domingo, 19 de janeiro de 2020

Zombie de Ouro 2019


Zombies de Ouro sempre me dão perspectivas. Nesse Zombie de Ouro 2019 não foi diferente. Aquele plano que mencionei na edição anterior? Precisa de ajustes. E ainda bem que o foco aqui é música, quadrinhos e cultura pop em geral, senão já teria largado tudo e me pirulitado para o deserto. Terminar meus dias fumando nargilé e mandando "Africa" no bongô com os tuaregues - ou, na pior das hipóteses, com as caixinhas de som que instalaram lá.

No início do ano, pensei em agitar o blog com uma retrospectiva em suaves prestações - o nosso Retrospec de todo final de mês. Pra ajudar, me inscrevi num punhado de grupos brasileiros sobre HQs (Facebook, principalmente), inclusive alguns de canais do YouTube bem conhecidos. E dá-lhe infos, furos exclusivos, papos bacanas sobre gibis... só que não. O que vi foi um desfile de racismo, homofobia, misoginia e fanatismo político de embrulhar o estômago. Não aguentei uma semana.

De 30 grupos, mantive apenas 3. E após lapidar com uns blocks ainda. Block is beautiful.

Após os percalços iniciais, fui me acertando. No final, até curti o resultado. Foi realmente divertido fazer o Retrospec 2019 - que pode ser recapitulado ao toque de doze cliques:


Ah, esperei 1 ano por esse momento. Que payoff, hm?

Então, naquele mesmo cenário de terra arrasada - e queimada - com a arte sendo o bálsamo para os sentidos...




...assembled?


Discos que mais ouvi


Em geral, álbuns póstumos são caça-níqueis armados por ex-empresários, gravadoras ou herdeiros sem grandes preocupações com coesão discográfica ou integridade artística. You're the Man, de Marvin Gaye, é uma justa, porém ambígua, exceção. O próprio Príncipe do Soul embargou a obra depois de finalizada, em 1972. Motivos: a baixa receptividade do single homônimo e, por incrível que pareça, suas divergências políticas com Berry Gordy, produtor e fundador da Motown - a mesma história que se repete até hoje e que deixa como maiores vítimas as relações humanas, a educação e a arte. E que arte. Em plena fase What's Going On, Gaye podia tudo. Era um merchant de preciosidades soul, funk e r&b com arranjos matadores e uma pegada pop irresistível. Finalmente liberado após quase 50 anos, dá um baile em qualquer artista pop das paradas das 100+. E, para ele, era só mais um dia no escritório...





O selo brit indie Cherry Red Records tem feito um trabalho de resgate histórico de cair o queixo. Um dos melhores é este All the Young Droogs: 60 Juvenile Delinquent Wrecks, uma compilação de pérolas ultraobscuras do glam e do garage rock setentista. Tem um pouco de tudo: dos míticos The Stooges e Mott the Hoople a Taste (banda do Rory Gallagher pré-Rory Gallagher) e a Bowie band The Spiders from Mars até o australiano Supernaut e o escocês Bilbo Baggins (!). Ao todo, o box traz 60 balaços de pura e desaforada deliquência glam/garageira. Um must.





Ouvir o debut solo da cantora e compositora Rosalie Cunningham (ex-Purson) é embarcar numa viagem pelos 60's em toda a sua efervescência folk, psicodélica e occult rocker. Os resquícios stoner da antiga banda e os valores de produção reforçam a atmosfera vintage, com violinos e teclados deliciosos fazendo a cobertura para a estonteante voz de Rosalie. Um doce paradoxo temporal/musical.





Admito que nunca fui muito chegado ao Darkthrone. Old Star é a melhor coisa que já ouvi da instituição black metal norueguesa, há tempos resumida ao duo Gylve Fenris "Fenriz" Nagell e Ted "Nocturno Oculto" Skyellum. A dupla incorporou elementos de heavy tradicional, doom até uns riffs hard rock em meio à podreira from hell. Chega a lembrar uma foda profana entre Candlemass, Celtic Frost e AC/DC (!). Fãs xiitas da fase A Blaze in the Northern Sky (1992) provavelmente ainda estão torcendo seus narizes blasfemos. Que vão para o inferno! - o que, pra eles, deve ser como um desejo de boas férias.


(qualquer semelhança com o riff de "Let Me Put My Love Into You" é mera malandragem mesmo)




Direto de Ulaanbaatar, capital da Mongólia, vem o surpreendente quarteto The HU (termo do idioma mongol ancestral para "humano"). Em seu álbum de estreia, The Gereg, o grupo concebe uma transcendência do folk metal ocidental, mas sem guitarras ou violões no estúdio: é tudo na base do morin khuur, berimbau de boca, tsuur e outros instrumentos tradicionais de tribos mongóis. Enquanto os vocalzões basso profondo quase flertam com o gutural death metal, as harmonias remetem a um bluesão com grunhidos repletos de feeling estradeiro. Ouvir isso por uma Route 66 da vida deve ser uma maravilha.





We Get By é 14º álbum de estúdio da icônica soul woman Mavis Staples. Até que não foram tantos, se pensar que o 1º saiu num longínquo 1969. O disco foi inteiramente produzido e composto por Ben Harper e é provavelmente a melhor coisa que ele já fez na vida. Não é apenas um registro, é um momento. E dos memoráveis. Mavis ainda canta uma barbaridade e passeia pelo blues, pelo soul e pelo gospel como se fosse brincadeira de criança. As canções são diretas, orgânicas e com mensagens poderosas, mesmo delicadas. Fácil, um dos melhores lançamentos do ano.

...e caso alguém esteja se perguntando, a (revoltante) foto da capa é mesmo de uma situação verídica.





Alice Cooper é o cara. Uma baita discografia com uma renca de clássicos, incríveis parcerias multimídia, turnês desbravadoras (o 1º rockstar a se arriscar no matagal de atraso que era o Brasil de 1974), uma carreira produtiva e ininterrupta desde 1964. E ainda teima em lançar registros bacanudos como esse Breadcrumbs. O EP traz seis faixas back to the basics em tributo a Detroit, sua adorada terrinha natal. São três sons novos invocando os dias de garagem e mais três covers de heróis da Cidade dos Motores: Suzi Quatro, Mitch Ryder & the Detroit Wheels num medley com The Dirtbombs e o incendiário MC5. Bolachinha matadora.





Fosse menos carne de pescoço, o carioca Gustavo de Almeida Ribeiro, o Black Alien, seria hoje um dos artistas mais endinheirados do Brasil. Com talento raro, o Alien alia conteúdo com uma notável versatilidade, capaz de dialogar tanto com o rap, quanto rock, reggae e por aí vai. Um pouco disso se deve ao passado no Planet Hemp, onde já se destacava dos companheiros BNegão e Marcelo D2 com uma absurda quantidade de referências por verso quadrado. Abaixo de Zero: Hello Hell é um disco melhor que os anteriores (os herméticos Babylon by Gus vols. 1 e 2) e finalmente coloca em dia o senso pop com suas zilhares de trucagens verbais e rimas obessivo-compulsivas. Catarse com groove.





O combinado punk angeleno The Flesh Eaters iniciou as atividades em 1977. Entre términos e voltas, a classe de '99 vem se mantendo firme e forte. E a despeito dos parcos lançamentos de lá pra cá (míseros 3 discos), nunca parou de excursionar, o que explica a foderosidade de I Used to Be Pretty (título sensacional). O som atual é uma mescla saborosa de blues, punk e jazz rockabillístico - pra ficar mais fácil: pensa numa jam de Cramps e Tom Waits tentando tocar o Exile on Main St. De quebra, ainda tem versões para "The Green Manalishi" (Fleetwood Mac), "Cinderella" (The Sonics) e "She's Like Heroin to Me" (The Gun Club). Não tinha como dar errado.





Laylet el Booree, do Ifriqiyya Electrique, é o álbum que mais me impressionou no ano passado. E um dos que mais me impressionaram em todos os anos anteriores até 1977. O grupo é do sul da Tunísia e de lá emite uma sonoridade abrasiva mixando a música banga tradicional (usada em rituais de adorcismo, em que se convida demônios ao invés de exorcizá-los, puta papo estranho), tambores afrobeat, desert rock, tecno, pós-punk e industrial. A colisão de todos esses gêneros é a tempestade perfeita: um assalto rítmico extremamente pesado, denso, místico e (sobre)carregado de informações. Intenso e transcendente. Discaço.



Ps: menção especial para a faixa "Moola Nefta" (um samba trance industrial apocalíptico?). Poucas vezes ouvi algo tão grandioso e "aldeia global" quanto ela. Merecia um lugar naquela Voyager junto com os outros apetrechos que representam a raça humana.




Reclusa e sem gravar um álbum inteiro há mais de 10 anos, Beth Gibbons finalmente ressurge... com a Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Polonesa regida pelo maestro Krzysztof Penderecki. O disco faz uma homenagem ao consagrado compositor polonês Henryk Gorecki com a execução de sua "Symphony No. 3" - também conhecida como "Symphony of Sorrowful Songs" (órfãos do Portishead, contentai-vos). Mesmo não passando nem perto da soprano clássica idealizada, Gibbons faz parecer que a peça nasceu pra ela e vice-versa. E a canta em polonês, o que rendeu elogios de Penderecki. É belíssima. E onírica, atmosférica, reflexiva. E sim, melancólica. Yes!





No filão de resgates nos porões obscuros do rock, o selo californiano RidingEasy Records tem marcado uns golaços. Curado por Daniel Hall (da RidingEasy) e Lance Barresi (Permanent Records), Brown Acid: The Eighth Trip é um fabuloso compilado de gemas protometal do final da década de 1960 até o início da década de 1970. Uma verdadeira festa stoner, stoned. A série está na oitava edição (óbvio) e recomendo vivamente correr atrás de todas...





Um dos criadores do crossover thrash/groove metal, o Exhorder ficou conhecido como o primo pobre do Pantera. Irmão pobre, na verdade, dada a incrível similaridade entre a música das duas bandas. Da mesma forma que Cowboys from Hell (1990) do quarteto texano, o disco Slaughter in the Vatican (1990) é um clássico da agressão musical. E até hoje se discute quem era o ovo e quem era a galinha - apesar do próprio Phil Anselmo já ter admitido a influência do grupo da Louisiana. 29 anos e várias formações depois, Mourn the Southern Skies coloca o Exhorder novamente na ordem do dia com um thrash brutal, moderno e groovy na medida. Pedrada!





Em 2010, a Internet pirou quando vazaram vídeos de Prince ensaiando num porão em 1984. Era O Artista, tão famoso por seu perfeccionismo obsessivo, num raro momento de - vá lá - intimidade, sem holofotes ou big produções. Só genialidade pura, nua e crua. A alegria durou pouco: em menos de uma semana, os advogados da Alteza de Minneapolis varreram tudo do mapa. Então, ele certamente acharia um tremendo mau gosto o lançamento deste Originals. O disco - um caça-níqueis descarado - compila as versões demo de canções que Prince escreveu e deu para outros artistas. Não faltam os hits "Nothing Compares 2 U", "Love... Thy Will Be Done" e "Manic Monday", mas o ouro mesmo são as preciosidades pop/funk dadas de bandeja para The Time, Sheila E., Apollonia 6 e outros sortudos. Desculpa aí, Prince, mas isso aqui é bom demais.





O título de "Hendrix do Deserto" anda disputado. Mdou Moctar é do Níger e foi um dos precursores na fusão da música tradicional tuareg com guitarra distorcida, synths e outros equipamentos modernos. Até chegar lá, foi dureza, mas chegou, assim que chegaram nele. O excelente Ilana (The Creator) já é o quinto álbum do rapaz (34 anos) e seu discreto arraso na guitarra o coloca no nível de outro notório guitar tuareg hero. Senão acima...





Só fui conhecer o Big Business agora (a banda, não o way of life), mas The Beast You Are já é o seu sexto disco, fora a carreirada de EPs e singles. O duo de Seattle é formado pelos figuras Jared Warren (baixo, vocais e sintetizador) e Cody Willis (bateria e backings), ou seja, uma ex-cozinha do Melvins. Além disso, também excursionaram com o Torche. Acaba que o som tem um pé e meio no stoner-sludge esporrento daquela seara. O diferencial é a influência bem inserida do Led Zeppelin orientalzão, fase Bombaim. Grande negócio.





O selo Grapefruit Records é outro que tem feito um trabalho arqueológico sensacional. Um de seus lançamentos recentes é este fabuloso I'm a Freak 2 Baby: A Further Journey Through the British Heavy Psych and Hard Rock Underground Scene 1968-73, 2ª parte de um projeto que chafurda os primórdios da cena pesada britânica (duh!). O álbum triplo resgata obscuridades maravilhosas, como Orang-Utan, The Rats (com o Mick Ronson), Sam Gopal (com o jovem Lemmy na guitarra e vocais!), The Move (a banda pré-ELO) e Stray (que já foi coverizado pelo Iron Maiden), mas também traz uma ou outra figurinha mais conhecida (Budgie, Jeff Beck, Atomic Rooster, The Crazy World of Arthur Brown). E ouvir uma cover de "Paranoid" que soa ainda mais velhusca que a original não tem preço.





Low profile, só agora Michael Kiwanuka chega ao 3º disco, intitulado simplesmente KIWANUKA (e precisa mais?). Além do soul/r&b rebuscado dos discos anteriores, a pegada agora traz um sabor indie rock com boas doses de psicodelia. A produção (de Danger Mouse) é certeira nesse encontro de grooves viscerais com águas calmas e curativas. Mais uma vez, um disco irretocável.





Finalmente o Tool saiu da sala de parto do estúdio com seu aguardadíssimo novo álbum, Fear Inoculum. Foram longos 13 anos desde o bem-sucedido 10,000 Days (que os induziu ao ZdO 2006, veja só) - um delay que rendeu até imbecis ameaças de morte ao cantor Maynard James Keenan por sua suposta culpa no atraso da produção. O único real problema de Fear Inoculum é soar mais "normal" e menos impactante que 10,000 Days. Resultado, talvez, do timing há muito perdido pela banda. De qualquer forma, seu post-metal progressivo se mantém afiado e imersivo como sempre. O disco é muito bom, mas, parafraseando o próprio Keenan, teria sido fantástico há oito anos.





Lá pelos idos de 87/89/92, The Young Gods era o melhor e mais bem guardado segredo do universo musical. Não era só comigo: a crítica pirava com os suíços avant-garde. Daí que após 34 anos de discos, shows e paradigmas quebrados, aquele tal "risco", há tempos, inexiste. Data Mirage Tangram soa como um encontro entre as facetas post-industrial e ambient do grupo (antes era cada qual no seu canto). E com uma falta de urgência desconcertante. Os Jovens Deuses viraram Deuses Tiozões, mas me ajudaram a sair do ar várias vezes no ano que passou. A bença, Franz Treichler & Cesare Pizzi.





Nos últimos anos tenho consumido desert blues como louco. Belezinhas exóticas e áridas como Mdou Moctar, Bombino, Imarhan, Bassekou Kouyate & Ngoni Ba e outros não saem mais da minha playlist. E em 2019 também fiquei encantado pela bela cantora e percussionista saarauí (do Saara Ocidental) Aziza Brahim. Sua voz doce e evocativa faz do álbum Sahari uma das experiências mais agradáveis e intimistas que ouvi no ano passado. Assim como alude a capa, a beleza também pode surgir dos lugares mais improváveis - e das condições mais difíceis.





Após oito anos, o Rival Sons saiu da Earache e o magnífico Feral Roots é o primeiro álbum pela grandona Elektra. Nem grana no bolso estraga os caras. Rival Sons não faz disco ruim. Próximo!





O Black Pumas foi criado em 2017 pelo excelente cantor Eric Burton e pelo guitarrista e produtor Adrian Quesada. Especialidade: funk e r&b urbano... direto de Austin, Texas. Neste debut homônimo, o duo mostra um know-how de veteranos com grooves e climas que remetem a uma jukebox soul das décadas de 1960 e 1970. Contagiante do início ao fim.





Weyes Blood é a cantora, compositora e multi-instrumentista californiana Natalie Laura Mering. Titanic Rising é seu 4º álbum (o primeiro pela Sub Pop, que todos conhecemos de outros carnavais) e foi bastante incensado pela crítica. Merecido. O álbum é uma pintura de chamber pop - ou até baroque pop, pra ficar num terreno mais údigrúdi. Com voz terna e enigmática, imensa sensibilidade melódica e arranjos ultraperfeccionistas, a música de Natalie tem ecos de Joni Mitchell e, especialmente, dos Carpenters, mas com uma pulsação toda particular. E essa capa é um negócio insano...





O King Gizzard & The Lizard Wizard conseguiu uma façanha: fundir stoner rock com thrash metal. Geralmente, quando alguém tenta, acaba resvalando pro doom ou pro sludge. Mas em Infest the Rats' Nest, o sexteto australiano executa a arriscada fusão com sucesso. Fica até engraçado às vezes, relando na fuleiragem. E ainda tem doses maciças de space rock, progressivo e psicodelia. Mas as pancadas thrash é que pagam a fatura.





Realmente, não há outro como There Is No Other. O collab da fantástica musicista americana Rhiannon Giddens com o jazzista e multi-instrumentista italiano Francesco Turrisi resultou numa obra maestra, grandiosa e, ainda assim, sublime e intimista. É uma jornada de rara beleza pelo coração interiorano da América, do Mediterrâneo e da África Ocidental. A sonoridade evoca uma volta às raízes e até mesmo uma declaração nativista. Mais: prova, pela enésima vez, que feeling e virtuosismo não só podem andar juntos, como se completam. Um registro memorável. E ainda tem a contribuição do nosso Hermeto Pascoal no arrasta-pé "Brigg's Forró".





Surreal como o Torche só melhora. Mesmo com alterações na escalação - sai o guitarrista Andrew Elstner, entra o baixista Eric Hernandez e Jonathan Nuñez troca o baixo pela guitarra - o grupo consegue produzir este colosso de álbum que é Admission. Seu crossover magmático de post-rock, metal, stoner e sludge é de estourar os tímpanos, mas sem perder a ternura. Jamais. Sério candidato ao Top 5 do ano passado.





Jobcentre Rejects: Ultra Rare NWOBHM 1978-1982 é um catadão fora de série lançado pela On the Dole Records. A bolacha é realmente composta de obscuridades die hard da New Wave of British Heavy Metal: nada de futuros craques como Diamond Head ou Iron Maiden (ou o Blitzkrieg e o Def Leppard das camisetas da capa) e, por isso mesmo, é divertido demais. Alguns sons nem mesmo são heavy metal, e sim uns hard/boogie à Status Quo/Cactus/Foghat. Esse é pra ouvir com o volume no talo e detonar aquelas Heineken que estão trincando na geladeira...



Menções honrosas/quase lá:

Moral Instruction, de Falz - rapper nigeriano com um blend bem sacado de afrobeat e hip hop.
The Furnaces of Palingenesia, do Deathspell Omega - black metal francês complexo, dissonante, caótico e foda.
Destroyer, do Black Mountain - space rock e stoner com uma pitada extra de space.
Zuu, de Denzel Curry - o melhor rappeiro americano da atualidade.
The Heretics, do Rotting Christ - 13º disco do Cristo Apodrecendo. Espero que não me taquem coquetéis molotov.
Quocumque jeceris stabit, do Uzeda - math/noise rock siciliano encontrado e produzido por Steve Albini.
Revelations of Oblivion, Possessed - retorno em grande forma dos avôs do death metal.
Free, de Iggy Pop - o Iguana anda soando meio deprê, mas segue como vinho.
Something Wicked Marches In, do Vltimas - supergrupo death (David Vincent + uns Mayhem e Cryptopsy) elegantemente martelando 666 na zoreia.
Somebody's Knocking, de Mark Lanegan - acredite se quiser, Lanegan agora soa como o New Order das antigas.



Faixa bônus: melhor show do Rock in Rio 2019

Teria sido um festivalzão, fosse uma única data com os highlights...

Como sempre, Sepultura, Nervosa, Anthrax e Slayer fizeram shows raçudos, violentos e divertidíssimos.

Nile Rodgers & Chic é coisa fina: foi um privilégio testemunhar os hits, a musicalidade e a experiência do homem, dos excepcionais músicos e das maravilhosas cantoras que o acompanham. Showzaço, mesmo enfrentando falhas no som.

King Crimson... ainda estou me beliscando para acreditar que Robert Fripp, Tony Levin, Bill Rieflin & Cia. estiveram por lá. Tão bom quanto surreal.

Mas é festival e leva quem melhor interage e rege a massa de centenas de milhares de pessoas. E nisso, Iron Maiden e Pink foram brilhantes.


O Maiden, com uma mis-en-scène mais carregada que o habitual, enfileirando clássicos atrás de clássicos (finalmente "Revelations"!) e, o principal, o grande Bruce Dickinson ressurgindo heroicamente e se adaptando com coração e inteligência à sua nova realidade vocal.

Já a carismática Alecia Beth "P!nk" Moore Hart deu uma aula de entretenimento pop: dança e canta muito (e sem playback), tem total domínio de cena, ótimos músicos, arrisca o pescoço em acrobacias suicidas (ela "voa" pela Cidade do Rock!), traz mensagens relevantes e corajosas, enfim, promove um espetáculo ipsis litteris - e olha nem sou familiarizado com o repertório da artista.

Dois gigantes em suas áreas.

Empate técnico. Vence a Dama Rosa.



Sessão de cinema do ano


A esta altura, o que ainda poderia ser escrito sobre Vingadores: Ultimato? Apenas me reservo a comparar a apoteótica sessão à estreia inesquecível de O Exterminador do Futuro 2: um cinema lotado e insandecido que parecia uma final de campeonato num estádio de futebol. Torcemos, sofremos, empurramos o time e, no fim, saímos todos campeões.



Melhor repaginada de She-Ra, a Princesa do Poder


She-Ra e as Princesas do Poder. Oboy... vamos lá: o novo desenho é muito legal. Admito, fiz coro na zoação massiva em cima do novo visual da clássica heroína e, enquanto isso, deixava passar o mais importante: a showrunner é talentosa quadrinhista Noelle Stevenson. Dona de um texto sagaz e espirituoso, Noelle mastiga e cospe os clichês de espada & magia e de super-heróis - vide suas obras mais conhecidas, Lumberjanes e, especialmente, Nimona, um dos melhores gibis de 2016. O fato de ter três Eisners, um Harvey e um GLAAD no currículo não é mera coincidência. Tudo isso se reflete na série animada da DreamWorks/Netflix, que está atualmente na 4ª temporada e, lógico, tem muita influência do universo das HQs - de Akira a Novos Deuses a O Homem que Tinha Tudo, só pra catar alguns. Tal qual o original, o desenho é orientado para o público feminino infanto-juvenil (isso nunca nos impediu antes) com o diferencial de ser 100% inclusivo - e não apenas integrado à faixa LGBTQ+, como muito além. Uma belíssima supresa.



Filme do ano


Essa cena é maravilhosa...

Co-escrito e dirigido por Bong Joon-ho, Parasite é uma improvável combinação de thriller, filmes de golpe, humor negro, drama e gore incrivelmente bem desenvolvido e com uma metáfora pesada à desigualdade social. Aliás, é notável o fato de ser uma produção sul-coreana ao invés de brasileira, indiana... enfim, de alguém dos BRICS. Por mim, levava todas as indicações que recebeu do Oscar.


Menção honrosa:

Morto Não Fala, de Dennison Ramalho. Sem muito alarde, o cineasta roteirizou e dirigiu um filmaço. A produção é esperta e eficiente e as atuações marcantes de Daniel de Oliveira, Fabiula Nascimento, Bianca Comparato e Marco Ricca - fora os molequinhos, bem talentosos - fazem do longa uma das melhores surpresas do gênero em um bom tempo. Terror brasileiro com cara de realidade brasileira. Ou seja...



HBO do ano


Chernobyl, de Craig Mazin. Mais que uma minissérie histórica, é o acerto de contas com a História que a minha geração aguarda há três décadas. Minuciosamente produzido, escrito, dirigido e com um cast que é até brincadeira. Jared Harris, Stellan Skarsgård e Emily Watson são gênios e todo o elenco - dos coadjuvantes aos figurantes - está completamente engajado. Não só uma das melhores séries da HBO, como uma melhores (e mais importantes) já feitas em todos os tempos.


Menção honrosa:

Watchmen, de Damon Lindelof. Uma sequência perfeita e absurdamente fiel ao conceito do clássico original. Arrisco chutar que até Alan Moore aprovaria, caso ligasse pra essas coisas.



Leitura tensa do ano


Tensa, densa e intensa. Publicado em 2002, No Bunker de Hitler: Os Últimos Dias do Terceiro Reich, de Joachim Fest (1926-2006), é uma investigação sobre os últimos anos, meses, semanas, dias e horas de Adolf Hitler e seus pares. É uma experiência profundamente claustrofóbica e perturbadora. O livro foi uma das bases usadas para o filmaço Der Untergang (Oliver Hirschbiegel, 2004), que, agora posso afirmar tranquilamente, ficou parecendo um passeio no parque. O fanatismo dos seguidores do Führer - mesmo em meio à circunstâncias mais trágicas e insustentáveis - cruzava a fronteira da demência. Hitler, temo afirmar, se tornou uma ideia. Que perdura até hoje, pelo visto. Já li duas vezes.



Quadrinho deslumbrante do ano



O Vento que Sopra os Pinheiros (ex-A Balada de Sylvan), da artista chinesa Zao Dao. É de tirar o fôlego. E olha que a concorrência em 2019 estava quentíssima, com obras como Tanka, Os Mitos de Cthulhu, Os Novos Titãs: A Origem de Lilith, Alvar Mayor, Batwoman e Lone Sloane sendo publicadas em ritmo industrial. A editora Figura, até aqui, segue como a Nadia Comăneci das editoras nacionais. Bravo!



Quadrinho de super-heróis do ano


House of X e Powers of X - ou, carinhosamente, HOXPOX - de Jonathan Hickman. Há tempos não ficava sem chão com gibis de super-heróis desse jeito. Na ocasião, cheguei a esquadrinhar minhas eufóricas impressões por aqui. O escopo é gigantesco. E se a Marvel for esperta, vai usar como guia para a reapresentação dos X-Men nos cinemas. Não importa o que tenha vindo depois - inclusive pelas mãos do próprio Hickman...


And... cut!


Declaro aberta a temporada de dicas, concordâncias e discordâncias nos comentários. Diferenças são bem-vindas. Polarizações, irão para o Gulag!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A Farewell to King


O adeus de um mestre? O fim de uma era? Algum pensamento? Eu, neste momento... não tenho nenhum.

A Música perdeu demais.

Thank you so much for all the trips, Neil Peart.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Retrospec Dezembro/2019

Enfim, morreu 2019.



E não volte mais!



1/12¹ - Na noite de 30 de novembro de 2019, o Slayer fez sua última apresentação ao vivo no The Forum, em Los Angeles. Hoje, a imagem de Tom Araya se despedindo corre o mundo. E dá aquela pontada no coração...

1/12² - Tem uma coleção de 2 ou 3 mil HQs e está começando a ficar preocupado? Sabe de nada, inocente.

2/12¹ - Da seção necrofagia HC: empresa pede indenização pelos shows que o Charlie Brown Jr. não fez porque Chorão morreu. Tcharroladrão...

Dezembro chegou, e com ele, nossa leva de checklists! Temos três novidades no Checklist Regular, incluindo um novo...
Publicado por Mythos HQs em Segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

2/12² - Gibi do Neymar, rolando no chão das melhores bancas da cidade. O primeiro youtuber que ostentar esta obra no fundão do vídeo é a mulher do padre!

2/12³ - Fim de uma era cannábica: Willie Nelson larga a marijuana!


3/12¹ - Sai o trailer de Viúva Negra. Várias cenas de ação grandiosas sambando sobre as leis da Física; gostei do Guardião Vermelho fatso e do lindo trio Johansson-Pugh-Weisz. Spoiler: Natasha não morre no final. Pronto, falei.

3/12² - Em agosto de 1975, o Cavaleiro da Lua fazia sua estreia na revista do Lobisomem. Agora, irá devolver o favor pro peludão em sua série live-action na Disney+.

3/12³ - A Fox está desenvolvendo um novo filme da franquia O Planeta dos Macacos com o diretor Wes Ball, da trilogia Maze Runner.


4/12¹ - Segundo o próprio Zack Snyder em sua conta no Vero, é vero: o Snyder's Cut de Liga da Justiça ecziste!

4/12² - A pré-produção de Tigra & Dazzler, a série animada de Tigresa e Cristal via Marvel/Hulu, é temporariamente suspensa. Nada menos que o time de roteiristas e a showrunner Erica Rivinoja foram demitidos - "diferenças criativas" é o motivo divulgado. E deve ter sido uma puta diferença criativa.

5/12¹ - Peninsula é o título escolhido para a continuação de Train to Busan (2016), o espetacular zombie movie sul-coreano - ou 좀비 영화 - que injetou um novo fôlego no exaurido gênero. A estreia está prevista para 12 de agosto de 2020. Na trama, um grupo de sobreviventes tenta fugir de uma Coreia sitiada pelos mortos. Difícil não lembrar daquela sequência de Guerra Mundial Z (o livro) com uma Coreia do Norte completamente deserta na superfície, mas com 23 milhões de zumbis se acotovelando em abrigos subterrâneos. Seria um sonho realizado ver isso na telona...


5/12² - Holy fuck: Holy Avenger, o mangá-BR de Marcelo Cassaro, vai ganhar animação. O único contato que tive com o material foi a geral feita no Blog do Amer, além da inesquecível pinup do Roger Cruz para a personagem spin-off Vitória - que derrubou os servidores do finado Images Central em 2003 com tantos pageviews...


Mas o mangá foi sensação no longínquo início dos anos 2000, há mais de 15 anos... Terá alguma atenção no competitivo cenário animê atual?

6/12¹ - George Miller até confirma a sequência do divertido Mad Max: Estrada da Fúria, mas vai demorar.


6/12² - Na CCXP 2019, a Panini divulga vários lançamentos para 2020 (@ Fora do Plástico).

6/12³ - Deu no ISBN: Batman - A Queda do Morcego finalmente vem aí! E o provável preço absurdo também. E a igualmente provável ausência de tie-ins. Boa sorte a todos.

7/12 - Na CCXP 2019 uma barreira de proteção cede e Ryan Reynolds quase vira estatística no "Bolão da Morte". Hein, hein?

8/12¹ - Durante seus mais de 40 anos de carreira, Frank Miller já provocou a esquerda muitas e muitas vezes em suas obras. O que ele não pode fazer, sob hipótese alguma, é provocar a direita. Mas o mestre responde com carinho.


8/12² - Hoje faz 15 anos que o grande Dimebag Darrell faleceu em mais um capítulo lamentável deste mundo armado até os dentes. Cara, parece que foi ontem.

8/12³ - Na CCXP 2019, a Panini inova e erra até no slide de apresentação dos lançamentos. Mano...


8/124 - Sai o trailer de Mulher-Maravilha 1984 e senti como se Cher e Olivia Newton-John fossem surgir a qualquer momento. Mas o sorrisaço da Gadot é pura maravilha.


9/12¹ - Sai o trailer reverente e nostálgico de Ghostbusters: Mais Além. Não será cedo - ou tarde - demais para uma nova tentativa?

9/12² - Vicky Cornell, viúva do saudoso Chris Cornell, está processando o Soundgarden pelos royalties de gravações não lançadas. Até aí tudo bem. O que é do homem o bicho não come, o que é da mulher o bicho quer. Só que o barraco já está formado.

9/12³ - Coringa foi exibido na Casa Branca e o Presidente Trump adorou. O que ninguém sabe é se ele vai gostar do que o Coringa vai aprontar na edição #1 de Dark Knight Returns: The Golden Child.


10/12¹ - Se vai a cantora Marie Fredrikkson, aos 61. A eterna voz da banda sueca Roxette iniciou sua carreira em 1978, no grupo punk Strul. São emblemáticos o seu timbre melódico e alcance vocal (muito similares aos das irmãs Ann e Nancy Wilson, do Heart) e o visual punk fashion com cabelos loiros, curtinhos e espetados. Desde 2002 Marie lutava contra um câncer, mas nunca parou de trabalhar.

10/12² - Quentin Tarantino revela que tem "uma ideia que pode ser interessante" para uma nova sequência de Kill Bill. Tradução: ele viu algum filme obscuro dos anos 70 com uma ideia que pode ser interessante para uma nova sequência de Kill Bill.


10/12³ - Bizarrice normal nesse mundo de direita surreal: do Twitter oficial da campanha de reeleição do Presidente Trump, ele se compara a Thanos e avisa que também é "inevitável". Perderam a parte que explicava que, além de vilão, ele era louco e genocida. Ou será que não...? 🤔

After my initial feeling of being violated, seeing that pompous dang fool using my creation to stroke his infantile ego,...
Publicado por Jim Starlin em Terça-feira, 10 de dezembro de 2019

10/124 - Jim Starlin, lógico, ficou indignado com a audácia do Titã Laranja.

Rumor has it I’ll be on Newsroom with Brook Baldwin Friday, some time between 2:00 and 4:00pm EST. Wonder what we’ll talk about.
Publicado por Jim Starlin em Quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

11/12¹ - Após o vídeo viralizar, Starlin foi convidado pela CNN para uma breve elaboração.

11/12² - Donald Trump, "JM Bozo" e até Greta Thunberg. Nada de subtextos ou alegorias em Dark Knight Returns: The Golden Child, de Frank Miller & Rafael Grampá: é um ataque frontal!

11/12³ - Após idas e saídas, a Marvel TV irá fechar. Com várias produções em andamento (tanto live-action quanto animações), o leque de parcerias deve aumentar, ao exemplo da Marvel-Hulu.

12/12¹ - O mestre Barry Windsor-Smith está de volta com a graphic novel Monsters. Lançamento previsto para 2020.

12/12² - Robert Kirkman e Chris Samnee anunciam o lançamento da série Fire Power, via Image Comics. Que à 1ª vista parece uma chupinhada ocidental de Goku & Mestre Kame. Lançamento previsto para março.


12/12³ - Se vai Danny Aiello, aos 86. O veterano ator começou sua carreira no início da década de 1970 e participou de tantos momentos antológicos do cinema que fica até difícil listar - seu 2º papel foi em O Poderoso Chefão 2, só pra ter uma ideia. Acho que nunca passei um ano sem assistir algum Aiello. E meu personagem favorito dele provavelmente é o Sal, de Faça a Coisa Certa (Spike Lee, 1989). Inesquecível.

12/124 - A Amazon vai abrir um centro de distribuição em Pernambuco. Finalmente. Talvez, num futuro próximo, isso até faça a concorrência rever sua política de fretes irreais para o Nordeste.

12/125 - Empyre é o grande evento da Marvel para 2020. Começa em abril, mas o terreno já está sendo preparado em Incoming!, lançada este mês.


12/126 - Zack Snyder posta uma foto do seu Superman. Um Dark Superman. Alguma surpresa?

14/12¹ - Hoje é o aniversário de 40 anos de London Calling, clássico maior do The Clash. Dia de ouvir a linha de baixo do Paul Simonon no repeat.


14/12² - Como qualquer produto Star Wars, o merchan oficial de The Mandalorian é avassalador, mas o fenômeno Baby Yoda ainda não vai rolar neste Natal: lá fora, a pré-venda começa só no final do mês para a primavera de 2020. Mas sempre tem os piratão.

14/12³ - Orlando Jones é dispensado de seu papel de Anansi/Mr. Nancy em Deuses Americanos e deu ruim. O ator se refere à companhia produtora da série como "pesadelo" e chega até a puxar a carta racial. Epaaa...


15/12¹ - O Red Hot Chili Peppers anuncia a saída do guitarrista Josh Klinghoffer e, o mais surpreendente, o retorno de John Frusciante à banda. De novo. Quantos dias vai durar dessa vez?

Poisé, figura... não deu! Infelizmente, nosso Catarse de pré-venda de KRAKEN, de Segura e Bernet, não atingiu a meta...
Publicado por Figura em Segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

15/12² - Iniciado pela editora Figura, o Catarse de Kraken, de Antonio Segura e Jordi Bernet, não atingiu a meta. Sacanagem.

16/12 - Quentin Tarantino queria fazer uma versão on the road com Michael Myers em Halloween: The Curse of Michael Myers (1995) - aquele, com o então desconhecido Paul Rudd. A ideia é ruim, mas não tanto quanto o próprio filme, especialmente a bizarra versão The Producer's Cut lançada em 2014. Pobre Jamie.

Demolidor: Amarelo (Panini) 2019 Balões trocados #errohqs
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Terça-feira, 17 de dezembro de 2019

17/12¹ - Errão no DD Amarelão. E eu queria pegar esse. Porra, Panini!

17/12² - Já na premiere, Star Wars: A Ascensão Skywalker está polarizando geral. Pra mim, que não morri de amores por O Despertar da Força, a nova trilogia passou e muito do point of no return com Os Últimos Jedi. É enterrar o assunto com calcário, argila, sal grosso, água benta e nunca mais tocar no assunto. Partir pra outra. De preferência, seguindo a pegada low profile de Jon Favreau em The Mandalorian.


17/12³ - Liberado o trailer de Superman: Red Son, adaptação da graphic Elseworld de Mark Millar & Dave Johnson. Então... além de imigrante ilegal, comunista. Será que vão implicar?

17/124 - John Constantine, Hellblazer entra na reta final pela Panini e a editora divulga as próximas republicações. Bom saber que reeditarão a curta fase da Denise Mina, que ninguém lembra e mesmo assim está a preço de ouro nos Mercenários Livres.

18/12¹ - Sai o teaser de Um Lugar Silencioso 2 com as novas aventuras de uma família do barulho!


18/12² - A Netflix anuncia a série animada He-Man and the Masters of the Universe. O desenho será em CGI/3D e o plot é uma "reimaginação da franquia clássica" - o oposto da série animada em 2D Masters of the Universe: Revelation, capitaneada por Kevin Smith para a mesma Netflix e que dará sequência aos eventos da mesma franquia clássica. Etérnia virou Ibiza!

19/12¹ - O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos classifica Wakanda como parceiro comercial. Consultadas, Latvéria e Attilan preferiram não se manifestar sobre o assunto.


19/12² - Se vai o grande artista plástico recifense Francisco Brennand, aos 92. Contemporâneo, colaborador e amigo de Ariano Suassuna, Brennand se especializou como ceramista. Suas obras são maestras, um genuíno patrimônio nacional (ou assim deveriam), e o universo paralelo que erigiu em sua Oficina Brennand são uma verdadeira experiência. Uma perda inestimável para a arte e a cultura brasileiras.

19/12³ - Curto ver ícones se divertindo entre meros mortais. Dessa vez, Sylvester Stallone surpreende estudantes durante uma visita à estátua de Rocky, no Philadelphia Museum of Art. Muito bacana.

19/124 - Opa, crossover Transformers Vs. The Terminator via IDW/Dark Horse? Tecnicamente, não faz o menor sentido, mas já estou louco pra conferir isso. Lançamento previsto para março de 2020.

19/125 - Até o Imperador Palpatine ficou surpreso com a volta do Imperador Palpatine.

19/126 - Paula Toller vence o processo movido contra Leoni e o Partido dos Trabalhadores pelo uso não autorizado da música "Pintura Íntima" na campanha presidencial de Fernando Haddad. A bela reclamante irá receber R$ 50 mil do artista e mais R$ 100 mil do PT. "Deixa as contas, que no fim das contas, o que interessa pra nós éé-éé é..."


20/12¹ - Zilda Cardoso se vai, aos 83. A carreira da atriz e comediante paulista começou em 1961. No cinema teve poucas, mas marcantes participações em filmes do Mazzaropi e do Golias, além do clássico Se Meu Dólar Falasse (1970). Na TV a humorista foi prolífica, especialmente através da folclórica Catifunda, a mendiga malandra que vivia fumando charuto - uma personagem maior que ela mesma.

20/12² - Terry Gilliam teve a menor suspensão de descrença da História ao assistir Pantera Negra. Entre outras coisas, falou que odiou o filme e a importância que a mídia deu a ele, além de dizer que "os realizadores certamente nunca foram à África". Pra mim, pareceu que o genial cineasta nem sabia que se tratava da adaptação de uma HQ. E talvez esperasse algo como Diamante de Sangue, Hotel Ruanda ou outro dos milhares de filmes que retratam a realidade mundo-cão da África.


20/12³ - Se vai Gerry Alanguilan, aos 51. O excelente desenhista e arte-finalista filipino - puro pleonasmo - trabalhou em inúmeros títulos da Marvel nas últimas décadas (de New X-Men e The Amazing Spider-Man a Avengers e Star Wars) e manteve uma parceria regular com o conterrâneo Leinil Francis Yu em obras como Superior e Super Crooks, de Mark Millar, além de Superman: O Legado das Estrelas, de Mark Waid. Em 2009, Alanguilan viralizou com o vídeo "Hey, Baby!" (quase 7 milhões de views), também conhecido "The Creepy Smile Guy"...


...que ainda é hilário, por sinal. E ele ainda ensinou como fazer. Grande cara!

20/124 - A Snydermania não encontra limites. "ANN SARNOFF PLEASE #RELEASE THE SNYDER CUT", era o que estava escrito em um banner puxado por um avião sobrevoando os estúdios da Warner. E Zack Snyder curtiu isso.

21/12¹ - Com a boa recepção de Dolemite Is My Name, da Netflix, a participação no Comedians in Cars Getting Coffee, de Jerry Seinfeld, e o enorme sucesso de sua volta ao Saturday Night Live, Eddie Murphy parece ter cimentado aquele retorno triunfal que comentei dia desses.

21/12² - Harry Potter Daniel Radcliffe está sendo considerado para o papel do Cavaleiro da Lua, a vindoura série da Disney+. O rapaz é, de fato, esforçado. Mas depois da atuação impressionante de James McAvoy em Fragmentado (Split, 2016), fazendo um personagem-limite com P.I.D. (igual ao nosso herói!), fica difícil sequer pensar em outro ator para o trabalho.


22/12 - Se vai Ubirajara Penacho dos Reis, o Bira, aos 85. Por 25 anos, o carismático baixista foi integrante da banda dos programas de entrevista do Jô Soares, onde ficou famoso pela exímia musicalidade e pela estrondosa gargalhada - mas começou a carreira já na década de 1950, como cantor em boates e hotéis de Salvador. Grande veterano e uma figuraça.

Coleção Histórica Marvel - Paladinos Marvel nº 9 (Panini) 2019 "Cavaleiro da Rua" #errohqs
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

23/12¹ - Se cuidem, malfeitores. Chegou o Cavaleiro da Rua!

23/12² - Após perder a ação movida por Paula Toller, Leoni contra-ataca e a processa pelo uso não autorizado da música "Como Eu Quero". Só processos com gostinho de anos 80. Se eu fosse o juiz, colocava os dois num duelo com pandeiros. O primeiro que der uma pandeirada na cabeça do outro, ganha a ação. Leoni pode ser homem, mas Paulinha tem mais experiência no assunto.

24/12¹ - Após receber uma saraivada de críticas pelo filme A Primeira Tentação de Cristo, via Netflix, o canal Porta dos Fundos teve sua sede atacada com coquetéis molotov. Felizmente, o atentado não deixou vítimas, excetuando, claro, o 5º Mandamento.

David Riley 7/30/1960 - 12/24/2019 Sad news my Chicago friends. My dearest friend and longtime housemate Dave Riley...
Publicado por Rachel Brown em Terça-feira, 24 de dezembro de 2019

24/12² - Se vai Dave Riley, aos 59. Natural de Detroit, Riley trabalhou como assistente de engenheiro de som para George Clinton em suas instituições funk Parliament–Funkadelic, mas se notabilizou como baixista da banda noise/pós-punk Big Black, de Steve Albini. Para os vanguardistas e post-rockers, a true to the bone.

24/12³ - Nos extras do home video de Superman: Red Son virá mais uma peça da excelente série de curtas DC Showcase. Com direção de Bruce Timm, o protagonista da vez é o misterioso Vingador Fantasma - com raras exceções, personagem só menos desperdiçado que seu primo brasileiro, o Capitão Misterio, que não passou dos corner boxes da Bloch.


26/12¹ - Sue Lyon se vai, aos 73. É quase impossível encontrar uma imagem recente de Suellyn, o padrão que sigo nesses obituários, mas nesse caso até que se justifica. Então com 14 anos, ela foi a Lolita da adaptação de Stanley Kubrick para o livro homônimo de Vladimir Nabokov. Sua imagem deitada ao sol (e bagunçando o imaginário de todo mundo) ficou eternizada na História.

26/12² - Donald Trump ficou laranja de raiva depois que a TV pública canadense CBC cortou fora sua pontinha em Esqueceram de Mim 2. Right-wingers, that's your leader?


26/12³ - Nirvana news: O vídeo de Smells Like Teen Spirit alcança a marca de 1 bilhão de visualizações no YouTube. E vamos ao 1 bilhão e uma.

27/12 - Ryan Reynolds confirma o óbvio: Deadpool 3 sairá pela Marvel Studios. Contanto que seja divertido como o 1º e menos besteirol que 2º, tá valendo. Mas como ficará o Cable situation?


29/12 - Vaughan Oliver se vai, aos 62. O designer gráfico britânico ficou famoso por seus trabalhos para o cultuado selo 4AD. Entre eles, estão obras que ajudaram a definir a estética alternativa das décadas de 1980/1990, como as capas icônicas de discos do Pixies, Lush, Cocteau Twins, The Breeders, Throwing Muses e Bush, entre muitos outros.


30/12¹ - Se vai Syd Mead, aos 86. Designer industrial e artista conceitual neofuturista, Mead foi um dos nomes mais consagrados e influentes da História do automobilismo e do cinema. Seus trabalhos na 7ª Arte são incomparáveis - Star Trek: The Motion Picture, Blade Runner, Tron, 2010, Short Circuit, Alien, Aliens, Blade Runner 2049 e por aí afora. Esse sim, um verdadeiro visionário.

30/12² - A Netflix irá produzir uma nova série live-action adaptando o clássico moderno Avatar: A Lenda de Aang. Posso estar enganado (gostaria), mas acho que esse barco já foi após a tentativa fracassada do longa de M. Night Shyamalan. Preferia continuassem com o universo da saga nos mesmos moldes da ótima A Lenda de Korra. Mas isso é só minha suprema e inquestionável opinião.




Por enquanto é só, pessoal!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Departamento de promoções

O saldo final da Black Friday foi aquele já conhecido "bom-mas-podia-ser-melhor". O assombro das primeiras vezes já passou, de lá pra cá a Amazon dominou e é o que tem pra hoje. Ainda assim, consegui aproveitar e dar baixa em várias coisas de várias listas. No setor dos quadrinhos, resolvi o que tinha pra resolver com a Salvat, botei em dia algum material da Mythos, ri das promoções nonsense da Eaglemoss e recebi há pouco o pacote da Panini - não só o último da leva, como meu último pacote de gibis do ano.

Assim espero.



Justiceiro: Valley Forge é o 4º Deluxe do Caveirão. Um calhamaço de mais de 500 páginas que finaliza o espetacular run de Garth Ennis no título (depois assumido por Gregg Hurwitz) e trazendo complementos generosos: os one-shots The Cell (2005), The Tyger (2006) e The End (2004), além da mini solo completa do inesquecível vilão Barracuda - quem acompanha o blog, sabe que eu sou fã do rapaz. Um dos quadrinhos mais extremos, densos e complexos já feitos. Obrigatório é pouco.



Tinha adorado a capa de Mulher-Gato #1, mas ainda estava na dúvida. Há tempos não leio nada realmente empolgante da gatinha - desde Um Crime Perfeito, pra ser exato. E não conheço nada do trabalho prévio da desenhista e roteirista Joëlle Jones, mas uma googlada de reconhecimento me deu um belo cartão de visitas - além do fato da moça contabilizar três indicações ao Eisner. Em que pese também a parceria com a experiente Laura Allred, resolvi conferir o que essa Selina tem.



Já estava acompanhando a nova fase do Lanterna Verde por Grant Morrison, atualmente na edição #12 lá fora. Suas ideias e conceitos são, como sempre, lisergia pura - mas dessa vez, dando um barato do bom, sem bad trips. Porém, o que me fez sair do DC (++) e colaborar com a DC (Comics) foi o traço lindamente escalafobético do brit Liam Sharp, um dos melhores parceiros que o escocês voador já teve na vida. O homem está desenhando uma barbaridade. Pra daqui a 15 anos erguer essas edições e mandar a plenos pulmões (provavelmente pro espelho): "eu comprei isso na época!"



One-Punch Man é uma das coisas mais divertidas que já li na vida, mas aí vai uma pequena mea culpa: estacionei lá pelo vol. 12 ou 13 já há um bom tempo. O roteiro miniminimalista de ONE e os traços vertiginosos de Yusuke Murata mantiveram o nível tão alto e ainda tão refrescante que cultivei uma retranquinha antes de alguma (inevitável) queda de qualidade. Mas segui pegando e vou me atualizar assim que abrir uma brecha. O que, no caso do Saitama, é trabalho pra 10-15 minutos, no máximo. One-Punch read.



Surreal receber em mãos uma nova edição da Biblioteca Don Rosa pela Panini, no mesmo formato dos volumes da Abril e do ponto onde a coleção parou. Ainda tenho lá, "O Solvente Universal" cancelado na lista de desejos da Amazon. Virou o meu "Wilson". E hoje nós dois vamos tomar todas pra comemorar. Louco é a mãe.



E seguem mais dois volumes de A Espada Selvagem de Conan - A Coleção, as aquisições que mais me dão alegria atualmente. Parece até vingança pelas ESC da Abril nunca adquiridas em tenra idade ou um acerto de contas após décadas de quadrinhos com storytelling de videoclipe e personagens sem culhões (excetuando, claro, os sacudos da Bonelli). E até é, mas também dá uma olhada nas contribuições constantes nas capas. É Roy Thomas, John Buscema, Alfredo Alcala, Dick Giordano, Tony DeZuñiga e toda a sorte de demônios picto-filipinos com o fogo do inferno ebulindo a tinta de seus nanquins. Até o Necronomicon morre de inveja dessa coleção. Puta que o pariu.


Por enquanto é só, pessoal. E antes que eu me esqueça...

Senhor, agradeço por esse material que irei devorar assim que tirar do plástico. Em nome do Stan, do Kirby, do Steve Ditko, amém.