atriz propriamente dita, não tenho do que reclamar. Em Whiplash: Em Busca da Perfeição, ela mostrou que manda bem no drama. E na 1ª temporada de Homeland mostrou que manda bem também em outros departamentos. Além do jeitinho de vizinha adorável que todo mundo gostaria de ter.

Nos quadrinhos, sempre que vejo a Supergirl, vejo uma oportunidade perdida. Com exceção dos formatinhos pré-Crise publicados pela EBAL e pela Abril, onde ela agia como uma irmã mais velha e superprotetora do Azulão e, claro, da nossa essencial Supergirl da Terra-2, o maior contato que tive com a personagem foi relativamente recente, na revista do Superman pré-Novos 52. O gibi da Panini funcionava como um point kryptoniano e as histórias da Supergirl vinham no mix como um brinde ruim.

Eu lia aqueles roteiros pavorosos e não conseguia parar de pensar no desperdício. Quer dizer, o sujeito tem nas mãos uma personagem com a origem e os poderes do Superman e nem 1/10 das amarras editoriais. O céu seria o limite. Nessas horas é que costumam surgir os novos Ellis, Millars e Morrisons. Mas a cada ideia tosca que aparecia, um fantasma doppelgänger do Alan Moore sussurrava no meu ouvido a velha máxima do "não existe personagem ruim".

Os recursos narrativos são infindos. Os mais batidos: sua adaptação à Terra - eterna enquanto for divertida - e o fato de ser um raro personagem (arram, descontando a população da cidade de Kandor e o contingente-jumbo da Zona Fantasma) que realmente viveu em Krypton e guarda memórias ainda vívidas dele. E o trauma de tê-lo perdido, junto com toda a sua vida lá.

Esse drama, pesadão aliás, rendeu bem em Smallville. Ora, se a Laura Vandinha, que não é nenhuma Bette Davis, soube aproveitar, então a Melissa tem obrigação de sambar em cima dessa premissa. Só resta mesmo saber o que disso tudo vai pra tela. Ou se nada.

Bônus de cima pra baixo:

* Helen Slater como a mãe adotiva é uma bela supresa pra quem babava por ela quando guri e não perdia as reprises de Supergirl e A Lenda de Billie Jean (presente!);

* Dean Cain, o Super-Hombre latino, fazendo o pai adotivo parece interessante e não mais - preferia se a Slater fizesse casal com a Teri Hatcher;

* Jimmy Olsen negão, sinto muito, defensores de cotas, mas não é assim que se faz. E afro-americanamente falando, é um tiro pela culatra;

* Série da Supergirl sem Superman é apenas um sintoma da imensa trapalhada que a Warner insiste em sustentar. A presença do produtor-executivo Greg Berlanti (de Arrow e The Flash) até facilitaria um crossover heróico em algum nível, mas como a Warner está produzindo a série para a CBS, melhor não contar com isso. Acho que só uma Crise nas Infinitas Salas de Reunião resolveria a bizarra lógica interna da Warner.

Rumo ao recorde de impressões preliminares de um mínimo de material? Tamo junto.

quinta-feira, 5 de março de 2015

O verdadeiro desafio de Whedon será fugir de seus próprios clichês


O novo trailer de Vingadores: Era de Ultron está sendo recebido com honras de chefe de estado nerdsfera afora. Não é pra menos. Joss Whedon está colhendo cada fruto plantado no divertido e eficiente Os Vingadores, de 2012. A ação e a interação entre arquétipos (e atores, e escolas) tão díspares foram estruturadas de maneira plenamente funcional e pop.

Assim como na prévia anterior, essa despeja competência e profissionalismo no quesito aventura. Teremos Hulk versus Hulkbuster, Mercúrio atropelando Cap em mach-5, mais uma pose "Avante Vingadores!" pra galeria, Ultron e muitos, mas muitos Ultrons. Daí uma sensação de déjà vu quase fulminante me acordou do transe: Whedon parece estar seguindo à risca a cartilha do bigger, faster & stronger das continuações hollywoodianas.

Sai Thor, entra o Homem de Ferro no UFGama, Mercúrio numa cena análoga ao do Mercúrio de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, explosões mil, Nick Fury engessado em sua nova função de mentor extra-oficial, Robert Downey Jr. perdendo o brilho e o tesão a olhos vistos e o que periga ser a framboesa desse bolo: o exército de Ultrons.

Provavelmente interligados numa consciência-colméia gerenciada pelo Ultron original e sujeitos à mesma fraqueza do exército Chitauri do 1º filme, requentada do exército alien-cyborg da bomba Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles - destrói-se a fonte e os demais caem como um castelo de cartas. Deus ex machina nas máquinas mais uma vez?

E falando em máquinas, porque o Visão está sendo tão preservado? Algum pé atrás?

Whedon já comentou sobre o trabalho absurdamente extenuante que teve para coordernar o circo todo. Tomara que não a um preço comprometedor...

terça-feira, 3 de março de 2015

A terra vai tremer...


Nessa sexta-feira, dia 6, São Paulo será palco de um teste nuclear: o Ministry vai tocar pela 1ª vez no Brasil. Al Jourgensen e sua quadrilha de cyborgs tarados irão desfilar a trilha sonora do fim do mundo no Audio, que por sinal está se saindo com uma semana no mínimo inspirada (The Sonics na quinta!). Pra deixar a coisa ainda mais instigante, essa será provavelmente a primeira e última apresentação do Ministry por aqui.

Não é de hoje que Jourgensen fala em pendurar os samples do Sgt. Hartman. Há alguns dias ele até anunciou um novo projeto. Com a morte do guitarrista Mike Scaccia e o estado geral do cara transparecendo a conta dos anos de excessos químicos, a coisa parece que vai mesmo por esse caminho. Mais uma vez. Então, a menos que você esteja empolgado com o Rock in Rio, não há dúvida de que esse será o evento musical do ano no país.

Imperdível...

...a não ser que se perca, como eu. Pois é. Fã de carteirinha desde que a banda foi apresentada pelo jornalista André Barcinski numa Bizz de tempos idos, vou deixar essa passar. Sem disposição pra morrer num valor triplicado (com sorte) de um ingresso já caro n'alguma excursão local salvadora e, até agora, inexistente. A recente aquisição de vários encadernados do Juiz Dredd no site da Mythos ajudou a remover qualquer esperança.


Eu não vou ao show, mas a minha filha foi e achou muito bom. Em termos de ação in loco, o Ministry é unanimidade até entre os críticos mais turrões. Em anos/décadas! de leitura de resenhas pro, alguns lugares-comuns parecem obrigatórios - som mais alto do que o humanamente suportável, clima de pesadelo apocalíptico e a capacidade de rearranjar e transformar até as músicas menos pungentes em Leviatãs sedentos por sangue. O show é um massacre físico e psicológico brutal, disputadíssimo lá fora e aclamado universalmente.

Pra quem vai, sugiro ir aquecendo os motores com os discos da trilogia anti-Bush (Houses of the Molé, Rio Grande Blood e The Last Sucker) e do último, From Beer to Eternity. As músicas desses álbuns compreendem uns 95% do atual setlist, segundo o, hã, Setlist. Os clássicos devem ficar mesmo no combinadão "N.W.O." - "Just One Fix" - "Thieves" - "So What".

Mas bem que eles podiam surpreender e montar um set mais old school. Sacumé, pra compensar a demora... Onde já se viu uma banda que tinha dois bateristas - fora a eletrônica - nunca ter pisado na terra das baterias, tambores, percussões e afins?

Duas dicas vêm do antológico registro ao vivo In Case You Didn't Feel Like Showing Up"Burning Inside", numa versão ainda mais delirante e febril do que em estúdio, ganhando uns gritos de filme de horror que são de gelar a alma; e "Stigmata", um tornado sônico de 10 minutos com synths, guitarras massivas e uma batida que ao vivo deve até quebrar costelas.





Outra excelente pedida seria a inclusão da música "Scarecrow", uma aterradora bad trip Sabbáthica do álbum Psalm 69. Na versão ao vivo do EP Just Another Fix, a simples adição de uma harmônica a transporta sem escalas para a blueseira heavy de "When the Levee Breaks", do Led Zeppelin. Sensacional.



Por fim... quem sabe... a incendiária "Jesus Built My Hotrod". Esse country-metal-eletrônico maníaco psicopata é o verdadeiro Graal do Ministry, sendo negligenciado nos shows desde sempre, com Al repetindo a mesma ladainha: "Gibby Haynes é o único que consegue cantá-la".

Mas parece que ele fez um esforcinho em 2004, na tour do Houses of the Molé...


Enfim, um excelente show para todos que vão.

E me contem tudo logo depois, se o estrago sensorial permitir!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Spawnmart

Por algum motivo obscuro, supermercados dão bons cenários para tramas de horror. Vide O Nevoeiro e Intruder, entre outros. Sem falar que ninguém menos que Ash trabalha num ramo parecido.

Spawn: The Recall é um fan film impressionante que segue essa tradição. O CGI é espantoso para uma produção indie, incluindo alguns efeitos práticos muito bacanas, como o "mexidão de carnes" preparado para compor a máscara do protagonista. O diretor Michael Paris ainda constrói um clima assustador e demonstra um senso estético ao mesmo tempo doentio e sofisticado.

O resultado é fabuloso.


Já vi nego aparecendo com (muito) menos e indo longe. Olho nesse cara...

More info: http://therecall-movie.com
Contact : contact@therecall-movie.com
Facebook : https://www.facebook.com/therecall.movie

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Johnie vai à guerra outra vez


Enquanto a palpitaria come solta em torno do Oscar desse domingo, vou tocando minha vidinha numa caverna em Marte: a notícia do mês, do ano, da década, pra mim, é o lançamento de Miracle Mile em blu-ray. O diretor e roteirista Steve De Jarnatt já havia antecipado algo em sua página no Facebook, mas só agora a coisa ganha contornos oficiais. Segundo o Blu-ray.com, o longa será adicionado ao catálogo da Kino Lorber, com uma nova masterização do próprio De Jarnatt e do diretor de fotografia Theo van de Sande. O lançamento está programado para julho próximo. Uma milha de milagre é pouco pra descrever isso.

Miracle Mile é uma pérola obscura do fim dos anos 80 - já comentei sobre ela por aqui em algumas ocasiões. Na história, um hoax sobre um ataque nuclear varre Los Angeles e um casal (Anthony Edwards e Mare Winningham) tem apenas 70 minutos para sair da cidade antes que o lugar vire um deserto radioativo - ou pelo menos é isso que eles acham. Traindo expectativas e evitando soluções convencionais, o filme foi uma bomba, sem trocadilhos, mas adquiriu status cult com o passar dos anos.

Bom, pelo menos eu cultuo bastante. Mas não estou só: Miracle Mile é tema recorrente em mesas de festivais alternativos e as exibições indie das raras latas do longa são bem concorridas. E não é pra menos. Após anos minguando com uma edição em dvd magrela com proporção 1.33:1 (o famigerado full screen, capturado em sua totalidade aí na imagem do topo), finalmente os fãs ganharão um formato digno de sua obsessão.

Ah, sim... depois de tantas reassistidas explorando os diversos aspectos daquele universo, admito sem culpa que Miracle Mile virou uma obsessão pessoal. Ok, talvez não seja tão obcecado quanto o cara que escreveu uma monografia de 200 páginas sobre o filme, mas o que vale é a obsessão. Ou melhor...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Mr. Catra's in the House


Deu no feice: tudo certo pro álbum de estreia do Mr. Catra & Os Templários, a banda de metal e hardcore do digníssimo embaixador/engenheiro/diplomata Wagner Domingues da Costa, vulgo Mr. Catra - e dou o serviço, foi o Wikipédia quem caguetou essa informação. Quem estava acostumado com o folclórico cancioneiro do MC, abordando de conduta moral à crise na instituição do casamento até relações trabalhistas, vai arrepiar os cabelos descoloridos, franzir as tocas ninja e inverter os sorrisos de suas tatuagens do Jóker. 

Ao que parece, as músicas realmente não fazem a menor concessão pra malandro (e muito menos pra mané) e mostram que Catra & cia não vêm pra perder viagem. O som é papo reto!






O que normalmente pareceria mais um atentado ao rock 'n' roll nosso de cada dia, se desenha não como sua salvação, mas como a injeção de sangue quente que o pop brasileiro vem implorando há muito tempo. Sim, o underground é fervilhante, só que aquela ponte para o mainstream continua no fundo do rio. Catra, por sua vez, é um dos artistas nacionais com maior exposição na grande mídia - agora mesmo ele está lá, distribuindo seus vaticínios pra revista grande. E com público próprio e fidelizado garantido a autossuficiência comercial.

Usando todo esse alcance pra tocar o terror num programa dominical, ou mesmo sabático, o estrago seria antológico.

Habitué em qualquer atração da TV aberta, seja pra falar de maconha, do funk proibidão ou de seus 788 filhos e 354 esposas, a correção política é a menor de suas preocupações. Não é balela poser, o cara vive isso. Fosse na gringolândia, certamente seria parte da turminha do Lil Jon, Big Boi e Snoop Dogg. Transposto para o idioma do rock pesado, acaba adquirindo contornos de autêntico bad boy, saído direto da favela/gueto/trenchtown. Um Ice-T dos trópicos - e olha que Ice é um chihuahua perto da besta-fera carioca. 

Marrento que só, diz que "curte e respeita" Led Zep, Biohazard e Body Count. Sem descansar a artilharia, se compara a David Coverdale. E antes que alguém leve à ponta da faca, é bom frisar que isso também tem tudo a ver com a melhor tradição malaca do rockstar.

Trash talk, inadvertido que seja. E se for, melhor ainda.


Pra quem está de saco cheio de rockinho cara limpa, Chicos Buarques de CCE universitário e indies de SESC, o álbum do Catra (e d'Os Templários) parece até providência divina. Chuva de fogo e enxofre pra cima de uma ceninha de bastardos bossa-novistas e penetras no Clube da Esquina. 

Ou como ele mesmo explica numa síntese que só as mentes mais aerodinâmicas são capazes:

"Acho que esse disco vai acabar com a brincadeirinha que virou o rock. Agora é porrada. O rock voltou. Acabou o colorido. Acabou a matinê."

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Zombie de Ouro 2014


Uma coisa que achei notável em 2014 foi a quantidade de lançamentos de qualidade sendo colocados na praça. Mas na praça da web, via Bandcamp, SoundCloud e iniciativas como o excelente Reverberre!, do bróder Sandro. Bandas e artistas correndo por fora definitivamente e de forma natural.

Aliás, quem está correndo "por fora" mesmo são as outrora majors da indústria, vivendo seus últimos espasmos: poucas novidades e campanhas massivas apenas para nomes com retorno garantido, como AC/DC e U2, só pra ficarmos na seara rock. Bem... previsível.

Durante o ano também resolvi parar com os obituários por aqui, senão não postaria outra coisa - como se eu já postasse muito ultimamente... De fato, foi só em 2013, na ocasião da rateada braba de Lemmy Kilmister, nosso senhor e salvador, que percebi que essas lendas vivas já estavam na casa dos 70, algumas até dos 80. Enquanto escrevia este ZdO mesmo, outro ídolo meu, feito de tangerina, também resolveu que estava na hora de sair pela esquerda. Absurdo.

Mas vamos aos 30 discos que este que vos escreve mais ouviu ano passado e ainda continua ouvindo. É o Zombie de Ouro 2014, cheio de atraso elegante e espocando a cibilina!

So, let's Rooock!






"Look Ahead", faixa de abertura de Honest, último álbum do rapper Future, impressiona. Com um sample esperto de "Dougou Badia", do duo malinês Amadou & Mariam, a música traz um mix de autoconsciência pop com um senso real de grandiosidade, quase arena. Algo incomum em se tratando de hip-hop. Meio que antecipa a tônica do álbum, ainda que nada se compare. Mas Future realmente busca novos caminhos para o gênero, inclusive reciclando fórmulas já saturadas, como os vocais respingando Auto-Tunes pra tudo que é lado, criando um efeito "espacial"/psicodélico/chapado, e o uso abusivo do low bass alterando até o ritmo cardíaco dos mais desavisados. Quem tiver um bom kit 5.1 vai marcar alguns pontos na Escala Richter. Subwoofers, tremei!



It's Album Time foi a estreia do DJ e produtor norueguês Todd Terje. Diferente dos álbuns de eletrônica retrô lançados em 2014, como os bons Journeys, do Timecop1983, Golden Age Against the Machine, de Shawn Lee, e até o asséptico Interceptor, de Mitch Murder, a força de Terje está na sensibilidade. Em seu processador vintage entra desde electrofunk e space-disco até pop, synth e latinidades à vera, mas com um romantismo idealizado que não passa despercebido. Tem até Bryan Ferry cantando em "Johnny and Mary", de Robert Palmer. Além do álbum inteiro soar orgânico e contagiante como poucos, só me restam mais duas certezas: o Daft Punk vai ter que suar os circuitos no próximo disco; e esse cara não é da Noruega mesmo.



Vem de Gothenburg o melhor álbum de speed metal de 1983... lançado em 2014. Em seu debut homônimo, o Vampire desenterra aquela revolta adolescente movida a jeans rasgados, patches e tachinhas, além do velho feeling do thrash em seus primeiros dias. Divertidíssimo. O grupo poderia muito bem ter excursionado com o Venom, o Exciter ou o Sodom em algum ponto dos anos 80. Auxiliados por uma produção que privilegia a sujeira, mas garante a coesão sonora, o disco é um quebra-pau federal do início ao fim, sem descanso. Fora que os caras certamente guardam um lugarzinho de honra para o nosso Zé do Caixão em seus corações negros e putrefactos.



Dos medalhões do rock-BR oitentista, o Titãs foi um dos que mais sofreu com a ação do tempo. Não o repertório clássico, mas a sua capacidade de se manter relevante para as gerações seguintes - situação vivenciada também pelo Ira!. Após alguns desfalques graves na formação e a sensação de que o pangaré estava indo pro brejo, eis que o grupo ressurge com vigor de alazão: Nheengatu é uma amostra, corajosa até, do que foi o grupo no auge da perspicácia, ironia e musicalidade, mas só isso já foi o suficiente para ser um dos destaques de 2014. Precisamos de mais discos assim. E bandas assim.

(embora a versão de "Canalha" seja bem inferior à versão do Camisa... e ambas levem um couro épico da versão original)



E viva Satã! The Satanist uniu os povos, o Behemoth são os novos Beatles (Beheatles) e Adam Michał "Nergal" Darski é o modelo do jovem empreendedor para os anos 2010. O cara é uma mistura de Dave Grohl, Lance Armstrong antes da desgraça e Damien. Senão vejamos: é formado em curadoria de museus, é técnico do The Voice polonês e garoto-propaganda de energético - chamado, claro, Demon Energy. Tudo isso enquanto encara(va) uma leucemia. É o Glen Benton que deu certo. Visto tudo isso, o melhor e mais popular álbum de metal extremo de 2014 - precisamente o que The Satanist é - parece até mais um dia no escritório do Behemoth.



Inativo desde 2002, o vulcão Godflesh entrou em erupção com força total em 2014. Primeiro lançou sem alarde o monolítico EPzinho Decline & Fall, como se fosse uma prévia da brutalidade magmática que viria a seguir. A World Lit Only by Fire não é um álbum, é um epicentro. É o CarnedeDeus em seu estado mais abrasivo, obsessivo e opressor. Um dos highlights da discografia do Justin Broadrick - olha a responsabilidade - e fácil um dos discos mais pesados deste início de século.



A esta altura do campeonato de rap-metal, o retorno triunfal do Body Count não teve o impacto que teria em priscas eras. Mas pra mim, que ainda cantarolo "KKK Bitch" debaixo do chuveiro, foi como ser atropelado pelo furgão do B.A.. Manslaughter foi uma das coisas que mais ouvi em 2014. E sempre rolando no chão de tanto rir. Sobra pancada pra todo lado: de falastrões de redes sociais (em "Talk Shit, Get Shot") a Jay Z ("99 Problems", o contexto você confere nessa sensacional entrevista), passando pelos nóias de plantão ("Back to Rehab") e por aí vai. Destaques, todos. Como bem definiu o próprio Ice-T, "the whole album is about the pussification of man". Ditto. Mas tenho que dizer: "Black Voodoo Sex", continuação da antológica "Voodoo" do álbum de estreia, e principalmente ,"Institutionalized 2014", versão do clássico do Suicidal Tendencies com letra bodycounteada hilária, são de jogar tudo pro alto e mandar o chefe se foder. Provavelmente o melhor disco do Body Count.



Em 2014 o Accept esteve no auge de uma fase com intensa receptividade de público e crítica. Isso graças à figura do frontman Mark Tornillo, que cumpriu com honras a difícil missão de assumir o lugar do carismático höbbit Udo Dirkschneider três discos atrás. Blind Rage é heavão encorpado e orgânico, com a guitarra de Wolf Hoffmann fazendo a ponte entre metal e música clássica como se fosse a coisa mais fácil do mundo. O disco certo para o momento certo. Em contrapartida, o ano parece ter fechado meio esquisito para os germânicos e o yankee. Vamos ver se é um autêntico caso heaven & hell ou apenas um breve desvio de curso. E isso serve pra vocês também, Slayer e Megadeth. Estamos de olho...



Já completando 25 anos de estrada, o grupo norte-americano Slough Feg ainda é pouco conhecido, mas lançou um dos discos de heavy metal mais bacanas de 2014. Por "heavy metal", entenda como a essência arquetípica do gênero, sem velocismos, pirotecnias e barulhos desembestados. Apenas melodias e música. Tradicionalista e classudo como poucos, o álbum Digital Resistance chega a lembrar os grupos mais obscuros da NWOBHM (Bleak House, Demon) e ícones como Iron, Thin Lizzy e Jethro Tull. Há uma inegável influência de folk metal à Skyclad, mas assimilada na medida. O disco é conceitual e é um libelo do cantor e professor de filosofia, Mike Scalzi, contra, veja só, a tecnologia. Vale a pena reproduzir seus comentários da entrevista para o About.com sobre o tema do álbum:

"I see 18 to 20 year old kids and their habits and patterns and how they learn, or don't learn. It's weird what's happening. This new generation of 20 year olds don't feel the need to rebel the way we did. They are more complacent, which scares me. They seem content to just stare at screens all day. I find this somewhat disturbing: growing up for my generation compared to being an adult, and seeing kids grow up in this news technological generation. We are getting lazy and slothful and quite flabby as a species, physically and mentally. Perhaps this is inevitable for some, but I certainly don’t want to go that way myself. I don’t have all the answers, but I would hope that my music would make people get off their asses and simply assert themselves. Do something with yourself!"



Pra quem estava na seca por um disco de inéditas do Ratos de Porão, a pancadaria de Século Sinistro veio com juros e correção monetária. A sensação é de ser escorraçado por uma gigantesca roda de pogo. Jão, Juninho e Boka estraçalham tímpanos e pescoços sem dó e João Gordo, mais uma vez, confirma a verdade: ele é mesmo o Bezerra da Silva do hardcore. O alvo principal é o cidadão comum, como eu, como você (como todo mundo!), o responsável principal pela bandalheira que assola por aí, etc e tal. É, você mesmo. Ou vai ficar aí, esperando peninha de político 171? Qualééé, cumpááádi...



Um dos poucos músicos que justificam musicalmente uma arte de H.R. Giger nas capas de seus discos, Tom Gabriel Fischer - ou Tom G. Warrior, dependendo do seu grau true - cometeu uma pequena obra-prima nesse 2º registro de seu Triptykon. "Pequena" por enquanto, ainda é cedo pra mensurar o bicho que vai dar. Melana Chasmata segue ainda mais fundo na transgressão do metal que ele tanto busca desde os tempos do Celtic Frost. Um álbum onde cada audição se mostra uma experiência absolutamente nova, individual. Música de vanguarda, com certeza. É gótico, doom, black, ambient, até mesmo art rock. Mas de vanguarda. E pesado como o inferno. Essencial.



O quarteto nipo-americano GridLink conseguiu um feito em Longhena: fazer o grindcore soar tão melódico quanto um Linkin Park da vida. E sem sacrificar um pentelhésimo que seja do extremismo sônico e dos TOCs característicos do estilo. À taxa média de 90 segundos por (anti) música distribuídos cacofonicamente em 21 minutos de duração, o disco também passa longe de soar cansativo. Ainda mais quando uma das faixas parece ter sido composta para funcionar como uma massagem shiatsu nos surrados labirintos auditivos antes da próxima triturada. Uma pena mesmo o grupo ter fechado o boteco após o lançamento do álbum - pelo que li no feissçe, por problemas de saúde do guitarrista e letrista Takafumi.



A capa sugere algo ultrablackdeathsatanichighlander. Mas saiu pela Relapse Records, reduto pós-hardcore/noise/alternativo-barulhento-aí. Acaba que o som do Ringworm é, em valores aproximados, um Slayer hardcore. Mas bem melhor que esse Slayer hardcore dos últimos 10 anos. No disco Hammer of the Witch eles despejam uma trauletada thrash/HC com riffs ganchudos e alguns solos Hannemaneanos (R.I.P.) que dão um toque mais sombrio à dinâmica street punk do grupo. E também não têm o menor pudor em metralhar blast beats desaforados aqui e acolá. Um álbum arrasador, ensurdecedor e entortador (de pescoços).



Vai por mim: não faltam motivos pra ficar puto em Vitória/ES. Mas não tão puto! Nesse Chiqueiro Ninguém Vai pro Céu, 3º álbum do kombão capixaba Puritan, é um tsunami de ódio e niilismo concentrado. O som é uma porradaria crossover animalesca, mas o filé mesmo são as letras. Você pode até não concordar com tudo, mas a diversão é garantida com "Bandido Bom É Bandido Morto", "Aqui Se Faz, Aqui Se Paga" e outras pérolas do cancioneiro reaça. Já "Periferia É Periferia" faz a homônima dos Racionais MC's parecer um dia ensolarado no parque, enquanto "Manipulado" é a crônica definitiva para qualquer cenário do país da Lei de Gérson. Pode aumentar o volume à vontade que o vizinho não vai reclamar. Ele também não vai pro céu.



Inacreditáveis 30 anos de carreira tocando thrash metal no Brasil. Não é pra qualquer um. E no caso específico do Korzus, ainda comprometido com uma evolução técnica constante e um nível de profissionalismo musical e extramusical de deixar muita banda gringa comendo mosca - medalhões, inclusive. Legion, o novo álbum, não é nada menos que o reflexo disso tudo: uma banda no topo do seu jogo, sem ceder 1 milímetro a tendências efêmeras. A ótima produção confere uma nitidez incrível para um thrash tão extremo. Legion é um discaço do primeiro ao último acorde. Ouça no volume 111.



Complicado contextualizar o Laibach pra gerações pós-Perestroika. Associado ao coletivo político-artístico NSK, sua natureza é francamente performática. Pra eles, Música é apenas um... instrumento. Música excepcional, diga-se, se o seu negócio for EBM e IDM, os corpos que eles habitam em Spectre. Apesar disso, vários aspectos daquele "industrial marcial" temporão foram preservados em carbonita siberiana: estão lá os gritos de ordem proletários, o fetiche pelo totalitarismo em seu state d'art e, claro, a boa e velha provocação nazifascista. O tradicional rosnado em basso profondo do ogro Milan Fras divide espaço com a voz aveludada da lindíssima fraülein Mina Špiler, reforçando o quê de darkwave constante nos sons. As letras, agora em full english, são um parque de diversões em plena Praça Vermelha e a ironia laibachiana vai muito bem, obrigado - vide o assobio à "Colonel Bogey March" logo na abertura, com o hit subterrâneo "The Whistleblowers". Segundo a (excelente) crítica negativa do Pitchfork, o melhor da festa acabou junto com a Guerra Fria. Não se depender desses soldados. Heil!



O som desafiador do Eyehategod atingiu neste álbum homônimo seu estágio terminal de depuração. Tecnicamente, trata-se de um sludge metal doidão, fundindo o hardcore mais crusty com o protometal setentista mais alucinado. Tudo curtido em crueza de garagem e com o sensorial entupido de metanfetamina. É um caos ordenado, paranóico, deliberadamente exaustivo. Uma experiência per se. A sensação é de mergulhar de barriga no poço de seringas de Jogos Mortais 2. E isso, acredite, é no bom sentido.



III é o, hum... 3º álbum do BadBadNotGood e segue mantendo o alto nível dos registros anteriores. Pra quem não conhece, esse sensacional trio canadense faz um mix instrumental de jazz, samplers e hip-hop produzindo uma sonzeira de aquecer o coração. São músicos excepcionais - essencialmente jazzeiros pirando em batidas e grooves lisérgicos no fundo de um pub enfumaçado - e o resultado só podia ser mais um discaço. Eles também já têm na agulha um provável melhor de 2015, em parceria com o Ghostface Killah, do Wu-Tang Clan. Mas esse só lá pra fevereiro...



Tá lá no Bandcamp da banda: "o mundo está fodido e esta é a trilha sonora para o seu fim". Praticamente um subtítulo para La Fin Absolue du Monde, último disco do Enabler. A descrição é fidedigna ao furioso crossover do grupo de Milwaukee, não só pelas letras vomitando uma desgraceira atrás da outra, mas também pelo punch brutal e o trampo bem sacado das guitarras. O álbum inteiro é uma lajotada na fuça, só que lá pelo meião surgem umas nuances mais groove e melodiosas, que somem tão rápido quanto aparecem. Ainda bem. Fiquem atentos, caras do Enabler. Vocês quase puseram em risco sua presença no foderoso Zombie de Ouro!



Que disco de estreia esse do Cadáver em Transe... como diria o Síndico, que beleza. Fui ouvindo e ficando estarrecido. Ou em transe, sei lá. O quarteto paulista vai direto ao que interessa e detona um senhor pós-punk. E pós-punk porrada. Guitarra killingjokeana, baixão pulsante, bateria percussiva e tudo o mais. Talvez fosse o som que bandas como Muzak, Violeta de Outono e Arte no Escuro fariam se fossem mordidas por um Bob Cuspe raivoso. Até mesmo a qualidade lo-fi da gravação conspira a favor. O que estão esperando, groupies? Lotem o camarim desses meninos (e dessa menina). Isto é uma ordem!



Bela surpresa esse Savage Gold, 3º álbum do grupo nova-iorquino Tombs. O som é meio inclassificável, juntando estilhaços de subgêneros metálicos já carne-de-pescoço por si sós. Temos aqui excertos de sludge, progressivo, black metal e doses cavalares de experimentalismo. E é bem headbangeável, apesar de administrar toda essa carga basáltica ao mesmo tempo e a mil por hora. Um disco original, visceral e viciante.



Até ontem, quando se falava em hip-hop underground logo vinha à cabeça o Death Grips. Infelizmente, em 2014 o grupo lançou seu - mediano - canto do cisne, mas a vaga já foi ocupada com folgas pelo Run the Jewels. Em Run the Jewels 2, o duo formado por Killer Mike e por EI-P, também produtor com fuça de gerente de banco, se mostra à altura no DG em ousadia e punch. Mas ao invés de elevar a zoeira sonora a níveis extremos, sua abordagem é mais acessível e direta. Ainda assim, são de fazer mega-stars como Kanye West e P. Diddy se mijarem nas calças bag. Pra quem acha que o hip-hop já deu o que tinha que dar, é melhor ativar os radares novamente...



Se o metal gótico fosse realmente um crossover ao pé da letra, o resultado seria o som assustador do Emptiness. Nada de baladinhas, melodias épicas overproduzidas ou vocaizinhos líricos: o clima é de total desespero, horror e... vazio. Mas "vazio" no mau sentido, o que no caso é bom, se é que você me entende. Ouvir o excelente Nothing but the Whole é mais ou menos como explorar um sanatório abandonado no meio da noite. Em meio aos sons e delírios macabros, também há um delivery generoso de pós-punk, além de uma nuvem ameaçadora de black/death metal - embora o temporal nunca desabe efetivamente, conservando a "impureza" da atmosfera. Um álbum perturbador e imperdível.



Em terra de sludge metal rústico e imundo, o Crowbar é rei. Vindo dos pântanos da Louisiana, o grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Kirk Windstein é um dos pilares do estilo e influência primordial pra uma carreirada de bandas, de Mastodon e Black Label Society a Red Fang. Symmetry in Black não é nem o melhor do grupo, mas soa extremamente necessário diante de tanta bunda-molice que assola a mídia todo santo dia. Peso-pesado, cavernoso e arrastadão, mas cheio de hardcore no contrapé. Se algum dia eu operar uma motosserra e esse álbum estiver rolando por perto, vou logo avisando: sebo nas canelas. I'm as mad as hell, and I'm not going to take this anymore!



Com trocentos projetos paralelos, de Unida e Slo Burn a Hermano e Vista Chino, John Garcia é lembrado mesmo por seus tempos à frente do seminal Kyuss. O cara hoje é uma alma perdida embriagada em pura convicção estradeira. Um alienígena freak e desajustado aos dias atuais, só encontrando paralelo em Mark Lanegan. Nada mais de festa stoner no deserto regada à fuzz, skunk, peyote e mocinhas de topless. Neste debut solo homônimo, Garcia se mostra mais intimista, tocando hard rock blueseirudo puro e simples. Metade do clima aqui é pra refletir lá no deserto mesmo, à noite, mirando as estrelas deitado no capô de um Mustang. A outra metade é pra quando tanta contemplação der no saco e querer se mandar lá praquela festa.



Na ativa desde 2011, o grupo franco-sueco-americano Blues Pills tem ótimas credenciais: foi formado por dois ex-Radio Moscow, o baixista Zack Anderson e o baterista Cory Berry. Ou seja, garantia de cozinha fervilhante de blues e lisergia com um pé no rock de garagem. Mas o grande trunfo da dupla foi descobrir e recrutar o fantástico guitarrista-prodígio Dorian Sorriaux, na época com 16 anos, e a riponga vozeiruda Elin Larsson, fã de Etta James e Big Mama Thornton, mas que certamente já matou aula pra ouvir Janis. Este debut homônimo foi um dos álbuns mais festejados de 2014 e não é pra menos. Seu hard blues psicodélico é apaixonado, evolvente e transborda feeling. Believe the hype.



E o cenário sludge/stoner metal vai muito bem, obrigado. Pelo menos no que depender de bandas como o Blacksmoker, um trio violentíssimo proveniente da Bavaria. No opus Origins o que não falta são riffs podraços, batidas tiranossáuricas e vocais agonizantes na linha Matt Pike/Ben Ward. A sensação é de que mais um monstrinho da prole bastarda do Black Sabbath com o Motörhead escapou do porão. Fora que o termo "black smoker" é um puta nome pra banda de rock porrada!



Conjuring the Dead é o décimo álbum do Belphegor em 23 anos de atividade, fora EPs e o disco ao vivo. O grupo hoje é um duo em estúdio - o austríaco Helmuth Lehner e o tcheco, uia, Serpenth - e naturalmente evoluiu seu "blackened death metal" a um alto nível de musicalidade sem arrefecer o ataque demoníaco, luciférico e belphegórico. A prova é a bela instrumental "The Eyes" convivendo em harmonia celestial com a altruísta "Lucifer, Take Her!". É um disco relativamente curto - pouco mais de meia-horinha e sua alma já tem um lugar garantido no quintal do cramulhão - e sobretudo efetivo. Méritos à parte para a excelente produção de Erik Rutan, que também produziu o grande álbum do Tombs. Esse aí estava com o diabo no corpo em 2014.



Como toda formação stoner metal que se preze, a dorsal do veterano Orange Goblin sempre foi o Black Sabbath. Em Back from the Abyss a inspiração ganha um devido tributo logo na abertura, com "Sabbath Hex". Mas seu caldeirão de influências é abrangente, cobrindo também outros gigantes do hard/heavy setentista sem perder sua própria identidade, pelo contrário. Uma coisa, porém, é certa: Lemmy ficaria louco se ouvisse a motörheaderizada do grupo nas alucinantes "The Devil's Whip" e "Bloodzilla". "Thieving from the house of God" é isso aí...



A definição mais bacana de Echoes and Cinder, dos deathsters ingleses do Ancient Ascendant, veio do Metal Sucks: "é como se o Opeth saísse com o Enslaved e eles tivessem um bebê. Enquanto isso, Lamb of God e Skeletonwitch também saíram e tiveram um bebê. E por algum milagre, esses dois bebês saíram juntos e treparam - e essa seria a merda que eles dariam à luz." Sem mais a adicionar a essa imagem idílica e poética, a não ser que o disco também é bastante acessível, cortesia da produção cristalina do genial Dan Swanö. "To Break the Binds", por exemplo, tem umas passagens que parecem até trilha dos velhos comerciais dos cigarros Hollywood. Ou seja, tudo a ver com death.


Capa mais fodona de 2014

A do álbum The Old Believer, do grupo The Atlas Moth. Bom disco, mas a capa é um must see.


Ou not see...

A video posted by Chris Bruni (@chris_bruni) on


Revelação de 2013 em 2014


Nomad, do Hendrix tuareg Bombino. Descoberta do André Barcinski. O cara realmente quebra tudo e ganhou essa com uma palheta e um pedal wah-wah nas costas.


Série-vício do ano


Orphan Black. Tudo começou com uma dica do Eudes no santuário da Rapadura. Hoje sou o presidente do fã-clube latino-americano da Tatiana Maslany.

Cadê abril que não chegou ainda?