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terça-feira, 10 de agosto de 2021
Na época da National Allied e da Timely é que era bom
O nó nas tripas do 5&20 não deve desatar tão cedo. Afinal, esse é o modus operandi das duas grandes desde sempre. Que o digam as famílias Siegel, Finger e Kirby. Até o caso Scarlett Johansson, ainda que orbitando outra esfera, ilustra à perfeição as constatações do ótimo artigo do Guardian.
Esse trecho é lapidar:
"Starlin negociou um pagamento maior depois de argumentar que a Marvel o pagou mal por usar Thanos como o grande vilão do MCU. O prolífico escritor da Marvel, Roy Thomas, teve seu nome adicionado aos créditos da série Loki da Disney + depois que seu agente fez barulho. Mas esses são os criadores que a Marvel precisa manter felizes; as coisas podem ser muito diferentes se ninguém liga quando você reclama."
Movimentar bilhões de dólares e fazer vista grossa para os criadores usando a velha malandragem do "vai que cola." Tive chefes que faziam isso com troco de padaria e já achava o cúmulo da avareza.
Dizer o quê? "'Nuff said"?
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quinta-feira, 15 de julho de 2021
Guerra e Pais

Dizem que a justiça tarda, mas não falha. Há tempos aguardo pacientemente pelo grande filme de ação girl-on-girl (sem saliências, safadão), do tipo que atenda ao máximo de pré-requisitos da porradaria pé no chão antes de partir para a extravagância blockbuster habitual. E Viúva Negra parecia o(a) candidato(a) mais promissor(a) dos últimos tempos. Porque Natasha Romanoff é o que é. E Scarlett Johansson também. Ainda não foi desta vez, mas valeu pela reverência a esta atriz que deu coração, personalidade e profundidade à personagem no cinema.
Paradoxalmente, a tal da reverência foi o elemento que mais esteve em falta no filme.
Em nenhum momento me senti impactado, arrebatado ou cativado pelo fato desta ser a possível despedida de Johansson da personagem. Talvez seja pelo efeito Ultimato – onde ela protagoniza uma de suas cenas mais marcantes – e ter isso como parâmetro não facilita as coisas. Mas, noves fora, e mesmo sob o risco de soar meloso e/ou cerimonioso, a Viúva Scarlett merecia um "até logo". Alguma cena, alguma analogia ao futuro, linhazinha de diálogo, sei lá.
Em contrapartida, é bom notar que o roteirista Eric Pearson e a diretora Cate Shortland parecem ter tirado lições valiosas vendo o decepcionante voo solo da Capitã Marvel. Nenhum homem é uma ilha; nenhuma mulher tampouco; e uma Viúva só não faz verão. Ou algo assim.
Mesmo de vez, Florence Pugh é o melhor fruto de Viúva Negra e um dos grandes debuts da já extensa filmografia Marvel. A guria convence como a Viúva-Negra Yelena Belova. Que se dane: me convence. Pra mim, era algo impossível dissociá-la da Amélia carpideira de Midsommar, o que foi uma garoteada inconsequente da minha parte. A moça já encenou trocentas adaptações da literatura e é Oxfordiana da gema – incluída assim na regra implícita que estabelece que qualquer ser humano nascido brit é ator até o pâncreas. Pra melhorar, o roteiro, baseado na premissa da dupla Jac Schaeffer/Ned Benson, sabe o que fazer com ela.

No início do filme vemos um pouco do passado das Viúvas "Nat" Romanoff e Yelena ainda crianças – sendo que Ever Anderson, filha de Milla Jovovich & Paul W. Anderson, me deixou uma eternidade sem saber se era menino ou menina, igualando o recorde de androginia de Kristen Stewart em O Quarto do Pânico. Infiltradas na América, elas são criadas como irmãs em uma família de faz-de-conta completada pelo supersoldado russo Alexei "Guardião Vermelho" Shostakov, interpretado por David Harbour (o Hellboy ruim!), e pela Viúva-Negra Melina Vostokoff, papel da indefectível Rachel Weisz.
A trama principal tem início 20 anos depois, logo após os eventos de Capitão América: Guerra Civil. Com os Vingadores separados e vários deles presos ou foragidos, Romanoff é caçada pelo General Ross, em mais um cameo furtivo de William Hurt, e se isola nos cafundós da Noruega. Seu único contato com o mundo exterior é Mason (O.T. Fagbenle), um fornecedor de sua época na SHIELD. Ainda assim, ela se vê envolvida em uma guerra entre sua "irmã" Yelena e a rede de Viúvas-Negras que ela julgava desativada.
Daí pra frente é uma montanha-russa de ação e lutas frenéticas. Ou quase. Fica evidente que a maior preocupação da diretora é focar nas questões mal resolvidas da vida de Natasha. E isso vai desde os traumas adquiridos em anos de missões sanguinárias para a KGB até seu vazio pessoal/existencial, preenchido apenas pelas boas recordações de uma família fake. E dos Vingadores.
Felizmente, Shortland soube evitar os excessos em momentos genuinamente tocantes e pontuados pela experiência do elenco. Um bom exemplo é quando Natasha confronta emocionalmente sua "mãe" Melina. Mesmo com ambas endurecidas pelo programa Viúva-Negra, a troca dramática entre Johansson e Weisz é pungente. Outra boa sacada foi o momento "pai e filha" entre o fanfarrão Alexei e a relutante Yelena. De início, a cena parecia ter se esticado além da conta e já dava como perdida, daí ele começa a cantarolar desajeitadamente “American Pie”, a canção favorita de Yelena quando criança, e vira o jogo. Engraçado e comovente ao mesmo tempo.

Claro que a montanha-russa de ação não demora a chutar a porteira e estampar na tela cada cent das 200 milhões de doletas do orçamento. Ainda que a perseguição pelas ruas de Budapest seja eficiente, não é nada que algum Velozes & Furiosos não tenha feito num terça-feira qualquer. A cereja mesmo fica com o CGI Sky Fest da sequência final. Visualmente tão impressionante quanto absurda. E isso é meio que um elogio. Já as lutas são meio que problemáticas.
A bem da verdade, as lutas são acima da média. Pena que não é disso que o filme se trata e a relevância das mesmas é frequentemente negligenciada no decorrer da história. Nenhuma delas decide nada na trama. Normalmente, heróis se encontram e se enfrentam por motivos idiotas. Sempre foi assim. Mas a (boa) briga de Nat e Yelena é o novo marco das lutas gratuitas do UCM. Tony Pinga e Rhodey em Homem de Ferro 2 já podem respirar aliviados.
Chega a ser notável certo desleixo em alguns momentos. Num deles, Yelena derruba um guarda na Sala Vermelha com uma banda e o cara desmaia. E até ali, a Ursinha Pugh estava mandando bem na coreografia.

Taskmaster?*
* olha como sou bonzinho com o leitor que não assistiu ainda
Apesar do visual afudê e da aparição inicial com stunts descaralhantes mimetizando os movimentos de Natasha, temo concordar com meus confrades: uma decepção. Puta potencial jogado fora. Ainda mais porque a pessoa por trás da máscara é bastante conhecida. Ou seja, some aí desperdício à decepção. Sem contar que todas as cenas bacanas já estavam no trailer.
E ainda que o 3º ato realize um dos meus sonhos mais agradáveis, que é ver a Rachel Weisz com roupitcha super-heróica, é nele que a narrativa acelera e sai ralando no guard rail.
O veterano Ray Winstone como o evil chefão Dreykov fez o melhor possível mediante o curto tempo de tela: imitar o Brian Cox em X2 como se tivesse uma arma apontada pra cabeça. E, de fato, sua posição e relações familiares remetem diretamente ao Coronel William Stryker e seu filho mutante zoado Jason 143. Outra coisa que chama atenção é a Sala Vermelha com baixíssimo contingente de guardas, técnicos e cientistas. Novos filmes, velhos problemas.
Até fiz vista grossa para o pequeno estratagema nasal bolado por Natasha para evitar o bloqueio dos feromônios (coisa mais anos 80), mas dali pra frente a logística da coisa embola perigosamente. Capturados em São Petersburgo, as heroínas e o anti-herói são levados até a nave russa localizada bem "embaixo" do nariz dos americanos sem dar um bip sequer lá na SHIELD/SWORD/etc. E quando o AeroportaCCCPaviões cai, Natasha chama justamente o Ross? Detalhes, detalhes.

No fim das contas, o saldo é bem positivo. Foi uma boa despedida para Scarlett Johansson – se é que foi uma despedida per se – e ainda deixa os braceletes da Viúva muito bem encaminhados. Florence Pugh é uma graça e está mais do que preparada para a próxima fase da Marvel.
Fora que ela zoando o superhero landing da Natasha foi sensacional. Melhor que o Deadpool.®
Ps: que Valentina Allegra de Fontaine faça o dever de casa. Thunderbolts já!
Pps: co-resenhado with a little help from my friends Sandro e Fivo. Valeu, cachorros!
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domingo, 4 de agosto de 2019
Fim de semana Ultimato
Após as devidas análises num ambiente controlado, cheguei a uma conclusão.


Isso vai demorar muito para envelhecer...



Isso vai demorar muito para envelhecer...
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quinta-feira, 5 de março de 2015
O verdadeiro desafio de Whedon será fugir de seus próprios clichês
O novo trailer de Vingadores: Era de Ultron está sendo recebido com honras de chefe de estado nerdsfera afora. Não é pra menos. Joss Whedon está colhendo cada fruto plantado no divertido e eficiente Os Vingadores, de 2012. A ação e a interação entre arquétipos (e atores, e escolas) tão díspares foram estruturadas de maneira plenamente funcional e pop.
Assim como na prévia anterior, essa despeja competência e profissionalismo no quesito aventura. Teremos Hulk versus Hulkbuster, Mercúrio atropelando Cap em mach-5, mais uma pose "Avante Vingadores!" pra galeria, Ultron e muitos, mas muitos Ultrons. Daí uma sensação de déjà vu quase fulminante me acordou do transe: Whedon parece estar seguindo à risca a cartilha do bigger, faster & stronger das continuações hollywoodianas.
Sai Thor, entra o Homem de Ferro no UFGama, Mercúrio numa cena análoga ao do Mercúrio de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, explosões mil, Nick Fury engessado em sua nova função de mentor extra-oficial, Robert Downey Jr. perdendo o brilho e o tesão a olhos vistos e o que periga ser a framboesa desse bolo: o exército de Ultrons.
Provavelmente interligados numa consciência-colméia gerenciada pelo Ultron original e sujeitos à mesma fraqueza do exército Chitauri do 1º filme, requentada do exército alien-cyborg da bomba Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles - destrói-se a fonte e os demais caem como um castelo de cartas. Deus ex machina nas máquinas mais uma vez?
E falando em máquinas, porque o Visão está sendo tão preservado? Algum pé atrás?
Whedon já comentou sobre o trabalho absurdamente extenuante que teve para coordernar o circo todo. Tomara que não a um preço comprometedor...
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quinta-feira, 25 de abril de 2013
Tony Stark 2 (Retro-review)

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010) foi sintomático no que tange ao bem sucedido processo de adaptação do herói para o cinema. É um legítimo blockbuster com cara de blockbuster e gostinho de verão, pipoca e feriado de 4 de julho yankee. Entre uma coisa e outra, vêem-se as virtudes, sintetizadas no tratamento de luxo que só uma marca de sucesso tem o direito, como também os defeitos. Aqueles mesmos que acometem o cinemão do Tio Sam temporada após temporada e que tem um pouco a ver com o mercantilismo agressivo em cima da arte e a facilidade de informação gerando um contraditório emburrecimento das novas gerações. Um pouco, porque o ingrediente principal trouxe um princípio ativo tarja preta: o hellraiser Robert Downey Jr.
Se no filme original o estilão solto e desencanado do diretor Jon Favreau fez do Latinha um personagem de cinema viável e carismático, em Homem de Ferro 2 ele quase rodopiou na pista. Todas as traquitanas high tech inacreditáveis, os dilemas morais advindos da parceria com os militares e o pega-pra-capar dos bastidores da alta classe executiva ficaram minúsculos diante do personagem magnético e larger-than-life que é Downey Jr./Tony Stark, alter-ego do herói. Favreau, talvez percebendo que o roteiro de Justin Theroux (Trovão Tropical) não daria conta sozinho, recorreu ao que funcionou melhor no 1º filme, que foi o bom-humor e a despretensão. Que em Homem de Ferro 2 traduziu-se em quase desleixo e um pé no besteirol.
Talvez fosse o caso de terem apostado numa abordagem mais sombria e menos piadista, um "O Império Contra-Ataca" versão Latinha. O timing era apropriado. Mas preferiram seguir a velha receita hollywoodiana do "bigger, stronger & faster". Afinal de contas, Downey Jr. e Stark eram agora grandes e ensolarados astros pop, certo? Mais ou menos. Grandes sim, mas ensolarados só na crosta. O fator que alçou ambos ao sucesso foi justamente suas nuances mais obscuras e lascivas. Quando anunciaram o 1º filme não faltou quem relacionasse o estilo de vida de Downey Jr. a de um certo hedonista ficcional envolto em escândalos com mulheres, alcoolismo e altas cifras. Eles nasceram um pro outro.
Não que eu esperasse uma dramatização deprê de O Demônio na Garrafa, queria apenas ver o protagonista soando mais humano e não tão acima do bem e dos maus. Mas no final das contas, até que o estrago não foi tão grande assim. Poderia ter sido muito pior.

Um aspecto positivo do filme foi expandir o cenário corporativo em torno das empresas Stark, algo bem recorrente nos quadrinhos que rendeu (e ainda rende) uma galeria de CEOs rivais do herói - dos irmãos Desmond e Phoebe Marrs, da Corporação Marrs, até Edwin Cord, dono da Cord Conglomerate, além de Ezekiel Stane, filho do aparentemente finado Obadiah "Iron Monger" Stane. O escolhido da vez, no entanto, foi um inimigo mais tradicional: Justin Hammer, encarnado pelo sempre ótimo Sam Rockwell. Providencialmente rejuvenescido, motivado e sem escrúpulos como manda o figurino Armani dos jovens multi-bilionários empreendedores. É mais um concorrente do que propriamente um arqui-inimigo. Mas carece da malícia e do intelecto que já fez o Tony Stark dos gibis comer o pão que Mefisto amassou várias vezes. O que é um pouco frustrante e se fez sentir quando Hammer é ingenuamente levado no papo pelo 2º vilão constante no filme.
Ivan Vanko foi interpretado laconicamente pelo freak Mickey Rourke, escolha tão estranha quanto o mix no qual foi criado. Vanko é uma mistura do bandido de 5ª Chicote Negro com o manipulador e vingativo Kearson DeWitt (de Guerra das Armaduras II), cujo background e motivações foram transpostos integralmente para o filme. Munido com um visual de figurante de Mad Max e um sotaque atroz - ah sim, e com dois chicotes de energia - Vanko até ameaça um páreo mental interessante com Stark. A cena em que Tony vai vê-lo na detenção e comenta onde ele errou na luta é de um cinismo faiscante. Poderia ser o início de um belo embate entre dois talentosos inventores, mas a coisa segue por um caminho um pouco mais rasteiro.
Uma notinha bizarra (outra) vai para o destoante bichinho de estimação de Vanko, uma cacatua ou algo parecido. Coisas de Mickey Rourke, sem sombra de dúvida.
Do lado dos aliados, a coisa rende melhor. Clark Gregg novamente preenche as lacunas como o intrigante personagem agente Coulson, mas não está só. Além da presença mais frequente do Nick Fury de Samuel L. Jackson - finalmente liberto do gueto end credits - Homem de Ferro 2 marca a improvável estreia da Viúva Negra nas telonas. Scarlett Johansson, sempre eficiente e bombshell toda vida, não tem a postura e o olhar de quem já passou um dobrado com lavagens cerebrais, treinamentos desumanos e missões suicidas. Nem cara de russa ela tem. E admito que, apesar de adorar a Scarlett, eu torcia por Emily Blunt, a primeira atriz considerada para o papel. Seria perfeita, mas o agente dela não fez o dever de casa, então estamos aqui com uma boa Viúva, mas não a Viúva dos meus sonhos.
Em que pese a favor da menina a evidente dedicação nas cenas de luta, bem frenéticas, coreografadas e visualmente generosas, se é que você me entende.

Mas a escalação mais complicada talvez tenha sido para o tenente-coronel James "Rhodey" Rhodes, amigão de Stark e seu eventual insider nos círculos militares. No 1º filme Terrence Howard havia oferecido uma atuação discreta, mas marcante. Mesmo o gancho que teve com a armadura do Máquina de Combate ganhou em proporção e acabou gerando certa expectativa. Que, graças a desacordos financeiros, ficou no vácuo. Então, por mais que o novo titular, Don Cheadle, fosse um bom ator - não é; é um brilhante ator; dê um play no seu DVD de O Diabo Veste Azul e fuce nos extras o teste de elenco que o homem fez em 1995, mas segure o queixo - o desafio seria considerável ao lidar com um personagem que já tinha rosto, tom e personalidade.
Se Howard era mais informal e flexível ao administrar a ponte Stark-Exército, Cheadle é mais austero e comprometido com os irmãos de farda. Querendo ou não, o perfil psicológico do personagem acabou redesenhado. E acaba sendo irônico o fato dele protagonizar com Tony a sequência mais dispensável e nonsense do filme: a treta do Homem Bêbado de Ferro com o Máquina Militar de Combate numa festinha privada na bacanuda casa de Stark em Malibu - poderia ser o Charlie Harper vomitando ali na armadura.
Camp até o talo, a tal cena remete às brigas de herói versus herói mais forçadas e sem sentido dos quadrinhos. Não sou um patrono da minha querida 9ª arte, mas não gostei de ver uma de suas piores facetas indo parar na telona quando tem coisa bem melhor esperando a vez. Nesse ponto, pensei que o run do Jon Favreau na franquia já estava mesmo de bom tamanho.
Aliás, é bom ver as pequenas participações do 1º filme sendo mantidas, como o próprio Favreau como o buddy-driver Happy Hogan e mesmo a teteia Leslie Bibb como a jornalista que Stark papou logo na arrancada. E Gwyneth Paltrow faz o que pode pela Pepper Potts que é ser, rigorosamente, Gwyneth Paltrow. Não a Gwyneth Paltrow enigmática e cool de A Força de um Passado, mas a Gwyneth Paltrow pós-Oscar, facinha e pura brisa de verão. Geralmente não sou de aplaudir casaizinhos em tela - acho isso um passo e meio para o fim - mas considero acertada a união dos pombinhos hesitantes aqui presentes.
Ainda que bastante previsível, o ato final é bastante divertido e guarda lá sua cota de referências futuras (Mandróides da Shield?) ou alternativas (o que não é aquele exército de robôs militares senão uns Sentinelas prontos pra arrebentar os malditos mutunas?). Justin Hammer paga por sua mediocridade nesta encarnação e Ivan Vanko volta para o mesmo lugar de onde saiu - ou talvez até pra outro melhor.

Homem de Ferro 2 está longe de ser ruim, mas acaba prejudicado por um excesso de situações em tela e pouco controle sobre elas. As subtramas envolvendo envenenamento por paládio e a mensagem ultra-mega-insanamente-truncada que o pai de Stark deixou pra ele soam tão esticadas quando vazias. Talvez Favreau não seja talhado para temas mais dramáticos e sérios. Ou talvez o roteiro não soube como matar essa bola dentro do contexto de um filme pop.
Favreau despediu-se do comando com uma tremenda façanha no currículo (Homem de Ferro, ícone pop? Get outta here...), o universo Marvel nos cinemas expandiu-se para além de Midgard e a Marvel Studios/Robert Downey Jr. garantiram a faculdade de seus trisnetos. O filme em si não é aquelas coisas, mas o terceiro lugar no pódio ninguém tasca.
Fase 2 aqui vou eu.
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