domingo, 24 de abril de 2005

MAIS UM! MAIS UM!


Acho que estamos testemunhando o nascer de uma nova era na história da Publicidade. É incrível... parece que foi ontem que Steven Spielberg malocou os dinos ultra-realistas de Jurassic Park até o dia de sua estréia nos cinemas. Até George Lucas e seu último Star Wars entraram na dança. Pelos atuais padrões, segredo já não é mais a alma do negócio e sim a super-exposição em seu aspecto mais instigante. É justamente isso o que nos gritam os marketeiros responsáveis pela divulgação de Sin City, Quarteto Fantástico e, principalmente, Batman Begins. No caso desse último, não que eu esteja reclamando. Tudo o que foi liberado - incluindo aí fotos oficiais, de externas de produção, teaser-trailer, pôsteres, trailers, spots para TV e Superbowl - é de um extremo bom gosto e só me deixaram ainda mais atraído pelo filme. Ou seja... sou uma vítima da mais nova tendência publicitária de Hollywood. Virei um mero número positivo naquele grande quadro de estatísticas, gostando ou não.

Mas eu sou suspeito, pois sou fã do personagem. Quando Batman for embora, quero ver como vai ficar esse carnaval de spoilers em forma de propaganda.

Logo abaixo, um seqüência com os pôsteres divulgados até agora. Um mais lindo que o outro. Clique nas imagens para ampliar.



A propósito, o lançamento da trilha sonora de Batman Begins, composta por James Newton Howard (A Vila) e pelo honorável Hans Zimmer, será num dia curioso: meu aniversário. :P


O KRYPTONIANO DA MÁFIA


Vinnie e Clark... separados na maternidade

The World Finest! Falei do Bruce, tinha de falar do Clark. Antes de mais nada... não é que o Brandon Routh é mesmo a cara do Vinnie Terranova? Pra quem não lembra, Vinnie foi o protagonista da ótima série O Homem da Máfia (Wiseguy, 1987-1990), e era interpretado pelo ator Ken Whal. Aliás, essa lembrança nem foi minha, foi do Castrezana - pra fazer um link desse nível, só ele mesmo. Mafiosos do mundo, tremei... vocês têm um kryptoniano infiltrado.

Mas voltando ao assunto... logo após os shots de Routh caracterizado como o repórter Clark Kent, a semana ganhou outro super-susto com a primeira imagem do ator usando o uniforme do Superman. Estava lá, bem entre o Ratzinger e o Lula liberando asilo político para aquele ladrãozinho equatoriano. Acho que ninguém esperava por essa imagem tão cedo. Pelo que li/ouvi por aí, as opiniões são hilariamente divergentes. Hilário, porque se trata de um uniforme simplista ao extremo, com linhas e cores bem minimalistas, e mesmo assim, virou pauta para discussões acirradas. A verdade é que o uniforme do Super está com um design mais rebuscado que aquele utilizado nos filmes anteriores. Chega a lembrar o traje de suas primeiras aventuras na Action Comics e daquele seriado em p&b dos anos 40. Se o "S" no peito fosse menos estilizado então... seria back-to-the-basics total.

Na minha opinião, não ficou necessariamente bom ou ruim (isso não mesmo), apenas diferente e um tanto intrigante. Mas que é uma boa contradição lá isso é, visto que o diretor Bryan Singer disse que o conceito da produção será uma continuidade dos 2 primeiros filmes. Então, não seria melhor se o visual do uniforme fosse mais "moderno" ou ao menos similar aquele que imortalizou Christopher Reeve?

De qualquer forma, já pipocam pela web versões photoshopísticas do uniforme oficial. Algumas realmente muito boas e até... hã, melhores, eu diria. Como essa aí logo abaixo.

Clique na imagem para vê-la ampliada e na íntegra.


Superman antes e Superman depois... do Photoshop

...mal aê Singer. Libera um trailer bacanão aí pra eu poder nivelar a parada. :)


dogg, tomando café forte e sem açúcar, ao som de "Garotos", do Leoni... bela letra com um violão chupado de "More Than Words", do Extreme

terça-feira, 19 de abril de 2005

DOMINGO NO PARQUE



"Toda a vez que o fardo da guerra começa a pesar demais, eu opto por atividades mais relaxantes. Por isso, estou iniciando uma espécie de safári... no Central Park" - Frank Castle.

Deve ser legal escrever o Justiceiro. É um pensamento quase imediato quando se lê as histórias dele roteirizadas pelo Chuck Dixon. Mesmo sem descambar pro arrastão gráfico do Garth Ennis, Dixon dava conta do recado numa boa, num estilão meio "Justiceiro censura 12 anos, com acompanhamento dos pais". Lá pelos idos de 1992 ele comandou uma série do anti-herói chamada War Zone, publicada por aqui na saudosa - e olhando hoje, esquizofrênica - Superaventuras Marvel.

Não sei bem em que essa série de arcos diferia do habitual, já que o velho Frank continuava passando que nem um rolo compressor em cima da bandidagem new yorker. Talvez tivesse uma abordagem mais rotineira, do tipo "hoje iremos mostrar o Frank indo ao cinema e matando 4 pungistas no caminho". Mais estiloso do que de costume, tinha lá a sua quantidade generosa de sangue e violência, e o personagem exibia muito bem aquela persona ambígüa, entremeando uma aura de anjo vingador com momentos de pura vileza distorcida. É difícil não admirar o sujeito quando ele salva um bebê das mãos de um junkie mal-intencionado, mas chega a ser nauseante quando ele mata o mesmo à sangue frio, impiedosamente.


Da edição #7 até a #11 de Punisher War Zone (publicadas na SAM #172, 173 e 174), Chuck Dixon começa com o divertido safári no parque, mas logo vira o jogo pra cima do Frank, quando ele passa a ser a presa. Sabe esse pessoalzinho aí em cima? São caçadores de recompensa atrás de cinco milhões de doletas, o câmbio da cabeça de Castle nesse arco. Nessas edições fica claro que o Justiceiro é o tipo do personagem que não tem problema nenhum em arranjar antagonistas de tudo quanto é tipo. Há pouquíssima repetição. Esse cast de inimigos aí, por exemplo, é bastante interessante.

E destaque para a arte como sempre magnífica de John Romita Jr., aqui ainda mais "quadradão e sujão". Eu adoro. Na reta final, Mike Harris assume o nanquim, mas não tem problema não. O traço dele até parece um pouco com o do Romitinha. :P

Clique na capa para downloadear a HQ.

Aliás, você sabe o esquema do Rapid Share, né? Escolha o Download FREE (óbvio!), espere a contagem regressiva na página seguinte e clique no arquivo pra baixar... qualquer dúvida, desista. :)


LINK EXPIRADO - mas é capaz de achar outro fácil

Essa foi a primeira vez que eu fiz uso ostensivo do Photoshop, que é de fato um softzinho bom pra diabo. Favor me informar se ficou do seu agrado (ó mestre) ou não, pois pretendo escanear as próximas nesse mesmo estilo, rrrái?

Estranho... o post já acabou. Não ficou uma sensação de que faltou alguma coisa? :D


dogg...?

quinta-feira, 14 de abril de 2005

SONHOS AMERICANOS E FANTASMAS SOVIÉTICOS

THE ULTIMATES v2
#1-#4



Capitão América. Esse é o cara. Talvez seja o primeiro herói dos quadrinhos criado como parte de uma jogada de marketing político, mas que no frigir das boas intenções, era sim a representação de um conceito humanitário e maior. Hoje, claro, toda essa comoção we-are-the-world está em frangalhos e seriamente desgastada. Mesmo em território estadunidense, o personagem penou uma enorme queda de popularidade. Valores como o bem-comum, moral, honra e retidão de caráter, andaram muito mal representados nos meios pop contemporâneos. Nas HQs então, tudo isso passou para um longínquo segundo plano, com o estouro de heróis cada vez menos heróicos. Era um claro sinal dos tempos e por isso mesmo teve um efeito destruidor na trajetória do Paladino da Liberdade (mas chega desse papo que você já sabe... essa excelente matéria destrincha toda a macarronada heróico-sócio-geopolítica envolvida com eficiência ímpar... meio velha, mas pra mim, uma referência até hoje).

O problema básico e imediato era exatamente a natureza simbólica desse herói que tem uma bandeira por uniforme. Hitler morreu faz tempo e as guerras de hoje andam cada vez menos justas e maniqueístas. Sua pátria-mãe, principalmente, há muito deixou de ser aquela inspiração de liberdade, igualdade e solidariedade entre os povos do mundo – o que era exatamente a força-motriz que o impulsionou desde seu primeiro momento. Mark Millar (já posso chamá-lo de 'mestre'?) acabou atualizando o personagem com um recurso que, embora arriscado, era tão efetivo quanto inevitável... deixou o Capitão ser a América. Mas a América caótica dos dias de hoje: selvagem, individualista, intolerante e protecionista. Tanto para o personagem quanto para o seu país, nada foi mais natural. Depois de escrever sua História com muito sangue, violência e política do medo ao longo dos séculos, algum dia aquele caldo de boas e idílicas intenções iria entornar. E isso é mais do que evidente nas atitudes totalmente reacionárias do novo Capitão. Ele é a personificação quase perfeita daquela parte dos EUA que tem sotaque texano carregado, que exibe orgulhosamente seus filhos pequenos empunhando um berro, que tem um quase patológico complexo de superioridade, e que, se pudesse, chamaria até Deus de "filho".

Explicando melhor, a minha admiração pelo personagem é muito mais pela analogia à política estadunidense atual, brilhantemente construída por Millar. O Capitão não virou uma versão super do W. Bush (que é um babaca sem culhões), mas ao menos um super-general Norman Schwarzkopf (da Operação Tempestade no Deserto e, esse sim, um babaca com culhões), que cabe aí até com uma certa folga. Além de tudo, isso acabou soando pra mim como uma crítica das mais inteligentes, daquelas que não sofrem com a censura, pois mantêm perfeitamente a roupagem aparentemente banal do entretenimento mainstream.


E cá estamos nós de volta ao universo ultimate dos Vingadores, ao universo dos Supremos. Depois daquela épica guerra dos mundos do final do volume um, a vida continuou e as prioridades da equipe foram se adequando conforme a situação. Naturalmente o grupo acaba se tornando o hit number one nos Estados Unidos, sob os olhares temerosos do "resto" do planeta. Respostas aos Supremos aparecem em várias partes do mundo, principalmente na União Européia (Millar é foda...), dando início a uma insólita corrida super-heroística entre as nações do 1º escalão. Por enquanto, tudo em ritmo de cooperação mútua e na mais amigável reciprocidade.

O dr. Banner/Hulk – devidamente monitorado e acobertado pela SHIELD - continua sob detenção especial, devido à bagunça que aprontou em Manhattan. Janet Pym, a Vespa, ficou mesmo com o milico Steve Rogers, que virou uma espécie de superstar do governo americano. Hank Pym, o Gigante, continua rondando pelos corredores do Triskelion, mas extremamente desacreditado. Pietro, o Mercúrio, e sua irmã Wanda, a Feiticeira Escarlate, comparecem na equipe mais como convidados. Aliás... a relação caliente dos dois é pra lá de suspeita (Millar é foda²). E Tony Stark... está in love. Contratou três milhões de pessoas só pra formar um coraçãozinho e a frase "will you married me?"... O amor é lindo, mas o amor super-heroístico-bilionário é mais lindo ainda.

E volta também o personagem que está para os Supremos como o Imperador está para Star Wars. Nick Fury L. Jackson continua mexendo seus pauzinhos político-administrativos e ainda mantém aquela cara de quem está escondendo o jogo e tem muitas outras intenções obscuras... caralho, é foda dizer isso, pois é só a porra de um desenho... como é que eu vou saber se o cara está pensando coisas obscuras?! Parece coisa de maluco, mas pode acreditar... a arte embasbacante de Bryan Hitch às vezes chega a arrepiar de tantas nuances emocionais. Ainda mais no caso desse personagem, que tem seus fortes traços faciais inspirados no negão mais foda de L.A. E por falar nisso, o Professor Xavier/Patrick Stewart ficou nada menos que perfeito.

Para enfeitar a coisa toda com uma embalagem mais in, The Ultimates v2 não poupa esforços. "Estão lá" o Jay Leno, o Larry King, o David Letterman e até a Oprah. O Capitão desce pela Times Square abaixo, cercado pelos spots gigantescos da Coca-Cola e da Sony. Isso sem esquecer a exploração intensa da mídia no "caso Bruce Banner" (na história Trial Of The Incredible Hulk – uma belíssima homenagem ao seriado dos anos 70... só faltou aquele pianinho triste no final).

The Ultimates v2 é pop!


Mas The Ultimates v2 é incógnita também!

O mistério envolvendo o passado escabroso de Thor é aparentemente desvendado, e em uma dose nada homeopática. Ao mesmo tempo, o Deus do Trovão se envolve ainda mais com grupos ativistas anti-globalização, anti-invasão ao Iraque, pró meio-ambiente, etc, inclusive interferindo em conflitos de rua mundo afora. Como se não bastasse, ele ainda se vê em uma bizarra teia de conspirações, que pode ou não envolver seu meio-irmão Loki. E pra finalizar, ele virou um alvo primário dos Supremos! Apesar de tudo parecer uma via de mão única, ainda acho que pode haver uma reviravolta braba aí. Estou achando isso muito tendencioso... Millar não ia deixar tão entregue assim. Ou será que ia? Em todo caso, segue uma pista que destoa de tudo o que foi comentado sobre a "origem secreta" do soberano de Asgard: essa característica (calma, não é spoiler... já foi publicado no Brasil).

Ultimates v2 ainda não trouxe grandes seqüências de ação, mas o fino sempre esteve nos diálogos, nos climas amargamente tensos e no desenvolvimento quase novelesco das situações. É, "novelesco", mas no bom sentido... Às vezes lembra até as reviravoltas improváveis do antigo novelão Dallas (imemorável se você tem menos de 25), cheio de performances em tribunais, maquinações políticas sórdidas e segredos familiares vindo à tona com o ventilador ligado na potência máxima. Hmmm... "Dallas"... Texas... caipiras no poder... Mark Millar é foda³.

E a frase do ano até agora é de ninguém menos que o Rogers ultimate, claaaaro...

"Sorry chum. Youre NUTS and youre going down!"



ATOMIKA - GOD IS RED
#1



Se você pensou em Superman - Red Son, quase acertou. A diferença é que se trata de outra realidade... ou, no melhor jargão decenauta, outro elseworld. Mas logicamente, a referência é imediata: um super-homem idealizado pula de uma utopia mezzo nietzschiana pra assumir a sua posição incontestável de líder da Humanidade. Ele não veio de outro planeta ou dimensão espaço-temporal só para favorecer um bloco político em particular. Não há nada de "exterior" aqui, muito pelo contrário. Atomika, o tal super-homem, foi criado no coração do Estado Socialista, num meio-termo entre misticismo, unificação espiritual, forças elementais ativas e engenharia genética de ponta. E tudo isso em 1934. Esquisito, mas suficiente para mudar o destino do planeta. A União Soviética não entrou em colapso, baniu todo e qualquer tipo de religião, se transformou em um complexo industrial global, e fez a América e o mundo marchar sob a bandeira vermelha do martelo e da foice.

Diferente do visto em Superman - Red Son, a abordagem em relação à atmosfera comunista é melhor direcionada, apesar de estranhamente estereotipada. Lembra da visão do comunismo vendida para o Ocidente durante os anos de Guerra Fria? Os soviéticos pareciam andróides sem alma, assépticos, frios e mecanicamente produtivos. Claro que hoje é um absurdo, mas a verdade é que na época "ninguém" sabia o que se passava por trás daqueles muros. Era preferível ser chamado de satanista do que comunista. Havia uma contra-propaganda agressiva que nunca fez sentido real pra mim. O universo criado por Sal Abbinanti e o roteiro de Andrew Dabb acerta em cheio quando aponta que a verdadeira Revolução está em cada um de nós e que vai se tornando mais forte conforme a massificação dos mesmos anseios. O resultado desse milk-shake marxista (ô contradição) é justamente a "entidade" Atomika, que recebeu a ajudinha da tecnologia e de antigas divindades pagãs da Rússia czarista.

Essa primeira edição tenta canalizar todo esse fuzuê conceitual para a linguagem dos quadrinhos, mas sem suavizar a experiência para um paladar mais pop. É isso aí... Atomika - God Is Red é uma bad trip pesadona e claustrofóbica. Exemplos... não existem balões, apenas recordatórios acompanhando as impressões do personagem. O enquadramento não segue nenhum padrão convencional e é cheio de páginas duplas entrecortadas por quadros menores. Apesar de se dedicar a contar a sua origem, ela jamais é mostrada de forma literal, apenas através de paradoxos, simbolismos e muita sugestão (a América, p.ex., só é chamada de "Liberdade"). O próprio release divulgado já dá uma boa amostra do que esperar: "Atomika é filho da Mãe Rússia. Seu pai é o aço existente na Terra. O mesmo aço que o Homem usou para forjar sua tecnologia". E isso é mostrado exatamente dessa forma na HQ, literalmente. O clima é tão denso e repleto de grandiloqüência wagneriana que chega a dar medo. O texto parece excertado de algum diário do Solzhenitsyn num dia particularmente deprê em sua cela. Assustador. Eu não leio essa HQ à noite nem a pau.

A arte, do próprio Abbinanti, segue à risca o conceito barroco e impressionista do roteiro. Aliás, impressionista nem tanto, mas surrealista sim... ao extremo (ex.1, ex.2, ex.3, ex.4). Totalmente perceptivo ao texto, ele usa e abusa do sombreamento e carrega na sujeira lisérgica e desconexa. Parece uma cruza de Edvard Munch com Millôr Fernandes em pleno Dia do Folclore. Imagina isso com aquelas pichações que se vê em qualquer terminal de ônibus ou metrô... surreal.

Não deixa de ser louvável o fato da Mercury Comics investir em um projeto tão anti-comercial. Isso prova que ainda existe vida no ramo dos quadrinhos de arte. E ao que parece, a coisa está sendo levada em grande estilo mesmo. As capas das 6 primeiras edições foram feitas só por gente badalada: Alex Ross, Glenn Fabry, Michael Turner, David Mack e Tim Bradstreet.

Clique nas capas para ampliar.



No final das contas - e de apenas uma edição (!!) - fiquei transtornado o bastante para me interessar pelo próximo capítulo. É uma viagem insana, estranha e para poucos. Portanto, eu não recomendo essa HQ a ninguém - a não ser para mim mesmo. Embarque por conta e risco.

A propósito, finalmente descobri o que significa a abreviatura de KGB... é Komitet Gosudarstvennoy Bezopasnosti. Tem alguma boa alma siberiana aí pra traduzir isso pra mim?


Na trilha: Utopian Blaster, porradaria doom do Tony Iommi com o Cathedral (não a banda gospel!)...

domingo, 3 de abril de 2005

JLA + SEINFELD =


JLA Classified é um título recente da Liga da Justiça. Nas três primeiras edições não vi muita diferença do approach que é habitualmente dado à equipe, mesmo com um roteiro leve e descompromissado de Grant Morrison e com o traço maneirão do Ed McGuinness. É aquele negócio: muita ação, corre-corre interdimensional, pancadaria envolvendo monstros gigantes e uma trama muito bem amarrada. Prato cheio quem gosta de uma boa aventura pop super-heroística.

Eu, por outro lado, gostaria que o Gorilla Grodd fosse morto em alguma dessas sagas homicidas da DC. Cansei desse negócio de macaco inteligente.

Mas eis que chega a edição #4 e JLA Classified vai pra galera. Keith Giffen, J.M. DeMatteis e Kevin Maguire estão de volta, malandros como sempre e apostando nos detalhes mais sacanas que fizeram o sucesso de Já Fomos a Liga da Justiça. Virou fórmula, mas mesmo assim continua genial. Todos aqueles personagens do 32º escalão da DC - as "baixas aceitáveis" da editora - em situações e diálogos constrangedores e cheios de duplo sentido. Mas, acima de tudo, retorna aquela fina flor da canastrice heróica: o empresário salafrário Maxwell Lord, seu personal sar"caustic" L-Ron, a dupla nonsense Besouro Azul & Gladiador Dourado, o Homem-Elástico-e-tapado, a brasileira boazuda e desbocada Fogo e a silly girl serelepe Mary Marvel.


Quem já leu a série antiga e as minis especiais já sabe o que esperar e o que não esperar desse balaio de gatos. Se a ação vinha diminuindo gradativamente em favor das gags bem-humoradas, aqui praticamente não há quebra-quebra. JLA Classified é quase um sitcom de super-herói. Isso é realmente ruim num certo ponto, mas por outro é uma festa para aqueles que gostam de diálogos afiados e pingando de cinismo (eu! eu!). E já pintaram seqüências antológicas, como a Fogo apresentando Mary ao cafezinho expresso e deixando a menina ligadona, Besouro zoando o casamento arranjado do Gladiador, a insistência do Homem-Elástico em espalhar que sua esposa Sue Dibny está grávida, sendo que ela não está... opa, peraí. Sue Dibny?! Pára tudo...

Lembra das "sagas homicidas" que eu comentei logo acima? Então... uma delas responde pelo nome de Identity Crisis e foi a maior pedra no sapato de Giffen e deMatteis na continuidade dessa Liga outsider. Eles acharam que assassinando personagens secundários e manchando o passado de alguns heróis renderia um roteiro "chocante". Talento passou longe por ali, e Sue Dibny foi a mais prejudicada nessa história. Praticamente desconhecida na cronologia principal, ela (e outros tantos) foi brilhantemente reformulada por Giffen/deMatteis, ganhando mais personalidade e carisma que muito herói famoso por aí. Aí veio Identity Crisis e fez a merda que fez. Sue Dibny encarou uma via crucis que começou num estupro imbecil e terminou numa morte idiota. Restou à dupla de roteiristas tomar a melhor atitude possível: ignorar esse fato. E eu aplaudo em pé.

Quanto à Identity Crisis, fico com a mesma opinião de Michael Deeley, do Silver Bullet:

"God damn Brad Meltzer and his mediocre pen!"

Em tempo... ao que parece a DC pegou a Liga de Giffen e deMatteis pra Cristo. Dizem que a próxima vítima será o Besouro Azul. E o local do crime será Countdown, a reformulação nº do Universo DC. Quanto mais eu rezo...

Mas voltando...

...um dos maiores achados de Já Fomos a Liga da Justiça foi a troca de Marvels na equipe. Sai o Capitão, entra a inocente Mary, com o mesmo ar de escoteira dos anos 40. Muitos podem reclamar da postura altamente "pollyana" dela (improvável nos dias safados de hoje), mas é justamente esse contraste que é bacana. É como se atirassem um coelhinho num mar de tubarões famintos. Isso rendeu muito antes e continua rendendo. Principalmente agora que ela divide a cena com outro resgatado... mr. Guy Gardner himself.






Essa cheiradinha no dedo foi foda. Mas teve troco. Depois que se recuperou, a doce Mary deu uns tabefes no "malfeitor". E acho que ela fará ainda pior nos próximos capítulos, como aparenta nesse preview da capa da edição #8.


Embora pareça uma versão playmate do Black Adam... gostei do visual. Será que ela tomou uma overdose de cafezinho expresso? :D


Ah, e cabe aí uma homenagem ao Kevin Maguire. Ele ainda é o rei das expressões faciais. Poucos conseguem transmitir tanto com traços tão simples. E a arte-final do ótimo Joe Rubenstein só aumenta ainda mais a sensação de realismo, dimensão e profundidade física dos personagens. Ver o trabalho dos dois é um colírio para os meus olhos, cansados de tantas expressões sisudas e "machonas".


dogg... esperando pra ver a merda que vai dar hoje lá no Maraca.

quarta-feira, 30 de março de 2005

AS TOCAS DO CARCAJU

Os points onde Wolverine anda bombando


MARVEL KNIGHTS WOLVERINE - ENEMY OF THE STATE


"(...) se fosse feito no cinema custaria 300 milhões de dólares". Palavras de Mark Millar. E se fosse filme mesmo, valeria o ingresso: Wolverine pinta o diabo no acachapante arco Enemy of the State! Finalmente, após anos de desperdício e hiper-exposição mal conduzida, conseguiram revitalizar a baleada imagem do baixinho canadense. Logan voltou a ser aquele assassino frio, violento e impiedoso, como nos velhos tempos - e bota velho nisso... desde as antológicas Arma X e Fusão pra ser exato (muito bem lembrado pelo Luwig-X).

Há tempos sendo empurrado com uma hesitação frustrante, o personagem precisava urgentemente de uma reciclagem conceitual. Ou melhor, de um resgate conceitual, pois não havia nada de errado com ele, e sim com seus escritores (seguindo a máxima do Alan Moore). Era um trabalhinho sob medida pra um Garth Ennis ou uma Ann Nocenti da vida. Mas os deuses foram generosos e nos enviaram Mark Millar e o grande John Romita Jr...


Enemy of the State estreou na edição #20 da revista Wolverine e foi até a #25. A história segue velhos padrões do tema ação/espionagem, só que é tudo tão bem sacado e reaproveitado que chega a ser emocionante (snif). Começa com Wolvie indo ajudar um velho amigo, mas acaba sendo capturado em uma operação conjunta do Tentáculo com a Hydra. Meses depois, abandonado em estado moribundo, ele é localizado e acolhido pela SHIELD. O que eles não sabem é que Logan sofreu uma lavagem cerebral séria e vai "fazer o que sabe melhor" em larga escala. Wolvie mata muita gente, vai atrás de outros super-heróis e se torna o terrorista mais temido dos EUA.

O mais legal é que o mutante exibe aqui aquela mesma "competência" (para muitos, "onipotência") que leva os leitores à loucura, mas a diferença é que todas as suas façanhas são niveladas por uma estratégia crível e funcional. Wolvie não ganha todas as lutas aqui, só as que importam. E mesmo essa margem de derrota já havia sido previamente calculada por ele. O resultado é ótimo, sempre com um clima tenso antes de cada pancadaria. Mal comparando, ele lembra um Jason Bourne com garras e esqueleto de adamantium.


Mas a cereja acaba sendo os super-encontrões. Wolvie não enfrenta o Universo Marvel inteiro, como foi exagerado por aí, mas seus pegas com Elektra, Quarteto Fantástico, Demolidor e os X-Men são altamente empolgantes. Certas cenas parecem saídas de um filme de suspense - o clima que precede a luta contra Elektra e a invasão do Edifício Baxter - ou de um filme de Tarantino ainda com os sabres de Kill Bill branindo na cabeça - o ataque dos ninjas no cemitério e na eletrizante seqüência no apê de Matt Murdock.

Outra coisa... não seria tão bom se os vilões fossem caricatos ou apenas medianos. Mark Millar deu uma nova cara à Hydra, que deixou de ser aquele amontoado de stunts vestidos de verde, e virou um tecno-culto satânico e assustador. Elsbeth von Strucker é uma vilã adoravelmente cruel e seus cortes no Barão Strucker são sarcásticos e geniais. Mas o vilão Gorgon é foda ao extremo. Mutante e um mestre nas artes marciais (lutador de primeiríssimo nível... leia e fique pasmo com a moral do cara), ele tem o poder de petrificar as pessoas apenas com o olhar.

Mark Millar e John Romita Jr trabalhando juntos em Wolverine... Imperdível. Mal posso esperar pela próxima edição.


X-MEN: AGE OF APOCALYPSE - 10th ANNIVERSARY


Como o nome já entrega, a continuação de A Era do Apocalypse é tão somente uma mini comemorativa dos dez anos da série. Mas será só isso? Sim e não. Obviamente que o vilão cavernoso do título não dá as caras (apesar de aparecer nos spots de divulgação), e aquele clima, hã, apocalíptico da série original não tem mais razão de ser. A questão básica é saber se essa nova incursão elseworld consegue se sustentar qualitativamente, tendo em vista a sua natureza caça-níqueis (oh yeah... não se engane, isso aqui é um caça-níqueis que deveria vir até com um selo de extorsão grampeado). Pode não ser uma HQ que vá fazer história, mas que tem a sua utilidade prática, isso tem.

A verdade é que a série original deixou uma porção mais um punhado de pontas soltas lá pra trás. Aquele final abrupto, ao melhor estilo "uma realidade chegando ao fim", foi muito omisso quanto ao destino da maioria dos personagens e de várias situações em andamento. E a continuação responde a todas as perguntas? Bem... estamos na quarta das seis edições programadas e até agora só uns 30% das questões pendentes foram esclarecidas. Então o lance é relaxar e curtir, afinal... isso é uma festa de aniversário.

A história (re)começa 1 ano depois da queda do tirânico Apocalypse. O planeta ainda está em reconstrução e células de mutantes renegados ainda aterrorizam o mundo livre. Para assegurar o bem da civilização, Magneto reforma os X-Men como um grupo de ação anti-terrorista, totalmente apoiado pelo governo dos Estados Unidos. A line-up principal é Vampira, Mercúrio, Solaris, Tempestade, Samurai de Prata, Gambit, Noturno, Rahne, X-23 e Wolverine, ex-recluso, maneta e cínico como sempre. O que se segue é uma caça às bruxas que acaba mexendo em velhas feridas e desavenças, com algumas surpresas no decorrer do processo. Algumas muito previsíveis e outras até inesperadas, eu diria.


Mesmo sem grandes vilões, como o psicopata Holocausto e o prelado Rasputin, a história vai se mantendo com combates ágeis, mas sem aquele ar de "perigo" que marcou a série original. Wolverine participa de forma cool e mantém a energia de sempre, mas a personagem mais bacana é a X-23, disparada. Não sei como ela se sai na cronologia normal (me parece que ela é nativa da animação X-Men: Evolution), mas aqui a garota funciona primorosamente bem. Faz aparições esporádicas, mas importantes, e protagonizou as melhores seqüências da história até agora. Achei a personagem muito promissora e, por conta disso, vou correr atrás da sua HQ solo que foi lançada recentemente.

O roteiro de Akira Yoshida faz o que pode numa série que não arrisca muito e só se compromete a aparar pontas soltas. Os diálogos são espertos, apesar de muito parecidos com os do X-Men Ultimate do Mark Millar. E um destaque meio esquisito vai para o Chris Bachalo. Ele ainda tem a mania de criar explosões visuais um tanto confusas, e de ficar a meio passo de 'cartoonizar' a fisionomia dos personagens. Aqui ele vai ainda mais fundo e quase abraça de vez o estilão mangá. Apesar disso não me agradar (pois soa menos natural pra ele do que pra um Adam Warren, p.ex.), pessoalmente ainda curto o seu trabalho. Devo ter me acostumado. Mas o capacete do Magneto continua horrível. Muito.

A propósito... ainda sobrou um grande vilão sim. O Sr. Sinistro está vivo e atuante, mas ainda não deu as caras. Mas pelo finalzinho da última edição, ele deve voltar com tudo e mais um pouco nos últimos capítulos.


E agora, antes de mais nada...


...talvez uma próxima coelhinha?



THE NEW AVENGERS


A revista The News Avengers chega a sua quarta edição ainda com um clima todo cuidadoso no ar. O grande Brian Michael Bendis não quer arriscar uma pisada no tomate e aos poucos vai concretizando um velho sonho dos sofridos marvetes: um supergrupo tão coeso e emblemático quanto a Liga da Justiça. Tudo bem, eu também gostava dos velhos Vingadores de Jim Shooter e dos recentes de Geoff Johns, mas o problema aí era a tralha narrativa que foi se acumulando com o passar dos anos (e com a troca de escritores). Sucessivas conspirações governamentais, burocracias administrativas e complicações de marketing (!!) deixaram o principal grupo da Marvel com cara de repartição pública. Nada a ver com a postura de "defensores da liberdade" que se espera de uma super-equipe. Lembro de quando eles enfrentaram os perigosos Exemplares sob a vaia do público (o mesmo público que eles foram proteger). Deprimente.

O ato inicial, que tomou as três primeiras edições, começou seis meses após os eventos estarrecedores de Disassembled. Max Dillon, o Electro, foi contratado para sabotar uma instalação de segurança máxima para super-vilões. Talvez meio "poderoso demais", Electro cumpre seu objetivo sem maiores problemas, e assim tem início uma violenta rebelião super-vilânica. Rapidamente um grupo de heróis en passant se forma para conter o motim: Mulher-Aranha, Matt Murdock, Luke Cage, Homem-Aranha, Capitão América, Homem de Ferro e o misterioso Sentinela, que se encontrava preso voluntariamente.


Mesmo com esses peso-pesados as coisas não saem às mil maravilhas: quarenta e dois presidiários super-poderosos conseguem escapar, o que é garantia de trabalho pesado por um bom tempo (e assim Bendis já tem o seu pretexto). Com isso tudo, o Capitão América acaba sentindo novamente o gosto de liderar uma equipe em situações-limite. Durante uma conversa com o Homem de Ferro ele propõe a criação de um novo time, dessa vez sem as amarras e a politicagem que assolava a antiga formação dos Vingadores. Um grupo independente, freelancer e auto-financiado (sem salários!), com o único objetivo de resolver problemões fora da alçada convencional. The Avengers Privatizated.

Logo em seguida, o Capitão sai atrás dos heróis que seguraram as ondas no presídio. Todos concordam, menos o Demolidor, que, apesar de balançado, ficou de pensar. Outro sondado foi o caladão Robert Reynolds, o Sentinela. Mas seu background ainda é extremamente nebuloso. Nada se sabe do que aconteceu com ele após a ótima mini Sentry - O Sentinela, apenas que ele é suspeito de matar a esposa e que é considerado por Reed Richards como o ser mais poderoso da Terra. Pela facilidade absurda com que ele destroçou o Carnificina no espaço... foi até engraçado quando o Aranha o confundiu com o Thor.


A próxima aquisição da nova equipe virá nas próximas edições. Investigando os acontecimentos da super-prisão, os novos Vingadores vão até a Terra Selvagem atrás de um suspeito. Lá eles se encontram ninguém menos que - adivinha - Wolverine, aparentemente com um mal-humor de tiranossauro. O problema é que o tal suspeito (e foda-se o SPOILER) é o Sauron, aquele homem-pterodáctilo que controla mentes e que já deu muito trabalho para os X-Men. E pela recepção nada afável do mutante canadense - ainda mais com a gracinha da Jessica Drew! - eu diria que ele está totalmente fora de controle. Uma constante...

The New Avengers segue com passos calculados, ótimos diálogos (os do Aranha já começaram a pegar no tranco), situações de rotina inusitada para os personagens, e um inequívoco ar de liberdade criativa - durante a violenta rebelião no presídio, o Aranha é espancado e tem o braço quebrado, e o nigga Luke Cage quase mata um dos vilões.

Apesar dos traços de David Finch pertencerem a "escola Jim Lee de inexpressão", eles são inegavelmente grandiloqüentes nas horas certas e privilegiam ângulos de tirar o fôlego. Seu estilo é bem "cinematográfico" por assim dizer, e aqui isso é muito bem-vindo.

Sem contar que ele sabe desenhar mulheres muito, muito bem... pô, ele é o mesmo cara que desenhou a HQ da Aphrodite IX, for God sake! :)


dogg, tomando café e ouvindo a lindona The Pass, do Rush - por sinal, uma banda canadense... Canadá rulz! :P

sexta-feira, 25 de março de 2005

Feliz Páscoa pra todo mundo! Hoje é dia de caçar coelhos com uma metralhadora! Mas antes, alguns comentários... coisa básica. Discos e algumas correções.

Let's get it on...


AFGHAN WHIGS - GENTLEMEN
(Elektra/1993)


Uma verdade sobre o Afghan Whigs é que o grupo sempre foi bom demais pra fazer sucesso. Apesar de ter pertencido ao cast da mesma Sub Pop que canalisou o grunge de Seattle, ela fez parte de um seleto time de bandas que foram sufocadas por hits que dominaram o cenário do rock americano nos anos 90. Coisinhas como Alive, Man in the Box, Hunger Strike e, principalmente, Smells Like Teen Spirit. Mas, ao contrário da conotação pop que o termo "rock alternativo" tem hoje, o Afghan Whigs nunca deixou os corações e mentes daqueles que buscaram algo mais do que aquilo que rolava nas paradas de sucesso. Essa busca podia ser até árdua, mas, no final, era verdadeiramente compensadora.

Liderada pelo compositor e vocalista Greg Dulli, a banda evoluiu de um barulhento pós-punk de garagem para uma sonoridade mais sofisticada, melódica, plasticamente mais bem trabalhada e fluída, e, num lampejo de genialidade underground, repleta de influências de soul e rhythm'n'blues (chegaram a regravar uma música do Barry White). Isso tudo sem deixar de lado a inevitável herança oitentista no wave e letras que são um verdadeiro soco no estômago existencial, no pior sentido dor-de-cotovelo possível. Desilusões amorosas fudidas, finais de relacionamento nada agradáveis e pura auto-comiseração são destilados nas letras ácidas e no senso de humor predatório de Dulli, que ainda é dono de uma entrega quase suicida nos vocais. O Afghan Whigs é uma das bandas mais passionais do rock e Gentleman foi o momento em que eles mais se enxergaram nessa condição. Um disco perfeito até na capa... belíssima.

Ps.: Reza a lenda que os integrantes da banda se conheceram nos idos de 86, durante uma estada em comum num presídio em Cincinnati, sua terra natal. Belo background...


FIREBIRD - DELUXE
(Music for Nations/2001)


Bill Steer é um sujeito rodado. Egresso de formações extremas como o Napalm Death e o podrão Carcass, ele ensaiou um retorno à cena de forma inusitada, à frente de pérolas stoner rock como Badlands e The Cry of Love. Dessa forma, o excelente Firebird acabou sendo uma espécie de cream of the cream de tudo o que Steer andou aprendendo (e tocando) nos últimos anos. Em um retorno às raízes on the road do rock, a banda pode ser simplesmente classificada de stoner, mas aí seria uma injustiça cruel. Stoner é Nebula, Orange Goblin, Fu Manchu e outras (boas) bandas que não conseguem dar nem um passo pra fora da sombra do Black Sabbath. O Firebird estabelece uma relação mais próxima dos power trios dos anos 60 e 70, com riffs ganchudos e freqüentes, e aquelas passagens intensas entremeadas com momentos mais suaves e bluesy. As referências imediatas são grupos clássicos como Cream, Mountain, Blue Cheer, Rush fase John Rutsey e até o Jimi Hendrix Experience. Firebird é uma excursão lisérgica na pré-história do hard rock. A viagem é, no mínimo, fascinante.

A formação da banda nesse disco é toda ex-metálica - além de Steer nos vocais e na guitarra, completam o time Ludwig Witt (bateria e percussão, ex-Spiritual Beggars) e Leo Smee (baixo e órgão, ex-Cathedral). Aliás, a técnica old school de Bill Steer (cujo belo vocal me lembra o de Eric Clapton nos áureos tempos do Cream) tem sido muito elogiada. E realmente ele arrebenta nas seis cordas - vide pedradas como Dirt Trap, Forsaken, Sinner Takes All e Sad Man's Quarter. Destaque também para a belíssima Miles From Nowhere, com uma atmosfera idílica parecida com a do clássico Thank You, do Led Zeppelin, e para a última faixa, o boogie-woogie Slow Blues, que de "slow" não tem nada e traz a harmônica mais alucinada que ouço desde os primeiros discos do Blues Traveler.

A faixa para download não consta no disco. Trata-se de um cover pesadão para Working Man, do Rush, que só saiu em um single lançado no mercado japonês.


CIRCUS OF POWER - MAGIC & MADNESS
(Columbia/1993)


A boa impressão já começa pela bela arte da capa, feita pela fera Tate Mosesian. E o Circus of Power não desaponta, mandando ver um rockão estradeiro de respeito. Algo assim, entre o drunk'n'roll do AC/DC fase Bon Scott e blues rock cheio de slide guitar. Infelizmente, suas bases hard rock acabaram colocando a banda no gueto heavy do final dos anos 80, justamente quando o estilo dava seus últimos suspiros no mainstream. Sem o tino comercial de bandas como G'NR, Bon Jovi e Skid Row, o CoP acabou morrendo na praia noventista, embora fosse milhões de vezes mais interessante que todos aqueles ícones poser. Magic & Madness é o seu terceiro álbum, e considerado por muitos como o seu melhor. Não faço a mínima idéia se é mesmo, pois nunca ouvi nenhum dos outros. :P

Às vezes, o COP lembra um The Cult sem frescuragem. Tanto é que o próprio Ian Astbury, vocal do Cult, faz uma participação na ótima Shine. Outro convidado especialíssimo é o grande guitarrista Jerry Cantrell, do Alice in Chains, que manda acordes e vocais na grudenta Heaven & Hell. Confira também as pesadonas Evil Woman, Poison Girl, a animada Dreams Tonight e, a melhor de todas, Mama Tequila, cujo refrão virou o meu grito de guerra nº1.

Ótimo álbum!


SLAYER - UNDISPUTED ATTITUDE
(American/1996)


Puta que o pariu! Me sinto com vontade de porrar o próprio capeta quando ouço esse álbum. Cansado de ver conterrâneos do thrash jogando seu passado pela privada e de testemunhar a ascensão de bobagens poppy punk, os reis da Zona Sul do Céu, Vsa. Megafodescência Slayer resolveu revisitar podreirinhas memoráveis do punk/hardcore. Ah, se todos os álbuns de covers fossem assim! É festa punk feita por profissionais da agressão desenfreada. Pra bater a cabeça até perder as orelhas. Os caras conseguiram amplificar ainda mais a porradaria dos clássicos do Verbal Abuse, D.R.I., GBH, Minor Threat e até do TSOL, quando esse era punk.

Para os fãs mais ortodoxos do "metálico" Slayer, só uma ou duas infos de grátis. Em seus primeiros shows, tanto o Slayer quanto o Metallica tocavam para uma platéia dividida entre headbangers e punks. Claro que rolavam tretas, mas o fato é que a sonoridade das duas continham naturalmente elementos hardcore. E o Slayer, ao lado do badmotherfucker Ice-T, já havia demonstrado sua veia crusty, através de um medley arrasador do Exploited que saiu na memorável trilha sonora do filme Uma Jogada do Destino. Definitivamente o Slayer tem raízes hardcore. E afinal, o que é o thrash metal senão uma evolução do hardcore, que por sua vez é uma evolução do punk...? Achou ruim? Então pode cair dentro que eu tô ouvindo Undisputed Attitude e não vou perder pra ninguém na porrada nesse momento. :)

Além do quê, só aqui você pode ouvir uma instituição como o Slayer tocando furiosamente o classicaço I Wanna Be Your Dog, dos Stooges - providencialmente rebatizada I Wanna Be You God. Mas a velha torção no pescoço comparece sim, e a última faixa, Gemini, é autoral. Peso gótico e deprê, South of Heaven' style.

A propósito... sabia que o Ramones e o Black Sabbath fizeram uma tour conjunta nos anos setenta? É sério, li isso numa entrevista antiga com o falecido Joey Ramone. Diz ele que eram dez confusões por música executada.


LIV KRISTINE - DEUS EX MACHINA
(Massacre/1998)


Eu sou suspeito pra falar.

Antes de sair do Theatre Of Tragedy para formar o Leaves' Eyes, a cantora norueguesa Liv Kristine Spenæs concebeu um magistral e etéreo debut solo. Longe das guitarras distorcidas e dos backings death metal que caracterizam o som do Theatre, Deus Ex Machina talvez seja a primeira vez em que Liv se mostra por inteira, entregue e despida (quem dera!) artisticamente, sem as amarras do estilo gothic metal que a limitava. Pra quem nunca nem ouviu falar de Liv Kristine, basta dizer que ela é influência confessa de Tarja Turunem, do Nightwish. Dentro do gothic metal - e aí vai um espectro que começa no ultra-obscuro The Sins Of Thy Beloved e termina no mega-estourado Evanescense - Liv Kristine, ao lado de Aneke van Giersbergen (do The Gathering), é a maior precursora do estilo.

Apesar da atmosfera suave, Deus Ex Machina não se enquadra no formato pop. Transitando por paisagens new age, pelo gótico romântico e por climas soturnos pontuados com efeitos eletro-percussivos, Liv está à vontade e supera fácil tudo o que ela já fez anteriormente, incluindo aí o seu trabalho memorável no Theatre Of Tragedy. Daí saem a intrincada melodia da faixa-título (que é mais difícil de cantar do que parece), a bela Waves Of Green, a bad trip nórdica de Huldra, a soft-gregoriana Portrait: Ei Tulle Med Øyne Blå, a linda, mas muito linda mesmo, In The Heart of Juliet, e a sensacional 3 AM, que conta com o vozeirão dark de Nick Holmes, do Paradise Lost.

Deus Ex Machina é um disco pra se ouvir com a luz apagada e com algumas velas acesas. E se estiver acompanhado... que seja uma ótima companhia pra não estragar o momento.

Mas como eu disse...


...sou suspeito pra falar.



FÊNIX NEGRA 2 X GALACTUS 0
Brilho Eterno de um Blog sem Lembranças



18 de março de 2004... um ano e poucos dias atrás. Foi quando eu escrevi um texto admirando pela enésima vez o Galactus e sua fome eterna de planetas incautos. Para ilustrar o texto, catei aleatoriamente algumas imagens na web, que retratavam o gigante cósmico se estranhando com Jean Grey, numa história que eu tinha quase certeza que já havia lido.

Depois, nos coments, soube pelo jpvolley (fala aê jp!) que essas imagens, do grande Alan Davis, eram de uma história que saiu numa edição do Excalibur e que ali não era a Jean Grey, e sim Rachel Summers, totalmente overpower. Corretíssimo. Até porquê, nunca fui especialista nos mutunas mesmo.



Alan Davis e a justa cósmica... clique nas imagens

Mas a dúvida persistia... eu já tinha lido uma história com a Jean encarando o velho Galan. Num belo dia, durante um raio-x de rotina em um sebo, (re)descubro essa história como um bônus na revista Marvel Especial 8 - A Saga da Fênix Negra. Era O que Aconteceria se Fênix Não Tivesse Morrido?, um daqueles elseworlds narrados pelo Vigia.


Jean Grey já bateu o celestial também! Clique nas imagens

Comparando as imagens dos dois confrontos... dá pra ver que Alan Davis "curtia bastante" a série What If... Galactus está praticamente com a mesma postura quando dispara uma rajada de energia em Jean/Rachel, e nas duas histórias ele termina batendo em retirada após ver a magnitude de sua adversária. Ficou igualzinho. Não é à toa que eu me confundi... :)


dogg, querendo saber se hoje pode beber cerveja