quarta-feira, 19 de maio de 2004

CONTRATA EU!

Será um grande filme, mas não garanto a bilheteria



Engraçado como os executivos de Hollywood complicam as coisas quando se trata de filmes baseados em HQs. Tudo bem, os responsáveis diretos pelas adaptações são o roteirista e o diretor. Mas quem aprova o produto final é o pessoal do andar de cima, que, por sinal, também contrata o roteirista e o diretor. Então, no caso, “eles” são os culpados, tanto por bons filmes, como X-Men, quanto por vacilos colossais, como Batman & Robin. Aliás, o fato daquele roteiro de J.J.Abrams para o Super-Filme não ter decolado, não foi por intervenção "deles" e sim, por uma intervenção divina, pois se tratava da Wacko Warner. Aquilo foi a prova cabal da existência de um Deus benevolente e justo.


E coitados dos personagens... inventam várias origens diferentes (em sua maioria, piores que a original), glamourizam demais o seu universo (lembrando um carnaval fora de época e de país) e - o mais grave - ainda têm aquele conceito de que um herói é invencível. Algumas das melhores graphic novels, seja coincidência ou não, retrataram justamente os piores momentos de um herói. DK, Saga da Fênix Negra, Thor – Vikings, Hulk – Futuro Imperfeito, A Queda de Murdock, entre outras.


E por falar no vigilante sem medo, a pior falha de sua adaptação foi a resistência super-humana que lhe imputaram nos 15 minutos finais. Ele estava acabado, e mesmo assim, encarou seus dois piores inimigos, um mais forte que o outro. Murdock vencendo o paredão W. Fisk naquelas condições... qual é...! Se ele perdesse ali, aí sim, Demolidor passaria de “filme mediano” para “filme mediano com um final excelente”... além de ser um belo gancho para o segundo filme. Vocês sabem... a aguardada revanche, a volta por cima, essas coisas.


Underground é underground. Esse submundo supera limitações e ainda surpreende, tanto no cenário musical e cinematográfico, quanto em qualquer tipo de arte. Precisou um diretor do circuito alternativo (trad.: sem emprego num grande estúdio) pra criar os melhores minutos da vida cinematográfica do Batman. Sandy Collora e seu hit, Dead End, fez o mais simples e básico, com um roteiro de poucas palavras e produção a toque de caixa. Sem contar que ainda apontou novas saídas para o gênero, como a questão do crossover.


Numa tacada só, o cara meteu Coringa, Aliens e um Predador pra enfrentar o morcego. Ficou excelente e nos deixa imaginando como seria um encontro entre o Blade do Wesley Snipes com o Aranha do Tobey Maguire. Ou, melhor ainda, um pega animalesco entre o Wolverine do Hugh Jackman e o Hulk do Eric Bana, igual ao que vimos 'n' vezes nas HQs.


Seria demais...! E antes que alguém tenha a revelação que "o Logan não ia dar nem pro cheiro", lembre-se que ele foi o adversário que mais durou numa briga com o verdão. Aliás, a estréia do Wolvie foi justamente num confronto com o gigante esmeralda. Se pegassem o conceito simplista do Dead End e adaptassem à esse crossover, seria arrasador.

Claro que isso são apenas tolas divagações da minha parte (cara... escrevi que nem o Lobo agora!). Eu sei muito bem que os direitos de adaptação desses personagens para o cinema pertencem a diferentes estúdios. Os X-Men são da 20th Century Fox, o Hulk é da Universal, o Batman é da Time Warner, etc. Isso inviabiliza qualquer filme-crossover. Mas, como em Hollywood tudo é possível quando se tem grana no meio, existe a possibilidade de uma co-produção entre dois estúdios. Claro, primeiro "eles" vão espremer a laranja até não poder mais. Ou seja, quando sobrar só o Mysterio pro Aranha enfrentar, eles vão pensar em algo desse tipo. Isso deve ocorrer lá por 2054. Mas tudo bem... eu espero.



A PROPÓSITO...


...como os mais trashers já devem ter sacado, aquelas imagens chocantes do começo são do filme "proibido" do Quarteto Fantástico. Clique na capa do filme pra ver mais fotos do "clássico".

Essa mer... digo, filme, foi dirigido por um tal de Oley Sassone e produzido pelo veterano Roger Corman (que já até fez uns filmes "B" legais). Só que Corman é o contrário do vinho, quanto mais velho, pior fica. Esse filme é tão incrivelmente podre que nem sequer foi lançado, e acabou virando uma relíquia trash. Parece até coisa do Ed Wood.

Logo abaixo, um dos efeitos especiais mais realistas já concebidos para o Cinema. Por coincidência, é desse filme do Quarteto. Com vocês... o Tocha Humana em ação (tinha uma do Coisa, que era... uma coisa).


Ok, não resisti. Com vocês... "a" Coisa.






A PRO.


Ué, não disponibilizei logo de cara porque pensei que o Lobo já havia publicado. Depois ele apareceu procurando também... Então tá aí a HQ. Aliás, faço sempre questão de creditar os (ir)responsáveis (existe honra entre piratas e foras-da-lei!), mas no caso dessa revista, eu realmente não sei quem é o pai da criança. Eu só lembro que, na época, a baixei no Rapadura Açucarada. Então - se chegou a ler até aqui - valeu OutZ.

Em A Pro., Garth Ennis deixa um pouco de lado a violência pura em função de um roteiro ácido e carregado de humor negro, como de costume. É mais ou menos aquele papo do post anterior, sobre a impossibilidade da existência de um herói quadrinhístico no nosso mundo. E realmente é impossível, tendo em vista a tendência hiper-humanista deles, principalmente em se tratando do Clark... ou, no caso, do Santo!

Um excelente texto do Ennis e um belo trabalho gráfico da Amanda Conner (só uma mulher pra saber desenhar mulher daquele jeito...).

Links:

http://geocities.yahoo.com.br/garthconner/aPro01.zip
http://geocities.yahoo.com.br/garthconner/aPro02.zip

ou

http://geocities.yahoo.com.br/amaennis/aPro01.zip
http://geocities.yahoo.com.br/amaennis/aPro02.zip

segunda-feira, 17 de maio de 2004

WHAT IS THE MATRIX?


Não concordo com a imagem acima. Até mesmo como homenagem às vítimas do 11/9 não ficou legal. Bom mesmo ficaria se escrevessem uma história-parábola sobre o ocorrido. Algo situado no próprio universo de fantasia da graphic novel, sem qualquer contato com a nossa realidade cinzenta. Da forma como foi colocado, sugere-se que haveria uma chance de esperança, mesmo que mínima. Ou seja, uma tremenda forçação de barra, totalmente desnecessária (e até desrrespeitosa pra falar a verdade).

Usei o Aranha em frente aos escombros do WTC (Amazing Spider-Man #36, do Straczynski e John Romita Jr.), mais como uma analogia ao escopo "realidade x ficção". Um ótimo exemplo é o Grant Morrison. Ele é o cara que mais divulga a aproximação da ficção dos super-heróis com os acontecimentos do mundo real, o que eu não concordo. Não existe e nem existirá no mundo real o Superman de Paz na Terra. Nem o Capitão Marvel de O Poder da Esperança. Nenhum superser iria parar aqueles aviões antes que explodissem nas torres, prender todos os traficantes de todas as favelas, parar a tortura de prisioneiros no Iraque ou evitar que um homem-bomba cumprisse seu objetivo. Por outro lado, tudo que o Morrison fez, com destaque para os X-Men, foi muito acima da média. Ele soube muito bem transpor situações reais para a ficção. Mais ou menos, como se fosse uma atualização do que Stan Lee fez com o próprio Aranha, em sua época (e fecha-se o círculo).

Acaba sendo ótimo constatar que as idéias de Morrison partem de um princípio errado, mas que o resultado acaba sendo fantástico (sem trocadilhos). Creio que o próprio Straczynski teria feito diferente, se não fosse a pressão editorial que certamente aconteceu na ocasião.

Sobre a parte da "falsa esperança", acho que A Pro já diz tudo o que há pra ser dito. Escrita pelo maluco beleza Garth Ennis e desenhada primorosamente por Amanda Conner, essa HQ já é bem famosa, apesar de cult. Em todo caso, trata-se de uma analogia ao universo dos heróis, em particular da Liga da Justiça, o grupo mais emblemático das HQs.

A protagonista é "gente como a gente" (descontando o fato dela ser uma prostituta, hehe). Ela adquire super poderes e é recrutada para entrar na "Liga". Como se fosse a nossa representante no mundo das HQs, ela bate de frente à toda hora com os clichês da fantasia, sempre de uma forma bem debochada e incrédula. Em um certo momento, ela questiona a completa falta de nexo da existência de super-heróis no "mundo real". Um excelente texto travestido de diversão pueril. Clique na imagem aê.

Filme-lição de casa: O Último Grande Herói, duramente criticado e um fracasso de bilheteria. Sacaneia legal Hollywood e a cultura pop em geral. Um puta filme.




CADÊ O MASSACRE QUE ESTAVA AQUI?


O que aconteceu com a nova versão do clássico O Massacre da Serra Elétrica? Eu tô seco pra assistir esse filme! Ele conseguiu excelentes críticas e uma ótima bilheteria, além de ter um dos trailers mais assustadores dos últimos tempos. É estranho que ninguém esteja reclamando disso... Lembro que no Kill Bill as pessoas quase foram às ruas com a cara-pintada pra exigir a sua estréia. Então, das duas, uma: ou o filme já estreou e eu não fiquei sabendo, ou eu sou a única alma brasileira que espera ansiosamente por ele. :(

Massacre estreou nos EUA em 17 de Outubro de 2003 e ficou pra passar aqui no 1º trimestre de 2004, e até agora nada. O quê diabos está acontecendo? É culpa de quem? Da distribuidora, dos Ribeiro, do sindicato dos pipoqueiros...? Quem eu preciso torturar numa cela americana em Abu Ghraib pra que esse filme chegue ao Brasil?

Pior é ler uma crítica como essa aqui, pra depois ficar babando. Ou ir no Boca do Inferno (parece o irmão perdido do BZ) e ficar na espera. Acho que vou providenciar um massacre da serra elétrica eu mesmo...


Site oficial do filme (pra quê, afinal...)


Obs.: Nem vou falar de um certo sujeito de camisa preta com estampa de caveira (e que não é fã dos Misfits).


Relatório parcial da investigação: (uns 40 minutos mais tarde)
O remake de Massacre foi mulher de vida fácil na mão de várias distribuidoras, mas parece que já encontrou o amor de sua vida. A Europa Filmes pegou a criança pra criar. Dando uma fuçada no site, encontrei o filme pegando poeira na seção "o que vem por aí". Libera logo isso aê!!

sexta-feira, 14 de maio de 2004

CONSTANEO


Finalmente chegou um aperitivo do filme do John Constantine. Considerando que nenhum fã de Hellblazer espera alguma coisa que preste desse filme, até que a prévia é interessante. Por outro lado, essas prévias costumam ser sempre interessantes...


Belos olhos...


Aí ele tá a cara do Neo


Spider-Girl possessed


Depósito de objetos místicos milenares... já vi isso antes...


Adoraria ter isso na minha sala


Rachel Weisz... linda como um Monet


Ai, Rachel...


Opa, opa, opa...

Essa imagem foi a que mais me preocupou. Em boa parte do teaser, Keanu corre com uma espécie de metralhadora-crucifixo nas mãos... Muito estranho. Me lembrou Blade e, o que é pior, Van Helsing.


Ok, isso ele aprendeu com o Eric Bana


Rachel analisando uma cadáver até bonitinha


Um tipo de ninho dos demônios


Só espero que estes ainda não sejam...


...os principais vilões

Com o sensor de alta exigência cinematográfica ligado (o mesmo que esqueci de desligar antes da sessão de Van Helsing), vejo climas de terror rebuscados, beneficiados por efeitos digitais mil e cenários pretensamente dark. Um irmão mais novo de A Casa Amaldiçoada e Fim dos Dias. Já com o senso crítico amaciado, com uma grana preta no banco e após uma noitada com a Juliana Paes, dá pra enxergar algumas nuances interessantes. Rachel Weisz, mais linda que nunca, parece bem entrosada na história (e que sotaque, hmmm...). Keanu Reeves aparenta estar bem mais direto e auto-confiante, mesmo porquê, o personagem exige isso. Os demônios com jeitão de morcego são bem realistas.

Existe uma seqüência no meio do teaser que é muito bem-feita. A personagem de Rachel é "arrastada" por uma força invisível para fora de um edifício (foi impossível não lembrar de Matrix, hehehe). E também não vi nem Peter Stormare (que faz o Satanás), nem Djimon Hounsou (o sinistro Papa Midnite).

Foi um bom teaser, mas não sei ainda se vou tirá-lo do Bombas. O filme só vai estrear em 11 de fevereiro de 2005 nos EUA (e aqui no Brasil, só Deus).






Essa grande viagem de mais de 25 anos começou com Ian Frasier Kilmister esbarrando em trechos da História (do rock'n'roll e, porque não, da Cultura Moderna). Com 20 e poucos anos, ele foi "o cara que passava o som do Experience", banda do ícone Jimi Hendrix. Anos sessenta, flower-power, "Make Love Not War" (ah, aquelas groupies hippies não eram mesmo maravilhosas?), drogas, rock'n'roll, sexo de novo e muita cachaçada. Ian, nessa época, contraiu o apelido que dura até hoje, Lemmy. Segundo a lenda, é porque ele pedia grana emprestada toda hora ("lemme a few"). O fato é que ele chapava todas e nem o Jimi Hendrix Experience pôde com o nível etílico do moleque. Dali, ele saiu para fazer parte do seminal grupo space progressive Hawkwind, em 1971. Segurou o posto de baixista até 75 e rachou fora. Voltou à Londres, sua terra natal, e finalmente montou o Motörhead (o nome da última música que compôs para o Hawkwind).


O resultado não poderia ter sido mais arrasador. Era Lemmy no baixão cavernoso e nos vocais curtidos à whisky de segunda, Fast Eddie Clarke na guitarra punk'n'roll e backings, e Phil "Animal" Taylor numa batera demolidora. A banda parecia um trator desgovernado descendo uma ladeira.


Motörhead, de 77, era o álbum de estréia que toda banda que se diz ROCK deveria conceber. Lemmy, antes de tudo, sempre foi um old school rocker, então nada de emular o nascente punk ou heavy metal da época. O som era sim, rock'n'roll até o talo, seco, visceral, louder e alucinante. Estão lá clássicos como a faixa-título, Iron Horse, Train Kept' A Rollin', I'm Your Witch Doctor, e outros mísseis.


Em 79, veio o sucessor Overkill, com as pauladas Stay Clean, Capricorn, No Class, Metropolis e a faixa-título absurdamente thrash. Esse disco ainda traz o blues-terremoto Damage Case, recentemente coverizada pelo Metallica (o que aliás, é uma puta redundância!).


Bomber, também veio em 79 e dá-lhe mais clássicos: All The Aces, Stone Dead Forever, Talking Head e a destruidora faixa-título.


Abrindo a década de 80, um clássico dos clássicos: Ace Of Spades. A capa, com o power-trio caracterizado como pistoleiros à Sergio Leone, prenunciava o massacre iminente. Não dá pra apontar nenhuma música específica, já que aqui tudo o que significa Motörhead está embutido em cada nota alta de guitarra, no baixo ultra-distorcido, na bateria-metralhadora e na voz gutural e rouquíssima de Lemmy. Ok, me rendendo como um covarde na trincheira, aí vai: Ace Of Spades, a música, é um dos 5 maiores petardos do Rock de todos os tempos. Não canso de ouvir essa música no talo, desde que eu tinha uns 10 anos. Perdi a conta de quantos twiters eu já queimei com ela tocando.


Na seqüência, um álbum que é presença constante em várias listas de "Melhores Ao Vivo": No Sleep 'Til Hammersmith, de 81. Todos os clássicos estão aqui, em altíssimas e espancadoras versões. É impressionante o barulho e o peso que os três alcançavam ao vivo. Intensidade pura. Um dos melhores shows de rock desde sempre. E detalhe: sem overdubs. Da época em que rock era feito com garra de verdade e não através de uma tela de computador. Ou de baladas tristonhas.


Iron Fist, de 82 (ô banda que produz!!), aliviou um pouco na agressividade. Mesmo assim, ainda tinham uppercuts como I'm The Doctor, Go To Hell, Loser e a faixa-título.

Esse também foi o último disco com a formação clássica. E aí começa um festival de músicos entrando e saindo do Cabeça de Motor. Mas como foi o Lemmy que sempre comandou a coisa toda, o Motörhead manteve o alto nível intacto. Porra, o disco Orgasmatron - classicaço - é de 86! Rock'n'Roll é de 87!


1916, de 91, é um puta disco de rock'n'roll também. É essencial, e traz duas homenagens importantes. Uma é para a banda-irmã Ramones, na forma da música, ahn, R.A.M.O.N.E.S.. A outra é pra nós, brasileiros (aaêêêê!!): a paulada Going To Brazil. E ainda têm a auto-afirmativa I'm So Bad (Baby I Don't Care) e a porradíssima No Voices In The Sky. Discaço!

A formação atual do Motörhead se iniciou no disco de 96, Overnight Sensation. O álbum, pesadão (mesmo para os padrões do Motör), marcou a volta da banda para a configuração de trio (após um longo período como quarteto). Então ficou Lemmy (baixo/vocais), o mal-encarado Phillip Campbell (guitarra) e Mikkey Dee (batera).

Entre extensas turnês mundiais, ainda vieram Snake Bite Love, de 98 (e que eu ainda não ouvi. Tsc), Everything Louder Than Everyone Else (um duplo porradíssimo ao vivo, de 99 - ouço quase todo dia), We Are Motörhead, de 2000, e um badalado Best Of... duplo, também de 2000.


Lemmy é um dos nomes mais respeitados do Rock. Tem nego famoso (como James Hetfield disse uma vez) que treme quando ele chega perto. É até contraditório, pois ele é considerado um dos caras mais simples da cena. Mas não deixa de ser compreensível, afinal, o Motörhead atravessou décadas enfrentando crises diversas, modismos, barreira da longevidade, e principalmente, influenciando muita, mas muita gente. Quase todo mundo que faz rock pesado hoje deve as calças ao Lemmy. Metallica, White/Rob Zombie, Sepultura, Pantera (quando existia), Queens Of The Stone Age e todo o pessoal do stoner rock, toda a geração de bandas punk/hardcore/thrash/grind, grunge, e por aí vai.

O Motörhead tem uma característica parecida com bandas como AC/DC, Aerosmith, Kiss e Ramones. Eles sempre tocaram o mesmo tipo de som, e nas poucas vezes em que resolveram mudar, tiveram os seus piores momentos (musicalmente). No caso do Motör, na minha opinião, foi no álbum March Or Die, de 92. Ficou pop demais, talvez pela participação do Ozzy, que é amigão do Lemmy. Descontando o fato de que esse foi o álbum de maior vendagem de sua carreira, fico feliz que eles tenham saído daquela fase hard rock glam.


Eu ouço Motörhead direto. É quase um hábito involuntário. É Motörhead, Ramones e AC/DC. Sempre tem algum disco deles na bandeja do CD-player. Ouço no talo, lendo umas HQs, umas revistas x-rated e entornando uma cerva geladaça. Tirando mulher, não tem coisa melhor. Aliás, ainda vou botar Orgasmatron pra rolar naquelas horas...

Ah, e agora o porquê do "rompante Motör"... Vai ter show deles, sábado agora, em Vitória. Será no mesmo local aonde o Sepultura tocou, uns meses atrás. Troquei uma oportunidade de conhecer grandes amigos no Rio por causa deles (Nem vem! Já pedi desculpas!!). É esse o tanto que eu gosto do Motörhead. :)



Site oficial do Motörhead
Discografia
target=

terça-feira, 11 de maio de 2004

Putz, o Rock anda em crise. É verdade, não é novidade pra ninguém, mas é sempre triste quando eu lembro. E nem me refiro a estilos mais pop, tipo aqueles praticados por bandas como The Darkness, Creed ou Nickelback. Nem à estilhaços do grunge, como Puddle of Mudd e Silverchair. É mais a respeito do metal alternativo mesmo. O tipo que descende do heavy metal tradicional e aponta novos caminhos para o estilo. O mesmo que já abrigou bandas notáveis, como Faith No More, Prong, Helmet, Ministry e até o Jane’s Addiction. O que é que temos aí nesse gueto hoje em dia? Korn, Limp Bizkit e Linkin Park? Tô fora. Mesmo essas bandas já se encontram hoje em um beco sem saída musical. É guitarra barulhenta, baixo estalado, vocais rapeados e mais o quê? A última banda que prestou mesmo dessa leva foi o Rage Against The Machine, ainda que seu panfletarismo às vezes soasse forçado. Além do mais, eles corriam bem por fora dessa cena.

Admito que já até tentei seguir a fila de clones sensíveis que amam de paixão o Radiohead. Creep, Anyone Can Play Guitar são boas pop songs, lembram um Sonic Youth açucarado. Mas não rolou... A banda só foi legal do Pablo Honey até o The Bends, depois virou uma fábrica de baladas escocesas. Aliás, já vai o tempo em que se produzia um bom rock nos arredores da Bretanha. Blur? Belle & Sebastian? Urgh. Com alguma boa vontade (e um dia nublado), dá pra encarar o Coldplay ou o Travis, mas morrendo de saudade do Teenage Fanclub e do Dinosaur Jr., que sabiam de verdade como fazer um som garageiro e melódico.

PS: Já que eu citei o Nickelback, reparem só no riff de abertura da música Throw Yourself Away (do último disco, The Long Road). É igualzinho à The Unnamed Feeling, faixa do controverso St. Anger, do Metallica. E não falo de "parecidos" não, falo de exatamente os mesmos acordes. Até o andamento moderado das músicas é igual. Os dois discos são de 2003, sendo que o Metallica lançou o seu uns 3 meses antes. Como o tempo foi curto demais para um plágio, imagino que seja apenas uma coincidência, acompanhada de uma boa dose de falta de idéias...

domingo, 9 de maio de 2004

Saudades de Anthony Hopkins


Lembro de quando assisti Drácula de Bram Stoker pela 1ª vez. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o Prof. Abraham Van Helsing do sir Anthony Hopkins. Cerebral, lúcido e, ao mesmo tempo, quase irracional em sua obssessão e um tanto louco. Uma excelente contraparte para um inimigo formidável, que era um tal conde da Transilvânia. Isso foi em 1992.


Corta pra 2004. Temos aqui o diretor Stephen Sommers e seu Van Helsing - O Caçador de Monstros. Antes de mais nada, digo-lhes: esse filme é de uma ruindade do nível de Batman & Robin. Ruim toda vida. Parece que a carta branca que Sommers recebeu da Universal para adaptar seus monstros clássicos subiu-lhe a cabeça. Van Helsing erra no roteiro, em boa parte dos efeitos especiais, na escalação dos atores, enfim, em quase tudo.

Ironicamente, o filme começa muito bem, estilão horror anos 50 (em p&b, inclusive). Logo após esse início promissor, o filme nos leva à Londres, onde Van Helsing (uma espécie de agente do Vaticano, com a missão de caçar todo tipo de criaturas do Mal) enfrenta o psicótico Mr. Hyde. Logo, ele recebe a missão de ir à Transilvânia impedir os planos do Conde Drácula (Richard Roxburgh, afetado ao extremo), que é procriar e dominar o Mundo com a sua prole. Acontece que os vampirinhos só nascem mortos e a chave para resolver esse problema é a ciência empregada no Monstro de Frankenstein (Shuler Hensley). O Lobisomem (um esforçado Will Kemp) também marca presença, como leão-de-chácara do Drácula. Do lado dos mocinhos, o frade Carl (David Wenham, o melhor em cena) e Anna (a destrói-família Kate Beckinsale, fazendo biquinho durante todo o filme).

Há um certo limite inconsciente das mentiras e distorções das Leis da Física que se permitem por filme. Van Helsing é um festival de situações improváveis e soluções idem. Há repetição de idéias em uma quantidade digna de um processo do Procon (nem Tarzan se balançou tanto em cordas). Tem uma cena que lembra aquela do ônibus de Velocidade Máxima. Os saltos dos personagens superam aqueles do Demolidor do filme e, aparentemente, todos são imunes a quedas. Kate Fuckinsale então, nem se fala. A poderosa apanha mais que Jim Caviezel em A Paixão de Cristo e cai de alturas superiores a 10 metros, direto no chão de paralelepípedo. No caminho, ela vai batendo em árvores, sobrados, gárgulas e, se bobear, até num OVNI que estava passando. Tudo isso sem espirrar uma única gota de sangue e sem despentear aquele cabelo cacheado maravilhoso. Os ossos de Isaac Newton devem ter se sacolejado legal.

As atuações são constrangedoras, mas até que dá pra separar quem vai pro Céu dos atores. Will Kemp, Shuler Hensley e, principalmente, David Wenham, tiraram água de pedra ao tentarem atuar no meio de tanto absurdo. Hugh Jackman fica na dele, sem se comprometer muito (acho que até ele estava com o pé atrás). Aliás, o Hugh Helsing é praticamente um Wolverine vitoriano. Até o próprio passado ele desconhece! E de onde tiraram aquele "Gabriel" no nome do Helsing?

Agora, Richard Roxburgh estava totalmente camp (pra não falar boiola) como o Drácula. Opa, "Drácula" não, Vladislaus Dracullia (que mania de mudar o nome do Conde!). Mas quem leva a coroa da ruindade artística aqui são as Noivas do Drácula. Apesar de lindas, elas têm as vozes hiper-irritantes, são canastras ao extremo e falam pelos cotovelos. Sou muito mais as Noivas do Drácula de Bram Stoker (que tinham até a Monica Bellucci no meio!).

Entre idas e vindas (e eu já de saco cheio), chegamos à um clímax até interessante, à la Godzilla vs Mothra (telecatch de monstro gigante). Seria uma puta coincidência o filme começar e terminar bem, apesar do recheio estragado. Mas não acaba aí, e Sommers emenda um final que pode ser considerado o mais piegas desde Ghost - O Outro Lado da Vida - só que lá, fazia sentido.

Conclusão: A Liga já tem um parceiro na estante da locadora.

O pior é que Sommers dedicou o filme ao seu pai. Tsc, aposto que o coroa não merecia isso.




DECKARD E AS ADAPTAÇÕES DE FILMES


Não sou chegado em quadrinhizações oficiais de filmes. Hoje, não faz mais sentido. Ler HQs contendo aquilo que já vi em três dimensões lá na telona (e com muito mais dinâmica) é meio perda de tempo. Ok, gostei do traço da adaptação oficial do Homem-Aranha. Nem sei dizer quem é o artista, e nem mesmo cheguei a folhear a HQ (era um fundo de tela do Teia do Aranha). Esse é o meu interesse atual nas quadrinhizações oficiais de Cinema. Mas nem sempre foi assim...

A primeira revista desse tipo que eu li foi a adaptação do primeiro Robocop, que adorei, por sinal. A HQ (em p&B) era bem violenta e haviam várias "cenas" que não constavam no filme. Também perdi a conta de quantas vezes eu tentei desenhar aquela capa. :P


Clica em riba pra aumentar

Outras duas que comprei e gostei, foram as dos primeiros filmes do Batman e Darkman. Eu lembro que a do morcegão era superluxuosa e muito cara também. Eu era moleque na época e urrei pra comprar (e não foi dinheiro do papai não). A do Darkman eu comprei pelo frenesi que o filme me causou, mas confesso que era bem básica, sem grandes novidades. Ainda assim eu a lia direto. Infelizmente todas as duas perderam-se nas areias do tempo (e dos sebos). Uma nova sessão de DC++ me aguarda...


Existem várias adaptações que eu nem tinha conhecimento. Às vezes, a gente esquece que estamos nos referindo aos EUA, o país da capitalização. São feitas quadrinhizações até de filmes ruins. Muitas dessas versões em HQ nem chegaram a ser lançadas por aqui, talvez por serem muito fracas. Garimpando por aí (e numa absoluta falta do que fazer) achei algumas à venda, via web. Putz, adaptaram até o Timecop... O curioso é que a grande maioria dessas adaptações oficiais foram empreendidas pela Marvel Comics, mercenária toda vida.

Ah, e têm o (Rick) Deckard do título e a imagem da deliciosa replicante Pris... ambos são personagens do clássico Blade Runner - O Caçador de Andróides. Eu estava olhando a adaptação oficial, que foi lançada em outubro de 82 (!!), e reparei que, nos primórdios, a coisa era feita como se fosse uma transcrição quase exata das películas. No caso de Blade Runner, essa fórmula deu muito certo. Talvez porque o visual do filme já era embasbacante por si só. Foi um retrato no-future fascinante que deu vida ao termo cyberpunk. Prato cheio para uma versão HQ.

O traço (de Al Williamson e Carlos Garzon) é estiloso e cheio de classe. O argumento foi levado no piloto-automático por Archie Goodwin (quem?). Mas tudo bem, o filme continha as narrações em off do Harrison Ford, então não havia muito o quê fazer mesmo.

Separei alguns screens para fazer uma comparação entre a sétima e a nona arte.










Esses aí (e outros tantos) estão à venda bem aqui, mas eu aconselharia um uso melhor do cartão de crédito.

That's All, Folks!