quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Até mais, velho amigo
Se foi o lendário Patrick Stewart. Essa é uma daquelas de acabar com o dia.
Não bastasse ser um gigante da TV, do teatro e cinema em uma carreira multipremiada de monumentais 67 anos, ele também advogava em favor de várias causas humanitárias – incluindo aquelas evitadas a todo custo pela maioria dos famosos com medo de comprometer o seu rico dinheirinho. A ousadia maior, certamente, foi a de ter sido um sujeito incrivelmente pé no chão, boa-praça e engraçado. Sabia como poucos tirar sarro de si próprio. Era muito maior que a vida.
Claro, também foi o Capitão Jean-Luc Picard, de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração (não vi a série toda, mas vi todos os filmes!), e o Professor Charles Xavier na franquia dos X-Men nos cinemas. Icônicos e definitivos. Sem dúvida, seus maiores sucessos. Mas desconfio que Sir Patrick cravaria seu nome na posteridade mesmo sem eles.
O mundo perdeu uma parte imensurável de talento, elegância e bom humor. Vai fazer muita falta.
Foi uma honra, Capitão. E obrigado por tudo, Professor!
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
É isso, companheiro!
Só pra fechar as analogias verde-amarela-vermelhas como se deve. Porque foi bonito de ver.
Todos vocês que tomaram as redes sociais (do inimigo!), tomaram as ruas, todos que se informaram antes de votar, que se alistaram no "Exército" e seguiram seu incansável "Comandante", todo o insuperável Nordeste, todos que se deslocaram às zonas eleitorais, mesmo a duras penas e contra todas as forças ocultas terrivelmente criminosas... Todos vocês foram os verdadeiros Heróis em Ação.
Orgulho que não cabe no coração. Foi épico.
Todos vocês que tomaram as redes sociais (do inimigo!), tomaram as ruas, todos que se informaram antes de votar, que se alistaram no "Exército" e seguiram seu incansável "Comandante", todo o insuperável Nordeste, todos que se deslocaram às zonas eleitorais, mesmo a duras penas e contra todas as forças ocultas terrivelmente criminosas... Todos vocês foram os verdadeiros Heróis em Ação.
Orgulho que não cabe no coração. Foi épico.
domingo, 18 de outubro de 2026
O BZ faz o L
O óbvio ululante para quem segue o blog desde priscas eras. Bom, nem tão priscas assim. E agora acompanhado dessa mania besta de, sabe, tentar evitar que o país seja arrasado de vez. Só vou pular a parte da camisa amarela – mais ainda, da camisa da CBF (credo!). Empolgação tem limite.
Façamos assim: vamos de gibis com as cores da bandeira e metáforas de boteco.
Até o Mandrake faz o L. Meio desajeitadamente, é verdade, mas está lá. Lembrando que o Mestre das Artes Mágicas é da King Features Syndicate. Syndicate. Hã, hã?
O Visão faz o L de cima para baixo! Normal, aqui ele é um gigante vermelho trajado de verde e amarelo colocando a Europa, os Estados Unidos e as Big Techs em seus devidos lugares. Como diria o sábio filósofo Ultrão, capacho de cu é rola.
O Zé Carioca faria o L fácil. O papagaio mais malandro da Vila Xurupita jamais se bandearia para o lado dessa gente que odeia o Brasil e os brasileiros.
O Demolidor faz o L. Meio que faz. E a falha da gráfica na abertura da Superaventuras Marvel #100 é pura poesia verde e amarelo canarinho.
Posso te dar 700 mil motivos para votar no 13, no Lula. Mas só faça a coisa certa. Raramente a vida nos brinda com dilemas tão simples.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Lay down your soul to the gods Rock ‘n’ Roll
Não necessariamente triste, mas certamente impactado pela partida inesperada de Cronos, o eterno frontman do Venom. O homem era controverso e carne de pescoço. Humano até o talo, enfim. Mas tinha seus momentos. O que importa é a arte e, neste quesito, ele não veio aqui pra perder viagem.
Tosco, violento, pesado e ultrarrápido, o trio de Newcastle meteu um turbo no heavy metal da época com o disco Welcome to Hell, de 1981. Se tornou o grande pioneiro do thrash, do death e, claro, do black metal. É venerado por nomes como Slayer, Kreator, Metallica, Pantera, Dave Grohl e até os Beastie Boys.
O fato é que todo o metal extremo deve as calças ao sujeito.
Sem contar que ele enfrentou ninguém menos que o Poderoso Thor! Ícone.
RIP Cronos!
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Panini, Correios & ETs
Com a logística da Panini passando pela pior crise de sua história e com os Correios funcionando em 80% de sua capacidade (rá! só acredito vendo... ou melhor, recebendo), só faltava mesmo uma invasão de ETs comedores de carteiro pra completar a zona – o duplo sentido é totalmente voluntário.
E meus
Hoje completou 1 mês que um pedido taludo que fiz na Panini está em "Separação e Manuseio". Devem estar bolinando o pedido, só pode.
Como miséria pouca é bobagem, escolhi logo o envio PAC, que saiu de graça. É a tempestade perfeita. Me sinto como o Lanterna John Stewart diante da bomba amarela.
Não é meu 1º rodeio, mas pelas sandálias de Fidípides, como é cansativo.
Já que não adianta reclamar no momento, me atenho à catarse básica.
Porra, Panini!
Ps: e obrigado, ET da Creepy #79, pela inestimável contribuição.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
This is the rhythm of the night
Não tinha dúvidas que O Segredo de Widow's Bay daria uma goleada no Emmy. Ou melhor, até tinha. Pela caretice tradicional da premiação. Felizmente, a química dos atores Matthew Rhys, Kate O'Flynn e Stephen Root, mais o roteiro espirituoso de Katie Dippold e a direção precisa de Hiro Mutai na metade dos episódios seduziram até os mais ortodoxos. Por todos os seus méritos técnicos e suas referências bem sacadas, foi merecido. Mais do que isso, porque a série é divertida demais.
E diversão per se não costuma ser recompensada por aí. Em certos círculos, é quase palavrão.
Na trama, uma suposta maldição ancestral assola a cidadezinha insular de, duh, Widow's Bay. A tal maldição é tida como uma lenda urbana e é prontamente rechaçada pelo novo prefeito Tom Loftis (Rhys), louco para revitalizar a ilha como ponto turístico ("seremos a próxima Martha’s Vineyard!"). A natureza da maldição – claro que ela existe – é bem específica e as tentativas de Loftis de apagar os rumores e vender uma boa imagem da cidade são impagáveis.
O núcleo de protagonistas é heterogêneo e afiadíssimo. A assistente Patricia (O'Flynn) e o obcecado Wyck (Root) são o contraponto perfeito para o caos controlado de Loftis. Dale Dickey também mata a pau como a assistente completamente sem-noção Rosemary. A sintonia do elenco inteiro é impecável, sem exceção. Achei surpreendente a escalação de Hamish Linklater (de As Novas Aventuras de Christine e Midnight Mass), que está irreconhecível como Richard Warren, o patriarca fundador de Widow's Bay. Quase um morto-vivo de dois metros de altura. Assustador.
E não dá pra deixar de mencionar a performance espetacular de Betty Gilpin como a tragicômica Sarah Westcott, esposa de Richard. Hilária. Pena que só aparece em dois episódios. Mereceu demais levar o Emmy de Atriz Convidada pra casa.
O caldeirão de influências de Widow's Bay é gigantesco. As mais óbvias são Twin Peaks, com seu microcosmo de personagens excêntricos e situações idem, e A Bruma Assassina, de John Carpenter. Por sinal, essa mistura de ambientações costeiras com o sobrenatural sempre foi uma constante nas obras de Stephen King. Filmes como Trocas Macabras e A Tempestade do Século (sorry, não li os livros), certamente foram fontes obrigatórias aqui.
O Fangoria destrinchou a coisa muito bem.
A estrutura narrativa segue o estilo monstro-da-semana em pelo menos 60% da temporada. O que acho ótimo. A variedade de ameaças é de reluzir as íris de quem cresceu nos anos 1980 se refestelando em filmes de terror. E dá-lhe palhaço assassino, casa mal-assombrada, bruxa do mar vovó da Sadako/Samara, folk horror e o pièce de résistance da galeria: o confronto Patricia vs Michael Myers, onde Kate O'Flynn foi Jamie Lee Curtis por 40 minutos. Ou quase. Mas já é icônica.
O final da 1ª temporada é um tour de force de suspense, humor negr... err, mórbido e tensão com direito a um cliffhanger dramático de novelão das oito. Também serve, ainda que melancolicamente, como uma conclusão aberta. Em outras palavras, um dever de casa muito bem feito.
E com a 2ª temporada já encomendada, só me resta comemorar.
As festas da Patricia são as melhores!
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domingo, 30 de agosto de 2026
O Silo é para todos
Spoiler aflitivo do 9º episódio da 3ª temporada de Silo.
Puta que pariu. Que payoff.
Teorias conspiratórias estão zanzando pela minha cabecinha atordoada até agora. A única certeza é que fui atropelado por uma das sequências mais tristes que já vi.
Direção, atuação, roteiro (adaptado)... todos empenhados em partir o coração e jogar os pedacinhos no triturador.
Parabéns aos envolvidos.
Na trilha: Massive Attack, Splitting the Atom (EP). Apropriado.
sábado, 15 de agosto de 2026
sábado, 1 de agosto de 2026
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Vingadores vs X-Men vs Quarteto Fantástico vs Robert Downey Jr.
Vendido.
Muita coisa legal acontecendo ali, não posso negar. Ou talvez seja a abstinência de ver essa turma novamente após 7 longos anos.
Ps: mas o pé atrás continua firme, moço.
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segunda-feira, 13 de julho de 2026
Thanks for playing, Sam
Que talento absurdo o do Sam Neill. E com um tino particular para balancear papéis complexos com a mais pura diversão mainstream.
Lembro a 1ª vez que o assisti, na telinha de uma Sessão de Gala qualquer. O filme era Terror a Bordo (Dead Calm, 1989), um nervoso thriller em alto-mar onde ele passava inúmeros perrengues para salvar sua esposa Nicole Kidman (e ele próprio) das garras do psicopata Billy Zane. Memorável. Assim que descolei um videocassete, fiz muitas sessões do filme, como se deve: com áudio original e legendado.
Dali pra frente, parecia que ele tinha ganho o mundo. E tome A Caçada ao Outubro Vermelho, Jurassic Park, O Enigma do Horizonte, meu favorito À Beira da Loucura e uma carreira hollywoodiana praticamente impecável. Artigo raro.
De sua filmografia pregressa, há várias joias preciosas a serem revistas/descobertas, mas é o ano de 1981 que leva o prêmio de cruzada dramática-teológica. Em doze meses, Sam foi do inferno – na divertida bagaceira A Profecia III - O Conflito Final e no perturbador Possessão, do genial cineasta polonês Andrzej Żuławski – ao céu cristão – em From a Far Country, cinebio do Papa João Paulo II. Versatilidade poderia ser um de seus nomes do meio.
Sir Sam (posso?) também era uma figuraça em suas entrevistas e aparições públicas, sempre destilando bom humor com um elegante sarcasmo. Além de um ser humano superconsciente.
Vai fazer falta.
Que dia.
segunda-feira, 15 de junho de 2026
Profeta Jonah
Belas e nostálgicas reflexões da Gail Simone em post do Feice.
“Recentemente, estava pensando no CBR.com, o Comic Book Resources. Pelo que ele é agora, que é bom, mas um pouco disperso, eu quase tinha me esquecido de como era antes. Por muito tempo, foi O centro da comunidade de quadrinhos. Criadores renomados estavam lá o tempo todo. Tinha notícias exclusivas.
Acima de tudo, tinha Jonah Weiland supervisionando. E ele se esforçou ao máximo para torná-lo algo especial. MUITA gente encontrou sua primeira comunidade de quadrinhos lá, inclusive eu.
Não sei se existe algo remotamente parecido hoje em dia. O Twitter é tóxico e cheio de bots, e outras plataformas não têm o mesmo alcance ou foco.
Uma coisa que me chamou a atenção ao olhar o gráfico de vendas mais recente. E realmente me impressionou.
Jonah deu colunas para muitos profissionais consagrados. Mas três de suas colunas mais populares eram de pessoas que ainda não tinham feito muito sucesso como criadores de quadrinhos.
Sou eu, Matt Fraction e Robert Kirkman. Acho que o Robert tinha feito algumas coisas, mas nada comparado ao sucesso que ele alcançaria depois, e eu e o Matt éramos bem mais novatos.
Quer dizer, sem querer me gabar. Mas veja o que aconteceu no mês passado. Invincible, Battle Beast e Transformers do Kirkman. Batman do Fraction. Meus Uncanny X-Men e She-Spawn. Quer dizer, entre nós, temos uma boa parte dos trinta quadrinhos mais vendidos e alguns outros além.
Como o Jonah sabia?
E será que o CBR nos ajudou a bombar, ou o Jonah simplesmente tinha uma intuição incrível?
É meio inacreditável que, tantos anos depois, quando nossas colunas já foram esquecidas, a única coisa que nós três temos em comum é que o Jonah achou que merecíamos uma plataforma e realmente nos pagou quando ainda não éramos nomes conhecidos.
Se eu estiver errado em alguma parte da história sobre o Matt e o Robert, peço desculpas, foi sem querer. Eu admiro muito os dois.
Mas, nossa. Jonah previu isso ou não?
EDITADO PARA ADICIONAR: Eu havia me esquecido que a grande KELLY THOMPSON também começou como colunista no CBR. Isso significa que podemos adicionar JEFF e ABSOLUTE WONDER WOMAN, dois dos quadrinhos mais lucrativos dos últimos ANOS, à minha tese de que JONAH WEILAND ERA UM VIDENTE!”
Louvável quando alguém estabelecido relembra publicamente de seus benfeitores/mecenas em início de carreira. É bonito demais.
Do lado de cá, como público, a empatia com o texto foi imediata. Lembro vividamente de viajar pelas colunas Comics You Should Own, do Greg Burgas, e Comic Book Urban Legends Revealed, de Brian Cronin – ambas descontinuadas há muito tempo e disponíveis apenas pelo Internet Archive, assim como todas as coisas legais do Comic Book Resources raiz.
Mas não só o CBR. Sites que tinha como parada obrigatória do meu itinerário pop cultural seguiram o mesmo caminho: Newsarama, SuperHero Hype!, Silver Bullet Comics, Comics Alliance, JoBlo, Screen Rant... todos descaracterizados e reformulados num padrão Web 2.0 Facebúquico impessoal e indistiguível. Recheados de textos genéricos, circulares e embromativos como só a IA mais sádica poderia gerar. Todos se renderam, sedentos por cliques em seus links patrocinados.
* Todos, com exceção do Ain't It Cool News, fiel ao mesmíssimo layout de 1996. Mas aí o gordacho Harry Knowles, dono da bagaça e ex-figura descolada, fez merda e viu a carreira descendo pela descarga.
Por aqui não foi diferente. O boom de sites nerd/geek/musicais surgido na Internéti-BR durante os anos 2000 foi renovador e empolgante. Universo HQ, Rabisco, Sobrecarga, Prótons, Nona Arte, Fanboy, Gordurama e até o Omelete dos primeiros anos. Muitos colunistas com fome de bola rendendo artigos antológicos ou, no mínimo, divertidos. Zines online. Bons tempos.
Hoje, pra quem curte um conteúdo bacana sobre mainstream, o cenário é de terra arrasada e monetizada. Ou é gibituber (nada contra, mas¹) ou Xzeiro ex-Twitteiro (nada contra, mas²) ou TikToker (tudo contra) ou Zappeiro (tudo contra ad infinitum). Haja peneira e senso crítico. E não parece que vai melhorar.
Acho que isso nem o Profeta Jonah previu.
“Recentemente, estava pensando no CBR.com, o Comic Book Resources. Pelo que ele é agora, que é bom, mas um pouco disperso, eu quase tinha me esquecido de como era antes. Por muito tempo, foi O centro da comunidade de quadrinhos. Criadores renomados estavam lá o tempo todo. Tinha notícias exclusivas.
Acima de tudo, tinha Jonah Weiland supervisionando. E ele se esforçou ao máximo para torná-lo algo especial. MUITA gente encontrou sua primeira comunidade de quadrinhos lá, inclusive eu.
Não sei se existe algo remotamente parecido hoje em dia. O Twitter é tóxico e cheio de bots, e outras plataformas não têm o mesmo alcance ou foco.
Uma coisa que me chamou a atenção ao olhar o gráfico de vendas mais recente. E realmente me impressionou.
Jonah deu colunas para muitos profissionais consagrados. Mas três de suas colunas mais populares eram de pessoas que ainda não tinham feito muito sucesso como criadores de quadrinhos.
Sou eu, Matt Fraction e Robert Kirkman. Acho que o Robert tinha feito algumas coisas, mas nada comparado ao sucesso que ele alcançaria depois, e eu e o Matt éramos bem mais novatos.
Quer dizer, sem querer me gabar. Mas veja o que aconteceu no mês passado. Invincible, Battle Beast e Transformers do Kirkman. Batman do Fraction. Meus Uncanny X-Men e She-Spawn. Quer dizer, entre nós, temos uma boa parte dos trinta quadrinhos mais vendidos e alguns outros além.
Como o Jonah sabia?
E será que o CBR nos ajudou a bombar, ou o Jonah simplesmente tinha uma intuição incrível?
É meio inacreditável que, tantos anos depois, quando nossas colunas já foram esquecidas, a única coisa que nós três temos em comum é que o Jonah achou que merecíamos uma plataforma e realmente nos pagou quando ainda não éramos nomes conhecidos.
Se eu estiver errado em alguma parte da história sobre o Matt e o Robert, peço desculpas, foi sem querer. Eu admiro muito os dois.
Mas, nossa. Jonah previu isso ou não?
EDITADO PARA ADICIONAR: Eu havia me esquecido que a grande KELLY THOMPSON também começou como colunista no CBR. Isso significa que podemos adicionar JEFF e ABSOLUTE WONDER WOMAN, dois dos quadrinhos mais lucrativos dos últimos ANOS, à minha tese de que JONAH WEILAND ERA UM VIDENTE!”

Louvável quando alguém estabelecido relembra publicamente de seus benfeitores/mecenas em início de carreira. É bonito demais.
Do lado de cá, como público, a empatia com o texto foi imediata. Lembro vividamente de viajar pelas colunas Comics You Should Own, do Greg Burgas, e Comic Book Urban Legends Revealed, de Brian Cronin – ambas descontinuadas há muito tempo e disponíveis apenas pelo Internet Archive, assim como todas as coisas legais do Comic Book Resources raiz.
Mas não só o CBR. Sites que tinha como parada obrigatória do meu itinerário pop cultural seguiram o mesmo caminho: Newsarama, SuperHero Hype!, Silver Bullet Comics, Comics Alliance, JoBlo, Screen Rant... todos descaracterizados e reformulados num padrão Web 2.0 Facebúquico impessoal e indistiguível. Recheados de textos genéricos, circulares e embromativos como só a IA mais sádica poderia gerar. Todos se renderam, sedentos por cliques em seus links patrocinados.
* Todos, com exceção do Ain't It Cool News, fiel ao mesmíssimo layout de 1996. Mas aí o gordacho Harry Knowles, dono da bagaça e ex-figura descolada, fez merda e viu a carreira descendo pela descarga.
Por aqui não foi diferente. O boom de sites nerd/geek/musicais surgido na Internéti-BR durante os anos 2000 foi renovador e empolgante. Universo HQ, Rabisco, Sobrecarga, Prótons, Nona Arte, Fanboy, Gordurama e até o Omelete dos primeiros anos. Muitos colunistas com fome de bola rendendo artigos antológicos ou, no mínimo, divertidos. Zines online. Bons tempos.
Hoje, pra quem curte um conteúdo bacana sobre mainstream, o cenário é de terra arrasada e monetizada. Ou é gibituber (nada contra, mas¹) ou Xzeiro ex-Twitteiro (nada contra, mas²) ou TikToker (tudo contra) ou Zappeiro (tudo contra ad infinitum). Haja peneira e senso crítico. E não parece que vai melhorar.
Acho que isso nem o Profeta Jonah previu.
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Memorando urgente
Oh yeah, babe. Kudos para a melhor surpresa televisiva de 2026 até aqui.
Agora, com sua licença, preciso rever a cena-monólogo da Rosemary no ep. #9 mais umas 385 vezes.
domingo, 31 de maio de 2026
Enquanto isso, na Banca do SAM...
Como amassar o tropo do salvador branco em uma página.
Não só não envelheceu, como renovou os votos. Só mesmo a Ann Nocenti. ❤️
Em inglês, sem as "aparadas" da Abril, é ainda melhor.
É a coisa mais anti-Chuck Dixon que você verá hoje.
Não só não envelheceu, como renovou os votos. Só mesmo a Ann Nocenti. ❤️
Em inglês, sem as "aparadas" da Abril, é ainda melhor.
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quinta-feira, 21 de maio de 2026
Bem-vindo de volta, Jon
A coisa mais interessante do MCU atualmente é observar como a Disney tenta lidar com o Justiceiro, esse enorme caveirão branco no meio da sala. É um personagem que o público neófito adorou, mas nem sempre (quase nunca) por motivos nobres. No meio do tiroteio ideológico que custou até o símbolo-logo do vigilante nos gibis, a Marvel tenta equilibrar a balança enquanto faz a reintegração de posse de seu anti-herói. Sob esta ótica, o especial O Justiceiro: Uma Última Morte é mezzo thriller de ação mezzo TCC de ciências sociais.
É sempre engraçado ver a Disney pulando de um pé para o outro na tentativa de amaciar o Frank Castle. Dar ao personagem uma motivação suficientemente digna e justificável para metralhar, estripar, empalar, esquartejar e explodir uma galera – e ainda divertir o público como um todo, não apenas o time do bandido-bom-é-bandido-morto. Há um problema óbvio aí que é humanizar um personagem desumanizado. Mesmo bom de narrativa, o diretor Reinaldo Marcus Green não consegue evitar a pieguice que sabota o bom andamento da matança sem piedade.
Na trama, o Justiceiro (Jon Bernthal) encara o que sobrou da Mama Gnucci (Judith Light), que busca uma vendetta pela chacina de sua famiglia após a série da Netflix. Ao mesmo tempo, ele tenta salvar inocentes em pleno caos urbano provocado pelo vácuo de poder. Aposto uma garrafa de Blue Label que não era nisso que Garth Ennis, Steve Dillon e Jimmy Palmiotti pensavam enquanto concebiam o arco original das HQs.
O Justiceiro é uma figura à Monstro de Frankenstein (não confundir com o Franken-Castle). Odiado por muitos e temido por todos, independente da inclinação moral. Castle é um outcast, uma sombra. Além da redenção. Aproximá-lo do cidadão comum é arrancar o que ele tem de mais legal e colocar coisas não tão legais no lugar.
Essa pegada do "Castle Amigão da Vizinhança" gera outro problema, que é a subversão da própria mensagem. Enquanto age como GCM hardcore, ganhando até abraço e lembrancinha de uma criança após trucidar 8 filhotes do capiroto numa lanchonete, Frank acaba remetendo ao Justiceiro original Paul Kersey, da série Desejo de Matar. Especificamente, ao Kersey de Desejo de Matar 3, objeto-mor de idolatria reaça e uma comédia involuntária insuperável para assistir com os amigos.
Quem não lembra do Kersey largando o aço no icônico Risadinha e recebendo uma salva de palmas dos moradores do bairro? Absolute cinema.
Em Uma Última Morte, Castle quase chega lá. E tem até um Risadinha para chamar de seu, mas com tratamento VVIP em comparação e cenas de um maniqueísmo raso e constrangedor (pobre doguinho). Desse modo, a Disney se vale de uma espécie de "candura" para alcançar o gatilho reaça que existe em cada um e assim conquistar a empatia do público médio da plataforma – também conhecido como Geração Z. Nos anos 80, esse malabarismo todo seria obliterado por saraivadas de balas de festim, explosões de verdade, milhares de squibs sanguinolentos e indefectíveis frases de efeito.
Admito, talvez esteja Žižekeando demais com o filme, mas é inevitável. Há muito acontecendo aqui e nem arranhei a lataria.
Voltemos ao basicão.
O roteiro foi co-escrito por Green e pelo próprio Bernthal e, na real, é ruim. Se o ultimato da matriarca Gnucci era compartilhar a localização do edifício de Castle para todos os criminosos da cidade, bastava ele se mudar de endereço. E aquele comerciante pode até ser dedicado, mas abrir as portas no meio de um The Purge é atestado de burrice. E ainda levar a filhinha para o trabalho naquele cenário apocalíptico configura inclusive negligência parental. Justiceiro do Antigo Testamento nele!
A despeito disso e do excesso de sacarina que abre e fecha o média-metragem, Jon Bernthal tem um trunfo incontestável: ele mesmo. O recheio de Uma Última Morte é um rodízio espetacularmente coreografado de tiro, porrada e dinamite. Isso, o Jão entrega como poucos. Literalmente, salva o dia.
E, quem sabe, o futuro.
Nota final: dois Risadinhas e meio (de 5).




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sexta-feira, 8 de maio de 2026
A Cilada Mortal
A experiência tátil-visual definitiva por apenas 15.000 euros. Uma bagatela.
Alan Moore deve ter amado.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Predadores de edições esgotadas
Resolvi fazer uma coleçãozinha dos Yautjas e Xenomorfos que têm saído pela Marvel/Disney. Tudo seguia tranquilamente com promos e cupons apoiando a causa, mas na zona de guerra que é o fim de ano, acabei deixando passar o Predador Versus Wolverine do ótimo Benjamin Percy com uma caçambada de artistas. Curto o quadrinho e também queria a versão física, mas, em se tratando da Panini, não poderia faltar aquele draminha de sempre.
A edição, lançada em setembro último, já estava esgotada há um bom tempo na loja virtual. O mesmo na Amazon e nos marketplaces oficiais da editora – a saber: Mercado Livre, Magazine Luiza, Americanas e Estante Virtual. A revista sumiu dos canais oficiais. E também de lojas online genéricas como Mundos Infinitos, Comic Boom! e afins, que dispõem de um estoque do tamanho de uma caixa de sapato. Comix virou um sebo virtual.
Daí para a corrida especulativa em torno deste item "raro" se espalhar pela web igual chato em casa de tolerância foi um pulo. Já vimos esse filme N vezes. Mas não custa recapitular a mágica de uma publicação recente com preço de capa de 39,90 ganhando um aumento de 300%, 400%, 500%!
É o Monte Rushmore da cara de pau.
Editorialmente, Predador Versus Wolverine é uma revista enxuta e simples, compilando as 4 partes da mini original em 140 páginas. Carta cartão e miolo com papel, vá lá, couché – em tempos idos, seria um belo de um LWC, o saudoso couché de pobre. Gibi como deve ser. Ou deveria.
Enfim, nada, nada mesmo que justifique a insanidade dessa precificação superfaturada.
A diferença é que os especuladores desta vez estão gozando antes mesmo de botar pra fora. Já na 1ª página do Google se encontra a HQ ainda disponível nas Livrarias Curitiba. E com um bom desconto!
Neste momento do post, a revista ainda está em estoque.*
* Só tive um pequeno contratempo relacionado ao endereçamento (“Não existem opções de entrega para esse CEP”, pfff), no que fui prontamente socorrido pela moça do SAC.
Questão resolvida. Espero que também ajude outros no mesmo barco.
E que se fodam os Mercenários Livres. De todas as plataformas.

Esse é um worst case scenario cada vez mais frequente em se tratando da Panini. Nem mesmo os medalhões parecem escapar disso. Medalhões que historicamente sempre ganharam tiragens elásticas. Mas quem já não passou perrengues idênticos com as populares Sagas do Batman, dos X-Men e do Homem-Aranha?
E pra quê Mefistos a Panini precisa de marketplaces que fatalmente canibalizariam o tráfego consumidor de sua loja virtual? Só porque seu sistema é lento, ineficiente e infestado de bugs? Nada. Simplesmente porque essas gigantes varejistas engolem sites Paninísticos no café da manhã. O alcance é absurdamente maior.
Somando 2 + 2, fica claro que houve uma mudança na política comercial na empresa. Toda essa confusão é resultante dessa nova estratégia que anda gerando anomalias dignas do Mundo Bizarro. Anomalias como assinantes e clientes de pré-vendas sendo os últimos a receber as edições, por exemplo. Ou como o esquisitíssimo caso da Supergirl da Bilquis.
Hoje, os lançamentos da Panini esgotam-reaparecem-esgotam do site em questão de minutos. Tudo por conta dessa reestruturação das tiragens para implementar a tal "Reserva do Site", o pesadelo 2.0 que antes atendia pelo nome de "Distribuição Setorizada". Isso bate com os insights certeiros do Ranieri, do bacanudo canal Nona Dimensão.
Bem-vindo ao caos.
Para desopilar de toda essa zorra (e aquecer para a leitura), nada melhor que rever o crássico embate entre o Yautja e o Carcaju no Super Power Beat Down.
Esses sim, são os melhores no que fazem.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Meu assassino favorito
Editor, autor, roteirista, produtor de TV, formador de caráter. Tivemos a honra e o prazer de desfrutar da carreira de Gerry Conway em vida. Somos privilegiados.
Difícil lembrar de qualquer material relevante dos comics das décadas de 1970 e 1980 que não levou a assinatura dele. Seja na Marvel ou na DC, o homem elevou o nível do jogo. Homem-Aranha, Esquadrão Atari, Justiceiro, Vingadores, Batman, Cinder e Ashe, Conan, Quarteto, Monstro do Pântano clássico, Legião dos Super-Heróis... pode escolher. Nada foi como antes. Ainda bem.
Ver essa lenda partir é lembrar daquela época de forma cada vez mais distante, etérea. Não é fácil, não dá pra negar. Mas também é ter sido testemunha de uma jornada plena, bem vivida e recheada de conquistas – e nem me refiro apenas aos quadrinhos.
Verdadeiramente uma inspiração.
Thank you for everything, Gerry Conway.
terça-feira, 31 de março de 2026
Man com H
No trailer de hoje, aprendemos que o diretor Travis Knight recebeu uma bomba em forma de roteiro escrito a 12 mãos e teve que se esforçar para fazer disso um filme. Alguns adultos chamam isso de "ganhar limões e fazer uma limonada". Outros chamam de "se virar nos 30". Se nada der certo, não se acanhe: bote a culpa nas intervenções do estúdio.
Sendo sincericida: nada no trailer do He-Man me irritou muito. As caracterizações e atualizações de figurino ficaram bacanas, Teela é um pitéu, Mentor é pura moral de rua e Mandíbula ficou fodão. As exceções são o cospobre da Maligna e, lógico, o CGI mediano pra ruim do Esqueleto, muito ruim no Pacato/Gato Guerreiro e péssimo nos rasantes por Etérnia e pelo Castelo de Grayskull. Parecem cutscenes de Playstation 1. Orçamento de 200 milhões de doletas não dá pra mais nada hoje em dia, né?
Apesar dos pesares, tenho uma tendência muito grande a me divertir com esse filme. Cada frame parece assumir com orgulho colorido o gênero espada, feitiçaria & tecnologia Kirbyesco e isso ganha pontos comigo. Mas, cê sabe, sou suspeito. Sou cracudo de Eternium desde menino.
Até a próxima, pessoal!
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sábado, 21 de março de 2026
Nos vemos no Mundo Interior, Sam Kieth
Essa veio do nada. E doeu pra valer. Se foi o Sam Kieth, um dos meus artistas prediletos desta vida.
Apesar de conhecido, Kieth mantinha uma relação de distância com o mainstream. A independência sempre pulsou forte naquele nanquim. Nos últimos anos, se tornou ainda mais reservado e low profile. Sempre acompanhei o pouco dele que saía por aí, como os registros de seu discreto blog (!), que parou de ser atualizado em 2023. Compreensível, dadas as circunstâncias de sua saúde.
Minha adoração pelo Kieth não é só força de expressão. Tenho tudo o que saiu dele por estas bandas (o que é bem pouco, infelizmente). Dos momentos históricos, como o início de Sandman, aos gibis mais fuleiros, como o crossover do Lobo com o Batman. Sozinho, seu estilo único já valia a imersão. E não era para todos, o que é sempre interessante.
Claro, impossível lembrar do Kieth sem mencionar The Maxx, HQ & animação. É a sua obra-prima, ainda criminosamente inédita por aqui.
E sem esquecer da mini Wolverine/Hulk: A História de Po, um dos quadrinhos mais evocativos, profundos e tocantes que já li. Quem diria. Só mesmo o Kieth para conseguir isso numa história com os dois brucutus da Marvel.
Kieth fazia falta e vai fazer mais ainda. Mas só de estar por aqui no mesmo tempo de vida e me divertir, me surpreender e me emocionar com sua obra já foi um grande privilégio.
Thank you, Sam Kieth.
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